Dia Nacional do Imigrante Italiano

A Ponte entre Culturas convida:

Venha comemorar neste domingo, 21/02 o DIA NACIONAL DO IMIGRANTE ITALIANO às 16h ao vivo no youtube. Na ocasião, Pierangelo Campodonico, diretor do Galata Museo del Mare de Genova e Paolo Masini, Presidente do Comitê Diretivo do MEI, apresentarão com exclusividade para o público brasileiro, o novo Museu Nacional da Emigração Italiana, sediado em Genova. Participarão ao vivo, para comentar o evento: Silvia Alciati (CGIE Brasil) e Cilmar Franceschetto (Arquivo Público do Estado do Espirito Santo).
Ás 16h45 haverá uma homenagem especial com o vídeo: “Relatos afetivos, fragmentos da memória”, realizado especialmente para esta data por Kátia Lombardi, fotógrafa e professora da Universidade Federal de São João del Rei (UFSJ).
O evento será transmitido nos canais youtube: IIC RIO e Ponte entre Culturas.
Realização: Instituto Italiano de Cultura do Rio de Janeiro, Ponte entre Culturas, Museo Nazionale dell’Emigrazione Italiana.
Apoio institucional: Embaixada da Itália em Brasília e Consulado Geral da Itália no Rio de Janeiro.

Moradores de Taruaçu e Argirita.

Instrumento de pesquisa composto a partir da Lista Geral dos Votantes de São João Nepomuceno e do Livro das Atas de Eleições de Bom Jesus do Rio Pardo. O ano de nascimento dos moradores foi estimado pela idade informada no alistamento eleitoral. Abrange o período de 1851 a 1867, sendo que a partir de 1854 as duas localidades eram subordinadas administrativamente à Vila Leopoldina.

163 – O Arraial se torna o distrito de Tebas

O arraial de Santo Antonio do Monte Alegre se tornou distrito com o nome de Santo Antonio de Tebas pela lei nº 2675 de 30.11.1880, conforme ficou dito no artigo anterior. No ano seguinte, em outubro o distrito foi elevado à categoria[1] de freguesia. Ao tempo do Império, como não havia separação entre Igreja e Estado, tornar-se freguesia significava que o poder eclesiástico avalizava a criação do distrito. Na prática, ao se tornar freguesia a Igreja de Santo Antonio de Tebas passou a ter livros próprios e os eventos não mais deveriam ser registrados nos livros da Freguesia de Bom Jesus do Rio Pardo [Argirita] ou de Nossa Senhora da Piedade [Piacatuba].

Um pouco antes, mais precisamente em agosto, o diretor geral dos Correios criou[2] uma agência em Tebas. Segundo o Jornal Liberal Mineiro[3], na sessão da Assembleia Legislativa de 09.08.1883, foram transferidas para Tebas algumas propriedades até então pertencentes à freguesia do Rio Pardo.

E neste mesmo ano de 1883 foram criadas[4] duas cadeiras de instrução primária na povoação, sendo uma para o sexo feminino e outra para o masculino. Fontes orais indicam que o prédio da imagem abaixo é de uma escola criada no final dos anos oitocentos.


No censo de 1890 o distrito de Santo Antonio de Tebas aparece com um total de 2.226 habitantes sendo 1161 do sexo masculino. Dessa população, 19 homens e 17 mulheres eram nativos e um total de 61 homens e 42 mulheres eram estrangeiros.

Quanto aos 36 nativos (indígenas) apontados pelo censo é oportuno lembrar a referência feita por Francisco de Paula Ferreira Resende[5] que chegou a Leopoldina em 1861:

“Quando vim para a Mata, ainda tive ocasião de ver um grande número desses índios na fazenda da Soledade que pertencia ao capitão Quirino; e vi também ainda algum tempo depois uma espécie de pequeno aldeamento deles, um pouco para lá do atual arraial de Tebas na estrada que ia para o Rio Pardo. Eram apenas alguns pequenos ranchos muito imundos e onde eles pareciam estar sempre a cozinhar preguiça. Nunca soube-lhes o número ao certo; mas parece que deveriam ser uns dez ou doze […] Eu já disse que estes índios eram aqui conhecidos pelo nome de Puris”

Em 1895 Francisco Gonçalves da Rocha Andrade, por contrato lavrado com a Câmara Municipal[6] encarregou-se da empreitada da estrada de Tebas, na seção à Fazenda da Constança, na extensão de 6 km.

