Atualização de estudos genealógicos

Informamos aos nossos leitores que atualizamos dois capítulos da genealogia da Família Almeida Ramos:

Capítulo 3 – Descendentes de Antonia Maria de Almeida

Capítulo 7 – Descentes de José de Almeida Ramos

Agora estes capítulos contam com seis gerações de descendentes.

O Theatro Alencar e as Companhias Dramáticas em Leopoldina

Com grande prazer convidamos nossos leitores para conhecerem o trabalho de Alan Villela Barroso, disponível neste endereço.

RESUMO:

Partindo do pressuposto de que se existiu teatro, existiram espetáculos e, se a imprensa esteve presente, existiram registros, esta pesquisa objetiva averiguar as principais produções teatrais e circenses realizadas em Leopoldina, com base em recortes e matérias de jornais publicadas entre o entardecer do século XIX e o amanhecer do século XX, tendo em vista que, tanto as Casas de Espetáculos, quanto as tipografias, se expandiram pelo interior de Minas Gerais durante o período, não sendo exceção em Leopoldina, ao inaugurar seu primeiro jornal em 1879 e, cinco anos depois, o Teatro.

Ana Cecília, mais um membro da família Almeida Ramos

Nasceu hoje, 31 de janeiro de 2020, mais um membro da imensa árvore dos Almeida Ramos.

Ana Cecília pertence à 10ª geração de descendentes de Antonio de Almeida Ramos, através de seu filho José de Almeida Ramos.

Sua terceira-avó, Maria Magdalena Rodrigues Ferreira, também descende dos Almeida Ramos mas no nível seguinte, sendo da sétima geração de descendentes de Antonio de Almeida Ramos, através de seu filho Manoel Antonio de Almeida cuja genealogia está em atualização. Descende ainda de outros povoadores do Feijão Cru, como Joaquim Ferreira Brito, Antonio e Bento Rodrigues Gomes, Bernardino José Machado e José Vital ou Vital Ignacio de Moraes.

 

140 – Fazenda Constança: primeiras informações

Faz alguns anos que o Trem de História viaja pelo passado da cidade em seguimentos diversos e, de forma recorrente, pela imigração italiana e a Colônia Agrícola da Constança. Mas até aqui, pouco reuniu sobre a fazenda que emprestou seu nome para a instituição que se tornou moradia de tantos estrangeiros que passaram por Leopoldina.

Hoje, para preencher esta lacuna, num imaginário olhar a partir do alto do Belvedere da Serra da Vileta, fixando a vista em derredor do trevo da BR 116 e nas terras cortadas pela BR 267, no trecho que vai dali até as proximidades de Tebas, o Trem de História traz um pouco da história desta fazenda que, após sua derrocada, recebeu numerosos imigrantes e compõe o atual Bairro da Constança.

Logo de início é bom que se diga que ainda não foi possível documentar o momento exato da constituição e a origem das terras da Fazenda Constança. Mas o que se pode afirmar, desde logo e com muita segurança, é que em 1847 ela não aparecia entre as propriedades mapeadas no distrito do Feijão Cru, o que leva a crer que não existisse até aquele momento.

Recorde-se, no entanto, que Francisco de Paula Ferreira de Rezende[1], ao tratar da chegada de Manoel Antonio de Almeida à atual Leopoldina, refere-se à Constança quando comenta que este pioneiro da cidade adquiriu terras acima da confluência do Feijão Cru pequeno com o grande[2] e que “A sua posse veio por esta forma a compreender todas as vertentes desse mesmo ribeirão, e o que é certo, é que apesar de ter-se dela destacado a grande fazenda ou sesmaria da Constança….”

Tal informação de Rezende não retira do campo das hipóteses o possível esclarecimento sobre a formação da Fazenda Constança. Assim, optou-se pela realização de uma análise comparativa com outras fontes a partir da mais antiga referência sobre sua existência. Trata-se do Registro de Terras de São Sebastião da Leopoldina[3], em 1856, no qual se encontra a declaração de José Augusto Monteiro de Barros, filho de Antonio José Monteiro de Barros, informando ser proprietário da Fazenda Constança, cuja extensão foi estimada em uma sesmaria.

Considerando que as sesmarias concedidas a partir do final do século XVIII mediam “meia légua em quadra”, convertendo-se tal medida chega-se 10,89 km2 ou, 1.089 hectares, total que muito se aproxima do encontrado no processo de Divisão da Fazenda[4] em 1882, registrado como 989 hectares.

