Outro Negociante

Conforme vimos até aqui, entre os primeiros moradores do Arraial Novo alguns eram empregados da Estrada de Ferro da Leopoldina, um era hoteleiro e um outro trabalhava a jornal. Havia ainda um outro negociante: SERAFIM TEIXEIRA DA LUZ. Entretanto, não consta do registro o tipo de atividade a que se dedicava, informando apenas que o aforamento referia-se a um terreno de 20 metros por 20 metros e 95 centímetros de fundos, contendo uma “ […] casa térrea coberta de telhas que devisa pela frente com a Estação, pelos lados com terrenos dos outorgantes, pelos fundos com o pasto da Fazenda das Larangeiras pertencente aos mesmos outorgantes”.

Trabalhador Jornaleiro

Sabe-se que, naquela época, as pessoas que alugavam sua força de trabalho por períodos determinados eram conhecidas como “jornaleiras”, ou seja, recebiam pagamento por jornada. Este era o caso de ANTONIO POETA, que ocupava uma “casa térrea coberta de telhas que devide pela frentecom os trilhos da Alto-Muriahé, pelos lados e fundos com terrenos dos outorgantes”, num terreno de 4 metros e 70 centímetros por 5 metros e 40 centímetros de fundos. No dia 10 de abril de 1885, no hotel de propriedade de Ignacio Ferreira Brito, localizado no Arraial Novo, Antonio Poeta assinou o contrato de aforamento comprometendo-se a pagar 8.629 réisanuais.

Vida cotidiana numa vila mineira setecentista

“O que podemos inferir com a leitura dos inventários post-mortem é que a posse de objetos mais “refinados” esteve diretamente relacionada ao status socioeconômico dos indivíduos, ou seja, tendencialmente os objetos de luxo foram encontrados em inventários de militares, homens de negócios, eclesiásticos etc.”

Sob o título Lençóis de linho, pratos da Índia e brincos de filigrana”: vida cotidiana numa vila mineira setecentista, foi publicado um artigo de Ana Luiza Castro Pereira na Revista Estudos Históricos, volume 24, número 48, jul./dez.2011

RESUMO pela autora: Este artigo versa sobre a intensa circulação de objetos na época das navegações portuguesas e sobre a capacidade de homens e mulheres introduzirem bens do Império Português no seu viver cotidiano. O consumo e a cultura material têm sido amplamente analisados visando compreender o significado que a posse de objetos representou na vida cotidiana ao longo da História, bem como a maneira como os bens materiais foram vivenciados no cotidiano. Foram consultados inventários post-mortem dos moradores da vila de Sabará para perceber que África, Ásia, América e Europa se fizeram notar nas mesas de Sabará.

Leia o texto na íntegra.

Peter Burke: trajetória de um historiador

Por José d’Assunção Barros
Resumo. Este artigo busca elaborar uma visão panorâmica sobre a obra de um dos historiadores estrangeiros mais conhecidos no Brasil em função de sua produção editorial praticamente traduzida para o idioma português em sua totalidade: Peter Burke. Examinaremos sua obra desde os estudos acerca do Renascimento e das Monarquias Absolutas até a sua importante contribuição referente à análise historiográfica. A interdisciplinaridade é apontada como uma das grandes características da produção historiográfica de Peter Burke, refletindo-se nas diversas fases de sua obra.

162 (objeto application/pdf)

Arte Sequencial em Leopoldina

Dia 31 de março acontecerá, em Leopoldina, o I Fórum Nacional de Pesquisadores em Arte Sequencial.

Faça sua inscrição aqui.

Recreio, MG: Provável limite do povoado

O quarto e último ferroviário a assinar o termo de aforamento foi Joaquim Pereira Leitão. O terreno que ocupava, com 10 metros e 30 centímetros por 20 metros de fundos, divisava exclusivamente com terras da Fazenda das Laranjeiras, na estrada “que vae para Conceição Arrayal” conforme indica o registro. Sendo assim, acreditamos que este seria o ponto limítrofe, a sudeste, do perímetro do Arraial Novo.

Outro ferroviário: José Vaz da Silva

Em sua obra Formação de Cidades no Brasil Colonial, Paulo Santos lembra que a maioria das cidades brasileiras surgiu de maneira espontânea: “Não se cogitou de fundá-las. Simplesmente nasceram”. (2001, p. 49). Mais adiante, ao tratar das cidades brasileiras do século XV ao XIX, o autor lista algumas causas para o nascimento de nossas áreas urbanas, como “cidades de conquista do interior, do café, da borracha, da indústria”, etc.

Recreio nasceu nos anos finais do Império do Brasil e talvez seja adequado dizer que foi uma “cidade da ferrovia”. Não teria havido uma intenção direta em sua fundação. Ela foi formada a partir de uma estação da estrada de ferro construída para escoar a produção agrícola. Cremos não ser adequado defini-la como “cidade do café” porque, ao tempo em que a estrada passou a operar efetivamente, um outro objetivo tinha sido agregado à ferrovia: transportar os imigrantes que vinham substituir o braço escravo.