Francisco foi subdelegado, segundo o periódico A Voz de Thebas[7] e, 2º Juiz de Paz de Tebas, conforme a Gazeta de Leopoldina[8].

Na década de 1890 e por curto período de tempo, circularam em Tebas dois periódicos: A Voz de Thebas, de 1894 a 1897 e, o Arame, de 1898 a 1899. Ambos se tornaram conhecidos pelas posições críticas e contestadoras que assumiram.

Em 1894 uma epidemia de febre amarela atingiu a sede do município de Leopoldina obrigando ao fechamento do cemitério local pela impossibilidade de receber mais corpos. A contaminação assustava de tal modo que a administração municipal se viu obrigada a transferir o centro administrativo para o distrito de Tebas.

Com esta lembrança triste o Trem de História de hoje fica por aqui. Na próxima edição ele voltará para falar de Manoel Joaquim Ferreira e seus descendentes. Até lá!

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 416 no jornal Leopoldinense, janeiro de 2021

Fontes consultadas:
[1] Arquivo Público Mineiro. Lei N. 2848 de 25 de outubro de 1881. Art. 1
[2] O Leopoldinense. 28 ago 1881. p.1 col. 3
[3] Jornal Liberal Mineiro, 23.08.1883, Ed. 88, p.1. col. 3
[4] Arquivo Público Mineiro. Livro da Lei Mineira tomo I Parte Primeira Folha N. 11 Lei N. 3127 18 de outubro de 1883.
[5] REZENDE. Francisco de Paula Ferreira de. Minhas Recordações. Belo Horizonte: Itatiaia, 1988. p. 364.
[6] O Leopoldinense, 28.07.1895, ed. 59, p. 2, col. 5.
[7] A Voz de Thebas, 1897, ed. 29, p.2, col. 3.
[8] A Gazeta de Leopoldina, 01.05.1898, ed. 3, p.2, col. 4. 

Antepassados de Leda Maria Campos

Para complementar os estudos de José Capaz Dutra Cappai, reunimos informações sobre antigas famílias leopoldinenses que compõem a genealogia da segunda esposa de João Cappai de Oliveira.

Famílias imigrantes em Leopoldina

Revisão do estudo sobre a família Sardi, citada originalmente em artigo publicado em dezembro de 1998.

162 – O patrimônio de Santo Antonio do Monte Alegre

Continuando a viagem, o Trem de História chega ao povoado que deu origem ao atual distrito de Tebas, para contar o que ocorreu na sua formação.

No início o nome do arraial era Santo Antonio do Monte Alegre, em homenagem à fazenda que lhe cedeu terras para formar o patrimônio.

O patrimônio de Santo Antônio do Monte Alegre foi instituído por José Antonio Teixeira, a pedido de sua falecida segunda esposa[1], Leocádia Florentina de Assis, em maio de 1868, conforme certidão[2] anexada ao processo de Divisão da fazenda Monte Alegre, também conhecida como Fazenda dos Thebas.[3] Diz o citado documento:

“Escritura de doação que faz José Antonio Teixeira de um terreno na Fazenda do Monte Alegre para patrimonio de Santo Antonio, sendo ele possuidor da meação das terras pro indiviso da Fazenda do Monte Alegre e desejando concorrer com outros fieis para a fundação de uma Igreja para o culto do Glorioso Padre Santo Antonio, pela presente escriptura faz doação […] de um terreno de 2 alqueires em a mencionada fazenda cerca de 100 braças adiante da casa em que reside em um outeiro que fica na encruzilhada que segue para o Rio Pardo e para o Pirapetinga, junto ao local mais adequado a uma povoação; do qual terreno abre mão de hoje para sempre a fim de que fique pertencendo ao patrimonio ora instituido do mesmo Glorioso Santo. E mais desiste em favor do mesmo patrimonio de todo e qualquer direito que porventura lhe assiste sobre mais quatro alqueires de terras na mesma fazenda pertencente a José Joaquim Ferreira Cazeca, cujo valor está sujeito a uma indenisação por perdas e danos pela qual elle outorgante protestou judicialmente e faz a presente dezistencia também de livre e espontanea vontade para que a todo tempo se aumente o terreno doado. […] e por não saber escrever pediu a seu filho Manoel Antonio Teixeira para assinar a seu rogo, o qual assina com as testemunhas Anastacio José da Silva e Coriolano José Francisco de Macedo”.

