Para ler Clássicos

Interpretando ideias, universos intelectuais, obras de pensamento, falas de teóricos, conceitos e textos é o subtítulo do artigo de Ana L. O. D. Ferreira, doutoranda pel0 PROLAM da USP, publicado na revista Veredas da História, Ano V, Edição 1, 2012, pp. 94-115.

Resumo:

Este artigo tem como objetivo analisar diversas possibilidades interpretativas para o vasto campo de estudo da história da produção intelectual. Para tanto, explora sobretudo reflexões propostas pelos seguintes autores: Lovejoy, Rioux, Lefort, Skinner, Kosellek, LaCapra.

Leia o texto na íntegra aqui.

 

 

Releituras: Sérgio Buarque de Hollanda

Bastou falar em livros e alguns seguidores deste blog escreveram pedindo sugestões. Então, hoje indico um pequeno livro da coleção Sabor Literário, editora José Olympio.

Refiro-me a Vale do Paraíba: velhas fazendas, de Sérgio Buarque de Hollanda, com desenhos de Tom Maia. A primeira edição saiu em 1975 pela Companhia Editora Nacional. Este que acabo de reler foi publicado em 2010.

Vale do Paraiba: Velhas FazendasE como sempre faço quando indico livros, seguem dois trechos:

“Segundo a versão mais geralmente acreditada, do café que por volta de 1760 levou do Maranhão ao Rio de Janeiro o desembargador João Alberto Castelo Branco, procedem as plantações do padre João Lopes e depois do padre Antônio do Couto, na fazenda do Mendanha, situada na freguesia de Campo Grande”. (pag. 59-60)

“O pintor Rugendas, que conhecia bem essa província [São Paulo], escreveu, com efeito, que já podiam então ser consideradas importantes as fazendas com 34 escravos e outros tantos cavalos e bois”. (pag. 68)

Considerando que o período abordado é o século XIX, ressalto que em alguns municípios da zona da mata mineira, na mesma época, fazendas importantes contavam com quantidade semelhante de escravos. E quanto à origem do café, a referência ao Maranhão consta em alguns estudos recentes, posteriores à primeira edição desta obra de Sérgio Buarque de Hollanda. Antes, em obras históricas sobre a zona da mata sul, constava que as sementes vieram diretamente de outros países para o Vale do Paraíba e dali adentraram o território mineiro.

Viagem Proibida: um livro interessante

No início de dezembro li A Viagem Proibida: nas trilhas do ouro, de Mary del Priore. Trata-se de um conto infanto juvenil que a editora Planeta publicou em 2013,  coleção Aventuras na História. Gostei tanto que resolvi comprar para presentear um pré-adolescente daquele tipo que os pais dizem não saber mais como controlar. Agora, ao receber mensagem do garoto, resolvi comentar aqui no blog porque de vez em quando recebo pedidos de sugestão de livros.

A Viagem Proibida: nas trilhas do ouroChamou a minha atenção a relativa velocidade com que o menino decidiu folhear o livro. Foi um presente de natal mas a família viajou logo em seguida, retornando no último dia 20. Até onde eu saiba, o presenteado não é propriamente um leitor e eu dei o livro justamente pensando em estimular o interesse. Mas a tia foi logo dizendo que ele nem abriria o presente.

Também me surpreendi com o comentário de que não encontrou outra coisa interessante na Bibliografia. Oras, eu não imaginava que alguém de 12 anos iria procurar algo mais na lista de obras utilizadas pela autora. Depois entendi que ele estava procurando outras obras da mesma coleção.

Disse-me o amiguinho que não quer falar nada no “face” porque os colegas vão “pilhar de besta”. Mas que eu tinha que saber que ele gostou muito. E acrescentou: “livro de história não é chato sempre, né?”

Sendo assim, deixo aqui meu recado: quando você estiver pensando em presentear alguém, não hesite em passar por uma livraria.

Conhecimento, Opressão, Corrupção: temas de ontem e de hoje

“Os habitantes parecem saber bem pouco acerca dos requintes da vida, passando a maior parte do tempo na mais completa indolência e lendo pouquíssimos livros, pois o conhecimento não está no rol de suas preocupações. É política assente do governo manter o povo na ignorância, já que isso o faz aceitar com mais docilidade as arbitrariedades do poder.

[…] a educação em geral [inspira] num povo uma altivez de pensamento muito hostil a qualquer modo de opressão.

[…]

A corrupção no estado é, invariavelmente, seguida pela corrupção do povo. A maioria dos habitantes daqui é movida muito mais pelo medo do que pelo sentimento de Mulheres Viajantes no Brasil (1764-1820)honra; e quanto maior a dificuldade que encontram para obter justiça, maior a sua inclinação à astúcia e à desonestidade”.

Carta da viajante inglesa Jemima Kindersley, de São Salvador da Bahia, em agosto de 1764. Publicada em FRANÇA, Jean Marcel Carvalho. Mulheres viajantes no Brasil (1764-1820). Rio de Janeiro: José Olympio, 2008. p. 45-46

A Inquisição na América Portuguesa

Frequentemente o tema Inquisição surge em meio aos estudos de quem se dedica a pesquisas dos primeiros séculos da História do Brasil. Infelizmente, porém, não é muito fácil encontrar material de consulta. Por esta razão, sugerimos a tese de doutoramento pela USP de Aldair Carlos Rodrigues, sob o título Poder Eclesiástico e Inquisição no Século XVIII Luso-Brasileiro: Agentes, Carreiras e Mecanismos de Promoção Social.

