No dia 22 de fevereiro de 2019, como parte das comemorações pela passagem do Dia Nacional do Imigrante Italiano, o jornal Leopoldinense lançará o vídeo A Trajetória dos Colonos que viveram em Leopoldina, baseado no trabalho de pesquisa de Luja Machado e Nilza Cantoni.
Há 100 anos
116 – Alfredo Funchal Garcia, o irmão engenheiro

Até aqui não se sabia que o terceiro filho de Alfredo Garcia Ribeiro e Mariana dos Prazeres Funchal, nascido[1] em Leopoldina no dia 02 de janeiro de 1885, tinha trabalhado[2] nas instalações telefônicas de Paranaguá e Rio Negro, no Paraná. Hoje se conhece isto e um pouco mais.
Alfredo era Engenheiro eletricista, em 1912 foi contratado pela Fernandes & Co, de propriedade de Paulino Fernandes, Aurélia Tanneg e Ignacio D. de Carvalho, para dirigir os trabalhos de instalação do serviço telefônico em Cataguases, Muriaé e Palma, em Minas Gerais, assim como em Santo Antônio de Pádua, no Estado do Rio.
Em 1922 era chefe[3] da secção de eletricidade da Secretaria de Agricultura do Espírito Santo, cargo que o levou a constantes viagens dentro do estado e também para o Rio de Janeiro.
É de se destacar, ainda, um relato[4] publicado em jornal de Conselheiro Lafaiete que se transcreve com a ortografia da época:
“De há muito que se tornou assumpto obrigatório em rodas de inteligentes a discussão sobre a radiographia e a radiophonia. Entretanto, até há poucos dias, o assumpto não era de nosso pleno conhecimento, pois, se bem que já houvéssemos lido muito e muito escutado sobre o assumpto, não nos tinha sido proporcionada a ocasião de ver um desses aparelhos e ver o seu funcionamento, se bem que já houvéssemos tido ocasião de ouvir, por uma gentileza dos Srs. João Hallais de Oliveira e Brandimarte do Valle, algo cantado no Rio, por intermédio do aparelho que o primeiro desses senhores tem funcionando em Buarque[5], mas pela linha da Comp. Telephonica de Queluz, cuja ligação nos permitiu amavelmente o segundo. Só há bem pouco, no ‘Meridional-Hotel’, conseguimos ver um desses apparelhos funcionar, quando ali se encontrava hospedado o Sr. Alfredo Funchal Garcia, residente no Rio à rua Maris e Barros n. 294, atencioso representante da Red-Corporation, com sede no Rio de Janeiro, e da General Eletric, também com sede no Rio, á Avenida Rio Branco ns. 60 a 64.
[…]Agora, porém, o nosso Municipio já possue diversos aparelhos radiophonicos. Tem o do Sr. João de Oliveira, em Buarque. Outro existe na Comp Santa Mathilde, o qual, segundo nos asseveraram, ainda não conseguiu funcionar perfeitamente.
Em Congonhas do Campo formou-se uma sociedade, que adquiriu um desses modernos aparelhos, que, nos informam com segurança, está funcionando perfeitamente. O Dr. Victorino dos Santos Ribeiro, ainda é informação que temos, vae colocar um desses aparelhos em sua residência. Para o Meridional-Hotel, o Sr. Leonidio Dias também já adquiriu um magnifico aparelho, dos mais modernos e potentes, o qual está funcionando regularmente.”
Como se vê, o leopoldinense Alfredo Funchal Garcia participou da difusão de um meio de comunicação que representou, para a época, o equivalente ao que a rede mundial de computadores passou a representar nos últimos vinte anos. E não foi só isso. Em 1926, Alfredo estudava[6] a implantação de uma usina hidroelétrica em Conselheiro Lafaiete (MG), para fornecer força e luz ao distrito de Morro do Chapéu daquele município.
Em 1938, era professor[7] do Gymnasio de Porto Novo do Cunha, da cidade de Além Paraíba, onde se tornou sócio fundador[8] do Aero-Clube local, em junho de 1943, fazendo parte da primeira diretoria com o cargo de diretor de material.
