Economia e trabalho nas estradas reais e nas estradas de ferro de Minas Gerais

Resumo
Este artigo é parte de um estudo histórico comparativo entre os caminhos coloniais e ferroviários de Minas Gerais. Neste texto são analisados aspectos ligados à economia e ao trabalho dos caminhos reais e das estradas de ferro: a construção e a conservação dos caminhos, o mundo do trabalho nas tropas e nas ferrovias, a intermodalidade dos transportes, a inovação tecnológica e empresarial representada pelas estradas e outros. Relações dos caminhos reais e das ferrovias com diversos setores da economia mineira também são apontadas, com destaque para a mineração e a pecuária. Mudanças e permanências são identificadas na história desses caminhos reforçando o caráter complementar de seus papéis e funções ao longo do tempo. Especial atenção é dedicada à Rede Ferroviária Federal S. A. (RFFSA), empresa que comemora este ano seu cinqüentenário (1957-2007) e que operou parte significativa da malha ferroviária do Estado de Minas Gerais.

Leia o artigo de Helena Guimarães Campos na íntegra.

Os sujeitos da memória: autores e autoridades

Artigo de Bruno Flávio Lontra Fagundes

Resumo
Este artigo analisa o contexto de criação e aborda a natureza da escrita das memórias das Efemérides Mineiras, livro emblemático do final do século XIX brasileiro, sublinhando seus aspectos textuais construtivos e sua feição enciclopédica e as relações de poder estabelecidas através dele. Mais ainda, este artigo procura, especialmente, apontar os componentes das relações de autoridade estabelecidas entre o autor das Efemérides Mineiras acima de tudo um compilador e seus correspondentes, identificando os processos de construção da memória histórica e alguns elementos fundamentais da história da construção de uma leitura republicana do passado de Minas Gerais em fins do século XIX.

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Gilberto Freyre e a Nova História

Tradução de Pablo Rubén Mariconda
RESUMO: O ponto de partida deste artigo é uma série de semelhanças entre a ‘nova história’ associada aos Annales e a história social, psico-história ou antropologia histórica de Gilberto Freyre; semelhanças que vão desde um interesse pela cultura material (alimentação, vestimenta e habitação) até um interesse pelas mentalidades e pela história da infância, tema que preocupou Freyre antes da publicação de Casa-grande & senzala. Estas semelhanças de abordagem foram reconhecidas tanto por Febvre como por Braudel quando descobriram a obra de Freyre no fim dos anos 30. Freyre, no entanto, não estava imitando o Annales e nem
Febvre ou Braudel o estavam imitando. Freyre aprendera seu estilo interdisciplinar na Universidade Columbia, um centro do movimento americano da ‘nova história’ no início do século. Por outro lado, assim como Febvre, Freyre também admirava Michelet. Já a ‘história íntima’ de Freyre é, em algum grau, devedora da Histoire Intime praticada pelos irmãos Goncourt, uma história cuja importância para a história da historiografia ainda não foi suficientemente reconhecida.

O sertão mineiro nas observações de Spix e Martius

Artigo de Marisa Augusta Ramos publicado na Revista Eletrônica Cadernos de História, vol. V, ano 3, n.º 1. Abril de 2008.

Resumo
O século XIX foi marcado pela presença de naturalistas viajantes no Brasil, dentre eles os alemães Joahnn Baptist Ritter Von Spix e Carl Friedrich Philip Von Martius. Este trabalho tem como proposta analisar as observações sobre Minas Gerais, feitas pelos dois naturalistas no início de século XIX, uma vez que constituem importante testemunho histórico. Serão abordadas especificamente as observações referentes ao sertão mineiro. Em seus relatos os dois viajantes refletem as concepções do século XIX, marcadas pelo paradoxo entre litoral e sertão que estiveram presente no processo de construção da nação brasileira.

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Mais um morador do Arraial Novo

O acordo estabelecido entre a Estrada de Ferro da Leopoldina e os proprietários da Fazenda das Laranjeiras não contemplou apenas a cessão do terreno por onde passariam os trilhos. Conforme já foi visto, o negociante Julio Moraes Tavares tinha sido autorizado a estabelecer-se em terreno contíguo à Estação do Recreio. Assim como ele, outros personagens surgem da leitura dos livros do Cartório de Notas de Conceição da Boa Vista. Alguns eram funcionários da estrada de ferro.Um deles foi Miguel Bento Borba, que assinou o contrato de aforamento no dia 10 de abril de 1885, relativo a um terreno com uma casa térrea coberta de telhas. O ferroviário era vizinho, à esquerda, de Julio Moraes Tavares. Na frente de sua casa estava a “pequena rua da Estação” e nos fundos a Fazenda das Laranjeiras. O terreno aforado por Ignacio Ferreira Brito a Miguel Bento Borba media 10 metros e 50 centímetros de frente por 19 metros e 50 centímetros de fundos. O foro anual foi estabelecido em 69.615 réis.

