Imigrantes Nobres?

Um leitor pergunta sobre brasões dos imigrantes italianos que viveram em Leopoldina. Nada sabemos a respeito, embora alguns sobrenomes constem no Storico Araldica do Istituto Genealogico Italiano. Entretanto, os casos encontrados referem-se a personagens agraciados na período da Unificação, época em que nossos imigrantes mal tinham nascido.

Segundo João Fábio Bertonha, no livro Os Italianos publicado em 2005, “no final do século XIX, mais de 60% da população economicamente ativa da Italia trabalhava no campo, sendo que 80% não possuíam terras”. Diversos autores informam que desta população de lavradores saiu a maioria dos que deixaram o país no final daquele século.

Analisando os imigrantes que viveram na Colônia Agrícola da Constança, especialmente através de informações coletadas nas entrevistas com descendentes, conclui-se que eram realmente trabalhadores do campo. E até o momento não encontramos quem tenha sido proprietário antes de passar ao Brasil.

A emigração e a cultura Italiana

O último capítulo de Homens sem Paz, de Constantino Ianni, indicado recentemente por um leitor deste blog, despertou a lembrança de uma experiência pela qual passamos há poucos anos. Participando de um evento que contava com patrocínio de entidades italianas, observamos que algumas pessoas manifestavam um certo desprezo pelas manifestações culturais que tantos brasileiros admiram. Num dos momentos, ouvimos que a Tarantella não representa a cultura italiana, mas tão somente a população mais pobre e que é de gosto duvidoso. Ouvimos também que os brasileiros não conhecem a verdadeira cultura italiana porque ficam presos às antigas óperas. Não cabia intervir mas ficou um gosto amargo.

Se muitos de nós, brasileiros, gostamos da Tarantella e das óperas italianas, pode ser porque nos fazem pensar numa parte importante da nossa identidade, já que o sangue daqueles imigrantes está presente em muitas de nossas famílias. E não acreditamos ser possível fazer distinção entre cultura que seja verdadeira ou não. Se existem práticas, são sempre verdadeiras. Podemos gostar ou não, claro. Mas jamais diminuir-lhes o valor. Se o cinema italiano da década de 1960 não é mais tão cultuado, nem por isto deve ser desmerecido. Teve o seu momento, arrebanhou multidões e cumpriu o papel de disseminar a produção do país. E acreditamos que o povo brasileiro está aberto para novas manifestações que retratem a Itália e outros países da atualidade. Podendo gostar ou não, assimilar ou não, escolher é permanência na pessoa humana. Ou, filosoficamente pensando, a única permanência é a eterna mudança.

Se os “literatos profissionais” de que fala Ianni julgam “heresia misturar emigração com cultura”, só temos a lamentar. E agradecemos a este autor por nos trazer letras de antigas canções que se tornaram hinos dos que partiam. E homenageamos os imigrantes que viveram em Leopoldina com uma destas letras (página 242)

Mo me parto da qua per n’altro regno,
passo passo mi vado allontanando;
lascio gli amici miei, lascio gli spassi,
lascio chi tanto bene me volia.
La pietre che scarpiso ‘npasso ‘npasso
pure hanno pietà del piano mio.

Giovanni e Basilio Anzolin

Parece-nos haver um engano entre os descendentes dos Anzolin. Recebemos pedido para publicar os nomes dos pais de Giovanni Basilio e da mulher Luiza quando, segundo o que pudemos apurar, na Colônia Agrícola da Constança residiram os irmãos Giovanni Ottavio Anzolin e Basilio Anzolin. Conforme se vê abaixo, o primeiro foi casado com Rosa Pasianot e Basilio Anzolin foi casado duas vezes, a primeira com Antonia Ramanzi e a segunda com Luiza Gallito.


Em busca dos Toni

Depois das comemorações pelo Centenário da Colônia Agrícola da Constança, em abril de 2010, recebemos muitas contribuições dos descendentes de Arturo Toni a respeito das gerações nascidas depois do final do nosso recorte temporal. Além disso, tivemos acesso a fontes documentais que nos permitiram acrescentar dados ao casal tronco e atualizar a grafia do sobrenome para a que consta nas fontes mais antigas.
Apresentamos, a seguir, a descrição da primeira geração de descendentes e, ao final, os quadros com as gerações seguintes conhecidas até o momento.
 

