15 – Irradiação – parte II

Como ficou dito no artigo anterior, o Trem de História segue a mesma toada tratando ainda da bagagem do jornal Irradiação, o mais claramente político dos periódicos de Leopoldina do final do século XIX.

E para prender um vagão ao outro, recomeça a história contando que a divulgação das ideias republicanas chega a uma incidência um pouco maior em algumas das edições analisadas, como ocorreu na de número 62, datada de 21 de abril de 1889. Nela, além de noticiar o lançamento de novos órgãos do Partido Republicano em São João del Rei, Ubá e no estado do Pará, de rechaçar notícias falsas sobre o Club Republicano do Pará e comentar a eleição de um vereador republicano em Rio Novo, foi noticiado em cores fortes o atentado contra o republicano Nilo Peçanha em Lage do Muriaé e foi publicada uma forte reclamação contra o delegado de Conceição da Boa Vista por ter soltado os manifestantes que provocaram distúrbios em fevereiro daquele ano, com o objetivo de impedir a conferência republicana. O mesmo acontece na edição de 26 de junho de 1889, quase toda ela preenchida com notícias políticas. Na de número 71, um editorial transcrito do jornal O Movimento comparou a República do Haiti com a Monarquia do Brasil, afirmando que enquanto os partidários do

“velho sistema monárquico […] continuam a devorar a melhor seiva deste povo por demais explorado; enquanto forem apontando e dilapidando os cofres públicos, iremos apontando as nossas desgraças e mostrando a felicidade e riqueza das nações irmãs pelo continente”. E mais adiante informa que “a população do Império do Brasil sendo 15 vezes maior do que a do Haiti, para que os dois países estivessem em igualdade de circunstâncias seria preciso que todos os dados estatísticos relativos ao Brasil fossem 15 vezes maiores do que os do Haiti”.

Aqui vale uma explicação pertinente, à moda de uma nota de rodapé: Pensar nesta comparação hoje, século XXI, 125 anos depois de ter sido escrita, poderá gerar incredulidade e espanto naqueles que desconhecem os meandros da história e apenas sabem que o Haiti atualmente se encontra em situação política e econômica muito delicada. Entretanto, a matéria faz alusão aos benefícios que a República, sistema político vigente na ilha caribenha naquela época, trazia para a população e que, na opinião do articulista, não era prática da nossa monarquia.

Voltando ao trilho da história, é bom que se diga que o jornal muitas vezes divulgava, também, matérias sobre os Clubes da Lavoura, instituições que começaram a surgir na região de Leopoldina no início da década de 1880 e que tinham por objetivo substituir a mão de obra escrava pelo trabalhador livre. E, também, matérias sobre temas recorrentes como a imigração.

Uma destas matérias, que também merece uma nota de rodapé para lembrar o leitor sobre a época em que foi escrita, diz:

“Na opinião desses […] o chinês é a jaça, que desmerecerá o valor moral, intelectual, físico e… nem sabemos mais qual outro, das populações que o Brasil tem de atrair para seus extensos vales e férteis montanhas”. E prossegue: “vícios, trazem-nos europeus e asiáticos; virtudes trazem-nas também ambos, a menos que nos provem, coisa simplesmente impossível, que ao lado das mais peregrinas virtudes, que podem exaltar os povos, não rastejam por toda parte, formando embaixo relevo das misérias humanas, o vício em todas as suas formas de tendências, hábitos e ações”.  Mais adiante declara que “o ponto que nos deve interessar na questão [é] saber se as aptidões do chinês como trabalhador podem corresponder às condições do nosso país e satisfazer convenientemente a necessidade que nos assoberba”.

Interessante observar que o redator do Irradiação, Theophilo Alves Ribeiro, procedia do Ceará, primeiro estado brasileiro a abolir a escravidão. O que torna ainda mais difícil compreender a leitura de matéria publicada na edição de número 60, de abril de 1889, a respeito do serviço doméstico. Escreveu o redator:

“O serviço doméstico, por exemplo, de que se não cogitou ou se cogitou mal, foi abandonado como qualquer outro, reinando no interior das casas a mesma confusão que perturba e aniquila a atividade industrial. […] Se a parte pobre da população fugia do serviço doméstico; se as imigrações estrangeiras fugiam do país, explicavam uma e outra anomalia pela existência da instituição escrava; entretanto, esta desapareceu e com ela desapareceram também todos ou a maior parte dos que se empregavam no serviço doméstico e o estrangeiro só entra no país a custo de enormes sacrifícios da receita e de promessas…”.

E que não pense o leitor em censura porque o motivo para encerrar este artigo agora é bem outro. Acaba de chegar, pelo telégrafo da ferrovia, a mensagem:

– ENCERRAR HISTÓRIA IRRADIAÇÃO vg LEITOR QUER NOVIDADE pt TREM DE HISTÓRIA FALARÁ SOBRE GAZETA DE LESTE pt RECOLHER MATERIAL PRÓXIMO VAGÃO pt SAUDAÇÕES

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA
Publicado no jornal Leopoldinense de 1 de janeiro de 2015

Parte XI de A Imprensa em Leopodina (MG) entre 1879 e 1899

14 – Irradiação – parte 1

O Trem de História volta aos trilhos da Imprensa em Leopoldina no final do século XIX e fala hoje do jornal “Irradiação”, o mais claramente político dos periódicos de Leopoldina daquela época.