A história de Alfredo fica por aqui. Mas a dos irmãos Funchal Garcia continuará na próxima edição, quando o Trem de História trará o caçula, João Funchal Garcia, que se destacou noutra atividade. Até lá.
Fontes consultadas e nota:
1 – Arquivo da Diocese de Leopoldina, lv 02 bat fls 128 termo 1214.
2 – A Imprensa. Rio de Janeiro, 27 jun. 1912, ed 1638, p. 7, coluna 1
3 – Diário da Manhã. Vitória, ES, 23 mar. 1922 ed 183 p. 3 coluna 2.
4 – Correio da Semana. Queluz de Minas, MG, 26 de março de 1925 ed 517 p. 4 colunas 2/3.
5 – Buarque é a forma simplificada de Buarque de Macedo, distrito de Conselheiro Lafaiete (MG).
6 – O Jornal. Rio de Janeiro, RJ, 14 nov. 1926 ed 2433 p. 10 coluna 8.
7 – Gazeta de Notícias. Rio de Janeiro, RJ, 17 jul. 1938 ed 167 p. 8 coluna 5.
8 – O Jornal. Rio de Janeiro, RJ, 29 ju.1943 ed 7373 p. 2 coluna 2.
Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA
Publicado na edição 368 no jornal Leopoldinense de 1 de dezembro de 2018
115 – Os irmãos do pintor Funchal Garcia

A viagem do Trem de História segue pela família de Manoel Funchal Garcia, trazendo um pouco sobre os filhos do casal Alfredo Garcia Ribeiro e Mariana dos Prazeres Funchal.
Maria Amélia nasceu em 28 de outubro de 1880 e foi batizada no dia 07 de novembro do mesmo ano, tendo por padrinhos Antonio Francisco Alves Neto e Rosa Martins Funchal, esposa de José Joaquim, tio materno da batizanda. Maria Amélia se casou com o português Antonio Alves de Freitas com quem teve, pelo menos, quatro filhos: Adelia, Altilia, Irene e José, este ultimo advogado[1] em Carangola em 1939. Maria Amélia faleceu no Rio de Janeiro aos 24 de setembro de 1924.
O segundo filho de Alfredo e Mariana foi Silvandino Funchal Garcia. Nascido[2] em novembro de 1882. Por volta de 1910 Silvandino assumiu a padaria da família. Dele, vale ressaltar que numa demonstração de boa percepção dos avanços da época, em fevereiro de 1913 adquiriu[3] amassadeira mecânica e outros aparelhos acionados por energia elétrica para modernizar as instalações ainda bem precárias da padaria e aproveitar a eletricidade que havia chegado a Leopoldina pouco mais de 4 anos antes.
Silvandino casou-se com Esmenia Ferreira, nascida em Leopoldina aos 29 de novembro de 1884, filha de João Batista Ferreira e Leopoldina Esméria de Almeida, com quem teve sete filhos, dentre eles Paulo Ferreira Garcia que ocupou a cadeira nº 16 da Academia Leopoldinense de Letras e Artes e, José Ferreira Garcia, nascido em Leopoldina aos 16 de junho de 1913, pai de Maria José Ladeira Garcia que ocupa a cadeira nº 13 da mesma Academia.
Alfredo Funchal Garcia foi o terceiro filho do casal e será abordado em artigo especial.
O quarto filho de Alfredo e Mariana foi Antônio Funchal Garcia Nascido por volta de 1887, faleceu[4] em Leopoldina aos 04 de setembro de 1963. Segundo Mário de Freitas[5], só veio a falar de maneira inteligível após a morte da mãe. Figura popular nas ruas de Leopoldina, eventualmente era vítima de brincadeiras desagradáveis da garotada.
O pintor Manoel Funchal Garcia, foi o quinto filho e é o personagem leopoldinense que se homenageia com esta série de artigos que pretendem marcar os 130 anos do seu nascimento.
O sexto filho do casal foi Aurora, nascida[6] aos 23 de janeiro de 1891, de quem nada se conseguiu apurar.
José Funchal Garcia, o sétimo filho, nasceu[7] a 28 de fevereiro de 1893 e faleceu[8] a 27 de setembro de 1966 em Leopoldina. Vivia no Rio de Janeiro na década de 1930. Morou[9] na Rua da Candelária nº 93. Em 1933 era funcionário[10] da Companhia de Armazéns Geraes Mineiros, sediada na então Capital da República.