Neste mesmo Registro o proprietário declarou, ainda, que suas terras confrontavam com “as sismarias do Dr. Antonio José Monteiro de Barros (seu pai, proprietário da Fazenda Paraíso), João Vidal Leite Ribeiro (seu cunhado, proprietário da Fazenda Independência), com posses de Manoel Antonio de Almeida (Fazenda Feijão Cru), de Custodio de Vargas Correa e seos irmãos (Fazenda Boa Esperança) e com Manoel Rodrigues da Silva (Fazenda Purys)”, conforme anotou o Vigário José Maria Solleiro, em 15 de abril de 1856.

Recorrendo a outros registros da mesma época, bem como a processos de divisão de outras propriedades na região, verifica-se que Francisco de Vargas Corrêa, pai de Custódio de Vargas Corrêa, em julho de 1830 comprou[5] 150 alqueires ou 726 hectares de terras da sesmaria que havia sido concedida[6] a José Maria Monteiro de Barros que delas fez doação[7] a seu irmão Antonio José Monteiro de Barros. Já a propriedade de Manoel Antonio de Almeida foi registrada[8], em 1856, como sendo equivalente a duas sesmarias, ou seja, 2.178 hectares aproximadamente. Considerando que outros proprietários declararam ter comprado terras de Manoel Antonio nos anos anteriores, e que a medição da Fazenda Constança em 1882 cita condôminos herdeiros de Rita Esméria de Jesus, mulher de Manoel Antonio falecida em 1865, é provável que José Augusto Monteiro de Barros tenha adquirido terras também de Manoel Antonio para formar a Fazenda Constança.

Há indícios de que José Augusto teria homenageado sua avó paterna ao nomear sua propriedade. Trata-se de Francisca Leocádia Constança da Fonseca que foi casada com o avô paterno de José Augusto, o Barão de Paraopeba, falecido em dezembro de 1855. A formação da Fazenda Constança teria ocorrido logo depois da morte do avô e pouco antes do casamento de José Augusto com Rita Vidal Leite Ribeiro, filha de Francisco Leite Ribeiro e Teresa Angélica de Jesus.

Na próxima edição o Trem de História virá com mais bagagem sobre a Fazenda Constança antes dela se tornar parte da Colônia Agrícola que herdou o seu nome. Mas hoje ainda resta lembrar a todos que em 17 de maio de 2020 acontecerá na cidade o Encontro de Descendentes dos Imigrantes de Leopoldina e que espera contar com a participação de todos.***

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17/03/2020: em virtude da pandemia de coronavírus, foram suspensos os preparativos para o ENCONTRO DE DESCENDENTES DOS IMIGRANTES DE LEOPOLDINA que seria realizado no próximo dia 17 de maio de 2020. Nova data será oportunamente informada.

 


Fontes de Referência:

[1] REZENDE, Francisco de Paula Ferreira de. Minhas Recordações. Belo Horizonte: Itatiaia, 1988. p. 348.

[2] Ribeirão do Feijão Cru Pequeno é o que corta a cidade. Feijão Cru Grande é o braço atualmente denominado Ribeirão do Banco.

[3] Arquivo Público Mineiro. Registro de Terras de São Sebastião da Leopoldina. Seção Colonial, TP 114, termos 70 e 71.

[4] Arquivo Permanente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais – COARPE – TJMG. Divisão Amigável da Fazenda da Constança. Processo códice 38402839.

[5] Arquivo Público Mineiro. Registro de Terras de São Sebastião da Leopoldina. Seção Colonial, TP 114, termo 44.

[6] Arquivo Público Mineiro. Carta de Sesmaria códice SC 377 fls 105, concedida a 2 maio 1918

[7] Arquivo do Museu Imperial de Petrópolis. Coleção Kenneth Light, doc. 2123/97, histórico da Fazenda Paraíso

[8] Arquivo Público Mineiro. Registro de Terras de São Sebastião da Leopoldina. Seção Colonial, TP 114, termo 18.

Luja Machado e Nilza Cantoni - Membros da ALLA

Publicado na edição 393 no jornal Leopoldinense de 1 de dezembro de 2019

139 – Pelos Caminhos da Colônia

O Trem de História convida o leitor para uma viagem imaginária pela Colônia Agrícola da Constança. Inicialmente em busca de compreender o motivo pelo qual ela herdou o nome da fazenda Constança e teve sua sede instalada na fazenda Boa Sorte.

Importante compreender que eram outras as estradas ou, os caminhos que serviam às duas fazendas vizinhas, cujas sedes eram relativamente próximas, se consideradas as alternativas de deslocamento daquela época.