Não restam dúvidas quanto aos doadores das terras. Mas assim como ocorreu na formação de tantos outros povoados brasileiros e principalmente nos da Zona da Mata, a história de Tebas também precisa ser vista com um pouco mais de atenção para que se faça justiça aos reais pioneiros do lugar.

No caso, é preciso voltar um pouco no tempo, conhecer alguns nomes e contextualizar a época da criação do povoado que deu origem ao atual distrito. É preciso que se recorde o nome de Manoel Joaquim Ferreira, o Manoel Joaquim de Tebas.

Como se viu no artigo anterior, Manoel Joaquim era o proprietário da Fazenda Monte Alegre e em 1839, vinte e nove anos antes da doação para o Patrimônio, morava com sua segunda esposa, Leocádia Florentina de Assis, no Rio Pardo, possivelmente na sua Fazenda do Monte Alegre.

Em 17.09.1847 Manoel faleceu[4]. Em abril de 1856 Leocádia estava casada com José Antonio Teixeira. E em 25.05.1868, conforme se viu anteriormente, foi constituído o patrimônio de Santo Antonio do Monte Alegre.

E como Santo Antonio do Monte Alegre o arraial seguiu os seus dias até 1880, quando foi “elevado[5] à categoria de distrito de paz a povoação de Thebas, da freguesia da Piedade, Termo de Leopoldina” com o nome de Santo Antonio de Tebas.

A história continua. Mas o Trem de História precisa fazer uma pausa. Fica a promessa de que na próxima edição do Jornal a viagem continuará. Aguardem.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 415 no jornal Leopoldinense de 15 a 31 de dezembro de 2020

Fontes consultadas:


[1] José Antonio Teixeira foi casado em primeiras núpcias com Maria Rosa Faustina.

[2] Cartório de Notas do distrito da Piedade. Livro 1, fls 35.

[3] Divisão judicial da Fazenda Monte Alegre. Processo 38404325 COARPE/TJMG.

[4] Inventário de Manoel Joaquim Ferreira, processo 38403704 COARPE – TJMG img 3.

[5] Arquivo Público Mineiro. Lei N. 2675 de 30 de novembro de 1880.

161 – Fazenda Monte Alegre

O Trem de História, na busca de trazer para o presente os Pioneiros de Leopoldina, hoje empreende viagem na direção da área onde se formou o distrito de Tebas, na Fazenda Monte Alegre.

E começa por afirmar que Fazenda Monte Alegre pertencia a Manoel Joaquim Ferreira, citado em algumas fontes como Manoel Joaquim de Tebas e que possivelmente usou também o nome Manoel Joaquim de Santana ou era parente próximo deste último.

E para que o leitor se localize no espaço, informa que nos Registros de Terras de Leopoldina os seus herdeiros foram mencionados[1] como sendo proprietários de quinhões que confrontavam com as terras da fazenda Feijão Cru, de Manoel Antonio de Almeida, o que dá uma ideia do tamanho da fazenda partilhada.

Quanto à origem da Fazenda, embora ainda não se tenha documentado o fato, é de se supor que Manoel Joaquim e sua primeira esposa podem ter sido os formadores dela. Porque é certo que, em junho de 1839, Manoel Joaquim Ferreira estava casado com sua segunda esposa, Leocádia Florentina de Assis (ou, da Silva) e morava no Rio Pardo, possivelmente na sua Fazenda Monte Alegre, o que se deduz pelo nascimento e o batizado[2] de um filho homônimo do pai realizado na Igreja do Senhor Bom Jesus do Rio Pardo.

É bom lembrar que nessa época as terras da Fazenda Monte Alegre pertenciam ao distrito de Senhor Bom Jesus do Rio Pardo criado[3] em 1839 e que atualmente é o município de Argirita, emancipado[4] em 1962.

