20 – Opinião e Política

O Trem de História de hoje volta à sobra de carga amontoada na estação desde o artigo anterior e segue a falar de opinião e política da época da Maria Fumaça. E conta que em outubro de 1898, quando O Arame veio à luz, a imprensa em Leopoldina estava praticamente reduzida à Gazeta de Leopoldina, legítima representante do tipo em que não há espaço para críticas ao poder vigente.

Para se ter uma ideia de como as coisas funcionavam naquela época, basta analisar um fato envolvendo profissionais da imprensa periódica em Leopoldina.

O editor de O Arame, Ovídio Rocha, casou-se quatro anos depois do lançamento deste jornal com uma sobrinha de Luiz Falcão, que fora proprietário e editor d’O Leopoldinense da terceira fase. Segundo Luiz Eugênio Botelho, em “Leopoldina de Outrora”, O Arame “era de oposição aos Ribeiro Junqueira que então começavam a dominar a política em Leopoldina”. E para que se tenha uma pálida ideia do nível da contenda, em 05.11.1899 a Gazeta de Leopoldina publicou uma nota acusando Ovídio Rocha de ter tentado deflorar uma jovem. Seria uma acusação real ou apenas uma tentativa de desacreditar o redator concorrente?

É interessante observar a leitura d’O Arame, um jornal que se apresenta como sendo “de caráter puramente crítico e noticioso”. O tom jocoso perpassa quase a totalidade das suas matérias. Na edição nº 3, por exemplo, o editorial da primeira página é um agradecimento aos “colegas da Gazeta de Leopoldina pelos efeitos da propaganda que fizeram em prol do nosso jornalzinho” e continua nos seguintes termos, com adaptação da ortografia feita pelos autores desta coluna, preservando a pontuação original:

Já não temos mãos a medir com tantos pedidos de assinaturas e números avulsos da parte dos verdadeiros apreciadores da prosa amena e espírito fino e delicado. Todos quantos sabem ler querem possuir um número do Arame cuja leitura é um corretivo dos efeitos da prosa massuda, soporífera de Júlio Caledônio. E, dr. Zezé e de quanto bicho implume infesta a pobre imprensa mineira.

Vendo que a Gazeta de nós se ocupava com a asinina delicadeza que lhe é proverbial, o público que se orienta pela leitura da Gazeta fazendo justamente o contrário do que ela aconselha, compreendeu logo que havia uma pontazinha de inveja nas palavras do dr. Zezé, que é o “toma larguras” daqui da terra.

Como não ser grato aos distintos amigos pelos relevantes serviços que nos prestaram?

E que melhor modo de patentear essa nossa gratidão do que registrando o espantoso sucesso do Arame e atribuindo a quem de direito esse resultado?

A não ser por este modo só pelo voto, mas este pertence já ao dr. Zezé para todo e qualquer cargo que ele pretenda de futuro; porque é preciso dizer-lhes, e não costumamos errar em nossos vaticínios: o nosso muito amado dr. Zezé, na marcha em que vai há de ir longe. Dentro em pouco não haverá em Leopoldina lugar nenhum que não seja por ele ocupado.

Não nos admirará se o virmos a disputar ao Jerônimo a vaga deixada pelo Chico Tibúrcio.

Aqueles $3 ou $4 da carceragem sempre dão para o charuto do Mingote. Deixá-los ir para as mãos de outrem é que não é de boa política jagunça.

Pois é. Trem de História encheu mais um vagão e não acomodou toda a opinião e política que restava na plataforma. Terá que voltar ao assunto no próximo artigo. E o fará, com certeza.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA
Publicado no jornal Leopoldinense de 16 de março de 2015

Parte XV de A Imprensa em Leopoldina (MG) entre 1879 e 1899

Juízes de Paz de Leopoldina são multados

Segundo notícia do jornal Liberal Mineiro, os juízes presidentes do alistamento de Leopoldina, Rio Pardo, Pirapetinga e Conceição da Boa Vista foram multados por terem deixado de presidir as respectivas juntas.

Efemérides Leopoldinenses

Registro de Terras

No dia 18 de fevereiro de 1856 foi aberto o livro que serviu para registrar as propriedades existentes na então Vila Leopoldina. Foram listadas 95 unidades urbanas e rurais e o último assentamento foi realizado no dia 20 de abril do mesmo ano. Esta é uma das fontes de grande importância para o estudo da história de Leopoldina, podendo ser consultada no Arquivo Público Mineiro.

