1ª Festa Italiana de Ouro Preto

1ª  FESTA ITALIANA DE OURO PRETO

“Este evento tem por objetivo resgatar a história das famílias italianas que chegaram a Ouro Preto no fim do Século XIX e início do Século XX, e de sua trajetória até o presente. Os seus vínculos com a cidade são férteis e profundos, tendo o reconhecimento em várias áreas de atividades destacando o comércio, as artes e a universidade.

Comemorar com a cidade e seus moradores, visitantes e turistas, de modo festivo é uma maneira de prestar uma justa homenagem as gerações passadas e seus descendentes, inserindo um novo capítulo na vida cultural de Ouro Preto. A Festa que acontecerá na Rua São José, que desde o primeiro momento recebeu a adesão e participação do comércio situado nesta via. De forma inusitada os restaurantes decidiram colocar suas mesas na calçada da rua que será fechada, dando um tom mais italiano, somado ao belo cenário colonial.”

 

Juiz Municipal em 1866

Há 150 anos, no dia 23 de agosto de 1866, tomava posse no cargo de Juiz Municipal e de Órfãos de Leopoldina o bacharel Martiniano de Souza Lintz, formado pela Faculdade de Direito de São Paulo.Posse de Martiniano de Souza Lintz

Sua nomeação ocorrera no dia 18 de maio do mesmo ano, conforme se vê no recorte abaixo.

Nomeação de Martiniano de Souza Lintz

Martiniano de Souza Lintz atuou, também, como advogado e professor em Leopoldina. Em 1881 dava aulas de Latim no Liceu Leopoldinense. Em agosto de 1886 foi eleito 2º Juiz de Paz, tomando posse em janeiro de 1887.

Embora tenha saído de Leopoldina por volta de 1898, deixou descendentes que ali continuam residindo neste século XXI.

57 – Botelho Falcão: a origem do sobrenome no Arquipélago dos Açores

Hoje o Trem de História inicia uma viagem pela família Botelho Falcão. E o começo dela remonta a década de 1860 quando surgem, nos livros paroquiais de Leopoldina e seus distritos, as primeiras referências às ilhas atlânticas do território português que constituem a Região Autônoma dos Açores.

Importante registrar que para estudar as famílias mencionadas como provenientes do Arquipélago dos Açores, inúmeras vezes foi consultada a monumental obra de Gaspar Frutuoso denominada Saudades da Terra, cujo volume IV, que trata especificamente da Ilha de São Miguel, se fez guia do estudo da família aqui tratada.

Registre-se, ainda, como curiosidade, que o conjunto de ilhas conhecido como Arquipélago dos Açores recebeu este nome porque, segundo a lenda, os primeiros portugueses que o avistaram tiveram a impressão de terem visto o “açor” uma ave de rapina diurna, caçadora de animais e pássaros. Mais tarde os navegadores descobriram tratar-se de uma águia popularmente conhecida como “milhafre queimado”. Mas o arquipélago já estava batizado e o açor passou a fazer parte não só do nome como da bandeira dos Açores.

O Arquipélago é formado por Santa Maria, São Miguel, Terceira, Graciosa, São Jorge, Pico, Faial, Flores e Corvo, nove ilhas atlânticas encontradas pelos portugueses no século XV. Dentre estas ilhas destacamos para o estudo atual a de São Miguel, que se divide em seis concelhos: Lagoa, Nordeste, Ponta Delgada, Ribeira Grande, Vila Franca do Campo e Povoação.

Frutuoso destaca, de fontes por ele consultadas, que no século XVI,

“quase doze anos inteiros depois de ser descoberta a ilha de Santa Maria, aos oito dias do mês de Maio da era de mil e quatrocentos e quarenta e quatro anos, por dia do aparecimento do arcanjo S. Miguel, príncipe da igreja, foi vista e descoberta por eles esta ilha; que, por ser achada e aparecer em tal dia e festa do aparecimento do arcanjo, lhe foi posto este nome à ilha de S. Miguel.”

Quanto ao povoamento do arquipélago, a crítica histórica atual apresenta argumentos contrários à data do início recolhida por Frutuoso com a gente de seu tempo. E estes críticos utilizam a informação do próprio autor, que opina ter sido somente na década de 1470 que ali se estabeleceram os povoadores, cujos nomes pudemos conhecer a partir de sua obra.

Ressalte-se que a obra Saudades da Terra permaneceu manuscrita até o século XX e que foi através dela que conseguimos localizar fontes que permitiram esboçar a genealogia de alguns imigrantes açorianos que se tornaram moradores da Vila Leopoldina.

