Há 100 anos

Em junho de 1919, nasceram em Leopoldina

Dia 3 jun:

Dinalda Rezende Montes e Pedro Machado Vargas

Dia 6 jun:

Climeria Gouvêa e Sebastiana Nogueira da Silva

Dia 24 jun:

Honorio Fofano, Ignacia Pardal e Maximiano Sangirolami

Dia 26 jun:

Joaquim Machado

Dia 28 jun:

Geraldo Zulian

Descendentes de José Gomes Pardal Júnior

Atualização da genealogia da família Pardal, publicada pela primeira vez em abril de 2009.

Primeira geração
  1. José Gomes Pardal Júnior

José casou com Mariana Tereza de Jesus.

Filhos deste casamento:

+         2   M       i.          Manoel Gomes Pardal

+         3   M      ii.          André Gomes Pardal nasceu cerca de 1855 em Trás os Montes, Portugal,1 e faleceu a 12 Mar 1930 em Porciúncula, RJ.2

Segunda geração (Filhos)
  1. Manoel Gomes Pardal (José Gomes Júnior 1)

Manoel casou com Maria Ilidia de Rezende, filha de José de Rezende Barbosa e Mariana Rita de Jesus.

Filhos deste casamento:

+         4   F        i.          Maria Eliza Gomes nasceu cerca de 1893 em Leopoldina, MG.3

5   M      ii.          Avelino Pardal nasceu a 23 Out 1899 em Leopoldina, MG.4

6   F      iii.          Roza Pardal nasceu a 5 Set 1902 em Leopoldina, MG,5 e faleceu a 6 Dez 1902 em Leopoldina, MG.6

7   F      iv.          Izabel Pardal nasceu a 23 Fev 1906 em Leopoldina, MG.7

8   F       v.          Mariana Pardal nasceu a 5 Ago 1908 em Leopoldina, MG.8

9   M    vi.          Francisco Xavier nasceu a 13 Dez 1910 em Leopoldina, MG,9 e faleceu a 9 Dez 1911 em Leopoldina, MG.10

10   F     vii.          Almerinda Pardal nasceu a 31 Dez 1910 em Leopoldina, MG,11 e faleceu a 3 Ago 1913 em Leopoldina, MG.12

11   F    viii.          Ignacia Pardal

  1. André Gomes Pardal (José Gomes Júnior 1) nasceu cerca de 1855 em Trás os Montes, Portugal,1e faleceu a 12 Mar 1930 em Porciúncula, RJ.2

André casou com Perpétua Maria Pardal, filha de José Gomes da Cruz e Helena Maria. Perpétua nasceu cerca de 1851 em Trás os Montes, Portugal,1 e faleceu em 1929.1

Filhos deste casamento:

12   F        i.          Maria Gomes Pardal nasceu antes de 1892 em Trás os Montes, Portugal.1

+       13   M      ii.          Manoel Gomes Pardal sobrinho nasceu em Porciúncula, RJ,1 e faleceu em Mimoso do Sul, ES.1

14   F      iii.          Perpétua Gomes Pardal

15   M    iv.          Afonso Gomes Pardal nasceu em 1894 em Porciúncula, RJ.1

Terceira geração (Netos)
  1. Maria Eliza Gomes (Manoel Gomes 2, José Gomes Júnior 1) nasceu cerca de 1893 em Leopoldina, MG.3

Maria casou com Frederico Cintra Rodrigues da Costa, filho de Alexandre Herculano Rodrigues da Costa e Francisca Cintra da Costa,  a 7 Jun 1910 em Leopoldina, MG.3 Frederico nasceu cerca de 1889 em Leopoldina, MG.3

Filho/a deste casamento:

16   M       i.          Ubirajara nasceu a 8 Jun 1915 em Leopoldina, MG.13

  1. Manoel Gomes Pardal sobrinho (André Gomes 2, José Gomes Júnior 1) nasceu em Porciúncula, RJ,1e faleceu em Mimoso do Sul, ES.1

Manoel casou com Maria Joana da Silva, filha de Valdevino Cezario da Silva e Raymunda Joana. Maria nasceu a 28 Out 1893.14

Filho/a deste casamento:

17   F        i.          Nair Pardal

 