Ressalte-se, ainda, o fato de que da estação ferroviária de Leopoldina se chegava com muito mais facilidade à Boa Sorte do que à Constança, antes da abertura da Rio-Bahia na década de 1930.

Até então era difícil a transposição do vale dos Puris, por onde desce o Córrego da Onça que hoje cruza a BR-116 no km 771. Como também era difícil vencer as escarpas do estreito por onde passa o Córrego Água Espalhada, local que os imigrantes italianos e os tebanos mais antigos chamavam de Buraco do Cubu[1]. E não menos problemático era, após vencer estes obstáculos, construir uma estrada transitável durante o período de chuvas sobre o alagadiço que deu nome ao Córrego Água Espalhada, no km 773 da mesma rodovia, no local onde está o “Restaurante Seta”.

Por outro lado, pela estrada da Boa Sorte se chegava primeiro e com menor esforço, às terras da Constança.

Outro fato que merece explicação é o que se refere à localização de alguns lotes. A visão do traçado da Colônia, a partir da realidade das novas rodovias, é também um dos complicadores para se entender a localização dos lotes que hoje são de difícil acesso. Ocorre que muitos deles, quando foram demarcados, eram servidos por estrada de trânsito normal ou até intenso, que posteriormente foram abandonadas em função de novas opções e interesses.

Outro fato que hoje parece estranho, mas que pode ser explicado com facilidade, é o número de colonos da fazenda Paraíso que adquiriram lotes na Colônia Agrícola da Constança.

Já se falou noutros artigos que muitas propriedades foram vendidas por outros fazendeiros aos colonos porque eles viam nessa prática uma forma de o imigrante realizar o sonho de se tornar sitiante, ao mesmo tempo em que a fazenda garantia uma reserva de mão de obra nas suas proximidades. O que deu origem a muitos dos núcleos de imigrantes existentes no município.

Os lotes da Colônia Agrícola da Constança não se encaixam exatamente nesse perfil de venda. Entretanto, na aquisição de partes de fazendas para formar o território da Colônia, ficou determinado que ela abrigaria, também, colonos oriundos dessas propriedades adquiridas.

Além disto, considerando o caminho hoje inexistente, que descia da Paraíso nas imediações da “Água Espalhada”, a distância entre a Colônia e a sede da citada fazenda não era grande, ainda mais para os padrões daquela época.

Para compreender o acesso à Colônia, não se pode esquecer da Capela de Santo Antônio, na Onça, construída entre 1912 e 1915, estrategicamente localizada no percurso natural do imigrante, viesse ele da Boa Sorte ou da Constança em direção à cidade ou, simplesmente para orar ao seu Santo Protetor.

É bom registrar que no fundo do galpão de leilões, ao lado da Igrejinha, existia no ano de 1943 uma escola rural. Na segunda metade dos anos de 1950, com a instalação em Leopoldina do projeto piloto que propunha a erradicação do analfabetismo no Brasil, foi construído um prédio no pátio fronteiro à Igrejinha, ali passando a funcionar a Escola Singular Rural que a Lei Municipal nº 936, de 17.10.1973, deu o nome de “Carlos de Almeida” em homenagem a este ruralista que, em conjunto com os imigrantes que então habitavam a Colônia, trabalhou na construção da Igreja.

Recorde-se que o trânsito da produção da Colônia trazida para a cidade era realizado por antiga via que teve alguns de seus trechos aproveitados no traçado da BR 116, a Rio-Bahia, construída no final dos anos de 1930.

Neste percurso, numa remodelação da rodovia em meados do século XX, alguns trechos da velha estrada de terra permaneceram com menor utilização. Dentre eles está a ligação entre a Igreja de Santo Antônio e o ponto em que a estrada da Boa Sorte encontra-se com a BR 116. Hoje esse trecho se tornou uma via importante, é o Caminho do Imigrante, usado pelos moradores do local, por pedestres, ciclistas e cavaleiros que, procedentes da Boa Sorte dirigem-se à Igreja, à cidade e ao ponto final do ônibus urbano, no Posto Puris.

Por hoje o Trem de História fica por aqui. Na próxima viagem virá o histórico da fazenda que emprestou o nome à Colônia. Até lá!

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 392 no jornal Leopoldinense de 16 de novembro de 2019

Nota:

1 - Cubu é um bolo ou broa de fubá assado no formato do pão de cachorro quente.

Descendentes de Stefano Cassagni

A pedido de Maria Felipa Castanha, republicamos antiga postagem sobre uma família de imigrantes com referência em Leopoldina, MG. Se você, leitor, tiver alguma informação a respeito dos sobrenomes Cassaghi, Cassagni, Cassagne, Castagna ou Castanha, agradecemos se puder nos escrever.