João, o oitavo filho de Alfredo Garcia Ribeiro e Mariana dos Prazeres Funchal, terá sua trajetória comentada em artigo à parte.
Completada a família, encerra-se aqui a viagem de hoje. No próximo encontro, o Trem de História trará a história do filho Alfredo Funchal Garcia que se destacou como engenheiro eletricista e foi figura importante na implantação da telefonia em diversas cidades dos estados de Minas Gerais, Paraná e Rio de Janeiro. Aguardem!
Fontes consultadas:
1 – O Radical. Rio de Janeiro, RJ, 1 dez. 1939 ed 2343 p. 2 coluna 7
2 – Arquivo da Diocese de Leopoldina, lv 02 bat fls 83 termo 755.
3 – O Paiz. Rio de Janeiro, RJ, 12 de fevereiro de 1913 ed 10355 p. 4 coluna 2
4 – Cemitério Nossa Senhora do Carmo, Leopoldina, MG, lv sepultamentos 1963-1975 fls 6 nº 251 plano 2 sep 125.
5 – FREITAS, Mário de. Leopoldina do Meu Tempo. Belo Horizonte: 1985. p.39
6 – Arquivo da Diocese de Leopoldina, lv 03 bat fls 186v termo 95.
7 – Arquivo da Diocese de Leopoldina, lv 04 bat fls 117v termo ordem 1140.
8 – Cemitério Nossa Senhora do Carmo, Leopoldina, MG, lv sepultamentos 1963-1975 fls 30 nr 256 plano 2 sep 703.
9 – Crítica. Rio de Janeiro, RJ, 24 jun 1930 ed 507 p. 8 coluna 2.
10 – A Noite. Rio de Janeiro, RJ, 10 jan 1933 ed 7590 p. 8 coluna 3.
Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA
Publicado na edição 367 no jornal Leopoldinense de 16 de novembro de 2018
114 – A formação da família Funchal Garcia

O Trem de História segue por sua linha principal cujo objetivo é trazer para os dias de atuais os personagens leopoldinenses que contribuíram para o desenvolvimento da cidade.
A partir de hoje, numa sequência de vagões, pretende trazer a vida e obra de um renomado pintor e professor leopoldinense. Do autor do mural do conjunto da concha acústica da Praça Félix Martins que retrata a lenda do Feijão Cru. Do conterrâneo que empresta seu nome a uma avenida do bairro São Cristóvão. E, do também jornalista e escritor, patrono da cadeira nº 12 da Academia Leopoldinense de Letras e Artes – ALLA, (Manoel) Funchal Garcia, nascido[1] a 03.02.1889 em Leopoldina e falecido no Rio de Janeiro (RJ) em 1979.
E começa trazendo um pouco sobre a sua família, iniciada em 31 de janeiro de 1880, em Leopoldina, com o casamento[2] dos portugueses Alfredo Garcia Ribeiro e Mariana dos Prazeres Funchal.
Alfredo, filho de Francisco Garcia Monteiro e Ana Ribeiro Borges, segundo descendentes, procedia de Midões, em Portugal. Importante registrar que esta informação sobre o local de origem de Alfredo não foi, ainda, devidamente documentada. Sabe-se que Midões é designação geográfica que remete o pesquisador a três diferentes locais: o primeiro deles, pertencente à freguesia de Sazes do Lorvão, Concelho de Coimbra; o segundo, à freguesia de Tábua, também no Concelho de Coimbra; e, o terceiro, a uma freguesia do Concelho de Barcelos, extinta em 2013. Daí não se saber o exato local do nascimento de Alfredo.
Alfredo Garcia Ribeiro faleceu por volta de 1900, possivelmente em Leopoldina. Foi sócio[3] da empresa Araújo & Ribeiro até janeiro de 1882 quando desfez a sociedade e assumiu todo o negócio. Segundo notícia de jornal da época, a empresa funcionava na Rua do Rosário nº 49. Ao que tudo indica, o mesmo endereço[4] da Casa de Pensão que em 1896 funcionava na já então nomeada Rua Tiradentes nº 30. Endereço de moradia da família e onde funcionava a padaria[5] de Alfredo, que após sua morte ficou sob administração da esposa e, mais tarde, do filho mais velho.