Importante ressaltar, também, que a referência à ilha de São Miguel nos assentos paroquiais leopoldinenses conduziu as buscas para o Livro das Genealogias, um conjunto de 618 fichas genealógicas compulsadas por Carlos Machado e organizadas por Ernesto do Canto, atualmente disponíveis no site da Biblioteca Pública e Arquivo Regional dos Açores.

No índice dessa obra localizamos os Botelho Falcão, em cuja ficha é informado que no século XVIII residiam na Freguesia de Santa Cruz, no concelho da Lagoa. A partir daí, consultamos os livros paroquiais também disponíveis no mesmo site e seguimos para outras freguesias e concelhos, conforme indicavam os registros encontrados. E descobrimos que na Ilha de São Miguel, segundo o trabalho de Carlos Machado, o sobrenome Falcão aparece pela primeira vez em Manoel Botelho Falcão I, que se casou com Maria Corrêa.

Mas antes de abordar a genealogia propriamente dita, é bom esclarecer que o sobrenome Botelho provém de antiga medida utilizada para grãos ou algas marinhas. E que, segundo estudiosos vinculados ao Instituto Português de Heráldica, inicialmente o sobrenome era indicativo da profissão de vendedor de grãos ou algas. Já o sobrenome Falcão tem origem numa ave de rapina da mesma classe do ‘açor’ e foi inicialmente utilizado para denominar o praticante da falcoaria (arte de adestrar falcões para a caça ou, lugar onde se criam falcões, segundo o Dicionário Aurélio). Entretanto, alguns heraldistas argumentam que é sobrenome locativo por ter sido inicialmente utilizado por residentes em lugares onde se praticava a falcoaria em Portugal.

Esclarecendo que em virtude do grande número de homônimos tornou-se imprescindível acrescentar algarismos romanos em alguns nomes para indicar ordem de nascimento mais antiga, como fizemos com Manoel Botelho Falcão I, informamos que a viagem seguirá na próxima edição deste Jornal, com os primeiros personagens do sobrenome e fechamos a carga do vagão do Trem de História de hoje. Até lá.


Fonte consultada:

FRUTUOSO, Gaspar, Saudades da Terra: livro IV (Ponta Delgada, Açores, Instituto Cultural Ponta Delgada, 1998), pag 17.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado no jornal Leopoldinense de 9 de setembro de 2016

Pais leitores, um bom exemplo.

Se quiserem que seus filhos sejam leitores, leiam na presença deles.

Exemplo para os filhos.

Fonte: Movimento Brasil Literário

56 – Barroso Júnior na visão de terceiros

O último vagão com informações sobre João Barroso Pereira Júnior traz opiniões e comentários de pessoas que conhecem a sua obra.

E começa com o material de José Barroso Junqueira(1), citando o tabloide “Leopoldina – 155 anos de História”, jornal publicado em comemoração aos 155 anos da cidade, em 27 de abril de 2009. Para José Barroso, em função de seu tio ter sido “educado desde criança, em colégios de padres, adquiriu sentimentos de moral e religiosidade cristã, desfrutando de estima e consideração de todos que o conheciam.” Segundo a mesma fonte, “sua vida e sua dedicação às causas sociais não ficaram, entretanto, restritas exclusivamente aos preceitos da religião católica. No seio da família, nas reuniões sociais, nos meios literários, sempre baseado na moral teológica, fazia-se admirado pela sua jovialidade, pela sua inteligência, quer palestrando, quer através de produções literárias e históricas.” E acrescenta que, “como jornalista e historiador, o passado o envolvia” e “era evocado em todos os seus acontecimentos dignos de registro”.

Sobre a sua principal obra publicada, “Leopoldina – Os seus primórdios”, José Barroso Junqueira assim se manifesta:

“Uma obra pioneira. Levantamento histórico de episódios relacionados com a nossa cidade, seus vultos, suas vidas e realizações. Esse trabalho, de investigação, levantamento e interpretação de sua significação na vida leopoldinense e publicado em 1943 é, até hoje, leitura e consulta obrigatória de pesquisadores para conhecimento de coisas, fatos e pessoas ligadas à nossa História. Foi escrito com primor e com palavras poéticas, que evidenciam o amor do autor pela cidade que adotou como sua para viver e morrer.”

Mário de Freitas(2), que a ele se refere chamando-o carinhosamente de “Barrosinho”, relaciona-o como professor, bibliotecário, historiador e jornalista.