Segundo os registros da Hospedaria Horta Barbosa, Stefano Cassagni teria nascido por volta de 1859. Pelo casamento religioso do filho, a família procedia de Milano, Lombardia, Italia. Foram encontrados diversos usuários do sobrenome Cassaghi na Lombardia mas não com os nomes da família referida em Leopoldina.

Na mesma época em que eles chegaram, viviam no município pelo menos dois outros personagens com sobrenome semelhante, sendo que um deles, estabelecido no então povoado de Recreio, seria francês como se observa na seguinte nota do jornal Liberal Mineiro de 9 de março de 1883:

“Remeteram-se […] ao juiz municipal e de órfãos do termo da Leopoldina, cópia do ofício do ministério dos negócios da agricultura, comércio e obras públicas, de 16 [de fevereiro], em que exige informações acerca do súdito francês Bertrano Cassagne, que se diz haver residido até pouco tempo na estação do Recreio, estrada de ferro da Leopondina, ou no lugar denominado Conceição da Boa Vista, a fim de que habilite a Presidência a responder quanto antes o mesmo aviso.”

Bertrand Cassagne se transferiu pouco depois para Santo Antonio de Pádua, onde se casou e teve a filha Ernestina, por volta de 1910.

O outro seria Domingos Cassanha de quem sabemos apenas que era imigrante e vivia no distrito de Providência em 1898.

Stefano Cassagni deixou a hospedaria dia 9 de Novembro de 1894 sob contrato com a Camara Municipal de Leopoldina, MG. Estava acompanhado da esposa Rosa Sallai e de três filhos pequenos. Das duas crianças mais velhas, Maria e Maddalena, não temos informações. Já o menino Angelo Cassagni, nascido por volta de 1891, casou-se em Leopoldina aos 26 de Julho de 1930 com Maria Sodré, filha de José Sodré de Souza e Rita Maria de Jesus. O novo casal teria se estabelecido em Laranjal onde nasceu, pelo menos, o filho Paulo Cassagni que se tornou padre e viveu na cidade do Rio de Janeiro.

Em Leopoldina nasceu uma filha de Rosa e Stefano Cassagni, no dia 26 de junho de 1895. Chamou-se Carolina e se casou em Leopoldina aos 25 de Janeiro de 1919 com Rogerio Menezes Dias, filho de Antonio Menezes Dias e Maria Dias de Jesus. Rogerio era leopoldinense, nascido no dia 18 de Dezembro de 1889.

138 – Colônias em Minas Gerais e migrações entre elas

O Trem de História de hoje faz uma viagem um pouco mais abrangente para trazer para este espaço um pouco sobre as colônias criadas em todo o estado.

E começa lembrando que a organização de colônias agrícolas em Minas Gerais foi determinada pela necessidade de oferecer atrativos que fixassem os imigrantes no estado. O caminho encontrado pelos dirigentes foi, então, criar e incentivar a criação de núcleos agrícolas em terras devolutas e no entorno das estradas que se abriam, inclusive da ferrovia.

A partir de 1880, há referências esparsas a colônias criadas pelas municipalidades, como foi o caso da Colônia Santo Antônio que existiu em Leopoldina, conforme se depreende das contratações de imigrantes realizadas pela Câmara Municipal.

No final daquela década funcionavam o núcleo de São João del Rei, a Colônia Maria Custódia em Sabará e a Colônia Rodrigo Silva em Barbacena, todos transferidos da União para o Governo de Minas em 1892.

Já entre 1893 e 1930, o governo de Minas Gerais criou os seguintes núcleos coloniais: em 1893 a Colônia Francisco Sales, em Pouso Alegre; 1899 a Colônia Carlos Prates, Américo Werneck, Afonso Pena, Bias Fortes e Adalberto Ferraz, no subúrbio da capital; em 1900 a Colônia Nova Baden, em Lambari; em 1907 as Colônias Vargem Grande na capital e Itajubá no município de mesmo nome; em 1908 a Colônia João Pinheiro, criada em conjunto com o governo federal em Sete Lagoas; em 1910 as Colônias Constança em Leopoldina, Santa Maria em Astolfo Dutra, Barão de Ayuruoca em Mar de Espanha e, em conjunto com o governo federal, Colônia Inconfidentes em Ouro Fino; em 1911 as Colônias Major Vieira em Cataguases e Rio Doce em Ponte Nova; em 1912 as Colônias Wenceslau Braz em Sete Lagoas e Pedro Toledo em Carangola; em 1913 a Colônia Guidoval em São Domingos da Prata; em 1914 a Colônia Joaquim Delfino, em Cristina; em 1915 a Colônia Vaz de Melo em Viçosa; em 1920 a Colônia Álvaro da Silveira, em Pitangui; em 1921 a Colônias David Campista em Bom Despacho, Júlio Bueno Brandão em Peçanha e Francisco Sá em Teófilo Otoni; em 1923 a Colônia Padre José Bento, em Pouso Alegre; em 1924 a Colônia Brucutu, em Santa Bárbara; em 1926 a Colônia Raul Soares, em Pará de Minas; e, em 1927 a Colônia Mucuri, em Teófilo Otoni.