Através dos registros descobre-se, por exemplo, que apenas um proprietário declarou possuir lavoura de café. Quando os demais citaram a atividade desenvolvida em suas terras, informaram plantar milho. Isto já se observara no levantamento populacional de 1831, demonstrando que, além da agricultura de subsistência, as fazendas tinham no milho a principal atividade econômica até o final da década de 1850.

Muitas outras análises podem ser feitas a partir do Registro de Terras determinado pela Lei nº 601 de 18 de setembro de 1850. Embora as declarações não apresentem todos os dados prescritos, é possível encontrar nomes de propriedades, localização e data de aquisição. E uma curiosidade: diversos proprietários de Leopoldina fizeram o registro em municípios vizinhos, inclusive em Santo Antônio de Pádua. Neste caso, trata-se das fazendas que estavam localizadas nas proximidades da divisa com a província do Rio, ou seja, no então distrito de Conceição da Boa Vista.

Para saber um pouco mais sobre a questão dos limites entre as províncias, naquela região, leia o artigo abaixo.

Libertação de Escravos em Leopoldina

Na década de 1880, o processo de libertação de escravos vinha tomando corpo no município de Leopoldina. Além das determinações testamentárias neste sentido e das emancipações remuneradas, também ocorriam manumissões voluntárias. Conforme se verifica no recorte abaixo, no jornal O Leopoldinense de 18 de fevereiro de 1883, na primeira página foram publicadas duas notas sobre o assunto.

19 – A Voz de Thebas e O Arame

O título está a mencionar Tebas, distrito a que temos acesso passando pela Colônia Agrícola da Constança, lembrada no Dia Nacional do Imigrante Italiano em 21 de fevereiro.

Distrito importante e que já foi sede do município de Leopoldina em tempos passados. Terras tebanas que, embora não tenham conhecido os trilhos da estrada de ferro, participam da história da imprensa em Leopoldina por ter ali circulado um dos periódicos que abordaremos neste texto.

O Trem de História de hoje recolhe dados para levar ao leitor duas publicações que circularam por pouco tempo, mas que merecem uma atenção especial: A Voz de Thebas e O Arame.

A Voz de Thebas parece ter circulado por apenas três anos e trazia no cabeçalho a informação de ser um “órgão republicano constitucional”. Foi lançado cinco anos após a Proclamação da República, seu slogan parecia indicar que pretendia diferenciar-se dos demais embora não se tenha conseguido determinar a que outro jornal pretendia contrapor-se. Porque, à exceção d’O Leopoldinense, é possível que os demais periódicos existentes nos anos anteriores não tenham sobrevivido ao primeiro ano de circulação. Além disto, durante o segundo ano d’A Voz foi fundada a Gazeta de Leopoldina, em páginas da qual foram publicadas respostas ácidas a acusações feitas pelo jornal de Tebas, em outubro de 1895.

Diferentemente dos jornais republicanos analisados por Nelson Werneck Sodré, em “A História da Imprensa no Brasil”, A Voz de Thebas parece ter servido apenas de veículo para manifestações virulentas de seu editor, Francisco Sequeros Teixeira, que era também proprietário da Photographia Moderna, estabelecida no centro de Leopoldina, na Rua da Estação nº 4. Pelas três únicas edições encontradas, todas pertencentes ao acervo do Arquivo Público Mineiro, pode-se apenas informar que publicaram editoriais arrebatados e aparentemente cifrados, não sendo o conteúdo compreensível por falta de dados esclarecedores. Além disso, apenas em uma das edições foi encontrado um único anúncio, o que remete a um possível patrocínio do próprio editor, apesar de indicação de preços de assinatura.

José César da Silva, em “Memória de um Tebano”, página 49, diz; “Há muito tempo, um aventureiro que se chamava Teixeira, podendo-se dizer que veio sem se saber de onde, imprimiu aqui um jornalzinho que tinha o nome de Voz de Tebas. O nome, na verdade, era mesmo bonito, mas de fato, devia ter o nome de Voz de Satanás, que nem merece aspas, pois era um verdadeiro pasquim que somente servia para difamar, arquitetar intrigas e provocar desordens”.