Prefeitos de Recreio, MG

Dr. Modesto Faria* – 01/01/1939 a 05/05/1946
José Simão de Almeida* – 06/05/1946 a 31/12/1946
Dr. Rossini de Minas* – 01/01/1947 a 20/04/1947
Dr. Rafael da Costa Cruz Figueira* – 21/04/1947 a 31/12/1947
Dr. Darcy Nunes Miranda – 01/01/1948 a 31/12/1950
João Perillo – 01/01/1951 a 31/12/1954
Dr. José Antônio Monteiro de Barros – 01/01/1955 a 31/12/1958
Miguel Andries – 01/01/1959 a 31/12/1962
José Domingues Vieira – 01/01/1963 a 31/12/1966
José Amaury Teixeira de Barros – 01/01/1967 a 31/12/1970
Antônio Corrêa do Bem – 0101/1971 a 31/12/1972
Dr. Geraldo Damasceno de Almeida – 01/01/1973 a 31/12/1976
José Amaury Teixeira de Barros – 01/01/1977 a 31/12/1982
Dr. Geraldo Damasceno de Almeida – 01/01/1983 a 31/12/1989
José Taranto Luz – 01/01/1989 a 31/12/1992
João Carlos Guilherme Ferreira – 01/01/1993 a 31/12/1996
Dr. Ônio Fialho Miranda – 01/01/1997 a 31/12/2004
Dr. Fernando de Almeida Coimbra – 01/01/2005 a 31/12/2011
*Prefeitos indicados pelo governo do Estado de Minas Gerais.
Leonardo Ribeiro da Silva

Brasileiros ilustres no tribunal da posteridade: biografia, memória e experiência da história no Brasil oitocentista

Maria da Glória de Oliveira

RESUMO

O artigo analisa a escrita de biografias como tarefa integrante do projeto historiográfico do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro ao longo do século XIX, com base nos discursos de Joaquim Manoel de Macedo e nos estudos biográficos de Joaquim Caetano Fernandes Pinheiro. Para os sócios da agremiação, a biografia deveria cumprir os propósitos de fixação da memória dos brasileiros ilustres, compartilhando com a escrita histórica das ambições de verdade e imparcialidade na representação do passado. Por outro lado, a evocação reiterada de um “tribunal da posteridade”, em nome do qual se justificavam o trabalho de memória e a escrita biográfica, vinculava-se à experiência da história como foro de justiça e moralidade.


Varia Historia – Brasileiros ilustres no tribunal da posteridade: biografia, memória e experiência da história no Brasil oitocentista

A apreensão do território mineiro nos relatos de Auguste de Saint- Hilaire: uma leitura relacional

Artigo de Itamara Silveira Soalheiro publicado na Revista Eletrônica Cadernos de História, vol. V, ano 3, n.º 1. Abril de 2008.

Resumo
O presente artigo tem por objetivo discutir o conceito de território numa perspectiva relacional interligando-o com os relatos do naturalista Auguste de Saint-Hilaire, que construiu importantes observações sobre o Brasil oitocentista, principalmente sobre a Província de Minas Gerais. Os relatos de Saint-Hilaire marcam um momento importante de formação do território brasileiro, por isso teve-se a intenção de partir da leitura sistemática de suas observações para buscar perceber as características relacionais daquele território em formação.

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Recreio, MG: Boqueirão dos Bagres

Visitantes deste blog comentaram o post de 20 de dezembro, sob o título O Arraial Novo e a Estação. Todos apoiam-se em literatura onde o nome aparece como Boqueirão dos Bugres e não dos Bagres o ponto onde a ferrovia seria bifurcada.
Ao tempo em que agradecemos as visitas, lembramos que no Relatório da Presidência da Província de Minas Gerais, do ano de 1876, página 36, o nome é Boqueirão dos Bagres mesmo. Além disso, nos Registros de Terras de 18 de fevereiro de 1856, algumas propriedades são identificadas pela vizinhança com o Ribeirão dos Bagres. Portanto, fica reiterado o nome conforme constou no texto de 20 de dezembro.

O Brasil nos relatos de viajantes ingleses do século XVIII: produção de discursos sobre o Novo Mundo

Ângela Domingues

Departamento de Ciências Humanas – Instituto de Investigação Científica Tropical – Lisboa – Portugal.

RESUMO

O conhecimento científico do Brasil é anterior ao período da abertura dos portos brasileiros ao comércio e navegação das nações europeias. Embora seja inegável a importância e a novidade trazidas pelas obras de John Mawe, Thomas Lindley, Henry Koster, Maximiliano de Wied-Neuwied ou do barão de Eschwege, há que considerar que o Brasil tornou-se mais conhecido dos europeus do Setecentos graças aos roteiros, diários de viagens, mapas e vistas de marinheiros e traficantes, corsários e piratas que percorreram o litoral brasileiro durante o século XVIII. Assim como pelos registos produzidos por homens ilustrados como George Anson, James Cook, Joseph Banks, Charles Solander e Arthur Bowes Smith. O objectivo de muitos desses relatos produzidos ao longo do século XVIII define-se claramente do seguinte modo: corrigir a geografia do globo terrestre, diminuir os perigos da navegação e tornar mais conhecidos os costumes, artes e produtos da colónia brasileira.

Revista Brasileira de História – O Brasil nos relatos de viajantes ingleses do século XVIII: produção de discursos sobre o Novo Mundo