Ascendência de Murilo Almeida Corrêa Alves

Ascendentes de Murilo Almeida Corrêa Alves

Nascido em 2018, Murilo é mais um representante da 10ª geração de descendentes de Antonio de Almeida Ramos, através de seu filho José de Almeida Ramos. Pela terceira-avó Maria Magdalena, pertence também à 11ª geração do mesmo genearca.

Outros povoadores de Leopoldina, cidade da zona da mata mineira, fazem parte da ascendência de Murilo: Joaquim Ferreira Brito, Antonio e Bento Rodrigues Gomes, Bernardino José Machado e José Vital ou Vital Luiz Ignacio de Moraes.

146 – Imigrantes Italianos em Leopoldina – Cozinha, despensa, paiol e tulha

Como foi dito anteriormente, os colonos se alimentavam principalmente do que produziam. Do armazém ou “venda de secos e molhados” como se dizia, vinha pouca coisa além do querosene, sal e uma ou outra necessidade. Era da terra que tiravam o sustento da família.

Na Colônia Agrícola da Constança e nas pequenas propriedades da região, via de regra estes alimentos chegavam à mesa do colono por meios e caminhos mais ou menos semelhantes.

Do campo de plantio ou, do roçado, eram colhidos pelos trabalhadores, transportados em balaios e cestos de taquara, nos ombros, em lombo de animais ou, por vezes, em carro de bois. Eram levados geralmente para um terreiro próximo da casa, onde recebiam uma derradeira secagem ao sol, antes de serem estocados em paiol, tulha ou despensa, nomes dos locais onde se guardava a produção das lavouras.

O milho em espigas, por exemplo, era guardado no paiol, um cômodo geralmente coberto com sapé ou telha do tipo canal, com paredes e assoalho de bambu, pau roliço ou ripa de madeira lavrada, com frestas que facilitavam a ventilação e evitava a proliferação do caruncho. De modo geral, era construído junto à casa do colono e, em alguns casos, debaixo dele ficava o chiqueiro onde se engordava o porco.

A tulha era um cômodo mais protegido, com paredes vedadas, geralmente de tijolos, onde se guardavam produtos estocados em grãos como o café, o arroz e outros alimentos que exigiam melhor proteção contra as correntes de ar e/ou predadores.

A despensa geralmente era um pequeno cômodo da casa, próximo à cozinha, onde se estocavam os alimentos mais sensíveis ou de utilização mais imediata como o fubá, o açúcar mascavo, carnes, queijos, conservas, etc.

Era no paiol que se retirava a palha da espiga e se debulhava o milho, ou seja, retirava-se o caroço do sabugo. Depois, os grãos eram soprados e selecionados em peneiras de taquara e ensacados para serem levados para moagem. Alguns colonos utilizavam o pilão para socar e transformar o milho em canjiquinha. O mais comum, porém, era a utilização de moinhos de pedra movidos a água, que existiam pelas redondezas, onde o colono entregava o milho e recebia o fubá, descontando-se um percentual do peso que era deixado como pagamento ao proprietário do moinho pelo beneficiamento produto.

A palha do milho também era aproveitada. Uma parte, deixada de molho na água pura por algum tempo, depois era colocada para cozinhar com banha de boi e soda cáustica, até formar uma pasta homogênea. Esta pasta, despejada em superfície lisa, depois de fria era cortada em barras, dando origem ao sabão utilizado na limpeza em geral.

Outra parte era rasgada em tiras e se transformava no enchimento dos colchões para os catres (camas) da família e dos travesseiros, conhecidos pelos imigrantes italianos como “gancilão”, talvez por uma forma dialetal de “guanciale”, ou seja, almofada.

Limpa e trabalhada pelo canivete ou faca do apreciador, servia como suporte para o fumo de rolo ou o fumo desfiado, na confecção dos cigarros. Era o cigarro de palha que ainda hoje se presta a caracterizar o homem do campo. E se nenhuma dessas utilizações a consumia, a palha era então jogada para o gado que dela se deliciava, principalmente na época da seca.