O segundo periódico, O Arame, apresenta algumas semelhanças com o de F. S. Teixeira. Lançado em 1899, foram localizadas 23 das 25 primeiras edições, sendo que a última encontrada parece ter sido a derradeira do jornal. De certa forma, O Arame e A Voz de Thebas assemelham-se aos pasquins que Nelson Sodré definiu como sendo de características específicas, não tendo nascido de desejos ou de deficiências dos jornalistas da época, mas da realidade circundante. Para este autor, os folhetos muitas vezes injuriosos surgiram quando as publicações existentes deixavam de observar e denunciar o que não estava funcionando a contento, assemelhando-se à imprensa áulica que, segundo ele mesmo, alugava penas “de alguns notórios jornalistas […] desonra da classe que não pode por eles ser aferida”, com o intuito de publicar apenas o que agradasse ao poder instituído.

O Arame apareceu no momento em que O Leopoldinense circulava irregularmente, fazendo suspeitar que passasse por problemas financeiros após o corte das publicações oficiais. Este foi o provável motivo para o encerramento das atividades d’O Mediador no ano anterior e de outros mais que eram considerados de oposição. Coincidentemente, o período do início da carreira política de José Monteiro Ribeiro Junqueira que, naquele momento, trabalhava pelo sepultamento da liderança de oposição na região, representada pelo Senador Joaquim Antonio Dutra.

Esclareça-se que José Monteiro Ribeiro Junqueira era um dos sócios da Gazeta de Leopoldina e, segundo o site do Senado Federal, foi Presidente do Conselho Distrital em 1895, Deputado Estadual entre 1895 e 1900, Deputado Federal de 1903 a 1930, Deputado Constituinte 1933-34 e Senador de 1935 a 1937. Durante a deputança estadual foi, também, Agente Executivo do município de Leopoldina, assim como o fora seu opositor Joaquim Antônio Dutra.

Infelizmente restou, ainda, carga na plataforma da estação, mas o Trem de História precisa fazer uma pausa porque política é carregamento estafante. No próximo Jornal a viagem continuará. Até lá.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado no jornal Leopoldinense de 01 de março de 2015

Parte XIV de A Imprensa em Leopoldina (MG) entre 1879 e 1899

Conheçamos a Nossa Terra

Há 100 anos, no dia 18 de fevereiro de 1915, saiu no jornal Correio da Manhã, do Rio de Janeiro a matéria mandada publicar pela administração municipal de Leopoldina, exaltando as riquezas, a economia e a educação. Entretanto, chama a atenção o subtítulo:

Conheçamos a Nossa TerraPara os interessados em conhecer como Leopoldina era na época, lembramos que embora indicando “o município” no subtítulo, o conteúdo da matéria longe está de abrangê-lo como seria de se esperar.

Conheçamos a nossa terra: primeira parte

Talvez o termo “município”, para o político que estava no poder naquela época, significasse apenas o conjunto das propriedades da sua família com as escolas por eles administradas, o comércio que julgavam de boa qualidade, as construções por eles levantadas através da empresa construtora de sua propriedade…

Para quem se dedica ao estudo da história de Leopoldina, esta matéria é um exemplo claro da interferência de seu produtor, que atua segundo as práticas sociais de seu tempo, e de interesses que jamais podem ser considerados universais. Não é, como de resto nenhuma outra, uma fonte é isenta.

A continuação da matéria reafirma esta constatação.

Conheçam a Nossa Terra: final

A divulgação desta fonte de informação atende a um dos objetivos deste blog: suscitar uma reflexão sobre a história de Leopoldina e incentivar outras pessoas a pesquisá-la. Nesta postagem, trouxemos um exemplo de como era realizada a campanha política de um leopoldinense que se elegeu para cargos fora do âmbito regional. Eximindo-se de abordar o município como um todo, deixou de informar ao leitor que havia mazelas carentes da atenção do poder público. Mas isto não seria adequado divulgar. Era necessário mostrar apenas os pontos positivos, de modo a garantir a permanência do político no poder.

Mudou alguma coisa em relação aos discursos dos políticos atuais?

Primeiro livro de Batismos

No dia 18 de fevereiro de 1855 foi aberto o Primeiro Livro de Batismos, com o assento relativo a Cristina, filha de Francisco de Vargas Corrêa e Venância Esméria de Jesus, neta paterna de Francisco de Vargas e Teresa Maria de Jesus e neta materna de Antonio Rodrigues Gomes e Rita Esméria de Almeida. Há, porém, uma questão ainda não solucionada sobre este assento. Segundo a lápide do túmulo de Cristina, ela nasceu aos 21 de janeiro de 1853. Teria sido um engano da época do óbito, em 1907?