Citações de fontes
  1. Informações prestadas por Colaboradores, José Luiz Pardal
  2. Informações prestadas por Colaboradores, Luís Salvador Poldi Guimarães.
  3. Arquivo da Diocese de Leopoldina, lv 5 cas fls 91 termo 38.
  4. Arquivo da Diocese de Leopoldina, lv 08 bat fls 46v termo 41.
  5. Arquivo da Diocese de Leopoldina, lv 09 bat fls 93 termo 354.
  6. Cemitério Nossa Senhora do Carmo, Leopoldina, MG, lv 1 1896-1903 fls 39 reg 11652.
  7. Arquivo da Diocese de Leopoldina, lv 11 bat fls 30 termo 109.
  8. Arquivo da Diocese de Leopoldina, lv 12 bat fls 16 termo 245.
  9. Arquivo da Diocese de Leopoldina, lv 13 bat fls 23 termo 27.
  10. Cemitério Nossa Senhora do Carmo, Leopoldina, MG, lv 2 fls 37 plano 3 sep 786.
  11. Arquivo da Diocese de Leopoldina, lv 13 bat fls 90v termo 11.
  12. Cemitério Nossa Senhora do Carmo, Leopoldina, MG, lv 2 fls 53 sep 497.
  13. Arquivo da Diocese de Leopoldina, lv 15 bat fls 90v termo 358.
  14. Informações prestadas por Colaboradores, Daniela Pardal

Há 100 anos

Em maio de 1919, nasceram em Leopoldina

Dia 3 mai:

Maria das Dores

Dia 8 mai:

Zina Zamagna

Dia 18 mai:

Dinorah Tavares Machado e Sebastião Bolzoni

Dia 24 mai:

Francisca Bartoli

Dia 25 mai:

Abigail Dutra

Dia 26 mai:

Elza

Dia 27 mai:

Dalvina

Dia 30 mai:

Augusto Fontanella

123 – Fontes das Informações

Resgatar a história da cidade e, por via de consequência, a Imigração Italiana em Leopoldina, tem sido um trabalho prazeroso. Principalmente quando se olha para o conhecimento sobre a população leopoldinense que se conseguiu ordenar e disponibilizar para pessoas que quase nada sabiam sobre o passado da cidade e das famílias que aqui se instalaram.

Mas hoje o Trem de História quer fazer um registro importante. Quer deixar claro que é reconhecida a impossibilidade de se retratar fielmente todo o passado, uma vez que, por mais que se controle a análise dos documentos, ela é sempre orientada pelo presente, ou seja, pela interpretação que o pesquisador é capaz de fazer dos vestígios que consegue recuperar. Está sempre sujeita a novas descobertas e interpretações.

Como recorda o mestre francês Marc Bloch[1], “o conhecimento do passado é uma coisa em progresso, que incessantemente se transforma e aperfeiçoa”.

Através de pistas fornecidas pelos colaboradores, foi possível fazer uma comparação entre as citações encontradas nas fontes. Inclusive, e isto é de enorme importância, entrevistas indicaram caminhos para se identificar transformações sofridas por grande número de sobrenomes.

Nunca será excessivo mencionar dois exemplos clássicos encontrados nos documentos pesquisados. Num deles, um italiano aparece no registro de estrangeiros com o nome de Severino Terceira, nome que dificilmente seria original. O outro exemplo é o de Sancio Maiello que noutras fontes se transformou em Francisco Ismael.

Além disso, nos últimos oito anos foi possível ter acesso a documentos italianos que apresentam grafia diferente para nomes e sobrenomes registrados em outras fontes também produzidas no país de origem do imigrante, confirmando que a divergência de grafia existiu tanto lá quanto cá.

De qualquer forma, permanece em vigor a determinação metodológica, do início da pesquisa, de utilizar a grafia encontrada na fonte mais antiga e estendê-la a todos os membros do grupo familiar. Isto se deve à total impossibilidade de manter todas as variações num universo tão amplo de pessoas. Afinal, o trabalho intenta abordar os imigrantes que chegaram a Leopoldina entre 1860 e 1930, identificados nas fontes disponíveis.

É certo que não foram poucos os casos em que um mesmo personagem apareceu com diversas formas de nomes. E somente após inúmeras comparações foi possível reuní-los sob um único sobrenome. Provavelmente mais ainda o serão, quando outros estudiosos se dedicarem ao assunto.