Sua história começa pela informação de Xavier da Veiga, em “A Imprensa em Minas Gerais” de que a sua primeira edição tem a data de 25 de fevereiro de 1888 e sabe-se que ele sobreviveu até 1890. Isto é, nasceu alguns meses antes da assinatura da Lei que regulamentou uma prática que já ocorria em Leopoldina desde o início da década: a da libertação de escravos e, circulou até um pouco além da Proclamação da República.

Este jornal era de propriedade das filhas de seu redator, Theophilo Domingues Alves Ribeiro, advogado natural de Aracati, no Ceará, que foi sócio da Cia Engenho Central Aracaty, localizada nas proximidades da Estação de Vista Alegre, no município de Leopoldina, onde se beneficiava a cana de açúcar.

Em 1890 Theofilo foi eleito presidente da Companhia Vila Rica, em Ouro Preto e vendeu o jornal para Sérvulo Fontes & Barreto e não se sabe se o periódico continuou em circulação.

Infelizmente não foi possível analisar os primeiros 39 números deste jornal por não terem sido preservados. Mas da leitura das edições encontradas na Biblioteca Nacional se constata ter sido o único jornal de Leopoldina a se enquadrar na hipótese de Nélson Werneck Sodré a respeito da disseminação das ideias republicanas. Em todas as nove edições compulsadas há notícia do partido. E o próprio subtítulo indica que a folha era um órgão republicano. Mas além desta posição, assim como os demais periódicos este também aceitava colaborações literárias como as de Davi Madeira e Dilermando Cruz que, ainda estudantes do Ateneu Leopoldinense, publicavam ali as suas poesias, conforme relata Cassio de Rezende em “Memórias de um Médico”.

Importante esclarecer que as ideias republicanas atraiam leopoldinenses há alguns anos, não sendo uma consequência do fim da escravidão por decreto, como o senso comum acreditava.

Francisco de Paula Ferreira de Rezende, em seu livro “Minhas Recordações”, conta que no final de 1864 adquiriu a fazenda Córrego da Onça e a crismou com o nome de Filadélfia, “a grande cidade em que se proclamou a primeira das repúblicas americanas para recordar essa república pela qual vivia sempre a suspirar”. E disse mais: “razão porque os meus últimos filhos se chamaram Cássio, Flamínio e Manlio, grandes republicanos dos bons tempos de Roma”.

Como Rezende, outros republicanos viveram em Leopoldina antes de 1889. Embora não se tenha indícios claros a respeito da convicção republicana de todos os colaboradores do jornal Irradiação, é de se supor que se não o fossem não teriam aceitado o convite de um jornal que veio a luz com o objetivo de divulgar as vantagens deste sistema de governo. O fato torna-se mais sugestivo quando observamos na lista de colaboradores da coluna Literatura e Ciências, nomes de notórios opositores da monarquia. Nela estão, por exemplo: Antônio Augusto de Lima (Juiz Municipal em Leopoldina, depois Promotor Público em Serra-ES, Presidente de Minas em 1891, Poeta, Membro da Academia Brasileira de Letras em 1903); C. Drummond (há um literato com este sobrenome em jornais republicanos do Rio); Custódio de Almeida Magalhães (Advogado em Leopoldina); Estevam Lobo; Luiz de França Vianna (advogado em Leopoldina, concunhado do redator deste jornal); J. Lobo; José James Zig Zag (farmacêutico e oficial do judiciário em Leopoldina); Martiniano de Souza Lintz (Advogado, Juiz Municipal e Professor em Leopoldina); Octavio Esteves Ottoni (médico e político em Leopoldina); Theophilo A. Rodrigues; e, Vaz Pinto (nesta época existia no Rio um juiz federal, republicano, chamado Henrique Vaz Pinto Coelho).

É certo que esta lista não esgota os nomes de republicanos em Leopoldina. Outros tantos opositores da monarquia, menos conhecidos, também colaboraram com o jornal e escreveram em defesa dos ideais republicanos. Mas extrapolou a capacidade do vagão de hoje e o assunto precisa continuar. Resta, então, controlar a lenha na caldeira para que o Trem de História tenha tempo para organizar a carga e continuar falando sobre o mesmo jornal, no início do próximo ano. Até lá, um Feliz Natal e Próspero Ano Novo a todos.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA
Publicado no jornal Leopoldinense de 16 de dezembro de 2014

Parte X de A Imprensa em Leopoldina (MG) entre 1879 e 1899

Júlio Caboclo, o divulgador do poeta.

