O sertão mineiro nas observações de Spix e Martius

Artigo de Marisa Augusta Ramos publicado na Revista Eletrônica Cadernos de História, vol. V, ano 3, n.º 1. Abril de 2008.

Resumo
O século XIX foi marcado pela presença de naturalistas viajantes no Brasil, dentre eles os alemães Joahnn Baptist Ritter Von Spix e Carl Friedrich Philip Von Martius. Este trabalho tem como proposta analisar as observações sobre Minas Gerais, feitas pelos dois naturalistas no início de século XIX, uma vez que constituem importante testemunho histórico. Serão abordadas especificamente as observações referentes ao sertão mineiro. Em seus relatos os dois viajantes refletem as concepções do século XIX, marcadas pelo paradoxo entre litoral e sertão que estiveram presente no processo de construção da nação brasileira.

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Mais um morador do Arraial Novo

O acordo estabelecido entre a Estrada de Ferro da Leopoldina e os proprietários da Fazenda das Laranjeiras não contemplou apenas a cessão do terreno por onde passariam os trilhos. Conforme já foi visto, o negociante Julio Moraes Tavares tinha sido autorizado a estabelecer-se em terreno contíguo à Estação do Recreio. Assim como ele, outros personagens surgem da leitura dos livros do Cartório de Notas de Conceição da Boa Vista. Alguns eram funcionários da estrada de ferro.Um deles foi Miguel Bento Borba, que assinou o contrato de aforamento no dia 10 de abril de 1885, relativo a um terreno com uma casa térrea coberta de telhas. O ferroviário era vizinho, à esquerda, de Julio Moraes Tavares. Na frente de sua casa estava a “pequena rua da Estação” e nos fundos a Fazenda das Laranjeiras. O terreno aforado por Ignacio Ferreira Brito a Miguel Bento Borba media 10 metros e 50 centímetros de frente por 19 metros e 50 centímetros de fundos. O foro anual foi estabelecido em 69.615 réis.

Prefeitos de Recreio, MG

Dr. Modesto Faria* – 01/01/1939 a 05/05/1946
José Simão de Almeida* – 06/05/1946 a 31/12/1946
Dr. Rossini de Minas* – 01/01/1947 a 20/04/1947
Dr. Rafael da Costa Cruz Figueira* – 21/04/1947 a 31/12/1947
Dr. Darcy Nunes Miranda – 01/01/1948 a 31/12/1950
João Perillo – 01/01/1951 a 31/12/1954
Dr. José Antônio Monteiro de Barros – 01/01/1955 a 31/12/1958
Miguel Andries – 01/01/1959 a 31/12/1962
José Domingues Vieira – 01/01/1963 a 31/12/1966
José Amaury Teixeira de Barros – 01/01/1967 a 31/12/1970
Antônio Corrêa do Bem – 0101/1971 a 31/12/1972
Dr. Geraldo Damasceno de Almeida – 01/01/1973 a 31/12/1976
José Amaury Teixeira de Barros – 01/01/1977 a 31/12/1982
Dr. Geraldo Damasceno de Almeida – 01/01/1983 a 31/12/1989
José Taranto Luz – 01/01/1989 a 31/12/1992
João Carlos Guilherme Ferreira – 01/01/1993 a 31/12/1996
Dr. Ônio Fialho Miranda – 01/01/1997 a 31/12/2004
Dr. Fernando de Almeida Coimbra – 01/01/2005 a 31/12/2011
*Prefeitos indicados pelo governo do Estado de Minas Gerais.
Leonardo Ribeiro da Silva

Brasileiros ilustres no tribunal da posteridade: biografia, memória e experiência da história no Brasil oitocentista

Maria da Glória de Oliveira

RESUMO

O artigo analisa a escrita de biografias como tarefa integrante do projeto historiográfico do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro ao longo do século XIX, com base nos discursos de Joaquim Manoel de Macedo e nos estudos biográficos de Joaquim Caetano Fernandes Pinheiro. Para os sócios da agremiação, a biografia deveria cumprir os propósitos de fixação da memória dos brasileiros ilustres, compartilhando com a escrita histórica das ambições de verdade e imparcialidade na representação do passado. Por outro lado, a evocação reiterada de um “tribunal da posteridade”, em nome do qual se justificavam o trabalho de memória e a escrita biográfica, vinculava-se à experiência da história como foro de justiça e moralidade.