Por outro lado, muitos leitores se surpreendem com algumas ocorrências frequentes. Na maioria das vezes resultado do anacronismo, ou seja, de se olhar o passado sob a ótica atual. As pessoas não compreendem que o registro civil, seja de nascimento, casamento ou óbito, não é a melhor fonte para o período estudado. Há inúmeros casos em que a data de nascimento no registro civil é posterior à data do batismo, como se fosse possível batizar a criança no ventre da mãe ou até mesmo antes de ser gerada. Diversos, também, são os casos de casamento civil muitos anos após o nascimento dos filhos, como se os pais fossem solteiros. E pessoas se manifestam de forma pouco cortês quando não encontram o registro de óbito no cartório da localidade onde ocorreu a morte.

Mas há justificativas para os três casos, como se verá.

Sobre o registro civil de nascimento, basta lembrar que até fevereiro de 1931 havia cobrança de multa por atraso. É fácil concluir que, para evitar o pagamento da multa, era comum alterar a data do nascimento.

Com o Decreto Lei 1.116, de 24 de fevereiro de 1931, ficou estabelecido em seu Art. 1º que “Os nascimentos ocorridos no país desde 1º de janeiro de 1879 e não registados no tempo próprio deverão ser levados a registo até 31 de dezembro do corrente ano”.

Este decreto esclarece, de uma só vez, duas situações. A primeira, que o registro civil no Brasil não foi implantado com a República. E que os registros realizados a partir deste normativo poderiam conter enganos de data e local, já que eram feitos com base em informações orais.

Quanto ao casamento, foi observado que o registro civil acontecia nos casos em que os noivos residiam próximo ao cartório ou, em casos menos frequentes, quando o oficial se deslocava até alguma fazenda e ali registrava vários eventos no mesmo momento.

Há, ainda, relatos de que os trabalhadores não podiam arcar com os custos cobrados pelos cartórios, o que também justificaria a inexistência ou demora no registro.

Já para a falta de registro de óbito, diversos oficiais de cartório informam a ausência deles para um período relativamente longo. Há várias explicações possíveis, entre elas as mortes e sepultamentos ocorridos longe das áreas urbanas.

De todo modo, e ainda reforçando a metodologia definida desde o início da pesquisa, foi dada prioridade aos assentos paroquiais relativos a eventos ocorridos no Brasil. Para os italianos, sempre que possível se recorreu aos Archivi di Stato, instituições que guardam os registros de nascimento, casamento e óbito em solo italiano, entre outros documentos.

E que fique claro: nenhuma das distorções justificaria abandonar a ideia de continuar com o resgate da história.

Por hoje o Trem de História fica por aqui. Na próxima edição ele trará algumas informações sobre a movimentação dos imigrantes dentro de Leopoldina e, também, para fora dela. Até lá!


Nota 1: BLOCH, Marc Leopold Benjamin. Apologia da História. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001. p.75

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 376 no jornal Leopoldinense de 16 de março de 2019

 

109 anos da Colônia Agrícola da Constança

Ontem recebemos mensagem de um visitante do site perguntando sobre o Informativo Contagem Regressiva.

Foram 12 números de um boletim que publicamos entre 5 de junho de 2009 e 16 de abril de 2010. Trazia o resumo das atividades preparatórias para o Centenário da Colônia Agrícola da Constança e notícias do evento comemorativo realizado nos dias 10 e 11 de abril de 2010.

Hoje, quando se completam 109 anos da criação daquele núcleo colonial, respondemos publicamente ao nosso leitor para informar que há dois anos a Associação Comercial, Industrial, Agropecuária e Serviços de Leopoldina vem comemorando o Dia Nacional do Imigrante Italiano, em 21 de fevereiro. As comemorações organizadas pela ACIL abrangem não só a Colônia Agrícola da Constança mas todos os imigrantes italianos que viveram no município de Leopoldina.

E nós iniciamos, em fevereiro deste 2019, outra série de artigos com atualizações obtidas em pesquisas realizadas após o evento do Centenário. Os textos são publicados quinzenalmente em nossa coluna no jornal Leopoldinense, no site do jornal e também aqui no blog.

A primeira edição da pesquisa está disponível abaixo.