O Trem de História de hoje continua correndo os trilhos do Centenário de Augusto dos Anjos. Agora para falar um pouco sobre o professor Júlio Ferreira Caboclo, um dos grandes divulgadores e incentivadores do culto à obra de Augusto dos Anjos, seja em sala de aula ou escrevendo matérias para jornais e revistas.

Júlio Ferreira Caboclo que, segundo seu título de eleitor nasceu em 25.09.1901 em Manaus, AM, era filho de José Liberato Ferreira Caboclo e Maria Eliza Ferreira e sua história começa a ficar mais conhecida a partir do momento em que foi admitido como professor em Santo Antônio de Pádua, RJ.

De Pádua ele se transferiu para Leopoldina, por volta de 1922, onde passou a lecionar português, francês, geografia e história no então Ginásio Leopoldinense e foi descrito por Miguel Torga, poeta e médico português que foi seu aluno no Ginásio Leopoldinense, como sendo: “todo teso, pequenino, a ensinar os verbos franceses, metido no colarinho engomado, com as entradas do cabelo mais subidas ainda”.

Foi um dos fundadores e presidente do Grêmio Litero-Artístico Augusto dos Anjos, em 23.06.25, em Leopoldina, segundo o jornal O Paiz de 20 de agosto e a Revista Brasil Progresso na edição de setembro do mesmo ano, ambas as publicações do Rio de Janeiro.

Em Leopoldina Caboclo conheceu Esther Fialho, viúva de Augusto dos Anjos e com ela se casou em 16 de agosto de 1923, em Leopoldina.

Vale lembrar que, ao se casar com Júlio, Esther Fialho tinha um casal de filhos, Glória e Guilherme Augusto, do seu casamento com Augusto dos Anjos. Com Júlio teve as filhas: Selma, nascida em 1924 e Elida em 1925, ambas nascidas em Leopoldina e, Maria Elisa, em São João Nepomuceno, nascida em 21.05.31 e falecida em 06.06.31, quatro dias depois da morte de Esther Fialho.

Viúvo, com duas filhas menores e dois enteados do primeiro casamento de Esther, Júlio casou-se segunda vez com Lygia de Macedo Cerqueira em 21.06.33 em São João Nepomuceno, e com ela teve as filhas Guaynubi em 1934 e Apalaís em 1936, nascidas em Nova Friburgo, e o filho Júlio César Cerqueira Caboclo nascido em São João Nepomuceno em 1943.

Em 1938, em carta resposta enviada de São Paulo ao amigo Blair de Abreu, residente em São João Nepomuceno, Júlio Caboclo se mostra um homem angustiado, acossado, com saudades da mulher e das filhas e se declara uma pessoa “incontentável, que nasceu fora da época ou, noutros intermúndios”. Na mesma carta declara ainda ter ido “à missa pela manhã” e completa: “Reconciliei-me com a igreja. Estou feliz e satisfeito com a consciência. Posso lançar o brado para a grande batalha. Numa das mãos o sigma. Na outra a Cruz de Cristo”.

Membro da Ação Integralista Brasileira, cujas atividades foram proibidas pelo Decreto-Lei nº 37, no rastro dos efeitos da Constituição Brasileira conhecida como Polaca, promulgada a 10.11.37, Júlio Ferreira Caboclo era um verdadeiro soldado sempre pronto para a batalha. Foi preso e perseguido político.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da Academia Leopoldinense de Letras e Artes

Publicado no jornal Leopoldinense de 16 de novembro de 2014

9 – O Leopoldinense Pioneiro

No vagão anterior falou-se dos diversos jornais que utilizaram o nome “Leopoldinense”. Neste, o trem de história reitera alguns pontos apurados sobre o jornal O Leopoldlinense lançado pelo Alferes Francisco da Costa Sobrinho em 01 de janeiro de 1879, o primeiro periódico que circulou na cidade e, por via de consequência, o primeiro a usar este nome.

De início, para colocar o trem na linha e desfazer o equívoco registrado por Luiz Eugênio Botelho no seu livro “Leopoldina de Outrora”, é necessário que se esclareça que Luiz Botelho Falcão não lançou O Leopoldinense em 1879 conforme afirma o autor. As edições do próprio jornal, consultadas para este trabalho, dão conta de que Botelho Falcão só assumiu o periódico alguns anos depois da sua fundação. E esteve à frente dele por cerca de dois anos, ao final dos quais, em 1894, o vendeu a Randolpho Chagas e Valério de Rezende.

Feito este esclarecimento, que se coloque lenha na caldeira para que o trem prossiga com a história. E diga-se que O Leopoldinense aqui estudado trazia nas suas primeiras edições o subtítulo: “Consagrado aos Interesses dos municípios de Leopoldina e Cataguases”. A partir do seu segundo ano de existência este subtítulo foi alterado para informar que o periódico passou a ser “Dedicado à Causa Pública”, embora continuasse com os mesmos posicionamentos e com a mesma equipe editorial.

