10 de outubro de 1851: novos distritos

Criação dos distritos de Nossa Senhora da Conceição da Boa Vista e Nossa Senhora da Piedade, em território então pertencente ao Município de Mar de Espanha, conforme Lei Mineira nº 533.

Menos de três anos depois a Lei nº 666, de 27 de abril de 1854, emancipou Leopoldina incorporando-lhe os dois distritos.

Conceição da Boa Vista perdeu partes de seu território ao longo do tempo para a formação dos distritos de São Joaquim (Angaturama), Itapirussu, Pirapetinga, Santa Izabel (Abaíba), Providência e Recreio. Já no século XX, a Lei nº 148, de 17 de dezembro de 1938, emancipou Recreio e lhe incorporou Conceição da Boa Vista.

O distrito de Nossa Senhora da Piedade, atual Piacatuba, perdeu partes de seu território quando da emancipação de Cataguases mas permanece como distrito de Leopoldina.

Ainda bem que o feijão não cozinhou!

Por ter permanecido cru foi possível germinar, reproduzir e alimentar tantas pessoas que passaram e continuam passando pela nossa Leopoldina. E permitir que recebêssemos a atenção de um Alexandre Moreira, cujo olhar identificou outras sementes em nossa trajetória, passando pelo tamarindo do poeta paraibano e encontrando o girassol do leopoldinense poeta do rock.

Obrigada, Alexandre. Assim como eu me emocionei com a sua dedicação e carinho para com a história da Leopoldina, certamente muitos outros, moradores e forasteiros, ficarão gratos pela belíssima exposição que você organizou.

Que todas as escolas levem seus alunos à Casa de Leitura Lya Botelho, oferecendo aos jovens a oportunidade de conhecer aspectos da nossa história que não estão frequentando as salas de aula! Que muitos moradores da cidade destinem alguns momentos para se reencontrarem com o passado nas dependências do casarão da Rua José Peres número 4! Que os patriarcas e matriarcas de nossa sociedade possam aí se emocionar e revolver seus baús de memórias para recontá-las a quantos quiserem ouvi-los! E que, como você declarou, outras instituições deem continuidade a esta iniciativa, favorecendo “a construção de autoestima e preservação dos nossos bens materiais e imateriais”.

Desejo, principalmente, que você receba os meus agradecimentos como a mais genuína manifestação de quanto bem você nos faz!

Fragmentos da Memória Leopoldinense

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A exposição “DO FEIJÃO CRU AO GIRASSOL MARAVILHOSO: FRAGMENTOS DA MEMÓRIA LEOPOLDINENSE” acontece entre os dias 16 de setembro e 21 de dezembro de 2013, na Casa de Leitura Lya Botelho (R. José Peres, 4 – centro – Leopoldina-MG

Horário de Funcionamento:

  • de segunda a sexta, das 8:00 às 11:30h e das 13:00 às 17:00h
  • aos sábados, das 8:00 às 11:30h

 Agendamento para Escolas e grupos:
Através de e-mail (casadeleitura@gmail.com) solicitando a visita, reportando o nome da Escola ou grupo, série, número de alunos e professores, dia e hora que gostariam de realizar a visitação.

Sociedade Musical Lira Leopoldinense

Fundada há 115 em Leopoldina, esta é mais uma instituição musical que existiu na cidade. Seu presidente e maestro era filho de Marciliano Vieira Nepomuceno e Laurinda Matilde da Conceição. Veja outras informações sobre ele aqui

Escolas em Argirita

Há 132 anos o jornal O Leopoldinense publicava anúncio de um internato para meninas no então distrito de Rio Pardo:

Outras escolas funcionaram no antigo distrito de Leopoldina, incluindo-se as Aulas Públicas que estiveram a cargo do professor José Maria Tesson, nomeado interinamente para o cargo em abril de 1895:

Ao final daquele ano o professor Tesson continuava à frente da escola, conforme indica a Ata dos Exames publicada n’O Leopoldinense de 22 de dezembro:

Escola Pública Feminina

Há 118 anos era inaugurada outra escola pública feminina em Leopoldina. Segundo notícia d’O Leopoldinense, no dia 14 de agosto de 1895 a professora Maria Brígida de Medeiros abriu uma escola de instrução primária do sexo feminino.

Em dezembro do mesmo ano foram publicados os resultados dos exames realizados pelas alunas da professora Maria Brígida e de sua mãe, Maria Bárbara, que na nota aparece com o nome de Maria Barbosa de Medeiros.

A professora acima referida como Maria Brígida de Jesus era filha de Joaquim Furtado de Medeiros e de Maria Bárbara da Conceição, tendo nascido aos 18 de outubro de 1874 em Tabuleiro do Pomba, MG.

Aos 6 de janeiro de 1896[1] foi nomeada professora de Leopoldina após concluir os estudos na Escola Normal de Ouro Preto. Em 1914[2] substituiu Augusto dos Anjos na direção do Grupo Escolar e dois anos depois transferiu-se para Cataguases. Faleceu no Rio de Janeiro em 1946.

Seu pai era português e faleceu em Leopoldina aos 20 de janeiro de 1908[3]. Sua mãe, Maria Bárbara, auxiliou a filha nas atividades do Colégio Castanheira, mencionado por Luiz Rousseau Botelho[4].

O nome deste colégio vem de Bento Bernardes Castanheira, natural de Bom Sucesso, Minas Gerais, nascido por volta de 1865[5], filho de José Bernardes de Souza e Delfina Eusébia Castanheira. Residiu em Ubá[6], onde era redator do jornal O Progresso em novembro de 1890. Transferiu-se para Leopoldina e fundou a escola particular que levava seu nome. Casou-se com Maria Brígida aos 28 de novembro de 1896. Em 1906[7] era vice-presidente do Centro Espírita de Leopoldina. Faleceu aos 8 de maio de 1914[8], deixando quatro filhos: Bento, Franca Rosa, Mário e Aurelinda.