Descendentes de Arturo Toni

1-Arturo Toni, filho de Luigi Toni e Maria Bassi, nasceu a 31 Mai 1870 em Ficarolo, Rovigo, Veneto, Italia, e faleceu a 7 Ago 1964 em Leopoldina, MG. Arturo era neto paterno de Andrea Toni. Luigi Toni teve, pelo menos, mais dois filhos que teriam permanecido na Italia: Costantino e Maria Rosa. Arturo casou com Augusta Pradal, filha de Giovanni Batista Pradal e Ursula Dalsin. Augusta nasceu a 4 Out 1875 em Treviso, Veneto, Italia, e faleceu a 2 Jul 1964 em Leopoldina, MG. Eles tiveram 11 filhos:

2-João Toni.

2-Rosa Toni nasceu em Leopoldina, MG, e faleceu a 5 Mar 1972 em Leopoldina, MG. Rosa casou com Ernani do Couto Carvalho, filho de Armando Couto Carvalho e Francisca.  Eles tiveram 12 filhos.

2-Maria Orsolina Toni nasceu a 7 Fev 1896 em Leopoldina, MG, e faleceu a 24 Nov 1978 em Engenheiro Paulo de Frontin, RJ. Maria também usou o nome Victalina Ursula Tony. Maria casou com Luiz Rodrigues Leal, filho de Peregrino Rodrigues Leal e Venancia Maria Leal, a 2 Jun 1917 em Leopoldina, MG. Luiz nasceu a 1 Dez 1894 em Valença, RJ, e faleceu a 8 Jul 1970 em Engenheiro Paulo de Frontin, RJ. Eles tiveram 12 filhos.

2-José Toni nasceu a 12 Ago 1900 em Valença, RJ. José casou com Rosina Bedin, filha de Alessandro Bedin e Celestina Bartoli. Rosina nasceu a 27 Fev 1913 em Leopoldina, MG. Eles tiveram dois filhos.

2-Luiz Ambrosio Toni nasceu a 7 Dez 1902 em Valença, RJ. Luiz casou com Cecilia Maria da Conceição, filha de Pedro José Goulart e Carolina Maria da Conceição, a 14 Dez 1929 em Leopoldina, MG. Cecilia nasceu a 27 Ago 1907 em Piacatuba, Leopoldina, MG. Tiveram uma filha.

2-Primitiva Toni nasceu cerca de 1904 em Valença, RJ. Primitiva casou com Manoel de Freitas Filho, filho de José Luiz de Freitas e Antonia de Jesus, a 8 Mai 1926 em Leopoldina, MG. Manoel nasceu cerca de 1903 em Angustura, Além Paraíba, MG.

2-Joana Toni nasceu cerca de 1906 em Valença, RJ. Joana casou com Antonio Goulart, filho de Pedro José Goulart e Carolina Maria da Conceição, a 6 Nov 1926 em Leopoldina, MG. Antonio nasceu cerca de 1902 em Leopoldina, MG. Tiveram uma filha.

2-Euclides Toni nasceu cerca de 1909 em Valença, RJ, e faleceu a 31 Jul 1997 em Leopoldina, MG. Euclides casou com Isolina Meneghetti, filha de Agostino Meneghetti e Camila Stefani, a 9 Out 1932 em Leopoldina, MG. Isolina nasceu a 16 Fev 1917 em Leopoldina, MG, e faleceu a 28 Ago 1972 em Leopoldina, MG. Eles tiveram seis filhos.

2-Olga Toni nasceu cerca de 1912 em Leopoldina, MG. Olga casou com Antonio de Assis, filho de Leopoldo Antonio Claudino e DulcelinaFurtado de Assis, a 31 Out 1931 em Leopoldina, MG. Antonio nasceu cerca de 1896 em Coimbra, Viçosa, MG.

2-Pedro Toni nasceu a 4 Mai 1916 em Leopoldina, MG, e faleceu cerca de 2003 em Leopoldina, MG. Pedro casou com Lourença Vieira.  Eles tiveram sete filhos.

2-Olivia Toni nasceu a 30 Jun 1918 em Leopoldina, MG.

Descendentes de Euclides Toni

Família de Vittorio Carraro

O sobrenome Carraro é bastante comum em Leopoldina. Alguns usam como Carrara. Recebemos consulta sobre o comprador do lote número 7 da Colônia Agrícola da Constança – Vittorio Carraro, cuja família vai abaixo descrita.

Vittorio era filho de Francesco Eugenio Carraro e Santa Bordin. A esposa, Elisabetta, era filha de Angelo Carraro e Giovanna Cancelliero. Os irmãos de Vittorio e Elisabetta deixaram numerosa descendência em Leopoldina.

Julho de 1910: posse de colonos

A assinatura dos contratos de venda dos lotes da Colônia Agrícola da Constança demonstra que a organização dos lotes não coincide com a numeração. Assim é que, no dia 15 de julho de 1910, tomaram posse os adquirentes dos lotes 2, 3, 16, 17, 18 e 19.