Mais adiante, em maio de 1882, de fato ele sofreu uma significativa mudança estrutural quando foi desfeita a sociedade “Costa Sobrinho & C” e todo o ativo e passivo da tipografia, bem como a casa de negócio situada à Rua do Rosário nº 37 (atual Rua Tiradentes), passou a ficar a cargo do sócio Francisco da Costa Sobrinho, conforme nota publicada na primeira página da edição de 21.05.1882. Mas esta mudança aparentemente não alterou em nada a linha editorial, a estrutura e o público alvo do jornal, conforme se deduz das edições subsequentes.

Ressalte-se que O Leopoldinense nasceu e circulou numa época em que a política marcava presença no cenário municipal. Num período conturbado, com manifestações sobre a libertação dos escravos, a monarquia e a república. Anos de acirradas disputas no campo político e com forte apelo literário bastante influenciado pelas publicações francesas. Sem contar que sofria a influência de jornais publicados na Corte, como o “Diário do Brasil”, conforme fica patenteado na sua edição de 25.05.1882 quando o editor deixa claro que seu periódico acompanha o referido diário. E é bom que se diga que o “Diário do Brasil” é citado por Nelson Werneck Sodré, em “A História da Imprensa no Brasil” como sendo um dos órgãos da pequena imprensa que se isolou no apoio ao manifesto de Carl von Koseritz, em 1883, de incentivo à imigração germânica. Fato que leva a crer, com boa margem de certeza, que não teria sido por mero acaso que O Leopoldinense tenha se colocado em diversas oportunidades a favor da substituição da mão de obra escrava por colonos estrangeiros.

Alguns fatos podem dar uma ideia de quão árdua deve ter sido a sua luta. Um jornal do interior a defender a libertação dos escravos numa cidade que presta homenagem ao Barão de Cotegipe, dando o nome dele à rua principal. Um barão que, ao cumprimentar a princesa Isabel pela assinatura da Lei Áurea, teria afirmado: “Vossa Alteza libertou uma raça, mas perdeu o trono”. E no ano seguinte implantou-se a república. Uma cidade que homenageia Cotegipe, mas esquece a princesa Isabel e lembra Pedro II numa pequena Travessa que mais parece um apêndice da rua principal.

Mas vale lembrar que O Leopoldinense, além dos assuntos locais, publicava também matérias relativas a diversos municípios que não faziam parte da área de influência de Leopoldina. O que indica sua boa receptividade numa região mais vasta, embora não tenha sido possível identificar com precisão todo o universo dos seus assinantes. Sabe-se, apenas, que além dos moradores de localidades próximas ele possuía leitores em diferentes pontos das províncias de Minas Gerais e do Rio de Janeiro, além dos residentes na Corte.

E para fechar o vagão de hoje resta dizer que O Lepoldinense circulou até os primeiros anos do século XX, embora no estudo atual não se tenha chegado às últimas edições. Dizer, também, que a viagem continuará e na próxima estação recolherá o vagão com a história de outro periódico da cidade. Até lá.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA
Publicado no jornal Leopoldinense de 1 de outubro de 2014

Parte IX de A Imprensa em Leopoldina (MG) entre 1879 e 1899

8 – ‘Leopoldinense’: nome de vários jornais

Antes que agarre na memória de algum leitor distraído uma informação indevida, feito o pó de carvão que sujava a roupa dos passageiros da Maria Fumaça, o Trem de História vira a chave do desvio, evita possível descarrilamento e presta um esclarecimento importante.

Diferentemente do Leopoldinense atual, que acolhe mais uma vez um resgate histórico destes autores, o Leopoldinense do passado teve uma outra história.

O atual nasceu em agosto de 2003, bem depois de arrancados os trilhos e derrubada a estação ferroviária, com o nome de “Gazeta Leopoldinense de Notícias”. Assim circulou por alguns meses até que, em 2004, por alteração contratual a sua razão social passou para “Grupo Leopoldinense de Notícias Ltda”. E é esta empresa, comandada por Luiz Otávio Meneghite, a responsável pela edição do atual “Jornal Leopoldinense”, que empunha a bandeira da “Consciência crítica da Cidade”. Um jornal que tem uma tiragem média de 2.000 exemplares e circula rigorosamente a cada início de quinzena.

“O Leopoldinense”, ao qual se refere este estudo sobre a história da imprensa em Leopoldina entre 1879 e 1899, teve sua primeira edição em 01.01.1879. Seu primeiro editor e gerente foi o Alferes Francisco da Costa Sobrinho e o próprio jornal informava ser “propriedade de uma sociedade anônima”. Na sua fase inicial apresentava-se como “Folha Comercial Agrícola Noticiosa”, trazendo o subtítulo “Consagrado aos Interesses dos Municípios de Leopoldina e Cataguases”. Segundo consta de todas as edições d’O Leopoldinense a que se teve acesso, até julho de 1883 a sua tiragem era de 2000 exemplares.

Importante esclarecer que, após esta data, foram encontradas seis edições no Arquivo Público Mineiro entre 1890 e 1892, nas quais não constam informações sobre assinaturas ou tiragem, nem tampouco os nomes dos redatores e proprietários.

