De onde vem o hábito da refeição composta de arroz, feijão e carne?

Parece que nossos antepassados italianos já estavam acostumados a tal dieta. Pelo menos é o que demonstra o cardápio dos vapores que traziam imigrantes italianos no final do século XIX. Segundo o Regulamento da Marinha Mercante italiana, cada passageiro deveria receber:

– 700 gramas de pão branco fresco ou 500 gramas de biscoito de 1ª qualidade diariamente;
– 250 gramas de carne fresca ou salgada, 5 dias por semana, acompanhada de 80 gramas de arroz e 50 gramas de ervilha ou feijão;
ou, nos dias em que a carne não fosse servida:
– 80 gramas de massa, 160 gramas de filé de peixe, 150 gramas de batata, 50 gramas de queijo e 20 gramas de salada de anchova ou pimentão ao azeite e pepino.

Além disso, cada passageiro deveria receber diariamente:
– 20 gramas de Café de 2ª qualidade;
– 30 gramas de Açúcar branco de 3ª qualidade;
– 10 gramas de Azeite de Oliva;
– 20 gramas de Sal;
– ½ livro de Vinho.

No rodapé do cardápio informa-se que, nos trópicos, o passageiro deveria receber 60 mililitros de aguardente.

Fonte: manifesto do vapor Provence, que aportou no Rio em novembro de 1890

Rifugio di Memorie

A revista Comunità Italiana, edição nº 145 do mês de Julho de 2010, publicou matéria sobre a Colônia Agrícola da Constança. Veja em Rifugio di Memorie.

 

Estações Ferroviárias

Saber onde se localiza uma estação ferroviária é importante para quem pesquisa a imigração no final do século XIX. Algumas vezes temos recebido consultas de leitores querendo saber quando determinada pessoa foi de um lugar para outro mas achando que cada município contava com apenas uma estação. Um destes casos se refere à estação Campestre que o remetente indica como sendo um município mineiro. Outro acredita que tal ponto da ferrovia estava localizado em Ubá.
Para tentar esclarecer, eis um extrato de notícia publicada no jornal O Mediador, de Leopoldina, na edição número 39 de 09.08.1896, página 1
Após seis annos de trabalho em que sua vontade tenaz e energica a tudo venceu, teve o sr. Coronel Antonio Ignacio Monteiro Galvão de S. Martinho a gloria de vêr inaugurada a Estação do Campestre, no dia 31 do mês passado.
Construída a expensas proprias ella constitue um bello exemplo de patriotismo que oxalá encontre muitos imitadores!
Trata-se da estação do atual povoado de São Martinho, distrito de Providência, município de Leopoldina.

Mudança de Nomes

Assunto recorrente entre os leitores, a formação dos nomes volta a ser motivo de comentários. Agora são descendentes de imigrantes que se mostram revoltados com as modificações, obrigando-os a procurarem advogados para darem andamento ao processo de retificação. Pedimos, antes de mais nada, que voltem seus olhares ao sistema vigente no final do século XIX e busquem compreender que a prática era diferente. Abstemo-nos de criticar tais situações por consideramos que um olhar anacrônico nos afasta da realidade de cada momento.

Como exemplo, apresentamos dois casos extraídos de antigos jornais, mantendo a grafia original.

Anúncio no jornal O Leopoldinense, edição nr. 51 de 07.11.1880, página 3

Cataguazes – Faço sciente ao respeitavel publico, que encontrando neste lugar pessoa de igual nome ao meu, deixo de Assignar-me Antonio Loureiro e Antonio Carvalho, e tomo o nome de Antonio Somoncalho. 

No mesmo jornal, edição número 11 de 01.02.1891, página 1

João Felismino Gomes, rezidente no Districto do Tapirussú, declara para os devidos effeitos, que desta dacta em diante passa a assignar-se João Gomes Jardim.
João Gomes Jardim
Testemunhas: Manoel Antonio da Motta Junior, Miguel de Me[?]
 

 

Quem não é de sua terra não é de lugar nenhum

Convite para exposição de pinturas de Elias Fajardo e lançamento de seu livro.