Era também no paiol que a meninada buscava o sabugo, outro subproduto do milho, para a confecção de brinquedos como juntas-de-bois para os seus carrinhos. Nas manhãs mais úmidas, o sabugo facilitava o acender do fogão à lenha, por ser de combustão fácil e estar quase sempre guardado ao abrigo da umidade.

Ao lado do milho, outros produtos faziam parte dos “roçados” dos colonos. Um deles, o tomate, ingrediente que não podia faltar no preparo final da massa. E para que pudesse ser utilizado o ano todo, o comum era guardá-lo desidratado. Colhido quando começava a amadurecer, era partido ao meio e colocado ao sol para secar. Posteriormente era guardado em potes. No momento de sua utilização era imerso em água morna para reidratação.

Os entrevistados mencionaram, também, o café que estava sempre no canto do fogão ou levado para a roça em garrafas de vidro arrolhadas com sabugo de milho. Seu preparo era todo doméstico. Colhido e seco, o grão era levado ao pilão para a retirada da casca. Depois de peneirado para limpar as impurezas, era torrado em panelas de ferro. Posteriormente, os grãos torrados eram passados em peneiras de taquara que os transformava em pó. Chama a atenção nos depoimentos o fato de não ter sido mencionada a utilização de moinhos de café, geralmente encontrados em boa parte das casas da zona rural.

O almoço e o jantar eram compostos pelo tradicional arroz com feijão, uma ou outra verdura da horta, batata doce, mandioca, ovos e alguma carne de porco, boi ou caça, geralmente conservada em grandes latas ou panelas cheias de gordura (banha) de porco. Algumas conservas à base de frutas também faziam parte da despensa da casa.

O Trem de História chega a mais uma parada. Mas a série sobre os imigrantes italianos em Leopoldina continuará *** pelo menos até 17 de maio de 2020 quando acontecerá o Encontro de Descendentes dos Imigrantes de Leopoldina. *** Aguardem!

 Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 399 no jornal Leopoldinense de 1 de março de 2020

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17/03/2020: em virtude da pandemia de coronavírus, foram suspensos os preparativos para o ENCONTRO DE DESCENDENTES DOS IMIGRANTES DE LEOPOLDINA que seria realizado no próximo dia 17 de maio de 2020. Nova data será oportunamente informada.

IX Seminário Imigração Italiana em Minas Gerais

“Breve documentário retratando o evento realizado em setembro de 2019 na cidade de Andradas, no Sul de Minas. Região com grandes atrativos turísticos, caraterizada pela agricultura familiar, com enfase na cafeicultura e vitivinicultura. A porcentagem de ítalo descendentes em toda a região é muito alta, chegando a 70% em Andradas, que faz divisa com o estado de São Paulo. O trasbordamento destes imigrantes italianos do estado de São Paulo para Minas escapa dos registros oficiais das hospedarias de imigrantes ou dos registros portuários, portanto os novos dados levantados no estudo de caso de Andradas pelo historiador Dr. Carlos Eduardo Rovaron contribuem para valorar a tese de que o número de imigrantes italianos que se estabeleceram em Minas Gerais é bem maior daquele contabilizado até hoje”.

Veja mais informações, fotos e noticias no site Ponte Entre Culturas
Os trabalhos estão disponíveis na Revista Virtual da Imigração Italiana em MG.

145 – Imigrantes Italianos em Leopoldina – Alimentação dos colonos

Para lembrar o Dia Nacional do Imigrante Italiano, comemorado no próximo dia 21 de fevereiro, nada melhor do que uma boa mesa. Daí a ideia do Trem de História de hoje tratar do tema “alimentação dos colonos” às vésperas da comemoração.