Quanto à data de lançamento e o nome do proprietário do Leopoldinense antigo, registre-se um esclarecimento importante.

Segundo Luiz Eugênio Botelho, em Leopoldina de Outrora, seu pai Luiz Botelho Falcão teria lançado o jornal em 1879, o que se comprovou não ser coerente com a realidade. Pelas edições do próprio jornal, Luiz Botelho teria assumido a empresa em 1892, naquela que se poderia chamar terceira das quatro fases conhecidas d’O Leopoldinense. Por outro lado, entre setembro e novembro de 1886, quando Carlos Wehrs esteve em Leopoldina, informaram-lhe que Luiz Eugênio seria o proprietário do jornal. Uma das hipóteses prováveis é a de que, com a morte do fundador Francisco da Costa Sobrinho, Botelho Falcão tenha adquirido a empresa e só alguns anos depois o periódico tenha voltado a circular.

De todo modo, apesar dos descendentes terem incensado o patriarca como grande e pioneiro jornalista leopoldinense, só há indicação de que Luiz Botelho Falcão tenha estado à frente do periódico por cerca de dois anos, vendendo-o a Randolpho Chagas e Valerio de Rezende em 1894.

Circulou ainda pela cidade, no final dos anos de 1950, outro informativo com o nome de Leopoldinense. Segundo consta, era uma publicação de responsabilidade da Diocese de Leopoldina, impresso numa tipografia que funcionava junto à casa episcopal. Mas como este informativo é de período posterior ao estudado, dele não se apurou maiores detalhes e influências. Faz-se apenas o registro da sua existência pela coincidência do nome e para que ele não perca o Trem de História.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA
Publicado no jornal Leopoldinense de 26 de setembro de 2014

Continuação do trabalho A Imprensa em Leopoldina (MG) entre 1879 e 1899

7 – Periódicos e suas Histórias

Conforme prometido no artigo anterior o Trem de História traz um pouco da vida dos vinte e um periódicos publicados no município de Leopoldina entre 1879 e 1899. De alguns deles se falará um pouco mais em vagões posteriores.

01) O Leopoldinense, o mais antigo deles, circulou de 1879 a 1900. É o primeiro da lista e a ele se voltará em artigo posterior;

02) O Correio da Leopoldina veio em seguida, no ano de 1881. Deste se sabe apenas, por nota d’O Leopoldinense de 03.07.1881 que José de Souza Soares Filho e Manoel Teixeira da Fonseca Vasconcelos eram seus redatores e proprietários.  É possível que fossem moradores do então distrito de Bom Jesus do Rio Pardo, atual município de Argirita;

03) O terceiro periódico é O Povo, que segundo o já citado Xavier da Veiga teria circulado de 1885 a 1890 no distrito de Campo Limpo (atual Ribeiro Junqueira). Dele pouco se sabe. Foram encontradas três edições datadas de 1885 e 1886, ano em que o proprietário se transferiu para Cataguases, onde continuou publicando o periódico;

04) Princípio da Vida. Deste periódico se sabe apenas que foi lançado em 1885;

05) O Pássaro, lançado em 1886, do qual não foram encontradas edições;

06) Estrela de Minas teve sua data de lançamento – 29 de julho de 1887, registrada por José Pedro Xavier da Veiga na monografia A Imprensa em Minas Gerais, publicada em 1894 em fascículo do jornal Minas Geraes e republicada em 1898 na Revista do Arquivo Público Mineiro. Entretanto, nenhuma edição foi localizada;

07) Ideia Nova teve o lançamento informado também por Xavier da Veiga, e assim como do anterior não foram encontradas suas edições. No jornal A Província de Minas, edição 501, 24 de novembro de 1887, página 1, anuncia-se o aparecimento no dia 17 de novembro de 1887, sob direção de Jacobino Freire e Reynaldo Matolla, sendo de propriedade de Arnaldo Lessa;

08) Irradiação circulou entre 1888 a 1890. Sua história será um pouco mais detalhada em artigo posterior;

09) A Voz Mineira. Deste periódico tem-se o registro de que circulou em 1890. Está na lista dos desconhecidos;

10) Gazeta de Leste circulou entre 1890 e 1891. Trazia no subtítulo a informação de que era Órgão Popular. Seu redator e proprietário era José de Moura Neves Filho. É mais um periódico que terá sua história contada em artigo vindouro;

11) A Leopoldina registra na sua primeira edição a data de 16.02.1893. Também sobre este periódico se vai falar em artigo futuro;

12) A Phalena é uma publicação de 1894 da qual nada mais se conseguiu apurar;

13) A Voz de Thebas foi um periódico publicado entre 1894 a 1897 no distrito de mesmo nome. Deste periódico se vai falar mais adiante;

14) O Correio de Leopoldina é de 1894. Um pouco mais sobre a sua história virá em artigo posterior;

15) A Gazeta de Leopoldina, o décimo quinto jornal do período, foi lançada em 1895. Um vagão inteiro será pouco para contar a sua história, como adiante se verá;

16) O Mediador circulou entre 1895 a 1896. Mais adiante se dará mais detalhes sobre sua trajetória;