Sérgio Otávio Bassetti(3), ao historiar a política de educação especial em Santa Catarina, ressalta que as ideias precursoras de educação especial naquele estado organizaram-se em 1954, quando da visita a Florianópolis do Professor Barroso Júnior, que ali esteve para divulgar a novidade do Instituto Nacional de Educação de Surdos – INES, do Rio de Janeiro (RJ). Nessa ocasião o INES havia criado um curso para formação de professores do ensino primário voltado para alunos com deficiência auditiva. Como foi dito no primeiro artigo da série, durante seis meses Barroso Junior prestou apoio à Fundação Catarinense de Educação Especial(4) e ao Instituto de Surdos Mudos de Florianópolis (SC).

Destacamos, ainda, que no discurso de inauguração da Biblioteca Municipal de Leopoldina, proferido em 29 de setembro de 1960, declarou Barroso Júnior:

“Singular solenidade marca hoje a inauguração dessa instituição municipal. Congregamo-nos neste recinto para marcar o início das solenidades culturais da Biblioteca Pública. Aspiração de longos anos, hoje, para gáudio de todos, o novo instituto abre suas portas para o povo”.

Para a coluna Trem de História, ao organizar a Biblioteca Municipal, Barroso Júnior solidificou sua imagem de cidadão preocupado com o acesso de todos aos bens culturais. Por tudo o que fez, foi e escreveu, é personalidade que merece respeito e admiração de todos os leopoldinenses. Suas contribuições para a área cultural leopoldinense, por ações próprias ou, delegadas, pelas peças jornalísticas ou literárias que divulgaram a cidade e, acima de tudo, pelos registros históricos que ainda hoje são base segura para pesquisa de quantos se preocupam com a história de Leopoldina, João Pereira Barroso Júnior está entre os que mais lutaram pelo desenvolvimento cultural da cidade.

Na próxima edição o Trem de História abordará outra personalidade. Aguardem!


Fontes consultadas:

(1)Discurso de posse na Academia Leopoldinense de Letras e Artes, em maio de 2009, sobre seu patrono.

(2) FREITAS, Mário de. Leopoldina do Meu Tempo. Belo Horizonte: Página, 1985. p.236 e 244

(3) BASSOTI, Sérgio Otavio. Política de Educação Especial do Estado de Santa Catarina: proposta. 2006. p.8. Disponível em <http://zip.net/bws76t&gt;. Acesso em 18.11.14.

(4) DESTRI, Débora Silva (Org.) Caderno Técnico do Centro de Avaliação e Encaminhamento – 2008. p.13. Disponível em < http://zip.net/bns7MZ&gt;. Acesso em 01.12.14.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado no jornal Leopoldinense de 26 de agosto de 2016

XXV Concurso Nacional de Poesias Augusto dos Anjos

Estão abertas as inscrições para o 25º Concurso Nacional de Poesias Augusto dos Anjos. As inscrições estarão abertas até 2 de setembro de 2016 e a Cerimônia de Premiação será realizada no dia 11 de novembro de 2016, no Museu Espaço dos Anjos, em Leopoldina, MG.

O Edital encontra-se disponível neste endereço

A Ficha de Inscrição deve ser preenchida aqui.

Memória da Praça Félix Martins

Texto publicado no jornal Leopoldinense em 1 de julho de 2016

55 – Barroso Júnior: o escritor

João Barroso Pereira Júnior foi professor, empresário, funcionário público, bibliotecário, jornalista, historiador e memorialista.

Nos textos anteriores já se falou sobre algumas de suas funções. Neste serão abordadas as atividades ligadas à escrita. A começar pela notícia de que ele é patrono da cadeira nº 8 da Academia Leopoldinense de Letras e Artes, ocupada por seu sobrinho José Barroso Junqueira e que sua atividade como memorialista o credenciou para ser considerado um dos mais destacados da cidade de Leopoldina.

Como jornalista, Barroso Junior escreveu, dentre muitos outros, um artigo especial para a revista Dom Casmurro, de 01 de novembro de 1941, sob o título “Nirvana da Leopoldina” sobre Augusto dos Anjos onde afirma que o poeta “procurou nas montanhas mineiras novos ares à saúde combalida”. E contou como foram os últimos dias de vida do poeta paraibano em Leopoldina, reproduzindo informações de jornal da cidade. Registrou que “Nos primeiros dias de novembro (1914) o Dr. Augusto não apareceu na diretoria do Grupo Escolar. Mandara dizer à Dona Maria Brígida de Medeiros Castanheira, sua auxiliar de administração, que estava doente. E encerra dizendo que “Desse moço que publicara – um livro amargo – doloroso, extremamente triste, em 1912, ocupou-se toda a imprensa do país, ao ensejo de sua morte”. Para assistir aos funerais do poeta paraibano, toda a Leopoldina saiu de casa.”