Desse grupo de colônias há informações nos relatórios disponíveis no Arquivo Público Mineiro, através dos quais foram identificadas algumas migrações entre as localidades.

É o caso da família de Andreas Stievano que chegou ao Brasil em 1888 e foi para Itajubá. Pouco depois da criação do núcleo colonial naquele município, não tendo conseguido adquirir o lote, os Stievano migraram para Leopoldina. O mesmo aconteceu com alguns Scantamburlo que foram para Chiador e os Magiollo que foram para Soledade, distrito de Mar de Espanha e, não conseguindo lote na colônia criada em Mar de Espanha em 1910, migraram para Leopoldina. Houve relato semelhante envolvendo os sobrenomes Bellan, Calloni, Conti, Pighi, Precisvale e Vetorello que foram inicialmente para Ponte Nova. Entretanto, o núcleo daquele município foi criado após o de Leopoldina e as famílias mencionadas já haviam migrado alguns anos antes.

Esclareça-se, a propósito, que não foi apenas a organização de um núcleo colonial, com venda de lotes a imigrantes, a causa das migrações. Tome-se, por exemplo, os municípios de Juiz de Fora e Muriaé, nos quais não existiu colônia nos moldes da nossa Constança. Foi grande o número de imigrantes italianos que se estabeleceram nos dois municípios e que migraram posteriormente dentro da própria zona da mata ou para outras regiões.

Vale a pena registrar que em 1911, um ano após sua fundação, a Constança ocupava a 7ª posição em número de habitantes, superando 4 núcleos mais antigos. Em 1912 já era a 2ª, tendo à frente a Rodrigo Silva, de Barbacena. No ano seguinte a Santa Maria, de Astolfo Dutra, alcançou a segunda posição e a Constança ficou em 3º lugar no número de habitantes e na produtividade. Nos anos subsequentes a Rodrigo Silva manteve-se como a de maior número de habitantes mas sua produção foi caindo, cedendo a posição para a Constança e a Santa Maria alternadamente. A partir de 1915 a Constança manteve-se como a segunda maior colônia do estado em número de habitantes.

Digno de registro, também, é o fato de que, ao serem emancipadas, estas colônias agrícolas sofriam pequena mudança administrativa, especialmente no que se refere ao fornecimento de equipamentos e sementes. Mas de acordo com a mensagem do presidente Fernando de Mello Vianna em 14 de julho de 1926, “apesar de emancipadas e com vida autonoma, permaneciam subordinadas ás leis geraes do Estado e do paiz”.

E para encerrar é bom lembrar que as despesas de manutenção da estrutura dessas colônias foram mantidas até a extinção de cada uma delas, não tendo havido um prazo previamente determinado para que fossem dispensados os funcionários administrativos e vendido o lote reservado pelo estado para moradia do administrador e funcionamento do serviço burocrático. Em diversas mensagens presidenciais, foram mencionadas despesas de manutenção das casas-sede, limpeza de córregos, reparo de pontes e outros serviços nas estradas internas dos núcleos por longo tempo após a emancipação. Tudo levando a crer que tais serviços eram realizados pelos próprios colonos, representando uma renda adicional para além do cultivo da terra. Analisando as falas anuais do dirigente estadual até 1930, é possível supor que a extinção só ocorria após todos os lotes terem sido quitados e emitidos todos os títulos definitivos de posse.

O Trem de História, neste final da viagem de hoje, lembra aos eventuais interessados neste estudo sobre a história pública da cidade que a emancipação da Colônia Agrícola da Constança ocorreu em março de 1921, mas as datas de emissão dos títulos definitivos estão em poder do Cartório de Registro de Imóveis de Leopoldina e infelizmente, por razões burocráticas, não foi possível acessá-los para completar esta lacuna.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 391 no jornal Leopoldinense de 1 de novembro de 2019


Fontes de referência:

MONTEIRO, Norma de Góes. Imigração e Colonização em Minas 1889-1930. Belo Horizonte: Itatiaia, 1994. p. 189

Relatórios da Presidência da Província / Governo do Estado de Minas Gerais 1837-1930.