 

O Povo também tem Ancestrais

Uma releitura de História da Vida Privada, na França, trouxe à lembrança dois autores que valorizam as histórias de família como instrumentos de educação e cidadania.
Georg Sand, aclamada escritora francesa do século XIX, em História de Minha Vida conclama as classes populares a seguirem-lhe o exemplo, registrando suas histórias pessoais. Justificou dizendo que “o povo tem ancestrais tanto quanto os reis” e que a transmissão de informações sobre os antepassados seria uma forma de ampliar a visão de mundo das gerações subsequentes.
Já para Condorcet, grande pensador francês do final do século anterior, o aperfeiçoamento humano pode ser alcançado pela educação. Segundo ele, registrar a trajetória da própria família é um momento rico em reflexões e por esta razão defendia que fossem escritas as histórias da massa e não mais apenas das elites.
Estas posições parecem combinar com algumas mensagens que temos recebido dos leitores, a partir do momento em que divulgamos a atualização das genealogias de famílias povoadoras de Leopoldina. Uma delas declara que não imaginava ter raízes tão profundas no município e que não sabia nem mesmo os nomes de seus bisavós. Um outro leitor, que também manifesta satisfação com a descoberta, pede-nos que escreva a história de sua família.
Queremos publicamente dizer a estes leitores, como a todos os outros, que é uma satisfação saber que nosso trabalho foi útil. Entretanto, da mesma forma como utilizamos o levantamento de dados familiares para compreender aspectos variados da vida em Leopoldina, acreditamos que cada um possa se basear na composição de seus grupos para buscar outras informações, contextualizar fatos isolados e reconhecer-se como parte de uma sociedade mais ampla, para além de seus parentes próximos.
Nem todos podem se dedicar à busca de dados para começar a escrever. Contudo, ainda que nosso trabalho não seja tão extensivo quanto gostaríamos, esperamos que as informações básicas que recolhemos e publicamos sirvam de incentivo para que cada um escreva o próprio relato.

Tomaz Pereira do Amaral Lisboa

Segunda edição de estudo genealógico da família Amaral Lisboa de Leopoldina.

Genealogia das famílias italianas em Leopoldina

Estamos atualizando nossa base de dados a partir das inúmeras colaborações que recebemos durante o evento de abril passado. Será um processo bastante longo dado o grande número de personagens e de novas informações obtidas. No momento estamos publicando uma atualização da genealogia dos Bartoli e Farinazzo, que inclui outros sobrenomes como Anzolin, Bedin, Carraro etc.

Povoadores de Leopoldina: Almeida, Britos e Netos

Após o evento de abril, quando foi comemorado o Centenário da Colônia Agrícola da Constança e os 130 anos da Imigração Italiana em Leopoldina, muitos internautas entraram em contato pedindo informações sobre antepassados que viveram no município. Muitas destas consultas referiam-se não a imigrantes do final do século XIX, mas a membros das famílias povoadoras. que ali se radicaram a partir da década de 1820. Para atendê-los, foi preparada uma nova atualização dos quadros genealógicos do livro Os Almeidas, os Britos e os Netos em Leopoldina, de Mauro de Almeida Pereira que está disponível no site http://www.cantoni.pro.br

Festa na Capela da Onça

No ano do CENTENÁRIO DA COLÔNIA AGRÍCOLA DA CONSTANÇA e dos 130 ANOS DA IMIGRAÇÃO ITALIANA EM LEOPOLDINA, a Igrejinha de Santo Antônio de Pádua, na Colônia Agrícola da Constança, no bairro da Onça, convida você, sua família e seus amigos para a tradicional festa anual que será realizada no dia 14 de agosto, sábado.
Como se sabe, a data oficial de nascimento de Fernando de Bulhões, mais tarde Santo Antônio de Pádua  ou Santo Antônio de Lisboa, é 15 de agosto de 1195, razão pela qual o Conselho da Capela decidiu transferir a festa de seu Padroeiro.

PROGRAMAÇÃO

17:00 horas – Missa
A partir das 18:00 horas
– Confraternização;
– Barraquinhas (doces, salgados, canjiquinha, caldos e chocolate);

– Leilão;

– Bingo e, 

– Danças.
Local: Pátio da Capela de Santo Antônio de Pádua,
BR-116, km 770, Bairro da Onça, Leopoldina-MG.
Em nome do Conselho da Comunidade da Capela de Santo Antônio, estamos divulgando o convite e esperamos que, assim como no encontro de abril passado, os descendentes e amigos de imigrantes compareçam para mais uma vez homenagear os colonos que ali viveram no início do século passado.