Peter Burke: trajetória de um historiador

Por José d’Assunção Barros
Resumo. Este artigo busca elaborar uma visão panorâmica sobre a obra de um dos historiadores estrangeiros mais conhecidos no Brasil em função de sua produção editorial praticamente traduzida para o idioma português em sua totalidade: Peter Burke. Examinaremos sua obra desde os estudos acerca do Renascimento e das Monarquias Absolutas até a sua importante contribuição referente à análise historiográfica. A interdisciplinaridade é apontada como uma das grandes características da produção historiográfica de Peter Burke, refletindo-se nas diversas fases de sua obra.

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Livros importantes para um Historiador

Em agosto de 2010 Fabricio Leal de Souza publicou o resultado de uma pesquisa realizada com os leitores de seu blog sobre os livros indispensáveis na vida de um historiador.

1º. Apologia da História (Marc Bloch)

2º. Raízes do Brasil (Sérgio Buarque de Holanda)

3º. Casa-Grande & Senzala (Gilberto Freyre)

4º. Era dos Extremos (Eric Hobsbawm)

5º. História e Memória (Jacques Le Goff )

6º. Formação do Brasil Contemporâneo (Caio Prado Júnior) e O Queijo e os Vermes (Carlo Ginzburg)

7º. Domínios da História (Ciro Flamarion Cardoso)

8º. Mitos, Emblemas, Sinais (Carlo Ginzburg)

9º. A Escrita da História (Peter Burke), A Ideologia Alemã (Friedrich Engels), O Capital (Karl Marx) e Como se escreve a História (Paul Veyne)

10º. A Escola dos Annales (Peter Burke), A Escrita da História (Michel de Certeau), O Príncipe (Nicolau Maquiavel) e Passagens da Antiguidade para o Feudalismo (Perry Anderson)

Ainda que alguém discorde da ordem de preferência dos leitores do Fabrício, não se pode negar o valor das obras mais votadas.

 

Temos um Passado

Embora  o título não seja dos melhores, um texto de Jim Sharpe merece ser lido por todos aqueles que se interessam pelo resgate da história dos habitantes comuns de todas os lugares. Sob o título “A História vista de Baixo”, que preferiríamos substituir por A História das Pessoas Comuns como era denominada por Eric Hobsbawm, o texto de Sharpe foi incluído na coletânea A Escrita da História Novas Perspectivas, organizada por Peter Burke e publicada pela Editora Unesp em 1992.
Pensando naqueles imigrantes que viveram em Leopoldina, e cuja trajetória ainda não mereceu o devido respeito por parte dos leopoldinenses, deixamos as frases finais de Sharpe para reflexão de nossos leitores.
“A história vista de baixo ajuda a convencer aqueles de nós nascidos sem colheres de prata em nossas bocas, de que temos um passado, de que viemos de algum lugar. Mas também, com o passar dos anos, vai desempenhar um importante papel, ajudando a corrigir e a ampliar aquela história política da corrente principal que é ainda o cânone aceito nos estudos históricos britânicos.”