 

122 – Relembrando a pesquisa publicada em 2010

Em diversas viagens do Trem de História, na série de artigos que lembraram o Centenário da Colônia Agrícola da Constança em 2010, foi ressaltado um ensinamento do teórico francês Jacques Le Goff a respeito das duas formas de alimentar a memória: os monumentos e os documentos. Ensinou ele que monumento é o que pode evocar o passado e permitir a recordação do vivido, como estátuas, construções e documentos.

Na viagem atual será abordado, segundo os ensinamentos daquele autor, um tipo de “documento de memória” formado pela “escrita da história local”. Reúne o conhecimento que se obteve sobre o assunto até o momento em que foi escrito. E poderá ser sempre enriquecido com novas pesquisas, especialmente pelo olhar de outros pesquisadores que vierem se debruçar sobre o mesmo assunto.

É um documento que se iniciou pela pesquisa, ou seja, pela consulta de documentos de onde se extraíram dados que foram analisados à luz de outras fontes para então constituir a base sobre a qual foi realizada a escrita, como ocorreu com o resgate da história da Imigração Italiana em Leopoldina.

Durante anos os autores reuniram dados e escreveram sobre o assunto. Em abril de 2010, por ocasião das comemorações do Centenário da Colônia Agrícola da Constança, o jornal Leopoldinense publicou um resumo histórico sobre aquela instituição, composto por alguns dos textos publicados entre 1998 e aquela data na imprensa local. Simultaneamente, os autores publicaram uma edição virtual de toda a pesquisa e suas conclusões.

Criou-se, portanto, um ‘documento de memória’ que começa, agora, a ser revisado. Porque o tempo decorrido, as pesquisas que se sucederam e outros fatores determinaram a necessidade de tal revisão.

Um aspecto importante a ser destacado é que a pesquisa começou num tempo em que ainda não existiam as novas tecnologias de reprodução da informação, obrigando o pesquisador a copiar, manualmente, os dados encontrados nas fontes pertencentes aos acervos dos diversos centros de documentação visitados.

No decorrer da década de 1990, com o surgimento de novos meios de reprodução, algumas instituições passaram a fornecer cópias que permitiram a primeira revisão ou a conferência do que se tinha obtido até então.

Na mesma década, com o início do acesso comercial à rede mundial de computadores, tornou-se mais rápido solicitar documentos dos países de origem dos imigrantes. Entretanto, a popularização do acesso demorou ainda algum tempo e até o final do projeto, em 2010, muitas instituições nacionais e estrangeiras ainda não estavam aptas a atender aos pedidos. Nos anos seguintes, muito mais se obteve, seja remotamente ou pela aquisição de cópias digitais diretamente nos locais detentores dos acervos.

Outro fator a ser considerado é que, em 1997, quando a rede mundial de computadores era muito pouco conhecida e utilizada no Brasil, os autores publicaram o primeiro site dedicado a divulgar suas pesquisas sobre a história de Leopoldina. Com a popularização da rede, já em meados da década passada, descendentes dos imigrantes que viveram em Leopoldina começaram a entrar em contato através do site. A visitação e os contatos aumentaram sensivelmente após a publicação da mencionada edição de 2010. Portanto, nos últimos oito anos houve aumento substancial de indicadores que levaram a novas buscas com muitas confirmações do que já se sabia, mas também com algumas alterações importantes.

O objetivo desta revisão é, pois, acrescentar informações ao que foi publicado nos últimos vinte anos e apresentar novas descobertas. Além de recordar a Colônia Agrícola da Constança, cuja fundação completará 110 anos em 2020, será feita, também, uma ampliação do período de análise da imigração italiana em Leopoldina.

No trabalho anterior, o recorte temporal foi de 1880 a 1930. Agora, as novas descobertas obrigam a retroceder com a data de início acrescentando 20 anos ao recorte temporal, em virtude da identificação de imigrantes italianos chegados à Leopoldina na década de 1860, ano que se torna, assim, o marco inicial da pesquisa cujo término permaneceu em 1930.

Diante desta mudança, os 130 anos da Imigração Italiana em Leopoldina, comemorados em 2010, necessariamente serão corrigidos para 160 anos em 2020.

Mas antes de se embrenhar por estes caminhos, o Trem de História faz uma parada para reabastecimento antes de retomar a viagem, na próxima edição, com nova bagagem. Aguardem!


Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 375 no jornal Leopoldinense de 1 de março de 2019

Há 100 anos

Em abril de 1919, nasceram em Leopoldina

Dia 2 abr

Avelina Bartoli

Dia 8 abr

Olivia Ermini

Dia 12 abr

Maria de Lourdes da BellaDia 13 abr

José Ricardo Bartoli

Dia 15 abr

Humberto Vossoli

Dia 16 abr

Alberto Dorigo  e Odaleia

Dia 19 abr

Olga Almeida

Dia 21 abr

José Ferreira

Dia 22 abr

Nadyr

Dia 26 abr

José

Dia 28 abr

Antonio

 

 

 

121 – Imigrantes Italianos em Leopoldina – O início do estudo

Hoje o Trem de História inicia uma nova viagem, em cuja estação de embarque são recolhidas informações publicadas pelos autores nos últimos vinte anos, as quais servirão de guia para uma nova série de artigos.

Sabe-se que pesquisar é buscar resposta para uma questão que surge no contato com um tema. De modo geral, o processo tem início quando, ao procurar conhecimento sobre um assunto, o leitor se sente atraído por um aspecto não abordado nas obras disponíveis. No caso de pesquisas historiográficas relativas ao resgate da memória de uma cidade, como é o caso deste trabalho sobre a imigração em Leopoldina, isto se torna mais claro por não sido encontrada uma fonte suficiente para esclarecer o assunto.

A convivência com descendentes de naturais de outros países que aqui se estabeleceram desde o século XIX, acrescida mais tarde da pesquisa em fontes documentais, da leitura de obras sobre o tema e de entrevistas com descendentes e especialistas, resultou numa parceria que vem produzindo diversos trabalhos, seja para publicar no jornal da cidade ou para apresentação em seminários.

Um deles foi “A Imigração em Leopoldina vista através dos Assentos Paroquiais de Matrimônio”, cuja primeira versão data de 1999. Nele ficou demonstrado que 10% dos noivos que se casaram em Leopoldina no período de 1890 a 1930 eram imigrantes, sendo 9% italianos e os demais vieram de Portugal, Espanha, Síria, Açores, França, Ilhas Canárias e Egito.

Registre-se que, num primeiro momento, parte destes casais ficou sem definição do país de origem. Mais tarde, através de assentos paroquiais de batismo, foi acrescentada a origem germânica de alguns casais que aqui viviam no período.

Naturalmente, uma questão se impôs logo no início da pesquisa: quem eram aqueles imigrantes? Questão que se tornou a justificativa primeira para realizar a busca delineada.

Embora o senso comum reconheça que o centro urbano é habitado por grande número de descendentes de italianos, eram desconhecidas iniciativas de valorização de tal comunidade. A exceção era a representação anual na Feira da Paz, evento dos clubes de serviço com atividades festivas de congraçamento.

Assim, logo se viu que a busca por informações se mostrava infrutífera, já que as pessoas consultadas nada sabiam sobre a chegada dos primeiros imigrantes nem sobre a trajetória das famílias. Mas para quem já se dedicava há tantos anos a buscar conhecimento sobre Leopoldina, uma certeza já se fixara ali.

Sabia-se que a ordenação de informações resultaria em benefício para os moradores, na medida em que conhecer a própria origem dá ao ser humano a oportunidade de reconhecer-se no tempo e no espaço, realimentando sua própria identidade e abrindo um novo olhar para o mundo.

Sendo assim, ficou decidido que seria feita uma análise daquela sociedade a partir de um de seus elementos constitutivos – os imigrantes, com o objetivo de oferecer aos conterrâneos uma informação cultural até então pouco discutida, qual seja o reconhecimento da presença dos descendentes em todas as atividades locais.

Ao ser esboçado o projeto, foi feito um levantamento das fontes passíveis de serem consultadas. Decidiu-se que os dados obtidos no levantamento dos livros paroquiais seriam comparados com os registros de entrada de estrangeiros; processos de registro dos que viviam no município por ocasião do Decreto 3010 de 1938 [1]; livros de sepultamento; pagamento de impostos e tributos municipais; escrituras de compra e venda de imóveis; e notícias na imprensa periódica.