Em outro livro de Luiz Rousseau[9] consta que a Chácara dos Castanheira “era um lugar de vista panorâmica maravilhosa” e que o acesso era pela Rua das Tabocas. Esta informação baseou a Lei Municipal 1130, de 12 maio de 1976, que deu o nome da professora Maria Brígida a uma rua no bairro Maria Guimarães França.


[1] Relatórios de Conselheiros e Presidentes da Província de Minas Gerais, 1897.

[2] RODRIGUES, José Luiz Machado e CANTONI, Nilza. Nossas Ruas, Nossa Gente. Rio de Janeiro: particular, 2004. p.145.

[3] Cemitério Nossa Senhora do Carmo, Leopoldina, MG, lv 2 obitos 3º plano sep 613 fls 21 reg 14.

[4] BOTELHO, Luiz Rousseau. Alto Sereno. Belo Horizonte: Vega, 1975. p.75

[5] Arquivo da Câmara Municipal de Leopoldina, Alistamento Eleitoral de Leopoldina século XIX, 1895..

[6] O Leopoldinense. Leopoldina, MG:, 1879 – ?.  1890, ed. 55, 20 de novembro, pag. 1.

[7] Almanack do Arrebol. Leopoldina: s.n., 1984-1985. Ano 2 nr 6 fls 6.

[8] Cemitério Nossa Senhora do Carmo, Leopoldina, MG, lv 2 óbitos sep 3º plano nr. 985 fls 59 reg 95.

[9] BOTELHO, Luiz Rosseau. Dos 8 aos 80. Belo Horizonte: Vega, 1979. p.113.

 

 

Comarca de Leopoldina

Há 141 anos era criada a Comarca de Leopoldina.

14 de julho de 1832: São José do Paraíba

Há 181 anos o Curato de São José do Parahyba (Além Paraíba) era elevado à condição de Paróquia por Decreto Imperial, tendo por filiais os Curatos de Nossa Senhora das Mercês do Kagado (Mar de Espanha) e Santa Rita do Meia Pataca (Cataguases).

Em 1851 a situação se inverteu em relação a Mercês do Kagado e pela emancipação de Mar de Espanha ficou-lhe subordinada. Pouco tempo depois, aos 27 de abril de 1854, foi incorporado à Vila Leopoldina pela Lei número 666, aí ficando por dez anos até que a Lei número 1235, de 27 de agosto de 1864, determinou nova transferência para Mar de Espanha.

Sua emancipação ocorreu em 30 de novembro de 1880, através da Lei número 2678.

Escolas particulares de Leopoldina

Apesar de algumas controvérsias quanto à origem do epíteto de Atenas da Zona da Mata[1], não se pode negar que a população leopoldinense esteve frequentemente envolvida em assuntos escolares e não somente em relação ao ensino público. Especialmente na última década do século XIX, não foram raras as notícias sobre instalação de escolas em Leopoldina. Um exemplo encontra-se na edição número 269 do órgão oficial Minas Geraes, de 5 de outubro de 1893, em cujas páginas 5 a 7 foram publicados os Estatutos da Sociedade Anônima Arcádia Leopoldinense, destinada à instrução da mocidade.

 

 

 

Pelo que foi possível apurar, este colégio particular destinava-se ao ensino intermediário – entre a escolarização básica e o ensino superior. Segundo a notícia abaixo, dois anos depois foi organizado, no mesmo edifício, um internato e externato.

Outras notas sobre o Colégio Nossa Senhora do Rosário:

 


[1] Citado em CAPRI, Roberto. Minas Gerais e seus Municípios. São Paulo: Pocai Weiss & Cia, 1916. p. 248


Professor Olímpio Clementino de Paula Corrêa

Este foi o único antigo professor de Leopoldina que pudemos acompanhar por mais tempo através das notícias publicadas em jornais. Além das referências em matérias relativas ao Colégio Nossa Senhora do Amparo, em 2 de julho de 1882 O Leopoldinense trouxe a lista de ausências de alunos do sexo masculino do Professor Olímpio.

No final do mesmo ano foi publicada uma nota sobre os exames dos alunos de Instrução Secundária:

Em dezembro de 1882 o anúncio se referiu à instrução primária do sexo masculino, como se vê a seguir:

Em novembro de 1894 o resultado dos exames escolares dos alunos do professor Olímpio foi publicado junto aos das alunas da professora Emília Magalhães:

Treze anos depois o mesmo jornal O Leopoldinense estampou os elogios do inspetor escolar ao professor Olímpio, “uma justa homenagem ao mérito do honrado educador a quem este município tanto deve”.

Philarmonica Leopoldinense

Há 132 anos esta sociedade musical instalava uma escola noturna na rua da Boa Vista, número 15, conforme anúncio mandado publicar n’O Leopoldinense pelo seu diretor, João Afonso Viana.

Em Leopoldina existiram dois logradouros com o nome Boa Vista, conforme publicamos no livro Nossas Ruas, Nossa Gente. Uma delas estava localizada no Bairro do Cemitério. A outra ligava a atual Sebastião Pereira Bela à praça Professor Ângelo, formando com a rua Manoel Lobato um caminho para os tropeiros procedentes dos lados do bairro da Onça ou, que para lá se destinavam. Atualmente um trecho desta rua chama-se João Neto e outro recebeu o nome de Joaquim Garcia de Oliveira.