Mariana, filha de José Antonio Funchal e Francisca Inácia Mendes, tem como origem provável a cidade de Funchal, capital da Região Autônoma da Madeira, uma das ilhas atlânticas de Portugal.
Sobre Mariana, conta-se que no dia 11 de outubro de 1933 ela foi atropelada[6], na rua Tiradentes, pelo automóvel dirigido por José Vilela. Segundo algumas fontes, a partir daí passou por sucessivos problemas de saúde até 1939 quando, bastante doente, os filhos a levaram para o Rio de Janeiro, onde faleceu[7] no dia 30 de novembro daquele ano.
Registre-se, por fim que, segundo Luiz Rousseau Botelho[8], Dona Mariana participava do mais antigo Centro Espírita de Leopoldina[9].
A carga de hoje termina aqui. Mas no próximo Jornal tem mais Funchal Garcia. Aguardem.
Fontes consultadas:
1 – Arquivo da Diocese de Leopoldina, lv 3 bt fls 80 termo s.nº
2 – Arquivo da Diocese de Leopoldina, lv 1 cas fls 31 termo 79.
3 – O Leopoldinense. Leopoldina, MG,. 22 jan. 1882, ed. 7, p. 3.
4 – O Mediador. Leopoldina, MG,. 28 jan. 1896, ed. 21, p. 3
5 – idem, 1 nov. 1896, ed 50, p. 1
6 – Gazeta de Leopoldina. Leopoldina, MG, 14 out 1933 ed 143 p. 2 coluna 2.
7 – Diário Carioca. Rio de Janeiro, RJ, 1 dez 1939 ed 3522 p. 11.
8 – BOTELHO, Luiz Rousseau. Dos 8 aos 80. Belo Horizonte: Vega, 1979. p. 44.
9 – Almanack do Arrebol. Leopoldina-MG, 1984-1985, ano 2, nº 6, p. 6.
Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA
Publicado na edição 366 no jornal Leopoldinense de 30 de outubro de 2018
Há 100 anos
113 – Entrelaçamentos na família de João Ignacio de Moraes
O Trem de História resgata hoje um pouco da vida e família de João Ignacio de Moraes, outro morador da Serra de Ibitipoca que teve filhos migrados para Leopoldina e descendentes que se entrelaçaram com os Rodrigues, sobrenome do Paulino.
Após a publicação desta série, foram localizados processos de dispensa matrimonial e inventários de parentes de João Ignacio de Moraes que modificaram alguns vínculos. Estudo completo sobre a família encontra-se agora em https://cantoni.pro.br/2020/12/27/memoria-historica-revisitada-angaturama/
Importante destacar que os filhos de João Ignacio de Moraes e Anastácia Felisbina de Jesus usaram formação de sobrenome bem variada, o que dificulta sobremaneira a identificação deles. Alguns perpetuaram o sobrenome do pai enquanto outros resgataram o sobrenome do avô paterno, hábito bastante frequente na época. Outro aspecto que chama a atenção é o uso de sobrenome de família por duas das filhas mulheres, pois o mais comum era que elas usassem apenas um nome de devoção.
De modo geral, a adoção ou não de sobrenomes tinha relação com a posição econômica da família. A perpetuação do sobrenome Oliveira, entre filhos e netos do casal tanto pode ser referência ao pai de João Ignacio como ao de Anastácia Felisbina. Batizada(1) aos 13 de julho de 1800, foi a terceira filha de Maria Narciza de Jesus e Vital Antonio de Oliveira, sendo neta materna do português Bernardo da Costa de Mendonça, proprietário na localidade de Ribeirão dos Cavalos, em Santana do Garambéu, e de Maria Tereza de Jesus cuja mãe foi uma das lendárias Três Ilhoas, das quais grande parte dos mineiros é descendente. Ou seja, Anastácia Felisbina era sobrinha de Rita Esméria de Jesus, esposa do “comendador” Manoel Antonio de Almeida, casal que esteve entre os povoadores do Feijão Cru.