 Batismo de Cristina Vargas Neto

Lápide do túmulo de Cristina Vargas NetoLápide do túmulo de Cristina Vargas Neto

Quando se procura pelos primeiros livros de batismos em Leopoldina, verifica-se que o volume tido oficialmente como número 1 é uma transcrição iniciada pelo Padre José Francisco dos Santos Durães no dia 10 de abril de 1885 e concluída pelo Cônego José Ribeiro Leitão aos 28 de dezembro de 1958. O original não foi preservado e as datas demonstram que o trabalho não parece ter sido realizado com os devidos cuidados. Neste volume não há referência ao Termo de Abertura do original e o primeiro batismo é de 1852, de uma criança da família Monteiro de Barros. Os seis assentos seguintes, na mesma página, são de batismos dos anos de 1861, 62 e 63. No verso, o primeiro é de 1863 e a seguir vem a transcrição do batismo de Cristina, acima citado, acrescentando que ela teria nascido em dezembro de 1854.

A propósito, esclareça-se que os batismos realizados ao tempo do Curato de São Sebastião do Feijão Cru ainda não foram localizados.

 

Comando da Guarda Nacional em Leopoldina

Efemérides LeopoldinensesSegundo esta notícia, a partir de 1868 Leopoldina teve Comando da Guarda Nacional. Mas a primeira informação que encontramos sobre constituição deste corpo militar no município é de fevereiro de 1873, no mesmo jornal Diário de Minas, informando que José Antônio Pereira fora nomeado Major Ajudante de Ordens.

Segundo Sérgio Buarque de Holanda[1], não há fundamento para a ideia de que “a Guarda Nacional foi sempre uma tropa de elite”. Entre outros argumentos, ele ressalta a aceitação de escravos libertos e lembra que “todos os brasileiros, sem distinção de raça” podiam fazer parte da organização e que foi a “Guarda Nacional a primeira corporação oficial que fez cessar expressamente a distinção racial”.

O grande historiador lembra que a Guarda Nacional brasileira foi criada segundo modelo da francesa, reorganizada pela lei daquele país de 22 de março de 1831. O primeiro desfile da nossa Guarda Nacional ocorreu no dia 2 de dezembro de 1832, no aniversário de D. Pedro II.

Para Holanda, num segundo momento – de 1850 A 1888 – a GN passou por um “início da aristocratização dos seus quadros dirigentes”, tornando-se “milícia eleiçoeira”, ou seja, uma “força de oficiais sem soldados”. É neste período que ela é organizada em Leopoldina e em municípios vizinhos.

A então considerada milícia cidadã passou a ter seus membros nomeados pelos governos provinciais e os oficiais se tornaram contribuintes de um reforço no orçamento público, já que, para entrar em exercício, tinham que pagar o “imposto do selo e das patentes”.

Sérgio Buarque de Holanda declara que, na terceira fase, a Guarda Nacional foi sendo absorvida pelo Exército Brasileiro “até seu total desaparecimento em 1922”.

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[1] HOLANDA, Sérgio Buarque de (Org.). História Geral da Civilização Brasileira. São Paulo: Difel, 1985 Tomo II O Brasil Monárquico v. 4 p. 284, 282, 285 e 274

Dia do Imigrante Italiano

logomarca da coluna Trem de História

Desta vez o Trem de História deixará os trilhos para lembrar o Dia Nacional do Imigrante Italiano, criado pela Lei Federal nº 11.687, de 02.05.2008 e comemorado no próximo dia 21 de fevereiro.

E o faz para prestar uma justa homenagem aos imigrantes italianos que se instalaram no município de Leopoldina a partir de 1880, aos que viveram na Colônia Agrícola da Constança e a todo oriundi que ajudou a transformar a economia da cidade, abalada pelo fim da escravidão e do ciclo do café.

Uma necessária interrupção da história que se conta para avivar um pouco mais a desses imigrantes. Dessa gente simples e constantemente esquecida pelos livros de história tradicional/oficial da cidade.

Alguns aqui chegaram depois de um breve tempo residindo em diferentes núcleos de colonização do país. Outros, em número bem maior, vindos diretamente de uma hospedaria, do Rio de Janeiro ou, de Juiz de Fora, onde foram contratados por fazendeiros daqui. Houve, ainda, aqueles que escolheram Leopoldina por alguma razão especial, como cartas de parentes ou amigos que já se encontravam no município. Todos, com vontade e disposição férrea de vencer. De realizar, com o suor do rosto, o sonho de adquirir liberdade trabalhando em terra própria. Porque para o italiano, ser dono da terra onde trabalhava era sinônimo de liberdade, de ser dono do próprio nariz. E para isto não poupava esforços. Ainda mais quando o possuir terra lhe possibilitava trazer para perto de si o parente ou agregado menos afortunado.