Antes, porém, um rápido parêntese para lembrar que o Brasil, possuidor de uma das maiores populações de sangue italiano fora da Itália, instituiu esta data pela lei nº 11687, de 02.06.08, para homenagear a expedição de Pietro Tabacchi que chegou ao Espírito Santo no dia 21.02.1874, marcando o início da imigração italiana para as lavouras brasileiras.

É comum falar de mesa farta, suculentos pratos de massas regados a molhos variados e canecos com os melhores vinhos quando se pensa em alimentação dos italianos. E da culinária italiana dos atuais restaurantes especializados, com seus pratos variados à disposição de todos.

Mas os depoimentos colhidos de pessoas mais velhas, descendentes diretos ou, próximos dos imigrantes que se fixaram na Colônia Agrícola da Constança e nos demais roçados de Leopoldina, apontam para um quadro um pouco diferente.

Antes mesmo de passarem ao Brasil, os colonos que vieram para cá tinham hábitos alimentares concernentes à possibilidade de produção na região em que viviam.

No que se refere ao Veneto, por exemplo, de onde vieram 27,3% dos imigrantes italianos de Leopoldina catalogados até agora, Emilio Franzina[1] relata que a agricultura era ali praticada no sistema de “cultura mista, centrada na tríade produtiva de vinho, trigo e milho”. Segundo esse autor, os proprietários das terras dividiam-nas em três campos, sendo um para milho e dois para trigo, entremeados por fileiras de videiras. Desta forma, tinham assegurada a polenta e a lenha para cozinhá-la.

Já para Renzo Grosseli[2], o pão e a polenta eram indispensáveis na alimentação dos colonos trentinos (1,7%) e lombardos (9,9%) que se estabeleceram no Espírito Santo. A batata, muito cultivada na região em que se estabeleceram, era utilizada pelos italianos para alimentar os porcos. Especialmente os trentinos, informa o autor, procuraram desenvolver a cultura de cereais como o milho e o trigo, além de legumes e hortaliças.

Do que foi apurado em Leopoldina, pelo menos nas gerações mais antigas o vinho e o macarrão não frequentavam as mesas diárias dos colonos. Mesas que, na maioria das vezes, eram montadas na própria cozinha e geralmente rodeadas de bancos de madeira.

Tampouco havia macarrão nos caldeirões levados com o trabalhador para o local do trabalho. Vinhos e massas eram comuns apenas quando o almoço era servido na mesa da sala em dias de visitas, nos “jantarados” dos finais de semana e nas comemorações de algum acontecimento significativo.

E são compreensíveis as razões para esta prática.

O clima quente de Leopoldina não se prestava ao plantio do trigo e da uva. Faltavam os mais elementares recursos para o seu cultivo e preparo nas terras montanhosas da região. Por outro lado, nem sempre estava ao alcance daqueles colonos a aquisição dos produtos deles derivados. Não só pelo preço, mas também pela dificuldade em encontrá-los no armazém próximo ou, se deslocar da roça para a cidade e fazer a compra. Assim, tornou-se muito mais fácil ao colono imigrante adaptar-se à realidade dos que por aqui viviam e aderir aos costumes vigentes.

Outro fator importante ressaltou de alguns depoimentos ao mencionarem que os imigrantes já haviam substituído a massa de suas mesas ainda na Itália, onde o trigo escasseava e atingia altas cotações.

Para estas pessoas, o talharim, os rissoles e pães, ainda na Itália já haviam perdido a concorrência para a polenta (salgada ou doce), os bolos, as broas, as cavacas (bolachas endurecidas), o cubu, o milho cozido ou assado e demais derivados desse grão de cultivo e manejo mais fácil e de mercado bem mais simples.

Decorre daí o hábito, bastante comum na região, de substituir o pão e outros alimentos por fubá cozido em água e sal. Seja no caldeirão do almoço ou, depois de frio, cortado em pedaços para acompanhar o jantar, o café da manhã ou, a merenda vespertina. Assim, também, muito apreciado era o angu com melado de cana.

