Entre amadorismo e profissionalismo

As tensões da prática histórica no século XIX
Manoel Luiz Salgado Guimarães

Os exames cadavéricos do Livro para óbitos na cadeia de Mariana

Artigo de Wellington Júnio Guimarães da Costa, Pedro Eduardo Andrade de Carvalho e Gilson César Xavier Moutinho publicado na Revista Eletrônica Cadernos de História, vol. VI, ano 3, n.º 2, dezembro de 2008.

Com o subtítulo Algumas Possibilidades de Pesquisa os autores discorrem sobre a “prática comum nas Minas Gerais nos períodos colonial e imperial que tinha como objetivo avaliar em que estado se encontrava o cadáver do defunto, assim como as possíveis causas da morte. Havia a preocupação em certificar se a morte foi provocada por fatores naturais ou
artificiais.”

Leia  texto.

Escrita da história e representação

Sobre o papel da imaginação do sujeito na operação historiográfica
Danrlei de Freitas Azevedo
Felipe Charbel Teixeira

A transição da Mão-de-obra no Sul de Minas: cultura política na imprensa local (1879-1888)

Artigo de Fábio Francisco de Almeida Catilho publicado na Revista Eletrônica Cadernos de História, vol. VI, ano 3, n.º 2, dezembro de 2008.

Resumo
O presente trabalho tem por objetivo problematizar o discurso da elite regional do Sul de Minas – região pouco estudada embora seja uma das mais dinâmicas do estado – nos periódicos locais acerca da transição da mão-de-obra entre 1879 e 1888. Ou seja, abordaremos o papel da imprensa regional e seu posicionamento político diante das diferentes opções aventadas para se organizar o mundo do trabalho. Nesta contenda, pesavam na decisão dos proprietários e políticos as opções pelo trabalhador imigrante, porém muito oneroso ou o aproveitamento da mão-de-obra recém liberta, no entanto estigmatizada como indolente e morosa. Acreditamos que o estudo de tão importante tema nos revelará muito da cultura política regional, reflexo dos temas discutidos nacionalmente. Através desta análise confiamos ser possível identificar os atores e seus discursos para melhor entender como se deu a modernização do mercado de trabalho no interior do país e a sua inserção no capitalismo mundial.

Leia o texto.

Como se deve ler a história?

Leitura e Legitimação na Historiografia moderna.

Fernando Nicolazzi

RESUMO

Este ensaio estuda alguns textos ocupados com a temática da leitura da história na época moderna, desde o século XVII até o século XX. Partindo da hipótese de que a legitimidade do saber histórico reside não apenas na prática da escrita realizada pelos historiadores, mas igualmente na sua abordagem feita pelos leitores, a partir de um “pacto de leitura” que o texto historiográfico estabelece, diversas modalidades de leitura da história são apontadas, indicando os diferentes horizontes de expectativa que constituem a historiografia moderna.

Varia Historia – How history should be read? – Reading and legitimacy in modern historiography

A História e a escrita da História

Uma análise sobre o papel que a narrativa exerceu no debate sobre o conhecimento histórico.
Makchwell Coimbra Narcizo
Universidade Federal de Goiás

Leituras do passado colonial e narrativas sobre o Brasil nas primeiras décadas do século XIX: a contribuição francesa

Bruno Franco Medeiros

Resumo

Este artigo trata de alguns apontamentos sobre a tradição historiográfica francesa nas primeiras décadas do século XIX e sua compreensão acerca dos problemas históricos originados a partir da reorganização do Império Português com a vinda da Corte para o Brasil e posteriormente pela independência do Império do Brasil. A partir da análise de conceitos como colonização, revolução e outros relacionados à experiência do tempo, pretendemos mostrar como nas primeiras décadas do século XIX esses conceitos ainda eram mobilizados em torno das características pré-modernas do conceito de história, os quais só sofreriam uma alteração significativa, no sentido de compreender a história de um ponto de vista de ruptura com uma realidade anterior, a partir da década de 1830.

O Escrupuloso Iluminador da História do Brasil

Artigo de Renilson Rosa Ribeiro publicado na Revista Patrimônio e Memória, da Unesp, volume 7, número 2, dezembro de 2011, tem como subtítulo: Os enredos cronológicos e temáticos da 1ª edição da Historia Geral do Brazil, de Francisco Adolfo Varnhagen (1854-1857)

Acreditamos que a melhor apresentação seja mesmo o Resumo apresentado pelo autor.