Decretos 4194 de 30.05.19146430 de 15.12.1923, 11.874 de 12.01.1916, 5597 de 03.03.1921, 5598 de 03.03.1921, 3207 de 01.07.1911, 6614 de 20.07.1923, 5596 de 03.03.1921, 6631 de 10.09.1923, 6624 de 16.06.1924, 8145 de 13.01.1928 e 6613 de 20.07.1923.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 391 no jornal Leopoldinense de 1 de novembro de 2019

137 – Propriedades pequenas e produtivas

 

Antes de tratar das propriedades vendidas aos imigrantes aqui no Brasil, é bom que se tenha uma ideia de como eram as propriedades, na época, na Itália.

Segundo a investigação agrária realizada por de Jacini[1], na segunda metade do século XIX as pequenas propriedades eram mais comuns do que o latifúndio na Emilia-Romagna. Em algumas partes da região encontravam-se unidades de 10 a 30 hectares, sendo o tamanho mais frequente em torno de 9 hectares ou, um pouco menos de dois alqueires mineiros.

Emilio Franzina[2] caracteriza como sendo mito a ideia sobre uma divisão de terras que teria ocorrido no Veneto, informando que nos arredores de Rovigo, Vicenza, Padova e Treviso as propriedades mediam entre 20 e 30 hectares.

Num extrato sobre o trabalho de Jacini, Giulio Gatti conclui que a propaganda da emigração comparava a diminuta extensão das propriedades rurais na Itália com a possibilidade de adquirir grandes fazendas no Brasil.

Tomando por base o tamanho dos lotes da Colônia Agrícola da Constança, com 25 hectares em média, verifica-se que a realidade encontrada aqui no Brasil estava longe de confirmar a propaganda que atraíra aqueles imigrantes. E se torna mais grave quando é sabido que antes do estabelecimento daquele núcleo colonial os imigrantes raramente tiveram oportunidade de adquirir uma boa propriedade que permitisse o rendimento necessário para o sustento de família numerosa.

Ressalte-se que as bases sobre as quais se assentou a nova sociedade brasileira fundada no trabalho livre incluíram modalidades diversas de relações sociais, não havendo um padrão único seguido por todos os fazendeiros e colonos. Pelo menos duas modalidades dessas relações são encontradas nas fazendas leopoldinenses. Na primeira delas estão os imigrantes que foram explorados nas fazendas, presas fáceis da marginalização e da miséria, mas que tomando atitudes muitas vezes impensadas, conseguiram se livrar do jugo dos fazendeiros que os contrataram na hospedaria e encontraram o caminho para o sucesso. Na segunda modalidade que se deduz de vários depoimentos colhidos de descendentes, está um grupo de imigrantes que contou com melhor sorte. Este teria tido ascensão econômica e n’alguns casos também a social porque contou com a ajuda dos fazendeiros contratantes. Neste caso ocorreu que os fazendeiros, grandes beneficiários do sistema de importação de mão de obra livre, sentiram necessidade de estabelecerem vínculos trabalhistas mais favoráveis aos colonos, a fim de evitar perderem aqueles novos braços que passaram a sustentar as suas lavouras. Sentiram que a falta dos imigrantes poderia trazer de volta aqueles tempos terríveis após a libertação dos cativos, quando a produção de muitas lavouras se perdeu no mato por falta de mão de obra para a colheita.

O mais comum, antes da criação das colônias, era que os imigrantes raramente tinham oportunidade de realizar o sonho de adquirir uma boa propriedade. Foi o caso, por exemplo, da família Casadio. Com a esposa Luigia Martinelli e pelo menos dois filhos, em 1897 Giuseppe Casadio foi contratado para uma fazenda no então distrito de Leopoldina chamado Rio Pardo, hoje o município de Argirita. Em 1910, o filho Giovanni Casadio adquiriu o lote número 35 da Constança, no qual também viveram seus pais. Outros imigrantes da mesma região, como os Minelli, de Bologna, que se radicaram no distrito de Ribeiro Junqueira e os Conti, de Marzabotto, que se tornaram proprietários na localidade de São Lourenço, também no município de Leopoldina, parecem ter percorrido caminho semelhante.