17) O Tiradentes, publicado em 1897, foi mencionado por Xavier da Veiga como jornal do arraial de Vista Alegre, em Leopoldina. Na única edição encontrada informa-se que o proprietário foi M. C. Machado Júnior, os redatores eram Francisco Gama e Alberto Guimarães e o local consta como Vista Alegre (Minas). Ocorre que o distrito cataguasense recebeu este nome por causa da Estação Vista Alegre que havia sido instalada anos antes no município de Leopoldina, donde é comum encontrar referência a Vista Alegre como se fosse distrito de Leopoldina;

18) O Arame, jornal que circulou entre os anos 1898 a 1899, do qual foram encontrados 23 exemplares em acervo particular. Sobre ele se falará um pouco mais em artigo posterior;

19) A Lyra teria circulado em 1898 no distrito de Campo Limpo, conforme noticiado no jornal O Arame, de 11.12.1898. Seu proprietário e redador foi Jorge de Albuquerque Júnior;

20) O Pelicano, consagrado à maçonaria, teve seu lançamento em 1898. Tinha José Werneck como seu diretor e circulou no distrito de Campo Limpo; e,

21)O Recreio, lançado em 1899 no então distrito do mesmo nome, conforme a Gazeta de Leopoldina de 08.01.1899.  Era editado por “A. Napoleão & C”.

Com o Recreio encerra-se a relação dos 21 periódicos publicados em Leopoldina entre 1879 a 1899. Mas seguindo a História da Imprensa em Leopoldina, a partir do vagão seguinte o leitor conhecerá um pouco mais sobre alguns destes periódicos. “Aguardem a próxima composição”, diria o agente da estação.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA
Publicado no jornal Leopoldinense de 12 de setembro de 2014

Continuação do trabalho A Imprensa em Leopoldina (MG) entre 1879 e 1899

5 – Porque Tantos em Tão Pouco Tempo

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA
Publicado no jornal Leopoldinense de 16 de agosto de 2014

Continuação do trabalho A Imprensa em Leopoldina (MG) entre 1879 e 1899

Nesta viagem sobre a Imprensa em Leopoldina o leitor deve ter observado que o Trem de História corre por trilhos imaginários que ligam os periódicos que circularam durante um determinado recorte de tempo – entre 1879 e 1899. No artigo de hoje a viagem continua.

Agora, para falar da razão de tantos periódicos em período tão curto.

E o princípio da conversa é a afirmação de Nelson Werneck Sodré, em “A História da Imprensa no Brasil”, de que durante o Império houve uma interiorização da imprensa através da publicação de periódicos nas pequenas cidades como forma de compensar a dificuldade de transporte e do serviço de Correio, os quais embaraçavam a chegada às cidades menores dos jornais da Corte e das capitais de província.

Por este modo de pensar os periódicos da cidade teriam proliferado num vazio deixado pela falta ou, deficiência do transporte para o interior do país.

Tudo leva a crer que esta não seria a melhor justificativa para a profusão de folhas que se lançaram em Leopoldina nas duas últimas décadas do século XIX. Até pelo simples fato de que a cidade poderia ser considerada uma privilegiada pela proximidade do Rio de Janeiro. Além de a Estrada de Ferro da Leopoldina já existir, a análise de Rodolpho Jacob no livro “Minas Gerais XX Século” e as tabelas do movimento de transporte ferroviário publicadas no Almanaque Laemmert entre 1879 e 1889 registram que era significativo o movimento diário de carga que chegava a Leopoldina, aí incluída a correspondência. Em verdade Leopoldina contava com o trem e uma boa troca de interesses com a capital.

Outro argumento utilizado para tentar explicar a grande quantidade de jornais na segunda metade do século XIX é a disseminação das ideias republicanas, mencionada por Sodré, na sua obra já citada.

Por este caminho o surgimento do grande número de periódicos publicados em Leopoldina decorreria da necessidade de disseminar tais ideias, o que também não parece tese de fácil defesa. Isto porque a leitura destes jornais não conduz à certeza de que teriam sido criados com o objetivo de divulgá-las ou rebatê-las a qualquer pretexto.

Mas o mesmo autor apresenta um outro motivo que parece adequar-se melhor ao que ocorreu em Leopoldina. Argumenta ele que as últimas décadas do século XIX não representam apenas uma grande época política. Foi também uma época literária, o que parece ser a causa mais provável para o lançamento de tantos jornais em tão curto espaço de tempo. Um motivo que melhor se amolda à Leopoldina daquele tempo e, à dos anos posteriores ao período estudado, quando a cidade se destacou culturalmente e contou com um dos melhores colégios da região.

No próximo Jornal o Trem de História continuará a viagem puxando o vagão que vai nominar e contar um pouco da história dos vinte e um periódicos que circularam no município de Leopoldina no período estudado. Tem jornal para todo gosto.