Substituindo-se o sal por açúcar mascavo (açúcar preto), obtinha-se um angu doce que era despejado em porções na chapa do fogão à lenha e consumido com diferentes acompanhamentos, dependendo do tempo em que permanecia assando. Ainda mole, num prato de ágata, com leite; mais consistente, transformava-se em bolachas muito apreciadas; e, mais endurecido, tomava a forma conhecida como “cavaca”, uma broa que substituía o pão.

Ao ser retirado da panela, o angu ainda deixava uma grossa camada que se denominava ‘raspa’ e que era consumida com leite nas refeições intermediárias. Fatiada e um pouco mais tostada, a raspa era consumida ao estilo de petiscos. E salpicada com açúcar, era saboreada como biscoitos.

Mas não há como falar de alimentação de italianos sem um comentário sobre as massas. Um entrevistado informou que sua mãe

“preparava a massa de talharim, esticava-a na mesa da cozinha e cortava as fitas com uma faca, cozinhando-as em água com sal e preparando o molho à parte. Quando a massa cozida era jogada no molho, o cheiro forte atraía a todos, principalmente as crianças”.

Outro informante lembrou que a massa era colocada a secar numa peneira forrada com um pano e mais tarde era enrolada como um rocambole e cortada em fatias para serem cozidas em água quente temperada com gordura de porco.

O assunto pede um pouco mais de espaço. Mas o Trem de História faz uma pausa nesta viagem de hoje prometendo que na próxima edição do Jornal trará o restante da carga. E não deixará de trazer a lembrança de que, em 17 de maio de 2020 acontecerá o Encontro de Descendentes dos Imigrantes de Leopoldina. Até lá.


[1] FRANZINA, Emilio. A Grande Emigração: o êxodo dos italianos do Veneto para o Brasil. Campinas: Unicamp, 2006. p. 140.

[2] GROSELLI, Renzo. Colônias imperiais na terra do café: camponeses trentinos (vênetos e lombardos) nas florestas brasileiras, Espírito Santo, 1874-1900. Vitória: Arquivo Público do Estado do Espírito Santo, 2008. p. 33-34.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 398 no jornal Leopoldinense de 14 de fevereiro de 2020

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17/03/2020: em virtude da pandemia de coronavírus, foram suspensos os preparativos para o ENCONTRO DE DESCENDENTES DOS IMIGRANTES DE LEOPOLDINA que seria realizado no próximo dia 17 de maio de 2020. Nova data será oportunamente informada.

Casamentos em Conceição da Boa Vista

Assentos paroquiais pesquisados no livro 1 de matrimônios, 1860-1877, Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Boa Vista, atualmente distrito do município de Recreio, MG

144 – Imigrantes Italianos em Leopoldina – Regiões de origem

Foi dito, no texto número 124 desta série do Trem de História, publicado na edição 377, de 01.04.19, que os imigrantes italianos que viveram em Leopoldina procediam de 18 das 20 regiões administrativas em que a Itália está dividida.

É um dado novo em relação ao que havia sido publicado por ocasião das comemorações do Centenário da Colônia Agrícola da Constança, em abril de 2010, porque naquela época não eram conhecidos todos os imigrantes que em 2019 se encontravam catalogados.

Estas variações dos dados demonstram que entre 2010 e 2019 o trabalho de pesquisa continuou. Ver e rever documentos para melhor escrever a história da cidade é um trabalho constante e infinito.

Hoje se tem certeza de que os números ainda poderão ser modificados se forem encontradas novas fontes sobre a origem dos 57% de imigrantes sobre os quais só se sabe, até agora, que nasceram na Itália. Difícil é prever quando e se isto irá de fato acontecer. Difícil, também, é dizer qual ou, quais regiões estavam mais representadas entre os imigrantes que viveram em Leopoldina.

Considerando-se que o grande fluxo ocorreu em período próximo ao da reunificação da Itália, ocorrida nos anos de 1860, não se pode determinar um perfil dos que vieram para Leopoldina nem informar de qual região foi a influência predominante. Até porque, dentro da própria Itália as coisas ainda não estavam totalmente organizadas quando os imigrantes vieram para cá.