Na verdade, a propriedade de um pedaço de terra era uma das condições a que se impuseram os imigrantes para atingirem a igualdade e, ao mesmo tempo, a liberdade sonhada com a vinda para a América. Óbvio que para isto ainda precisavam reorganizar suas vidas na nova terra e resolver os problemas das dívidas eventualmente contraídas na viagem e nos primeiros anos junto ao armazém da fazenda.

Segundo levantamentos parciais nos registros existentes, num período de 8 a 12 anos trabalhando nas fazendas a maioria dos imigrantes se tornou proprietária. O que se traduz num feito extraordinário se consideradas as condições em que chegaram da Itália.

Basta lembrar que os desafios eram muitos. Começavam no embarque no porto italiano e não terminavam com a chegada a um lugar desconhecido chamado Leopoldina. Eram problemas de toda ordem: falta de recursos financeiros, exploração de intermediários, viagens cansativas, muitos casos de doença e até de perda de familiares ou separação nas hospedarias onde o fazendeiro escolhia as pessoas que lhe interessavam.

Superados ou absorvidos todos estes problemas, restava ainda, como muitos casos relatados pelos descendentes, o grande obstáculo oferecido na chegada, onde a língua e a cultura dessa nova pátria eram totalmente estranhas.

Os imigrantes venceram todas as dificuldades. Na medida do possível, procurando fixar-se junto a seus conterrâneos de modo a se sentirem mais confiantes e buscando a ajuda mútua para o amparo e para o aumento dos rendimentos. Ao evitar se dispersarem, em muitos casos surgiram parcerias entre famílias imigrantes que começaram no amanho da terra e se prolongaram em casamentos entre os filhos. E, acima de tudo, trabalhando muito.

Não se deve descartar a hipótese de algum imigrante ter vindo por influência de uma propaganda enganosa de que seria fazendeiro no Brasil, mas é inegável que estes numerosos colonos transformaram, assim que puderam, pequenos lotes em exemplos de produtividade e foram bastante operosos, conseguindo boa condição de vida para suas famílias.

Por hoje a conversa fica por aqui. Até a próxima edição!


Fontes consultadas:

1 – JACINI, Stefano. Inchiesta Agraria. Roma: s.n., 1884.

2 – FRANZINA, Emilio. A Grande Emigração: o êxodo dos italianos do Veneto para o Brasil. Campinas: Unicamp, 2006. p. 142-144

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 390 no jornal Leopoldinense de 16 de outubro de 2019

 

136 – Imigrantes e a Hospedaria Jacareacanga

 

Na última edição o Trem de História se referiu ao engenheiro Eugenio Jordan como contratante de imigrantes na hospedaria de Juiz de Fora, informando como destino a localidade de Vista Alegre, no município de Leopoldina.

Este engenheiro, em 1896, recebeu ordem do presidente da província tratar da construção de um ramal férreo entre a estação Mariano Procópio e a hospedaria dos imigrantes, em Juiz de Fora. Neste mesmo ano ele fazia parte, do Corpo Consultivo das Estradas de Ferro e ainda em 1896, Jordan apresentou, Memória sobre as vantagens da tração elétrica em Minas e no ano seguinte foi dispensado do cargo de encarregado das obras das hospedarias do Estado. Registre-se que em 1896 a hospedaria de Leopoldina, na estação de Vista Alegre, posteriormente denominada Jacareacanga, estava em construção, segundo a mensagem do presidente Bias Fortes.

Segundo os registros da hospedaria de Juiz de Fora, o engenheiro Eugenio Jordan contratou, entre agosto e setembro de 1896, 29 famílias e, talvez até outras mais, provavelmente para as obras de organização da hospedaria Jacareacanga, em Leopoldina.

Alguns membros dessas famílias são mencionados, posteriormente, em assentos de batismos e casamentos nos livros paroquiais de Leopoldina, o que comprova que viveram no município.

Dentre elas estariam:

1) Calogero Sbrazzato, nascido em 1857 em Grotte, Agrigento, Sicilia, que chegou em agosto de 1896 com a esposa Michela Infantino, nascida em 1858 e os filhos Angela (1879), Lorenza (1881), Mario (1882), Gaetana (1884) e Francesco (1889). Em julho de 1897 a filha mais velha, Angela, casou-se em Leopoldina com Michele de Vito, natural de Fóggia, na Puglia, que havia chegado em julho de 1896 e fora trabalhar em fazenda do distrito de Providência. Em 1905, Calogero e Michela foram padrinhos de batismo de Maria, filha de Daniele Congiu e Teresa Fanni, casal procedente de San Vito, Cagliari, Sardegna, que havia chegado em abril de 1897 e fora trabalhar em Providência, mas já havia se transferido para o arraial de São Lourenço, onde foi realizado o batismo. Calogero Sbrazzato e outros imigrantes que vieram de Grotte para Leopoldina, eram profissionalmente identificados como ‘zalfataro’, grafia siciliana para ‘salfataro’, que significa mina de enxofre. A extração de enxofre era a principal atividade econômica na província de Agrigento, que atualmente é importante ponto turístico.