Em 1932 escreveu um artigo especial publicado na revista Eu Sei Tudo(1), por conta dos 100 anos do início do povoado que se transformou na cidade de Leopoldina. Aí, em seis páginas, encimada a primeira pelo brasão da cidade, dentre outros fatos, registrou a missa realizada para marcar este centenário, na subida dos Pirineus.

No mesmo artigo, publicou um soneto sobre “o alpestre da Pedra do Cruzeiro, na Serra dos Puris”:

Para a Revista Acaiaca(2), edição comemorativa do Centenário de Leopoldina, escreveu longo artigo sobre a história de Leopoldina desde o nascimento do povoado em 1831, num excelente registro de fatos ocorridos e pessoas que viveram no antigo Feijão Cru. E são desse trabalho as informações importantes que até hoje são repetidas por vários historiadores da cidade.

“Chegamos à Praça do Rosário. Foi aqui que a cidade nasceu […]. Em 1831, eleva-se aí a Casa do Rosário. O primeiro centenário achou nesse mesmo local a Igreja da mesma invocação. Buena Flor, que deixou em tantas obras o testemunho de sua arte, fez também o altar-mor, púlpitos e florões ornamentais desse gracioso templo. […] Hoje tem foros de Matriz e nela se sagrou com grande pompa S. Ex. Revma. Dom Aristides de Araújo Porto, seu antigo vigário.”

Em 1943, publicou a sua principal obra, o livro “Leopoldina e seus Primórdios” que na página 10 traz o local onde foi concluída: “Ginásio Rio Branco, Outubro de 1943”.

É desta obra, inclusive, a informação de que Joaquim Antônio de Almeida Gama, estudado nos artigos anteriores do Trem de História, foi o primeiro historiador-memorialista de Leopoldina, sendo provavelmente a fonte para o artigo A Cidade de Leopoldina, publicado(3) em 1886. Uma obra onde beberam e ainda bem, muitos conterrâneos que se dedicaram e se dedicam a remover o pó que recobre o passado da “Cidade Menina”, cantada pelo poeta Átila da Cruz Machado em poema publicado em 1961.

O Trem de História de hoje fica por aqui. Mas voltará no próximo número ainda falando de Barroso Júnior e sua obra, na visão de terceiros. Até lá.


Fontes consultadas:
(1) BARROSO JR. Nossa Terra: O centenário da Cidade de Leopoldina, em Minas Geraes. Revista Eu Sei Tudo, Rio de Janeiro, Cia Editora Americana, nº 179, abril de 1932, 11º do anno XV, p. 11-14.
(2) LEOPOLDINA. Prefeitura Municipal. Revista Acaiaca: Primeiro Centenário de Leopoldina. Belo Horizonte: s.n., 1954., p. 13-36
(3) A Cidade de Leopoldina in: Almanaque de Leopoldina, Leopoldina: s.n., 1886. p.71-81

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado no jornal Leopoldinense de 16 de agosto de 2016

Agosto de 1916

Há 100 anos, nasceram em Leopoldina:

4 ago 1916

Francisca

filha de Joaquim Vieira Ramos e de Olinta Schettino de Souza

10 ago 1916

Gizelda Dietz de Almeida

filha de Carlos José de Almeida e de Guilhermina Dietz

10 ago 1916

João

filho de Manoel Francisco da Silva e de Francisca Rodrigues de Souza

21 ago 1916

Umbelina Marinato

filha de Riccardo Antonio Marinato e de Oliva Palmira Carraro

22 ago 1916

Tarcilia

filha de Sebastião Damasceno Neto e de Maria José Ferreira

26 ago 1916

Waldemar

filho de Manoel Custódio Ferreira Neto e de Virgilina Vargas Neto

30 ago 1916

Orlando

filho de Otavio José Ferraz e de Angelina de Almeida Ramos

Sesquicentenário de nascimento: agosto

Há 150 anos, nasceram em Leopoldina:

1 ago 1866

Antonio Carlos de Oliveira filha de Antonio Carlos de Oliveira e de Inacia Presceliana de Rezende Montes

1 ago 1866

Inacia Augusta de Moraes filha de Inácio Rodrigues Gomes e de Delfina Ignacia de Moraes

6 ago 1866

Elisa filha de Francisco de Paula P. Fernandes e de Luiza Amélia da Gama Cerqueira

7 ago 1866

Caetano Alves de Novaes filho de Manoel Joaquim de Novaes e de Sebastiana Cândida de São José

7 ago 1866

Juvelina filha de Roque Lopes da Silva Catete e de Maria Graciana da Silva

16 ago 1866

João Mamede de Souza filho de Luiz Pereira de Souza e de Luiza Maria de Nazareth

16 ago 1866

Virginia Angelica da Gama filha de Joaquim Antonio de Almeida e Gama e de Maria Josefina Cândida de Jesus