Varia Historia – Brasileiros ilustres no tribunal da posteridade: biografia, memória e experiência da história no Brasil oitocentista

A apreensão do território mineiro nos relatos de Auguste de Saint- Hilaire: uma leitura relacional

Artigo de Itamara Silveira Soalheiro publicado na Revista Eletrônica Cadernos de História, vol. V, ano 3, n.º 1. Abril de 2008.

Resumo
O presente artigo tem por objetivo discutir o conceito de território numa perspectiva relacional interligando-o com os relatos do naturalista Auguste de Saint-Hilaire, que construiu importantes observações sobre o Brasil oitocentista, principalmente sobre a Província de Minas Gerais. Os relatos de Saint-Hilaire marcam um momento importante de formação do território brasileiro, por isso teve-se a intenção de partir da leitura sistemática de suas observações para buscar perceber as características relacionais daquele território em formação.

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Recreio, MG: Boqueirão dos Bagres

Visitantes deste blog comentaram o post de 20 de dezembro, sob o título O Arraial Novo e a Estação. Todos apoiam-se em literatura onde o nome aparece como Boqueirão dos Bugres e não dos Bagres o ponto onde a ferrovia seria bifurcada.
Ao tempo em que agradecemos as visitas, lembramos que no Relatório da Presidência da Província de Minas Gerais, do ano de 1876, página 36, o nome é Boqueirão dos Bagres mesmo. Além disso, nos Registros de Terras de 18 de fevereiro de 1856, algumas propriedades são identificadas pela vizinhança com o Ribeirão dos Bagres. Portanto, fica reiterado o nome conforme constou no texto de 20 de dezembro.

O Brasil nos relatos de viajantes ingleses do século XVIII: produção de discursos sobre o Novo Mundo

Ângela Domingues

Departamento de Ciências Humanas – Instituto de Investigação Científica Tropical – Lisboa – Portugal.

RESUMO

O conhecimento científico do Brasil é anterior ao período da abertura dos portos brasileiros ao comércio e navegação das nações europeias. Embora seja inegável a importância e a novidade trazidas pelas obras de John Mawe, Thomas Lindley, Henry Koster, Maximiliano de Wied-Neuwied ou do barão de Eschwege, há que considerar que o Brasil tornou-se mais conhecido dos europeus do Setecentos graças aos roteiros, diários de viagens, mapas e vistas de marinheiros e traficantes, corsários e piratas que percorreram o litoral brasileiro durante o século XVIII. Assim como pelos registos produzidos por homens ilustrados como George Anson, James Cook, Joseph Banks, Charles Solander e Arthur Bowes Smith. O objectivo de muitos desses relatos produzidos ao longo do século XVIII define-se claramente do seguinte modo: corrigir a geografia do globo terrestre, diminuir os perigos da navegação e tornar mais conhecidos os costumes, artes e produtos da colónia brasileira.

Revista Brasileira de História – O Brasil nos relatos de viajantes ingleses do século XVIII: produção de discursos sobre o Novo Mundo

Temas brasileiros e descrições do Brasil nos Países Baixos no século XVI

Artigo de Arthur Feitosa de Bulhões publicado na Revista Eletrônica Cadernos de História, vol. V, ano 3, n.º 1. Abril de 2008

Resumo
O presente artigo tem por objetivo analisar as referências a temas brasileiros e às descrições do Brasil presentes na editoria e na iconografia produzida nos Países Baixos durante o século XVI e início do século XVII. Pretende-se demonstrar como, a partir dos movimentos de pessoas, da formação de colônias comerciais, do aumento das viagens à América e do interesse colonial holandês, permitiu-se a circulação e a difusão de informações a respeito do Brasil. A pesquisa procura debater como os deslocamentos supracitados foram responsáveis por um intercâmbio de conteúdos os quais possibilitaram o surgimento de referências ao Brasil no movimento editorial e nas artes visuais e cartografia dos Países Baixos.

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Dois hotéis no Arraial Novo

Em abril de 1885, a Estação do Recreio era o centro do Arraial Novo, mais tarde referido como Arraial do Recreio. Em seu entorno existiam algumas construções sendo a maior delas o Hotel do Recreio, de propriedade de Ignacio Ferreira Britto e sua mulher Mariana Ozória de Almeida.