2) Calogero Arnone e a esposa Maria Antonia Bellavia foram padrinhos de batismo de Concettina, filha de Domenico Bonnano e provavelmente pais de criança batizada em Leopoldina mas com os nomes muito alterados que impedem afirmação;

3) Domenico Bonanno e Palma Gaetana Ruggeri tiveram pelo menos a filha Concettina nascida em Leopoldina;

4) Calogero Busuito e a esposa Pietra Arnone, que chegou grávida do filho Antonino que nasceu e foi batizado em Leopoldina;

5) Calogero Nicolini e Calogera Caltigirone, que tiveram, pelo menos, o filho Jeronimo nascido em Leopoldina.

Além das acima citadas, foram identificadas nos livros paroquiais duas outras contratadas por Eugenio Jordan. A primeira era composta por

6) Gaetano Armaroli que chegou com a esposa Giuseppina e os filhos Enrico e Ercole. Provavelmente trata-se de família proveniente da província de Modena, Emilia-Romagna, que se transferiu para o estado de São Paulo por volta de 1910.

A outra família era chefiada por

7) Luigi Zannini que chegou acompanhado pelo filho Nazzareno Zannini com a esposa Albina e os filhos Giovanni e Guerino. Segundo informação de descendente, Luigi faleceu no distrito de Abaíba em data desconhecida.

Na mesma época chegou um provável parente de Luigi Zannini,

8) Celso ou Cesare Zannini e a esposa Maria que foram trabalhar em São Martinho. Procediam de Marzabotto, província de Bologna, Emilia-Romagna.

Há, também, nos livros paroquiais, menção ao sobrenome Brucculeri e variadas grafias, mas que não foi possível identificar uma vez que todos adotaram o Calogero como prenome, sendo que o nome e o sobrenome eram muito frequentes no Agrigento no período pesquisado.

Um registro importante a ser feito é o de que o número de imigrantes que chegou a Leopoldina a partir de 1900, vindo diretamente da Europa, é bem pequeno. O último livro da hospedaria Horta Barbosa que foi preservado confirma a informação de Norma de Góes Monteiro a respeito de só se encontrarem na instituição pessoas procedentes do Rio Grande do Norte, da Paraíba e de Pernambuco.

Como curiosidade vale registrar algumas situações encontráveis em alguns grupos que viveram em Leopoldina. A primeira delas, é o fato de mudarem de trabalho com certa frequência, como é o caso dos Sbrazzato, que inicialmente estiveram em Vista Alegre, em seguida teriam se transferido para Providência, onde a filha Angela conheceu e se casou com Michele, um imigrante de outra região da Itália que ali chegara no mesmo ano de 1896. Angela e Michele não viajaram no mesmo vapor, não chegaram juntos a Leopoldina nem se estabeleceram na mesma localidade. Um exemplo de que, ao contrário do que o senso comum acredita, os casamentos entre imigrantes não significavam que fossem do mesmo lugar nem que tivessem viajado juntos. Da mesma forma, o apadrinhamento em 1905 se dá entre famílias que não procediam da mesma localidade, não viajaram juntas nem se estabeleceram inicialmente no mesmo lugar.

A carga de hoje do Trem de História termina aqui. Na próxima viagem, seguirá por outro rumo. Aguardem!


Fontes de referência:

Correio de Minas, Juiz de Fora, 07.06.1896, p. 1; Estado de Minas Geraes, 5 jul 1896, ed. 468, p. 1 e 6 maio 1897, ed. 484, p. 4; La Rivitalizzazione di alcune comunità della valle del fiume Alcantara in Sicilia, Italia. Projeto da Vitaurbis, abril 2005, por Robero Ruschel; Livros da Hospedaria Horta Barbosa (Arquivo Público Mineiro), SA-910 p.7 e seguintes; Mensagem do presidente do estado Chrispim Jacques Bias Fortes, 15.07.1896. p. 31; MONTEIRO, Norma de Góes. Imigração e Colonização em Minas 1889-1930. Belo Horizonte: Itatiaia, 1994. p.111 e Revista Industrial de Minas Gerais, edição nº 18, de 1896, p. 40.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 389 no jornal Leopoldinense de 1 de outubro de 2019