Em abril de 1856, nove anos depois da morte de Manoel Joaquim, sua viúva Leocádia estava casada com José Antonio Teixeira e residia na Fazenda Monte Alegre. Registre-se que José Antonio ficara viúvo[5] em março de 1852 e em 1868, conforme se verá adiante, constituiu o patrimônio do santo de quem ele e Leocádia eram devotos. E no dia em que se completaram seis meses da assinatura da doação, José Antonio Teixeira veio a falecer[6].

Durante as décadas de 1850 e 1860, várias foram as operações de compra e venda de partes da Fazenda Monte Alegre, que chegou ao ano de 1874 com uma área de cerca de 185 alqueires. José Antonio Teixeira, auxiliado por filhos e enteados, administrou a Fazenda de sua segunda esposa até a morte[7] dela, em 1867.

Por esta época, da meação a que teve direito no inventário de Leocádia restavam[8] pouco mais de 20 alqueires, uma vez que além da doação ao patrimônio de Santo Antônio do Monte Alegre ele fez outras doações de sua terça, composta também pelo que restava da meação de seu primeiro casamento com Maria Rosa Faustina.

Um dos compradores de partes da Fazenda Monte Alegre, Narcizo Marques Braz, requereu a divisão judicial indicando 54 condôminos interessados. Ao final do processo de retombo, divisão e marcação dos quinhões, em agosto de 1874, alguns destes condôminos já não faziam mais parte do grupo por terem vendido, permutado ou doado sua parte.

Um dos quinhões era o de Santo Antonio de Tebas, com 282.010,20 m2, que já estava sob administração da Câmara Municipal de Leopoldina.

Mas esta será a carga que o Trem de História trará na próxima viagem. Aguardem!

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 414 no jornal Leopoldinense de 1 de dezembro de 2020

Fontes consultadas:

[1] Arquivo Público Mineiro, Seção Colonial, TP 114, Registro de Terras de Leopoldina, nº 18.

[2] Igreja do Senhor Bom Jesus do Rio Pardo. 1º livro de batismos, [folhas soltas, não numeradas]

[3] Arquivo Público Mineiro. Livro da Lei Mineira 1839. Tomo V Parte 1ª Folha nº 10 Lei N. 147 6 de abril.

[4] Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Lei 2764 de 30/12/1962.

[5] Cartório de Notas de Piacatuba – livro 1871-1872, fls 23verso

[6] Inventário de José Antonio Teixeira, processo 38402863 COARPE – TJMG img 3.

[7] Partilha amigável dos bens de Leocádia Florentina da Silva, processo 38404224 COARPE – TJMG img 16.

[8] Inventário de José Antonio Teixeira TJMG/COARPE processo 38402863 COARPE – TJMG img 35

Memória histórica revisitada: Angaturama

Durante muitos anos foram sendo acumulados fragmentos de informações originadas de antigas fontes documentais de Leopoldina. No início dos anos 2000, a leitura do livro A História em Migalhas, de François Dosse, desencadeou um turbilhão de confusos pensamentos. Logo no capítulo 2 o autor lembra as palavras de Marc Bloch sobre “sair das fronteiras artificiais que fundamentam a pesquisa [e] transgredir os compartimentos topográficos” (p.84). Embora a passagem se refira à sugestão de Bloch de não separar os elementos da história francesa dos elementos da história da Europa, naquele momento soou como um alerta de que as informações até então coletadas não eram fragmentárias, mas faziam parte de um conjunto mais amplo que poderia servir a um futuro estudo comparativo.

Como não havia perspectiva de tal estudo a curto prazo, surgiu a ideia de divulgação daqueles fragmentos em virtude da constatação das dificuldades com que se deparam os pesquisadores ao procurar fontes em pequenas cidades que não contam com um arquivo histórico organizado. O objetivo era, então, levar ao conhecimento de outros interessados o que havia sido apurado até então.

Era necessário estabelecer critérios para a divulgação. E, mesmo sabendo que as divisas são artificiais e nem sempre se preocupam com a personalidade histórica ou as práticas dos habitantes de uma localidade, o primeiro critério adotado foi distribuir os fragmentos pelos atuais nomes das localidades a que se referem. Assim surgiu, entre outras, a série de postagens sobre Recreio. Iniciada em 2006, foi posteriormente reorganizada e republicada. Em pouco tempo se tornou uma pequena Memória Histórica, consultada com bastante frequência até os dias atuais.