Manoel José dos Passos – 2
Francisco Carneiro de Macedo – 3
Auriel de Rezende Montes – 16
Francisco Antonio Reiff Junior – 17
Jeronimo José da Silva – 18
João Pacheco de Carvalho – 19

No dia 20 do mesmo mês, foi a vez da ocupação dos seguinte lotes:

Jesus Salvador Lomba – 4
Candido Giuliani – 56

Analisar as Fontes

“Todo historiador deve ler os documentos que lhe caem nas mãos, amarrado ao mastro da mais absoluta desconfiança.”

Com estas palavras, Plínio José Freire Gomes chama a atenção do estudioso para a necessidade de avaliar as condições em que foram produzidas as fontes utilizadas numa pesquisa. Embora o artigo se refira a investigações sobre a inquisição, sob o título Brincando com o Fogo: o acervo do Santo Ofício como fonte (só) para Historiadores o autor alerta para situações que podem ocorrer em muitas outras circunstâncias. E conclui afirmando que é uma tarefa delicada porque a documentação do Santo Ofício traz em si uma carga muito negativa.

No sentido inverso, um levantamento feito nos jornais de Leopoldina da época em que foi criada a Colônia Agrícola da Constança apresenta uma aura romântica em torno de alguns imigrantes que viviam na cidade. Seja na coluna propriamente social, seja no noticiário, a profusão de adjetivos forma uma visão muito diferente do que transparece nas memórias das famílias de imigrantes. Em um dos casos analisados, o articulista transformou um camponês quase em estadista.

Acreditamos que não é necessário usar de subterfúgios para tratar dos nossos imigrantes. A maioria era gente simples que aceitou o contrato sonhando com a aquisição de terra, situação inviável na pátria natal. Aqui trabalharam com afinco, contribuindo para a expansão da agricultura de subsistência e realizando um bom número de diferentes atividades necessárias ao funcionamento da sociedade. Por isto nós os reverenciamos!

Stefano Casini e a Comunidade Italiana no Brasil

O Comites Belo Horizonte convida para assistir ao programa pela RAI, no dia 29 de julho, quarta-feira da próxima semana, às 8h30 da manhã aqui no Brasil. 

Cari tutti,
il giorno 29 Luglio alle 13.30 (ora italiana) andrá in onda su RAITALIA lo speciale “Voci Italiane: Brasile” della durata di 28 minuti. Grazie al vostro sforzo, al vostro aiuto, alla vostra amicizia ho potuto realizzare questo lavoro che mi ha impegnato per molto tempo. Ho tanto amore per il Brasile e per la comunitá italiana che ivi risiede. Siete stati sempre molto cari con me e non lo dimenticheró mai. Dal nostro Ambasciatore Michele Valensise, ai Consoli Generali, ai Direttori di enti, istituzioni o associazioni, insomma tutti, mi avete sempre dato un sorriso e un appoggio e questo è soltanto un umile omaggio (ce ne saranno tanti altri) al vostro lavoro.
Grazie e cordiali saluti a tutti

Stefano Casini

 

Colônia Agrícola da Constança: primeira posse

No primeiro dia do mês de julho de 1909, João Baptista de Almeida Paula tomou posse do lote número 1 da Colônia. Mas somente no dia 12 de abril do ano seguinte seria assinado o Decreto nº 2801, criando o núcleo e dando-lhe a denominação de Colônia Agrícola da Constança.

A Lei nº 438, de setembro de 1906, em seu parágrafo I estabelecia normas para fundar instituições agrícolas que acolheriam colonos nacionais e estrangeiros, com o objetivo de desenvolver a agricultura. No caso de Leopoldina, observa-se que foram adquiridas partes de fazendas vizinhas à Colônia Santo Antônio, de âmbito municipal, no decorrer da primeira década do século XX.

Segundo notícias publicadas no jornal Gazeta de Leopoldina da época, o primeiro administrador foi o italiano Ferdinando Sellani, que permaneceu no posto até outubro de 1909, quando o governo nomeou Guilherme Prates, que permaneceu no cargo até 16 de maio de 1911.

Sabemos que muitos imigrantes, que chegaram ao Brasil no final dos anos oitocentos, trabalharam na implantação da Colônia Agrícola da Constança. Provavelmente viviam na Santo Antônio e foram absorvidos pelo Estado para os trabalhos de demarcação dos lotes, construção das casas e preparo das áreas agricultáveis. E João Baptista de Almeida Paula foi o primeiro colono a assinar o contrato de compra.

Ancestrais de Antonio Montagna

Leitor de recente coluna no jornal Leopoldinense sobre os Montagna, pede para publicarmos os nomes de seus ancestrais.