“Este ensaio desenvolve um estudo sobre a construção da ideia de Brasil Colônia fabricada no Brasil Imperial, a partir da análise da primeira edição da Historia geral do Brazil (1854/1857), do historiador e diplomata Francisco Adolfo de Varnhagen (1816-1878) – no contexto de sua atuação junto ao Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), durante processo de produção de uma memória nacional no Segundo Reinado. Neste sentido, procura-se identificar os enredos cronológicos e temáticos forjados por Varnhagen para sua história geral, e atrelá-los à lógica da cultura e da identidade essencializadas e fixas, que buscam delimitar a nação como uma entidade unívoca e hegemônica e, mais ainda, como uma necessidade para o futuro da humanidade. Entender os mecanismos como os germens e alicerces da nação foram buscados no passado colonial brasileiro constitui o norte da bússola de navegação pelas seções da Historia geral do Brazil. Tentar decifrar este discurso, da fabricação da nação como verdade, passa pela procura das relações de poder e saber que a instituiu por meio da escrita do visconde de Porto Seguro.”

Texto disponível neste endereço.

Literatura de Viagem: outro enfoque

Prosseguindo na leitura das publicações científicas semestrais, retomo a Revista Patrimônio e Memória, da Unesp, volume 7, número 2, dezembro 2011.

O artigo de Magda Sarat, com o subtítulo Olhares sobre o Brasil nos Registros dos Viajantes Estrangeiros, menciona as características da documentação referenciada como Literatura de Viagem e alerta para os limites desta fonte e a necessidade de observar que em “alguns textos, foram encontrados exemplos de generalização explícita e não percebida pelo viajante. Cita, como exemplo, o viajante James Cook que esteve no Rio em 1768 e escreveu:

“As mulheres das colônias espanhola e portuguesa da América meridional concedem seus favores mais facilmente do que aquelas dos países civilizados. No Rio de Janeiro, algumas pessoas chegam a afirmar que na cidade não há uma única mulher honesta”.

Considerando-se os cuidados necessários, Magda Sarat baseia-se em Ginzburg para declarar que esta literatura é um material importante para conhecer o olhar dos estrangeiros sobre a realidade de uma época, ou seja, que podem mencionar os pormenores [não] negligenciáveis citados por Ginzburg.

Leia o artigo neste endereço.

Mudanças no traçado da Estrada de Ferro da Leopoldina

Pelo estudo realizado, observamos que os planos para a construção da Estrada de Ferro da Leopoldina foram modificados algumas vezes, com revisão do traçado inicialmente previsto. Os relatórios da presidência da Província deixam claro que o objetivo primordial da ferrovia era atender ao escoamento da produção agrícola, não se prendendo à localização das cidades. Como exemplo, citamos a seguinte fala: “o terreno é todo accidentado e improdutivo, oferecendo uma construcção para a estrada de grandes dificuldades e despezas”. Prosseguindo, a autoridade argumenta que a estrada deve favorecer diretamente as florescentes lavouras e que os poderes públicos não devem menosprezar as dificuldades e gastos exorbitantes, de modo a tornar “reaes os seos beneficios e reconhecidas vantagens, para que não esmoreça o espirito de iniciativa, que mal disperta na provincia”. Ou seja: ao apresentar projeto de alteração, que precisava de aprovação da Assembléia Legislativa, o orador chama a atenção para a necessidade de evitar onerar a empresa construtora.

Acreditamos que tais argumentos possam ser contestados pela vertente dos interesses políticos que cercaram a obra. De todo modo, percebe-se que a mudança de um percurso, como foi o caso entre Conceição da Boa Vista para o Arraial Novo, levou também em consideração as dificuldades do trajeto inicialmente previsto.

Esta argumentação se repete quando, em 1875, é analisada outra mudança que levaria os trilhos para Vista Alegre. Diz o relatório que a modificação, importando um afastamento de cerca de 6km da cidade da Leopoldina, em nada prejudica a zona que tinha de ser precorrida e procura o natural prolongamento da estrada. E diz mais: “cumpre attender que este facto traz lucros à lavoura, à empreza e aos cofres publicos, e não estamos ainda em circumstancias de fazer estradas de ferro que prefirão o commercio das cidades aos interesses da lavoura; porquanto esta é quase que a nossa unica fonte de rendas, e não temos e nem poderemos ter tão cedo cidades que por sua industria possão, não digo sustentar por si caminhos de ferro, mas obrigar estes a deixar em seo proveito, aliás incerto e fallivel, os productos conhecidos de uma agricultura já feita e que se augmentrá infallivelmente com as facilidades de transporte e de consumo”.