Depois do Congresso de Viena em 1815, a península itálica passou a sediar o Reino Sardo-Piemontês, o Reino Lombardo-Veneziano, os Ducados de Parma, Módena e Tosaca, os Estados Pontifícios e o Reino das Duas Sicílias. No início da década de 1860, quando muitos chefes das famílias que vieram para cá eram ainda jovens, uma parte do atual território italiano estava unificado sob o Reino da Itália. Mas ainda faltava conquistar Veneza e Roma, cujo processo só se concluiu em 1870.

As chamadas Guerras de Unificação são conhecidas dos brasileiros especialmente pela participação de Ana Maria de Jesus Ribeiro, a catarinense que se casou com Giuseppe Garibaldi, patriota italiano que recebeu o epíteto de “herói de dois mundos” pela participação em conflitos na Europa e na América do Sul.

Mas pouco se comenta sobre as diferenças culturais que dividiam os habitantes que viveram tanto tempo em territórios separados pela subordinação administrativa. Não só falavam dialetos diferentes como eram dirigidos por diferentes sistemas que os tornavam quase estrangeiros em relação uns aos outros.

Além de ser muito comum, a prática dos deslocamentos já mencionada em outros artigos tem no caso dos Anzolin um bom exemplo.

Giovanni e seu irmão Basílio nasceram em Portogruaro, província de Venezia, região do Veneto. A família residiu em diferentes comuni[1] do Veneto antes de se transferir para Cinto Caomaggiore, também província de Venezia, onde Giovanni se casou. Algum tempo depois os Anzolin estavam em Pravisdómini, província Pordenone, bem próximo da divisa do Veneto com o Friuli-Venezia Giulia. Em 1910, quando o passaporte foi concedido, estes Anzolin residiam em Pordenone. Ocorre que o Friuli-Venezia Giulia só foi incorporado à Itália em 1919, após a Primeira Guerra Mundial. Mesmo tão próximo, não só a língua era diferente como as práticas culturais.

Considerando-se o total de imigrantes que viveram em Leopoldina até aqui identificados, no mapa a seguir estão os percentuais que eles representam. Valle d’Aosta e Molise, como se pode verificar, são as duas regiões das quais não se tem registro de que tenha naturais vindos para Leopoldina.

O Trem de História de hoje fica por aqui. Mas permanece a promessa de seguir viagem com os imigrantes italianos em Leopoldina, *** até 17 de maio de 2020, quando acontecerá o Encontro de Descendentes dos Imigrantes de Leopoldina.*** No próximo Jornal o assunto será a alimentação. Aguardem!

[1] Plural de Comune, unidade básica administrativa que se aproxima da noção de município do Brasil.

 

Atenção: ***

17/03/2020: em virtude da pandemia de coronavírus, foram suspensos os preparativos para o ENCONTRO DE DESCENDENTES DOS IMIGRANTES DE LEOPOLDINA que seria realizado no próximo dia 17 de maio de 2020. Nova data será oportunamente informada.

Encontro de Descendentes dos Imigrantes de Leopoldina // Suspenso

17/03/2020: em virtude da pandemia de coronavírus, foram suspensos os preparativos para o ENCONTRO DE DESCENDENTES DOS IMIGRANTES DE LEOPOLDINA que seria realizado no próximo dia 17 de maio de 2020. Nova data será oportunamente informada.