Como se sabe, é fundamental estabelecer um recorte temporal para tornar viável o empreendimento, bem como o objetivo da pesquisa. No caso em pauta, por ser um primeiro trabalho sobre o universo estudado, era aconselhável restringir também o número de pessoas a serem estudadas. Entretanto, levantou-se a hipótese de variações em torno da lista de nomes identificados nos livros paroquiais. E em razão disto ficou estabelecido que seriam acrescentados os nomes que surgissem nos demais documentos disponíveis e que a citação em mais de uma fonte seria tomada como base para o reconhecimento do imigrante como residente em Leopoldina. Determinou-se, a partir daí, que o período de análise corresponderia à segunda fase da história de Leopoldina, o que se verá nos artigos seguintes.

Por hoje, com os cumprimentos às centenas de descendentes de italianos que vivem em Leopoldina, pela passagem do Dia Nacional do Imigrante Italiano no próximo dia 21, o Trem de História dá uma parada para embarque da carga que seguirá viagem na próxima edição do jornal. Até lá!


Nota 1 – Este Decreto, promulgado por Getúlio Vargas, determinava que todo imigrante residente em território nacional deveria preencher um requerimento a ser encaminhando para controle pelo Departamento de Polícia Marítima, Aérea e de Fronteiras, com dados de identificação pessoal e de sua imigração.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 374 no jornal Leopoldinense de 16 de fevereiro de 2019

120 – Outros olhares sobre Manoel Funchal Garcia

Hoje o Trem de História encerra a série sobre o leopoldinense Funchal Garcia. Propositadamente em fevereiro de 2019 para marcar os 130 anos de nascimento desse conterrâneo. Personagem que soube, como poucos, escrever e pintar sobre o que viu, como atestam os artigos anteriores e as várias notas dos jornais a seguir selecionados.

Correio Paulistano[1]:

“O pintor leopoldinense Manuel Funchal Garcia inaugurou no saguão do Theatro Alencar uma exposição dos seus quadros. A exposição consta de 26 quadros, inclusive dois de Raul Pederneiras e dois de Paulo James, inteligente caricaturista, também nosso conterrâneo, que muito se tem distinguido no Rio, como collaborador de diversas revistas. Dos 26 quadros de Manoel Funchal, mais de 10 já foram adquiridos”.

O Paiz[2]:

“Exposição de quadros – Foi encerrada a exposição de quadros, do intelligente pintor Manoel Funchal Garcia, nosso estimado conterrâneo. Foi um verdadeiro sucesso”.

A Época[3]:

“Funchal Garcia – O talentoso e inspirado artista, que é o jovem pintor Funchal Garcia, acha-se nesta cidade, em excursão artística. Funchal, que ainda há pouco, realizou aqui uma bela exposição dos seus quadros, reveladores de um espirito superiormente educado, está organizando uma nova collecção de suas obras, com as quaes pretende conquistar o premio de viagem de estudos ao Velho Continuente, por conta do Estado”.

O Globo [4] destacou a Menção Honrosa recebida por Manoel Funchal Garcia no XXXVII Exposição Geral de Belas Artes, em 1930.

O Radical [5]:

“Funchal Garcia contou-me, há tempos, o seguinte caso. – Muitos quadros, poucos compradores. Eu preciso offerecel-os para vencer a situação financeira difícil de atravessar. Fui procurar o sr. Ribeiro Junqueira que prometeu adquirir um deles. Sorte! Tudo combinado, excepto o preço. O pintor sabia a tradição de parcimônia do titular da Republica. Pedir o valor real do quadro seria fazer fracassar a transacção.

– Quanto é?

– Oitocentos mil réis, senador!

– Você enlouqueceu, menino. Com este dinheiro eu compro uma vacca.

O artista concordou irônico: – Faz muito bem. Compre o animal e dependure na parede!”

A Noite [6]:

“Notícia de exposição organizada por Thomaz J. Wasson, de 30 de maio a 21 de julho no Rio, depois em São Paulo e Buenos Aires, composta por “93 quadros dos mais famosos pintores de  todas as partes do mundo, e de 150 gravuras”.  Funchal Garcia é um dos artistas brasileiros incluídos na exposição”.

