Resumo
Este artigo é parte de um estudo histórico comparativo entre os caminhos coloniais e ferroviários de Minas Gerais. Neste texto são analisados aspectos ligados à economia e ao trabalho dos caminhos reais e das estradas de ferro: a construção e a conservação dos caminhos, o mundo do trabalho nas tropas e nas ferrovias, a intermodalidade dos transportes, a inovação tecnológica e empresarial representada pelas estradas e outros. Relações dos caminhos reais e das ferrovias com diversos setores da economia mineira também são apontadas, com destaque para a mineração e a pecuária. Mudanças e permanências são identificadas na história desses caminhos reforçando o caráter complementar de seus papéis e funções ao longo do tempo. Especial atenção é dedicada à Rede Ferroviária Federal S. A. (RFFSA), empresa que comemora este ano seu cinqüentenário (1957-2007) e que operou parte significativa da malha ferroviária do Estado de Minas Gerais.
Leia o artigo de Helena Guimarães Campos na íntegra.

O acordo estabelecido entre a Estrada de Ferro da Leopoldina e os proprietários da Fazenda das Laranjeiras não contemplou apenas a cessão do terreno por onde passariam os trilhos. Conforme já foi visto, o negociante Julio Moraes Tavares tinha sido autorizado a estabelecer-se em terreno contíguo à Estação do Recreio. Assim como ele, outros personagens surgem da leitura dos livros do Cartório de Notas de Conceição da Boa Vista. Alguns eram funcionários da estrada de ferro.Um deles foi Miguel Bento Borba, que assinou o contrato de aforamento no dia 10 de abril de 1885, relativo a um terreno com uma casa térrea coberta de telhas. O ferroviário era vizinho, à esquerda, de Julio Moraes Tavares. Na frente de sua casa estava a “pequena rua da Estação” e nos fundos a Fazenda das Laranjeiras. O terreno aforado por Ignacio Ferreira Brito a Miguel Bento Borba media 10 metros e 50 centímetros de frente por 19 metros e 50 centímetros de fundos. O foro anual foi estabelecido em 69.615 réis.