4 – Colunas Literárias

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado no jornal Leopoldinense de 1 de agosto de 2014

Continuação do estudo sobre A Imprensa em Leopoldina (MG) entre 1879 e 1899

Não foram apenas os dois autores citados no artigo anterior que escreveram colunas literárias publicadas nos antigos jornais de Leopoldina. No jornal O Leopoldinense, havia uma coluna denominada Folhetim, na metade da primeira página.

Na Gazeta de Leopoldina, na edição nº 5 do terceiro ano, foi inaugurada uma seção, também na primeira página, com o título A Gazetinha e o subtítulo Folha Literária.

Em outros jornais da época existiam colunas contendo material semelhante, que no livro “História e Imprensa: Representações Culturais e Práticas de Poder”, organizado por Ariane Ewald e outros, é descrito como crônicas folhetinescas “divulgadoras de uma trama social, de um estilo de vida, de valores que sinalizaram a modernidade no século XIX”. Que equivaliam ao que Nelson Werneck Sodré classificou de “romances e novelas anônimas, fabricadas aos montes para distrair o espírito das sinhazinhas e dos estudantes”.

É o caso, por exemplo, d’O Leopoldinense, que durante o ano de 1881 publicou a tradução feita por Silva Ennes para A Condessa de Talma dividida em várias edições, sem ter sido indicada a nacionalidade ou o nome do autor da obra.

Também eram publicadas traduções e análises críticas de obras europeias. Algumas vezes com conteúdo que surpreende por aparentar certa incompatibilidade com o que o senso comum entende ser característica da sociedade da época. Como a análise da obra “As Mulheres que Votam e as Mulheres que Matam”, de Alexandre Dumas Filho, publicada na primeira página da edição nº 51, de 07.11.1880, d’O Leopoldinense. Anunciada como “correspondência do Leopoldinense”, o texto informa que a primeira parte da obra trata de três mulheres acusadas de terem assassinado os pais de seus filhos, sendo uma delas atriz, a segunda uma serva e a terceira uma senhora casada. Após descrever os processos, o autor dialoga com o leitor declarando que os crimes aconteceram “porque não tendes ânimos de fazer leis que confiram à honra das donzelas as mesmas garantias que à mais grosseira mercadoria”. Já na segunda parte da obra, diz o articulista, o autor defende “o direito que tem a mulher de votar, como o homem”. O texto questiona a diferença entre sexos e declara que as teses advogadas por Dumas Filho passariam por diversas fases como espanto, hábito, experiência, dever e finalmente um bem para a sociedade.

De resto, a apreciação dessas colunas literárias suscita algumas conclusões.

Em primeiro lugar, há uma sensível diferença entre a primeira fase, em que O Leopoldinense era o único periódico e a quarta fase, com vários jornais sendo publicados simultaneamente ou não. Se naquela os autores não puderam ser identificados, nesta houve nomes que permaneceram na lide literária. Enquanto a primeira fase caracterizou-se por romances e novelas anônimas, na última eram publicadas poesias, contos curtos e pequenas crônicas, quase sempre com identificação da autoria. Por outro lado, a quarta fase inaugurou a época das charadas, piadas e colunas de opinião.

De todo modo, não se pode esquecer o alerta do livro de Ariane Ewald de que as “crônicas são fragmentos e, ao mesmo tempo, elementos do social” e que tais “fragmentos da vida no século XIX indicam também os sinais mais públicos e visíveis do projeto da modernidade” que se vivia à época. Ampliando-se a área de alcance destes conceitos para além das crônicas folhetinescas, percebe-se que outras matérias publicadas nos primeiros periódicos leopoldinenses se enquadram na mesma condição de reflexo da vida cotidiana.

De certo modo foi o que se observou, por exemplo, na crônica publicada na edição de 30.01.1896 da Gazeta de Leopoldina, assinada por J. Lorbela, provável pseudônimo. Após uma introdução bastante rebuscada em elogios ao distrito de Conceição da Boa Vista, o autor usa de fina ironia para denunciar “esse ninho de águias” que seria o Conselho Distrital e fazer provocações sobre a falta de água, de iluminação e de prédio para a escola. No prosseguimento, declara que não houve eleição no distrito porque “na forma do costume, os eleitores deixaram-se ficar no seu dulce far niente”, abstendo-se de participar do pleito. E encerra o texto pedindo ao fiscal distrital para por “termo às infrações ao estatuto municipal, tão desrespeitado por indivíduos menos ocupados que se divertem dia e noite a alvejar as suas armas, pondo em sobressalto crianças e famílias”. Pela leitura das crônicas deste articulista durante boa parte do ano de 1896 é possível acompanhar o cotidiano do distrito de Conceição da Boa Vista.

Dá até vontade de continuar nesta toada. Mas o Trem de História soou o apito indicando que é chegada a vez do vagão que vai explicar as razões para Leopoldina ter tido tantos periódicos em tão pouco tempo. Aguardem.