E é bom que se diga que o interesse inicial pela pesquisa sobre a imigração em Leopoldina, especialmente a italiana, não teve outro objetivo senão o de tirar o pó que recobre a história desta gente trabalhadora e importante para a cidade. Um interesse que surgiu com o estudo sobre as antigas famílias que viveram por aqui, quando se observou nos livros das paróquias, entre os anos de 1872 e 1930, uma frequência assídua de sobrenomes não portugueses entre os noivos, os pais e os padrinhos das crianças.

Nesta pesquisa e no texto que dela resultou – A Imigração em Leopoldina vista através dos Assentos Paroquiais de Matrimônio – constatou-se que 10% dos noivos do período de 1890 a 1930 eram imigrantes. E destes, 9% eram italianos e o 1% restante era formado por portugueses, espanhóis, sírios, açorianos, franceses, egípcios e nativos das Ilhas Canárias. Um contingente significativo, carente de um estudo melhor sobre suas vidas e importância para o município, estatisticamente com forte presença de descendentes daqueles imigrantes que, chegados no último quartel do século XIX, aqui se estabeleceram e muito contribuíram para o desenvolvimento econômico e social. Entretanto, não se tem notícia de qualquer movimento permanente no sentido de manter viva a memória destes conterrâneos por adoção.

Foi, inclusive, neste sentido que há alguns anos foi encaminhada à Câmara Municipal de Leopoldina uma sugestão para nomear como “Caminho do Imigrante” parte do trajeto que eles faziam quando, de seus lotes na Colônia Agrícola da Constança, demandavam a cidade. Uma forma simples e barata de perpetuar a nossa gratidão a estes bravos. Mas nossos vereadores da época talvez não tenham entendido o significado da proposta. Da mesma forma, por ocasião das comemorações do Centenário da Colônia Agrícola da Constança e dos 130 anos de Imigração Italiana em Leopoldina, falou-se na inclusão do dia 21 de fevereiro como data comemorativa no calendário da cidade, mas ao que parece a ideia morreu recém-nascida.

Perderam-se, assim, duas oportunidades de homenagear este pessoal que, com muito trabalho e dedicação, conseguiu galgar os degraus mais elevados da escala social e colocar seus descendentes em posições de destaque como médicos, advogados, professores, empresários, comerciantes, etc.

Registre-se mais uma vez, para encerrar, que o Trem de História não é conduzido por historiadores, mas apenas por dois apaixonados por Leopoldina e sua história, dotados de ousadia para vez por outra escrever sobre estes “silêncios”, estes fatos que ficaram “abandonados” ou, esquecidos pelos historiadores.

Em verdade o assunto merece outros vagões. Mas o Trem de História precisa voltar aos trilhos e seguir a viagem sobre A Imprensa em Leopoldina (MG) entre 1979 e 1899 no próximo Jornal. Até lá.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA
Publicado no jornal Leopoldinense de 16 de fevereiro de 2015

Há 141 anos…

Fernando Pinheiro de Souza Tavares foi nomeado Juiz Municipal e de Órfãos do Termo de Leopoldina.

Efemérides Leopoldinenses

Nascido por volta de 1843 em Valença, RJ, era filho de José Tavares Pinheiro e de Maria José de Souza Werneck, sendo neto materno de Ignacio de Souza Werneck e de Albina Joaquina de Lacerda, casal que formou a Fazenda Benevolência nas proximidades da estrada que na década de 1880 ligava Cataguases a Leopoldina.

Segundo anotação no livro de Atas da Câmara Municipal de Leopoldina, 1879-1880, fls 33, “o engenho da Fazenda Velha de D. Albina” estava localizado próximo do Ribeirão Feijão Cru, na estrada de Cataguases, onde estava sendo construída uma ponte. É possível que esta fazenda ficasse entre o trevo da estrada atual que dá acesso à estrada para Piacatuba e o ponto onde o rio Pardo deságua no rio Pomba.

É provável, também, que Ignacio de Souza Werneck tenha se instalado em terras adquiridas da família Ferrugento, que obteve sesmarias naquela região em fevereiro de 1813. Segundo Dona Albina declarou no Registro de Terras em 1856, seu marido comprara as terras de Caetana Maria Angélica em outubro de 1846.