143 – A Fazenda Constança do final do século XIX

O Trem de História traz hoje um retrato da Constança no meado dos anos de 1890. E começa registrando que, em 1896, 9,75 hectares da Fazenda[1] foram vendidos por Gustavo Augusto de Almeida Gama e sua mulher Carolina Rosa França para Octaviano Nicomedes Barbosa. Tal propriedade fazia divisa por seus diversos lados com os herdeiros de Manoel Rodrigues da Silva; com João Baptista de Almeida; João Fonseca ou Francisco Guimarães; e, com a Fazenda do Feijão Cru. Formando uma área distinta, mas incorporada à Constança, também estavam 10 alqueires de terras desmembradas do Sítio Pury, parte esta que tinha como confrontantes: a fazenda do Coronel José Joaquim (Fazenda Boa Sorte); a fazenda Constança; Antonio Bernardino Machado; Domiciano Ferreira Monteiro de Castro (ou, Domiciano Ferreira Monteiro de Barros, administrador da Paraíso); herdeiros de Dona Messias (esposa de Custódio de Vargas Corrêa) e outros.

Dentro destes limites estava a casa sede[2] da fazenda, uma construção assobradada, com escada de madeira por fora, tendo na frente 3 janelas e um portão em baixo. Em cima, 8 janelas e uma porta no centro e divisões que formavam 3 salas, 10 quartos e 1 varanda. Esta, com porta e 4 janelas para o quadrado interno.

Em continuação era ligada por uma varanda a uma segunda casa contendo porta e 5 janelas para a frente. Esta segunda casa era dividida em sala e corredor com 4 quartos voltados para uma mesma varanda, uma dispensa e 1 quarto. Seguia outra varanda para o quadrado, que terminava numa cozinha com fogão econômico e em seguida 2 quartos.

No fim da varanda existia uma coberta de telhas (meia água), onde tinha um forno. No quadrado existia uma cocheira para animais e um quarto para empregados.

Existia, ainda, uma casa de sobrado, caiada, assoalhada e coberta de telhas, engenho de café com todo o maquinismo para preparo do mesmo e moinho para fubá, tocado por máquina a vapor. Engenho de serra e outras benfeitorias.

Mais adiante, outra casa com 2 portas e 7 janelas, sendo 1 porta e 2 janelas de morada e 1 porta e 5 janelas de armazém, com armação e balcão para negócio.

Além destas construções, existiam ainda as 44 casas mencionadas na coluna anterior, cujas indicações embasam a conclusão de que mais tarde se tornaram casas dos adquirentes dos lotes da Colônia Agrícola da Constança.

Com tantas casas, empregados, meeiros e mais as dificuldades vividas pelos lavradores da ocasião era natural que alguns desencontros pudessem se tornar mais sérios. Um deles, de 1899, chegou às páginas do jornal Minas Gerais[3] que o registrou na forma seguinte: “Na fazenda Constança deu-se no dia 22 de maio ultimo um grave conflito entre o proprietário da fazenda sr. Octaviano Barbosa e outros de um lado e o meeiro da fazenda Bartholomeu Mello e pessoas de sua família, do outro lado.”

Superando estes e outros contratempos, a Fazenda ainda sobreviveu como tal durante aproximadamente uma década até que o Relatório[4] assinado por Guilherme Prates a 20.03.1910 informou que a Colônia Agrícola da Constança foi “fundada em terras das fazendas annexadas e denominadas Constança, Sobradinho, Boa Sorte, Onça e o sitio Puris, que o Estado adquiriu”.

A partir daí, com a implantação da Colônia Agrícola da Constança, cuja administração foi instalada na sede da Fazenda da Boa Sorte, a casa sede da Fazenda Constança se tornou subsede da Colônia e residência do auxiliar do administrador, o sr. João Ventura Gonçalves Neto. Suas terras foram divididas para dar origem a muitos dos lotes vendidos aos colonos que deram início à bela história dos imigrantes que ali se fixaram.

Hoje, fruto do descaso para com a história, a casa sede da Constança, que ficava na margem direita da BR 267, na altura do km 2 desta rodovia, não existe mais. Para marcar o lugar, estão lá algumas palmeiras e os vestígios do que foi uma escola municipal, num terreno que ainda hoje pertence ao poder público.