Os avós paternos de Anastácia foram Bernardina Caetana do Sacramento e o português José Rodrigues Braga, cujos filhos usaram, principalmente, o mesmo sobrenome Oliveira mantido pelos filhos de Anastácia. Mas entre os tios paternos de Anastácia, alguns usaram também o Rodrigues que parece representar um elo com Manoel Rodrigues da Silva, avô paterno de Paulino Augusto Rodrigues. Pelo menos uma das tias paternas migrou para a nossa região e dos avós paternos de Anastácia descendem alguns usuários do sobrenome “de Bem” em Leopoldina, Recreio e Muriaé.
Verifica-se, portanto, que os filhos de Anastácia Felisbina e João Ignácio de Moraes têm ancestrais comuns aos pioneiros moradores do Feijão Cru e seus descendentes mantiveram tais laços, especialmente na família próxima de Paulino Augusto Rodrigues.
Os filhos do casal foram batizados na Igreja de Nossa Senhora da Conceição de Ibitipoca que, à época, jurisdicionava o território que mais tarde veio a formar o distrito de Quilombo, município de Bias Fortes. É o que se comprova pela localização da propriedade de João Ignacio de Moraes conforme o registro(2) de 1856:
“(literis) Eu abaixo assignado sou senhor e possuidor de uma sorte de terras de cultura cita na fazenda do Ribeirão de S. João no Distrito do Quilombo, Freguesia de Santa Rita que levará de planta de milho sem alqueires pouco mais ou menos, cujas comfrontão com as segtes. Por lado devidem com Francisco Antônio, Francisco Vilas e José Luiz do Carmo, A Vieira da Rocha e Francisco Moraes meos socios e com a fazenda que foi do Pe. F… por verdade….inverte… da Ley Regulamentar….. que vai por mim c/o m. assignado. Ribeirão de São João 25 de fevereiro de 1856. João Ignacio de Moraes.”
A partilha das terras, ocorrida após a morte de João Ignacio em 1876, corrobora a afirmação da origem dos “Rodrigues” da família do Paulino Augusto na região conhecida como Serra da Ibitipoca, de onde vieram também os Almeida Ramos, os Ferreira Brito e os Gonçalves Neto, povoadores do Feijão Cru.
Dos 13 filhos de João Ignacio de Moraes e Anastácia Felisbina, viveram em Leopoldina os 8 listados a seguir:
|–Mariana Carolina de Oliveira
| +Justino Marques de Oliveira
|–Vital Ignacio de Moraes
| +Umbelina Cassiano do Carmo
|–Joaquim Candido da Silva
| +Rita Carolina de Oliveira
| +Erondina Corrêa Lacerda
|–Antonio Romualdo de Oliveira
| +Francisca Carolina de Oliveira
|–Delfina Honorata de Jesus
| +José Alexandre da Costa
|–José Ignacio de Oliveira
| +Maria Messias de Almeida
|–Maria Luiza de Jesus
| +Joaquim Antonio de Almeida Ramos
| +Antonio Joaquim Vilas Boas
|–Rita Ignacia de Moraes
| +Antonio Rodrigues da Silva
É evidente que a história de Paulino Augusto Rodrigues, seus ascendentes e descendentes não termina aqui. Mas esta série de artigos sobre ele, sim. No próximo Jornal, outro personagem ocupará este espaço, seguindo a ideia inicial dos autores de, com estas viagens do Trem de História, resgatar a história da gente que construiu Leopoldina. Até lá.
Fontes de Referência:
1 – Igreja de Nossa Senhora da Piedade de Barbacena. lv 02 bat fls 67-verso.
2 – Registro de Terras de Santa Rita de Ibitipoca, termo 27.