3 – Influências e Financiamento

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA
Publicado no jornal Leopoldinense de 16 de julho de 2014

Terceira parte do trabalho A Imprensa em Leopoldina (MG) entre 1879 e 1899

Neste tempo de muito falar sobre financiamento de campanha e contabilidade criativa para que a grana não saia dos trilhos, o Trem de História conta um pouco sobre os caminhos percorridos para o financiamento dos periódicos e as influências que exerciam sobre a linha editorial de um jornal.

E o ponto de partida para a viagem de hoje é a edição nº 40 do ano 3, de 25.05.1882, d’O Leopoldinense, que na primeira página traz um aviso com os preços cobrados para veicular declarações, publicações solicitadas, avisos e anúncios, esclarecendo-se que “adotamos os preços moderadíssimos do Diário do Brasil”, de onde se extrai primeira constatação interessante.

A notícia em si, indicando uma das formas de financiamento do jornal, pouca novidade tem. Mas nela o editor do Leopoldinense deixou entrever que seu jornal acompanhava o Diário do Brasil, periódico publicado na Corte, que foi incluído por Nelson Werneck Sodré, em A História da Imprensa no Brasil, entre os órgãos da pequena imprensa que se isolou no apoio ao manifesto de Carl von Koseritz, em 1883, de incentivo à imigração germânica. O Diário do Brasil era um informativo classificado pelo jornalista francês Max Leclerc entre os que “exerciam grande influência na opinião” e, como se vê, servia de parâmetro para O Leopoldinense. Isto faz crer, com boa margem de segurança, que não teria sido por mero acaso que O Leopoldinense se colocou, em diversas oportunidades, a favor da substituição da mão de obra escrava por colonos estrangeiros.

Recorde-se que o tema da imigração foi estudado pelos autores deste Trem de História em projeto desenvolvido há alguns anos sobre a Colônia Agrícola da Constança. Naquela oportunidade afirmou-se mais de uma vez que os fazendeiros leopoldinenses adotaram a ideia da contratação de colonos estrangeiros a partir do início da década de 1880 e a substituição da mão de obra foi um processo crescente, não se justificando a visão de que o 13.05.1888 desestruturou todas as propriedades agrícolas do município.

Recorde-se, ainda, que entre outras fontes utilizadas naquele estudo estão as matérias publicadas em jornais, especialmente as colunas d’O Leopoldinense e da Gazeta de Leopoldina que divulgavam a chegada de imigrantes na Hospedaria Horta Barbosa, em Juiz de Fora.

Voltando à fonte de financiamento do primeiro periódico leopoldinense, vale observar que ela traz um indicador importante. Analisando a denominada Seção Livre, observa-se que o jornal publicava matérias relativas a diversos municípios que não faziam parte da área de influência de Leopoldina, o que indica uma boa receptividade do jornal numa região mais vasta.

Embora não tenha sido possível identificar com precisão todo o universo dos assinantes do jornal, pode-se concluir, por hipótese, que além dos moradores de localidades próximas os houvesse em diferentes pontos das províncias de Minas e Rio, além da Corte, o que por si só amplia bastante a sua possibilidade de financiamento através das assinaturas. E esta ampliação pode ser observada em anúncio na primeira página da edição de 19.11.1881 informando que as assinaturas poderiam ser pagas num endereço na capital do Império – Rua da Quitanda 84-B, onde se estabelecia a empresa Portella & C. que recebia, também, assinaturas tomadas por moradores de outras cidades. Segundo o próprio jornal era possível, também, pagar a assinatura diretamente, através de remessa de vale postal, como fez um padre de Valença, RJ, em 1881.

Uma fonte importante de financiamento, não só para O Leopoldinense, sempre foi a proveniente das publicações oriundas da administração municipal e do poder judiciário. Neste ponto é importante lembrar que as receitas destas publicações algumas vezes traziam consigo seus prós e contras. Assim, em alguns casos, pareciam constituir-se na razão para a existência de uma folha informativa. Noutros, agraciados com maior ou menor volume de recursos, podiam ser confundidos com algum favor concedido ou negado devido à cor da bandeira partidária assumida por seu editor.

Outra forma de financiamento dos periódicos eram as colunas com noticiário religioso. Segundo consta em alguns dos “papeizinhos” do Padre Julio Fiorentini, que estava à frente da Paróquia de São Sebastião nos últimos anos do século XIX, eram feitas arrecadações específicas pelas irmandades para publicação de anúncios no jornal. Esclareça-se que tais papeizinhos foram encontrados dentro de livros de assentos paroquiais de batismo transcritos pelo Padre José Ribeiro Leitão em dezembro de 1958, não estando organizados ou arquivados de forma a permitir sua referenciação.

Completando-se o rol de meios para obtenção de fundos para financiamento dos periódicos, há a indicação de venda avulsa realizada por “moleques” esporadicamente mencionados. Contudo, apesar do preço da assinatura ser informado sempre na primeira página, no caso d’O Leopoldinense não foi encontrado o valor para venda avulsa.

Conhecidas as fontes de influência e financiamento dos periódicos o próximo vagão promete falar de literatura, jornalismo e política. Aguardem. Ele vem puxado pela Maria Fumaça, mas é rapidinho.