Segundo o já citado livro do Cartório de Notas de Conceição da Boa Vista, relativo ao período 1884-1885, folhas 124 a 127, duas das outras construções do local eram ocupadas por Julio Moraes Tavares, a quem foi outorgado o aforamento no dia 7 de abril de 1885. Uma delas era “uma casa assoalhada coberta de telhas, com […] cinco portas e cinco janellas na circunferencia, e um jardim ao lado […] em que o outorgado tem negocio, hotel e bilhar”. Portanto, além do Hotel do Recreio o Arraial contava com um outro ponto de hospedagem, construído em terrenos da Fazenda das Laranjeiras.

O terreno ocupado por Julio Moraes Tavares limitava-se, pela frente, com “uma pequena rua em que estão algumas casinhas juntas aos trilhos e em frente a Estação da Estrada de Ferro da Leopoldina, e no fundo com os trilhos da Estrada de Ferro do Alto Muriahé”.

O registro informa ainda que o terreno “já occupado como já se disse pelo outorgado, tem vinte e um metros e oitenta centimetros quadrados de frente, e treze metros e quarenta centimentos quadrados de fundo; e da mesma Fasenda desmembrão mais um pequeno terreno em frente ao que já está descripto, e mais proximo a Estação, com quarenta e seis metros quadrados, na qual se acha uma casinha coberta de telhas pertencente ao outorgado, com duas portas e duas janellas em sua circunferencia, a qual tem de frente treze metros e cincoenta centimetros, e de fundo quatro metros quadrados”.

O aforamento deste e dos demais terrenos desmembrados da Fazenda das Laranjeiras obedeceu aos seguintesparâmetros:

a) dos quaes terrenos elles outorgantes fazem afforamento perpetuo, por si seus herdeiros e sucessores, pelo fôro annual de quatrocentos e oitenta reis, digo pelo fôro de trezentos e quarenta reis pelo metro quadrado

b) a penção em fôro annual de dois terrenos no qual se contem duzentos e noventa e cinco metros e sessenta centimetros quadrados, vem a sêr de cem mil quinhentos e quatro reis, cuja quantia será paga em prestações semestrais a razão de cincoenta mil duzentos e cincoenta e dois reis, a contar da data da presente escriptura em diante, e deixando o outorgado ou seus sucessores de pagar um anno vencido, pode ser demandado executivamente, a cuja prompta solução de fôro em forus desde já fica hyppothecado o dominio util dos mesmos terrenos e benfeitorias existentes, e as que ai crescerem

c) deixando elle afforeiro de pagar os forus por trez annos successivos perderá o dominio do dito terreno e suas bemfeitorias, que então existirem por comisso para elles senhoriais

d) elle foreiro não poderá alienar ou por qualquer maneira se desfazer da posse do terreno e suas bemfeitorias sem expressa licença do senhorio, affrontando as alienações para poder optar conforme lhe fôr conveniente debaixo da dita pena de comisso

e) por seu turno os senhorios dentro de dez dias da data em que lhe fôr dada a sciencia da alienação e do preço que a apagar o comissario, não usando seu direito de opção, perderá a preleção para o fim de se realizar a allienação com o terceiro com quem tiver contractado

f) pagará elle foreiro aos seus sucessores o laudemio de dez por cento regulado pelo preço da allienação, ficando o mesmo terreno e bemfeitorias hypottecados a este laudemio para o sinhorio o poder haver do vendedor ou comprador, ficando entendido que este laudemio e foro não poderá elle foreiro pedir em tempo algum reducção por qualquer caso fortuito, cogitado e não cogitado; e nem tão pouco elles sinhorios e seus successores lhe poderão augmentar o laudemio e fôro, qualquer que seja o augmento do valor intrincico do terreno afforado

g) o foreiro se obriga a cercar os terrenos que ora lhe são limitados, e prefixal-as por balisas provisorias, e não ultrapassal-as sob pena de serem desmanchadas quaesquer bemfeitorias a custa delle foreiro; como obrigão-se a respeitar a lavoura e terrenos delles senhorios, não concentindo que sejão imvadidas por seus animaes

Consta também do registro do aforamento a Julio Moraes Tavares que “pelo outorgado mais foi dito qu eparte de seu predio tendo sido construido com madeiras tiradas dos matos delles outorgantes; como indemnização dessas madeiras e do desfructe que tem tido até hoje dos terrenos afforados, offerece, e os outorgantes aceitão a quantia de seiscentos mil”.


Olinto Machado Gouvêa: centenário de nascimento

28 de dezembro de 1911 – Nasce em Leopoldina, filho de José Vital de Oliveira e Mariana Custódia de Moraes.
No batismo o nome é Olympio.