Luja Machado e Nilza Cantoni - Membros da ALLA
Este artigo foi publicado na edição 365 do jornal Leopoldinense de 16 de outubro de 2018 e atualizado em janeiro de 2021
Dezembro 1918
Nascimentos em Leopoldina:
1 Dez 1918,
Luciana Sangirolami
pais: Egidio Sangirolami e Pierina Mariana Borella
13 Dez 1918,
Luzia Borella
pais: César Augusto Borella e Hercilia Franzone
14 Dez 1918,
Lia
pais: Eduardo de Souza Werneck e Cecilia Pereira Werneck
18 Dez 1918,
Mário Soares Godinho
pais: Climério Duarte Godinho e Maria Soares
cônjuge: Helena Rodrigues de Almeida
Camelia
pais: Cristiano Otoni de Oliveira e Ezaltina Barbosa de Oliveira
22 Dez 1918,
Geraldo
pais: Sebastião Vargas Moraes e Djanira de Almeida Lacerda
31 Dez 1918,
Anastacio
pais: José Vitorino de Almeida e Leonor Pereira de Oliveira
Novembro 1918
Nascimentos em Leopoldina:
2 Nov 1918,
José
pais: José de Matos e Maria Carolina Ferreira do Couto
3 Nov 1918,
José
pais: Tomé de Andrade Junqueira e Iria dos Reis Junqueira
5 Nov 1918,
Sebastiana
pais: Emilio de Oliveira e Silva e Maria da Gloria de Oliveira
10 Nov 1918,
Manoel Gottardo da Silva
pais: Moyses Augusto da Silva e Angelina Gottardo
12 Nov 1918,
Braz Lammoglia
pais: Francisco Lammoglia e Maria Lammoglia
Geraldo
pais: Carlos José de Souza e Maria José da Glória
Wanir
pais: Aniceto Teixeira Gomes e Otilia Nogueira
14 Nov 1918,
José Lorenzetto
pais: Ulisses Lorenzetto e Olinda Leite Ferreira Santos
15 Nov 1918,
Maria de Lourdes
pais: Antonio Samorè e Brasilina Dalto
16 Nov 1918,
Valdemar Almeida
pais: Francisco Antonio de Almeida e Francisca Pereira de Oliveira
cônjuge: Lelia Braga
16 Nov 1918,
Maria de Lourdes
pais: Plautino Dias Soares e Carmelita Tavares Pinheiro
17 Nov 1918,
Francisca
pais: Washington Dutra do Vale e Floripes de Carvalho Reis
19 Nov 1918,
Maria Zuleika
pais: Secundino Antonio de Oliveira e Josefina Martins dos Santos
20 Nov 1918, Providência,
João Ricciardelli
pais: Luigi Ricciardelli e Maria Perdonelli
21 Nov 1918,
Aroldo
pais: João Reiff de Paula e Maria Haydée Guimarães
112 – Trajetória de Paulino Augusto Rodrigues

Como ficou dito no início desta viagem, Paulino Augusto Rodrigues nasceu em 1870 na Fazenda Puris.
E é bom que se registre que a propriedade ficava ao pé da Serra dos Puris e sua sede foi cortada pela BR 116, no km 771, nas proximidades do Bairro da Onça.
Durante 77 anos, até seu falecimento(1) no dia 19 de setembro de 1947, em Leopoldina, Paulino foi figura de destaque, tendo sido considerado um homem extremamente bom.
Foi “Capitão” da Guarda Nacional, juiz de paz e delegado de polícia substituto no município de Leopoldina. Hoje, empresta seu nome a uma rua da cidade, no bairro do Rosário. Foi fazendeiro e proprietário de vários imóveis urbanos. Herdou parte da fazenda Puris e em abril de1909 vendeu-a para seu irmão Antônio Augusto Rodrigues. Em dezembro do mesmo ano, adquiriu a fazenda Bela Aurora, que ficou mais conhecida como “Fazenda do Banco”, localizada na antiga estrada de Leopoldina para o distrito de Piacatuba.
Sobre a Bela Aurora, cabe registrar nota(2) do Jornal Irradiação, de novembro de 1888, que faz luz sobre a origem do nome pelo qual passou a ser conhecida. O texto dá notícia da existência de procedimento judicial de autoria do Banco do Brasil, contra Venâncio José D’Almeida Costa e sua mulher, tornando público que legalmente a fazenda Bela Aurora, pertencente aos requeridos, estava sendo assumida pelo Banco. Mais adiante outros documentos vieram mostrar que a Bela Aurora pertencia, quando transferida para Paulino, ao Comendador Tobias Laureano Figueira de Melo, que a arrematara em hasta pública.