Resumo:

A problemática central deste trabalho é a multifacetada relação estabelecida entre as estruturas eclesiásticas da América portuguesa e o Santo Ofício por intermédio do clero (e de suas carreiras) no decorrer do século XVIII. Elucidamos aspectos ainda pouco conhecidos dos instrumentos e estratégias que tornaram possível a presença inquisitorial no Brasil, território que nunca sediou um tribunal da Inquisição. Tal ausência hipertrofiava as conexões entre a esfera eclesiástica local e a esfera inquisitorial. Investigamos também o impacto destes aparatos institucionais na sociedade colonial, evidenciando principalmente seus papéis na estruturação das hierarquias sociais.

Leia a tese neste endereço.

O Jornal e o Ensino de História

Artigo publicado na Revista Historien (Petrolina). ano 4 , n. 9. Jul/Dez 2013: 113 – 129 sob o título O Jornal como suporte documental e/ou recurso didático para aliar transmissão e produção de conhecimento no ensino de História.

Autor: Luciano Everton Costa Teles

Resumo:

Recentemente, a ideia de um ensino de história assentado estritamente na transmissão de conteúdo tem sido alvo de críticas ferrenhas. Tais críticas têm buscado romper com esta perspectiva que percebe a educação básica, seja ela pública ou privada, como espaço por excelência da reprodução do conhecimento, destacando as possibilidades e potencialidades da produção do conhecimento neste âmbito do ensino. Buscando contribuir com esta discussão, o presente artigo tem como objetivo demonstrar como os jornais podem ser utilizados no processo de ensino/aprendizagem como suporte documental e/ou recurso didático para promoção de um ensino de história inovador, pautado num entrelaçamento entre transmissão e produção de conhecimento.

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A Manipulação dos saberes na construção de uma História Local

Artigo de Iranilson Pereira de Melo publicado na Revista Historien (Petrolina). ano 4, n. 9. Jul/Dez 2013: 158 – 169.

Resumo:

O presente trabalho teve por objetivo discutir como a história da cidade de João Câmara vem sendo apresentada na sociedade camaraense, seja ela no legislativo, nas esquinas, e principalmente, nas escolas, que após a institucionalização (obrigatoriedade) do ensino de história local na rede municipal de ensino da cidade regida pela Lei nº 283/2009; tomam como base para a construção dos discursos, as escritas memorialistas, com predominância do autor Aldo Torquato da Silva com três livros publicados e aproximadamente 3 mil obras em circulação; sendo entendidas como verdades absolutas, verdadeiros manuais sobre a história da cidade. Conclui-se, então, que a utilização destes livros sem que haja uma problematização do seu conteúdo, rompem com os princípios que norteiam o ato de se pensar e ensinar história que se propõem a construção de conhecimento crítico reflexivo, que possibilitaria a compreensão e intervenção do indivíduo na sociedade.

Leia o artigo na íntegra aqui.

Ensino de História Local e Preservação do Patrimônio

Artigo publicado na Revista Historien (Petrolina). ano 4 , n. 9. Jul/Dez 2013: 113 – 129 sob o título Interações entre o Ensino de História Regional e Local e a Preservação do Patrimônio Cultural.

Autor: Moisés Amado Frutuoso

Resumo: O artigo discute como o ensino da história regional e local pode contribuir no ambiente escolar para a preservação do patrimônio cultural, a partir da construção da memória social e da elaboração das identidades coletivas. Realizamos um estudo de caso para mostrar a situação atual da igreja do Divino Espírito Santo e de seu terreiro, ambos localizados numa das primeiras aldeias jesuítas do Brasil – a Aldeia do Espírito Santo, em Vila de Abrantes (município de Camaçari, no Estado da Bahia). Ao relacionar a preservação do patrimônio material com o ensino da história regional e local, o texto aborda dois pontos: o papel do poder público enquanto promotor, ora da preservação, ora do esquecimento, do patrimônio material no processo de construção da memória social; e, por outro lado, como a escola pode se tornar o espaço para fortalecimento das identidades regionais e locais.

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Memória da Imprensa: década de 1940

“…seleção de notícias da década de 1940, publicadas em jornais e revistas disponíveis no acervo digitalizado do Arquivo Público do Estado de São Paulo”

Leia mais: :: ARQUIVO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULO :: Memória da Imprensa.

Fotografia, Bens Culturais e Inventário

Ensaio de Luiz Flávio de Carvalho Costa publicado na Revista Patrimônio e Memória jul-dez 2013

Resumo: Este pequeno ensaio trata da fotografia em uma perspectiva metodológica de duplo sentido. Primeiramente, tais documentos são considerados como bens culturais consolidados, integrantes dos acervos privados familiares das fazendas, que podem ser mobilizados quando se lida com o passado em busca de informações e significações. Em um segundo momento, a fotografia será vista como um recurso de pesquisa voltado para o registro, a identificação e o inventário do conjunto de bens de valor cultural das unidades rurais.

Leia o texto na íntegra.