Agora se inicia uma nova fase. Com o recolhimento do acervo de antigos processos das Comarcas mineiras pela Coordenação de Arquivos Permanentes do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, tornou-se mais fácil consultá-los. A partir de fevereiro de 2019 foi iniciado um projeto de revisão dos processos que haviam sido consultados localmente na década de 1990. Ao longo destes dois anos, a análise foi ampliada para novos processos, na medida em que foram identificados proprietários e propriedades existentes no território que passou a compor a Vila Leopoldina a partir da Lei nº 666 de 27 de abril de 1854.

Em abril de 2020, para marcar os 166 anos da emancipação administrativa de Leopoldina, foi iniciada a publicação da série “Pioneiros de Leopoldina” no jornal Leopoldinense. A meta era concluí-la até outubro de 2021 quando se completam 190 anos da mais antiga fonte documental a citar os primeiros moradores dos Sertões do Feijão Cru, denominação que surgiu em duas Cartas de Sesmarias datadas de 13 e 14 de outubro e 1817. Entretanto, os efeitos da pandemia que atingiu o planeta este ano atrasou o cronograma e não se sabe se será possível concluí-lo a tempo.

Por outro lado, em 2020 completaram-se algumas idades redondas relativas à história de Recreio e estava planejado revisitar sua trajetória. Um dos capítulos previstos para divulgação seria sobre Angaturama é o que se publica a seguir.

Fazenda São Joaquim

A mais antiga representação cartográfica de que se tem notícia sobre a região de Leopoldina é a Carta Topográfica dos Termos do Presídio, Pomba e São João Nepomuceno, de João José da Silva Teodoro, datada de 1847.

Figura 1- Carta Topográfica de João José da Silva Teodoro com marcações em cores para este trabalho

O Termo de São João Nepomuceno, colorido em amarelo para este trabalho, inclui as seguintes localidades:

  • Bom Jesus do Rio Pardo, atual Argirita
  • Conceição da Boa Vista
  • Conceição do Rio Novo, atual Rio Novo
  • Dores do Rabicho, atual Taruaçu,
  • Madre de Deus do Angu, atual Angustura
  • Mercês do Kágado, atual Mar de Espanha
  • Piedade, como Natividade, atual Piacatuba
  • Porto de Santo Antônio, atual Astolfo Dutra
  • Santíssima Trindade do Descoberto, atual Descoberto
  • Santo Antônio do Aventureiro
  • São João Nepomuceno
  • São José do Paraíba, atual Além Paraíba
  • São Sebastião do Feijão Cru, atual Leopoldina

Na representação topográfica estão marcados 41 nomes de proprietários na área do então Curato de Conceição da Boa Vista. Entre os que foram identificados está o chefe de uma das grandes famílias ali residentes desde 1835 e é justamente aquela cuja propriedade deu origem ao distrito de São Joaquim, atual Angaturama. O povoador Felicíssimo Vital de Moraes procedia da Serra da Ibitipoca como tantos outros pioneiros da região. Teve parentes próximos entre os primeiros entrantes e mesmo os que viveram em outro distrito de Leopoldina serão citados para que se entenda mais facilmente os casamentos endogâmicos.

No final da década de 1830, Felicissimo morava no então denominado 3º quarteirão do Feijão Cru. Com o crescimento populacional, o território foi redividido e em 1851 sua localização fazia parte do 4º quarteirão. Naquele ano, pela Lei nr 533 de 10 de outubro, foi criado o Distrito de Conceição da Boa Vista que incluía a área da propriedade de Felicíssimo, sobre a qual ele pagou impostos em 1855 e 1858.

Como pode ser observado em documentos posteriores, foi dado o nome de São Joaquim à fazenda que a família formou às margens do rio Pomba e que mais tarde nomeou o distrito ali criado. A devoção a São Joaquim é também indicada pelo nome de uma das filhas do casal: Ana Marta de São Joaquim.