Figueira de Melo era (3) “Comendador da Ordem da Rosa, do Brasil e da Ordem de Christo, de Portugal. Fez importantes donativos a institutos de beneficência e de ensino. Era sócio benemérito e vice-presidente da Sociedade Propagadora de Bellas Artes, sócio correspondente do Instituto do Ceará, e sócio honorário do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, para o qual entrou 12 de outubro de 1890”. Era um homem do seu tempo, reproduzindo as práticas comuns entre as famílias da elite dominante, com destaque para a benemerência.
Nascido aos 23 de junho de 1842 em Sobral, no Ceará, filho de Ana Rosalina e Francisco Laureano Figueira de Melo, mesmo já residindo no Rio de Janeiro continuava realizando negócios e investimentos do estado natal e, seguindo o ritmo da economia, tornou-se também fazendeiro de café. Em 1889, recebeu(4) Medalha de Ouro na Exposição Universal de Paris, onde expôs a variedade de café que produzia. No mesmo ano, assumiu o posto(5) de Conselheiro do Banco do Brasil, no Rio de Janeiro e, provavelmente no exercício da função, tomou conhecimento de que na pequena Leopoldina, então grande produtora de café na zona da mata mineira, o Banco do Brasil havia arrestado a Fazenda Bela Aurora que fora dada em garantia hipotecária pelos antigos donos, Venâncio José de Almeida Costa e sua mulher.
Se por informação privilegiada ou por outro meio, o fato é que logo depois Figueira de Melo se tornou proprietário da fazenda Bela Aurora, então conhecida como Fazenda do Banco. Em 1891, criou(6) a Associação Comercial Vista Alegrense, em Leopoldina, da qual foi Diretor Presidente. E por algum tempo transformou a fazenda em moradia temporária, para cá trazendo esposa e filhos. Um deles, Alfredo Figueira de Melo, aqui faleceu(7) em março de 1904.
Paralelamente, continuava com suas atividades na Capital, como investidor e também comerciante estabelecido(8) na Rua Buarque de Macedo nº 73, no Catete.
É certo também que, com a crise do café de 1902, começou a redirecionar seus investimentos para outras áreas, deixando a produção da Bela Aurora por conta de seu administrador, Paulino Augusto Rodrigues, para quem vendeu a propriedade, conforme anotação do próprio comprador em sua caderneta pessoal:
“Escritura da Fazenda Bela Aurora, foi passada em 23 de dezembro de 1909, por $40.000,000 e a escritura foi por $4.410,000, os registros por $3.190,000. Pelo Tabelião Constantino Thomas de Oliveira.” (Cópia literal).
A série sobre o Paulino Augusto Rodrigues ainda merece mais uma viagem. E ela virá na próxima edição do Jornal, trazendo informações sobre o seu parente João Ignacio de Moraes, citado no texto 107.
Fontes de Referência
1 – Cemitério Nossa Senhora do Carmo, Leopoldina, MG, lv de sepultamentos de 1947, termo 196.
2 – Jornal Irradiação. Leopoldina, 14 nov. 1888, ed 39 pag 3.
3 – Diccionário Bio-bibliográfico Cearense do Barão de Studart. Portal da História do Ceará. Disponível em <http://portal.ceara.pro.br/index.php?option=com_content&view=article&id=1241&catid=292&Itemid=10> Acesso 6 jun.2018
4 – MOREIRA, Nicolau Joaquim. O Auxiliador da Indústria Nacional. Rio de Janeiro: Laemmert, 1889. pag 245.
5 – Gazeta da Tarde. Rio de Janeiro, 5 nov. 1889, ed 300 pag 2.
6 – Diario do Commercio. Rio de Janeiro, 23 jan 1981, ed 778 pag 1.
7 – Jornal do Brasil. Rio de Janeiro, 15 mar. 1904, ed 75 pag 6.
8 – LAEMMERT, Eduardo e Henrique. Almanak Laemmert. Rio de Janeiro, 1914 ed A00070 pag 1877.
Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA
Publicado na edição 364 no jornal Leopoldinense de 1 de outubro de 2018