Com este artigo o Trem de História encerra a série destinada ao resgate do que foi a Fazenda que emprestou seu nome à Colônia Agrícola da Constança e acolheu muitos dos imigrantes italianos que vieram para Leopoldina. Certamente a história não termina aqui. *** E até 17 de maio de 2020, quando acontecerá o Encontro de Descendentes dos Imigrantes de Leopoldina, muita novidade ainda pode surgir. *** Até a próxima!


Fontes de Referência:

[1] Arquivo Permanente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais – COARPE – TJMG. Extrato de Confrontações da Fazenda Constança – Processo códice 38405781

[2] idem

[3] Jornal Minas Geraes, Ouro Preto (MG), 07.06.1899, Ed. 146 p. 2, col.3.

[4] Arquivo Público Mineiro. Relatório da Diretoria de Agricultura, Terras e Colonização de Minas Gerais, 1909.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 396 no jornal Leopoldinense de 16 de janeiro de 2020

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17/03/2020: em virtude da pandemia de coronavírus, foram suspensos os preparativos para o ENCONTRO DE DESCENDENTES DOS IMIGRANTES DE LEOPOLDINA que seria realizado no próximo dia 17 de maio de 2020. Nova data será oportunamente informada.

Figueira e Silva Porto em Conceição da Boa Vista

A pedido de um visitante do site, detalhamos o grupo familiar referido no distrito de Conceição da Boa Vista em abril de 1872.

Gabriel Lemos da Silva e Maria Antonia da Silva Figueira casaram duas filhas na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição da Boa Vista.

No dia 20 de abril a filha Flausina Maria da Silva Figueira se casou com Antonio Ribeiro Maia Filho, filho de outro do mesmo nome e de Teresa Antonia do Rosário. Os pais do noivo eram falecidos. Os noivos procediam do estado do Rio de Janeiro, sendo Flausina natural de Piraí e o noivo de Rezende. Em 1876, o marido de Flausina era proprietário de Hotel, Bilhar e Cocheiras para alugar animais em Itaguaí, RJ

No dia seguinte, 21 de abril,  foi realizado o casamento de outra filha de Gabriel Lemos da Silva: Ana Maria da Silva Figueira. Ela se casou com Antonio Belarmino da Silva Porto, natural de Valença-RJ, filho de Belarmino Quintanilha da Silva Porto e Francisca Belarmina de Oliveira e Silva.

O objetivo do pedido de nosso correspondente é contar com a colaboração de outros leitores, porque nós não temos conhecimento de que o músico Francisco Belarmino da Silva Porto, autor de polcas anunciadas em jornais da Corte na época, tenha passado por Conceição da Boa Vista.

Imigração em Leopoldina: revisão da pesquisa

Alguns temas da pesquisa publicada em 2010 foram atualizados e republicados a partir de fevereiro de 2019. Ei-los:

121 – Imigrantes Italianos em Leopoldina – O início do estudo

122 – Relembrando a pesquisa publicada em 2010

123 – Fontes das Informações

124 – Acréscimos e Correções

125 – Viagem com os sobrenomes de imigrantes italianos

127 – A identificação mais antiga

128 – Colônia Agrícola da Constança

129 – A formação da colônia e o ensino agrícola

130 – Primeiros impactos: a chegada do Trem e o desenvolvimento

131 – Imigrantes de outras origens

132 – Encontro de Descendentes dos Imigrantes de Leopoldina

133 – As Hospedarias

134 – O Ribeirão Jacareacanga

135 – Hospedaria Jacareacanga

136 – Imigrantes e a Hospedaria Jacareacanga

137 – Propriedades pequenas e produtivas

138 – Colônias em Minas Gerais e migrações entre elas

139 – Pelos Caminhos da Colônia

140 – Fazenda Constança: primeiras informações

141 – Fazenda Constança: mudança de domínio

142 – Fazenda Constança: de Gervásio a Octaviano

143 – A Fazenda Constança do final do século XIX

144 – Imigrantes Italianos em Leopoldina – Regiões de origem