De todo modo, nada nos é lícito afirmar sobre as intenções de Ignacio Ferreira Brito ao conceder o direito de uso das terras de sua Fazenda Laranjeiras aos primeiros moradores do que se denominou Arraial Novo. Entre eles, JOSÉ VAZ DA SILVA, empregado da Estrada de Ferro da Leopoldina, ocupava “uma casa térrea coberta de telhas que devide pela frente com a Estação, pela direita e esquerda com terrenos dos outorgantes, e pelos fundos com cafezais dos outorgantes”. O terreno com 10 metros e 70 centímetros por 10 metros de fundos, assim como a casa nele construída por Ignacio Ferreira Brito, foi aforado no dia 9 de abril de 1885 por 36.380 réis anuais.

Pesquisando Antepassados

POSTAGEM REPUBLICADA

A metodologia de pesquisa é uma das colocações mais recorrentes entre os leitores deste blog. Na maioria das vezes nós recebemos perguntas sobre a maneira de localizar informações de propriedades, atividades profissionais e locais de moradia de antepassados. Se fizermos uma tabulação e categorizarmos os comentários por temas, provavelmente concluiremos que o interesse pela história de Recreio nasce no momento em que se descobre um ascendente que viveu no município.
Uma pequena parcela de nossos leitores demonstra ter expectativa de encontrar todas as respostas na rede mundial de computadores. Um outro grupo pede indicação de literatura publicada onde encontrem “tudo sobre fulano de tal”. Aos primeiros nossa resposta é que a internet é um veículo muito novo e que pouca coisa já está disponível na rede. Para os outros temos tentado explicar que autores constróem textos a partir da própria visão de mundo e que nem tudo já foi estudado ou compilado. E sempre deixamos o convite para fazerem a própria pesquisa.
Para os que nos pedem indicações de como fazer, reiteramos que todas as fontes podem ser úteis desde que tenhamos um projeto bem delineado. Isto evita que nos percamos no meio do caminho. É fundamental termos bem claro o objetivo da busca, bem como nos informarmos sobre o tema através da literatura disponível. É muito difícil, por exemplo, tentar localizar uma fazenda pelo nome que o avô mencionou, sem conhecermos os dados básicos sobre o município onde tal propriedade se localizava.
Muitas vezes não será possível prosseguir sem visitar centros de documentação da região. E quando se trata de localizar informações sobre pessoas nascidas antes de 1930, a sugestão é fazer um levantamento minucioso dos assentos paroquiais relativos ao período de interesse. Assim, além de anotar datas, locais, padrinhos e grafias, vamos nos aproximando das redes de afinidade do personagem de nosso interesse e conhecendo um pouco da sociedade na qual esteve inserido.
A distância impede a pesquisa? Nem sempre ou não integralmente. Sabendo exatamente o que se quer, é possível pedir cópias de documentos telefonando para o órgão competente. Donde voltamos ao segundo parágrafo deste texto para informar que a internet e os livros publicados são extremamente úteis para nos aproximarmos do objeto de estudo. E até mesmo para sabermos se é possível atingir o objetivo planejado.

O ferroviário Ignacio Fernandes

Empregado da linha férrea, o morador de São José do Alem Parahyba Ignacio Fernandes ocupava, com autorização dos proprietários da Fazenda Laranjeiras, um pequeno lote de terras que media 3 metros e 80 centímetros de frente por 7 metros e cinquenta centímetros de fundos. Segundo o registro, no terreno existia “uma casa terrea coberta de telhas, que devide pela direita com a casa de Julio de Moraes Tavares, pela esquerda com terrenos dos outorgantes, pela frente com a rua fronteira à Estação e pelos fundos com os trilhos da Estrada de Ferro da Leopoldina”. O contrato foi estabelecido através da contrapartida de um foro anual de 4.845 réis.

Conforme se observa, os terrenos variavam bastante de tamanho. Provavelmente não foi planejado um loteamento no entorno da Estação e as ocupações teriam sido autorizadas na medida da necessidade de acomodar os operários da construção da ferrovia e os prestadores dos serviços essenciais.

Empregados da Estrada de Ferro

Como não podia deixar de ser, entre os ocupantes dos terrenos próximos à Estação do Recreio encontravam-se alguns empregados da empresa concessionária. Entre eles, CANDIDO NEVES foi o primeiro a assinar a escritura de aforamento de 191 metros quadrados. Era o dia 8 de abril de 1885, mesma data em que outras escrituras de aforamento estavam sendo registradas pelo escrivão do Cartório de Notas de Conceição da Boa Vista.O terreno ocupado por Candido Neves, com autorização dos proprietários-outorgantes, tinha “19 metros e um decimetro de frente” e nele existia uma casa assoalhada e coberta de telhas, com duas portas e uma janela para os fundos, confrontando pela direita e esquerda com outras casas dos outorgantes, e na frente com uma pequena rua junto da Estação da Estrada de Ferro da Leopoldina. Nos fundos da casa ocupada por Candido Neves passavam os trilhos da linha férrea Alto Muriahé.