Em 1875 Felicíssimo foi listado entre os produtores de café de Conceição da Boa Vista e já teria formado outra propriedade, de nome Bom Retiro, que seria um desmembramento da original São Joaquim, assim como foi desmembrada a fazenda do Barreiro. Entre 1869 e 1871 foram realizadas diversas vendas de partes da original fazenda São Joaquim, conforme se verifica no 3º livro do Cartório de Notas de Conceição da Boa Vista. Entre os compradores estavam o filho José Felicíssimo Gonçalves de Moraes além de Antonio Augusto Monteiro de Barros Galvão de São Martinho, Camilo José Sulpreito, Francisco Augusto de Freitas, João Antonio Pereira, João Federico Maia, José Antonio dos Prazeres, José Lemos da Silva, Luiz Antonio de Souza Melo, Manoel de Cristo da Silva, Manoel José de Oliveira Serandi. Alguns dos compradores haviam sido agregados da propriedade, como foi o caso de João Antonio Pereira que ocupou terras no lugar denominado Água Comprida, perto da nascente do córrego de mesmo nome, divisa com José Lemos da Silva.

No Decreto número 241, de 21 de novembro de 1890, que criou o distrito de São Joaquim, observa-se que algumas marcações coincidem com as que faziam parte da fazenda São Joaquim cerca de 30 anos antes. No Art. 2º § 1º, a descrição das divisas do novo distrito são indicadas a partir da margem direita do Rio Pomba no lugar denominado Poço da Onça, seguindo por propriedades que foram compradas de Felicíssimo ou de seus herdeiros. Cita, ainda, “a cabeceira da Água Limpa, abrangendo a fazenda do finado Felicíssimo, tomando-se o espigão em frente à casa da fazenda e por este acima até virar para o córrego do Barreiro”. Este córrego deu nome à fazenda do Barreiro, da qual um filho de Felicíssimo vendeu parte em 1878 para João Francisco de Puga Garcia.

Em 1864, na abertura do processo de Divisão Amigável da Fazenda Bom Retiro, Felicíssimo Vital de Moraes e seus filhos eram os condôminos. O agrimensor encarregado da medição da propriedade encontrou 611,5 alqueires e dela foram feitas vendas de pequenas áreas para Francisco Barbosa da Silva, Francisco da Silva Dias e José Lemos, entre outros. Em redivisão da mesma propriedade em 1887, alguns descendentes de Felicíssimo eram condôminos.

Figura 2 – Planta da Fazenda Bom Retiro em 1887

No Auto de Partilha dos bens inventariados de Felicíssimo Vital de Moraes, em 1876, os louvados avaliaram o monte mor em 106:634$302 (cento e seis contos seiscentos e trinta e quatro mil trezentos e dois reis).

Além das propriedades acima citadas, os filhos de Felicíssimo tiveram vínculos com as seguintes: Água Limpa, Areias, Boa Sorte, Boa Vista, Bocaina, Bonsucesso, Degredo, Lealdade, Posse e Província.

A seguir, genealogia da família Moraes, com as fontes consultadas para este trabalho e índice onomástico.

Principais sobrenomes mencionados na genealogia acima:

Aguiar, Almeida, Alvellos, Alves, Amorim, Araújo, Avila, Barbosa, Barcelos, Barroso, Bastos, Bem, Bittencourt, Botelho Falcão, Brito, Carneiro, Carvalho, Castro, Chagas, Chaves, Coelho, Corrêa, Costa, Couto, Damasceno, Dias, Duarte, Dutra, Faria, Fernandes. Ferreira, Fontes, Franco, Gomes, Gonzalez, Gouvêa, Guerzoni, Guimarães, Lacerda, Ladeira, Leal, Leite, Lima, Lobo, Locci, Lopes, Loyola, Machado, Magalhães, Manso, Martins, Matos, Medeiros, Mendes, Mendonça, Menezes, Montes, Moraes, Moreira, Mota, Moura, Movan, Nascimento, Negri, Neiva, Nepomuceno, Neto, Novaes, Oliveira, Panza, Pereira, Piccoli, Pimentel, Pina, Ramos, Reggiane, Reis, Rezende, Rios, Rocha, Rodrigues, Rossi, Santos, Silva, Silveira, Souza, Taveira, Teixeira, Vale, Valverde, Vargas, Velasco, Vieira, Villas Boas, Werneck, Xavier.