Diário da Noite[7]:

“Homenagem ao Professor Funchal Garcia, o professor Luiz A. P. Victoria faz grandes elogios a Funchal. Chama-o de “poeta do pincel. Sente com a alma o que o pincel espalha na tela. […] Nascido no velho e aristocrático município de Leopoldina, não teve a fortuna a bafejar-lhe o berço. Todavia, a sorte não lhe foi de todo madrasta. Dotou-o de uma sensibilidade fina e de um gosto requintado. […] Funchal é um produto da força de vontade. Ainda criança, quase entregue a sua sorte, oferecia-se para trabalhar em circos. Conseguindo vir para a capital, cursou a Escola de Belas Artes. Granjeou logo amigos entre os mestres que viam nele um espirito de eleição. Voltando para o interior fez-se professor. Seu entusiasmo pelo belo não encontrava todavia correspondência. Insulava-se, então, na sua arte. […] Funchal Garcia é um pintor emotivo. Seus quadros teem alma e colorido.”

O Jornal[8]:

“Como já noticiamos, no Museu Nacional de Belas Artes, tem se realizado reuniões dos componentes dos diversos juris do “Salão” de 1944. Hoje, no entanto, podemos informar que da Divisão Geral, dos 411 trabalhos apresentados 69 foram aceitos e 342 recusados. Entre os trabalhos aceitos encontram-se nomes de […] Funchal Garcia – Na saída do capoeirão”.

O Dia, jornal paranaense[9]:

“Funchal Garcia é um pintor que merece palmas. Ninguém ama mais, sente mais encanto pela terra mater que esse paisagista de recursos amplos, de inspiração sadia e superior. Professor de dezenho de um estabelecimento de ensino, Funchal, que é tambem novelista de mérito, sempre que dispe de tempo toma o caminho das florestas, dos morros, das montanhas, a fim de colher com seu pincel tudo quanto de impressionante oferece a nossa exuberante e portentosa natureza.

Segundo Paulo Mercadante[10], Funchal Garcia

“pincelava a exuberância da natureza, a graça dos “flamboyants”. […] O brado tropical, irrompendo nas margens dos riachos, crescia com força não sufocada. Um modo de ser bandeirante, que de pincel e tela, procurava o trecho de beleza escondida. Alcançando as colinas, com os barrancos já feridos pela erosão, a perspectiva era ampla e iluminada”.

Muito mais se teria para falar sobre Funchal Garcia. A limitação de espaço, porém, indica o fim do trajeto. Na próxima edição, novo assunto será abordado.  Até lá!


Fontes consultadas;

1 – Correio Paulistano (São Paulo, SP) 07.11.1913, ed. 18068 p. 3 coluna 2, Notícia do Correio de Minas sob o título ‘Leopoldina Arte’

2 – O Paiz (Rio de Janeiro, RJ) 11.11.1913, ed 10627, p. 8 coluna 5, Notícia de Leopoldina

3 – A Época (Rio de Janeiro, RJ) 06.05.1914, ed 620, p. 4 coluna 5. Notícia de Cataguazes

4 – O Globo (Rio de Janeiro, RJ), 28.08.1930, p. 2

5 – O Radical (Rio de Janeiro, RJ) 04.11.1937, ed 1705, p. 2 coluna 6

6 – A Noite (Rio de Janeiro, RJ) 10.05.1941, ed 10503, p. 3 coluna 6, ‘Tres séculos de gravura nos Estados Unidos e Arte Contemporanea no Hemisferio Ocidental’

7 – Diário da Noite (Rio de Janeiro, RJ) 16.09.1943, ed 3879, p. 3 coluna 1, ‘A Arte e o Artista’

8 – O Jornal (Rio de Janeiro, RJ) 20.09.1944, ed 7485, 2ª seção p. 1 coluna 4 ‘O Salão de 1944’

9 – O Dia (Curitiba, PR) 05.09.1944, ed 6462, p. 4 coluna 8, ‘Quatro Notas de Arte’

10 – MERCADANTE, Paulo. Crônica de uma comunidade cafeeira: Carangola, o vale e o rio. Belo Horizonte: Itatiaia, 1990. p.106

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 373 no jornal Leopoldinense de 1 de fevereiro de 2019

Há 100 anos

Em março de 1919, nasceram em Leopoldina

Dia 5

Geni Cabral

Dia 10

Pedro Santos

Dia 12

Joaquim

Dia 14

Osvaldo de Almeida

Dia 15

Antonio Carraro

Dia 17

Paschoal Schettino

Dia 25

Amabile Bonin

Dia 27

Sebastião

Dia 31

Maria Assunta Lupatini

31 mar 1919