Autoridades do distrito da Piedade

Autoridades distritais empossadas pela Câmara Munnicipal de Leopoldina, conforme códices 32 e 146.

PIEDADE, atual distrito de Piacatuba, município de Leopoldina

Juramento de Posse de Francisco José Barbosa

Antonio Gonçalves de Castro 2º Juiz de Paz 07.01.1881
Antonio Pereira da Silva 4º Juiz de Paz 07.01.1865
Antonio Pinto de Carvalho 1º Juiz de Paz 16.02.1883
Apolinário José de Carvalho Fiscal 11.07.1881
Cândido José Batista 2º suplente de Juiz de Paz 29.01.1867
Domingos Henrique Porto Maia 3º Juiz de Paz 16.02.1883
Domingos Henriques de São Nicácio 2º Juiz de Paz 05.03.1861
Francisco Casemiro da Costa 1º Juiz de Paz 05.03.1861
Francisco José Barbosa

 

4º Juiz de Paz 21.03.1881
Francisco Soares Valente Vieira 3º Juiz de Paz 09.01.1857
2º Juiz de Paz 07.01.1865
2º Juiz de Paz 16.03.1867
João Antonio da Costa Coimbra 1º suplente de Juiz de Paz 29.01.1867
1º Juiz de Paz 07.01.1881
Joaquim Antonio Cardoso 3º Juiz de Paz 20.07.1861
Joaquim Fajardo de Melo 4º Juiz de Paz 16.02.1883
Joaquim Honório de Campos 1º Juiz de Paz 09.01.1857
José Furtado de Mendonça 1º Juiz de Paz 07.01.1865
José Rodrigues de Miranda 3º Juiz de Paz 07.01.1881
Lino João Mendes 4º Juiz de Paz 09.01.1857
Luiz Pereira da Silva 2º Juiz de Paz 09.01.1857
Mariano Henriques Pereira 2º Juiz de Paz 16.02.1883
Vital Inácio de Moraes

 

2º suplente de Juiz de Paz 05.04.1890

Vital Ignacio de Moraes

Piacatuba: evolução administrativa e origem do nome

Entre 1844 e 1851 o povoado, em homenagem a Nossa Senhora da Piedade, abrangia uma vasta região em torno de uma capela filial, curada da Freguesia de São Sebastião do Feijão Crú. Para melhor explicarmos sua evolução, lembremo-nos do significado de cada um dos termos próprios da divisão administrativa, no século dezenove, bem como a sua aplicação.

A Província de Minas Gerais era administrada por um Conselho Geral, presidido pelo Governador da Província, que encaminhava os pedidos de criação de Vilas e Cidades para a Assembléia Geral Legislativa do Império. Aprovado o pedido, era então emitido o Decreto Imperial que sancionava a criação, estabelecendo que a Vila teria uma Câmara Municipal e determinando qual seria sua área de abrangência. Procedia-se à eleição dos Vereadores e marcava-se a data de Instalação da Vila. O mais votado, assumia como Presidente da Câmara.

No decurso de sua atuação, as Câmaras Municipais avaliavam a necessidade de criar subdivisões administrativas que melhor atendessem às necessidades da população. O Decreto Imperial de 11 de setembro de 1830, estabelecia que a criação de Distritos cabia às Câmaras Municipais. Esta determinação foi modificada por Lei Provincial Mineira de 12 de agosto de 1834 e a criação de Distritos passou para a alçada do Presidente da Província. Distrito é, pois, a divisão civil de uma Vila ou Cidade.

Durante o processo de criação e algumas vezes somente depois de criado o Distrito, era encaminhada ao Bispado a solicitação de Instituição Canônica da Freguesia, também conhecida por Confirmação Episcopal.

Geralmente, a criação de um Distrito se dava em torno de um povoado, onde já existia uma Capela. Em todas as grandes fazendas, o proprietário mandava construir, no mínimo, um Oratório para o serviço religioso de sua própria família. Se localizada a grande distância da Freguesia , após acordo com os fazendeiros vizinhos, o proprietário fazia a Doação do Patrimônio ao Santo de sua devoção.

Na prática, isto significava uma Escritura de transferência de seus direitos sobre um pedaço de terra para o Bispado, a que estivesse subordinado. De posse do Patrimônio, a Cúria Episcopal autorizava a realização de serviços religiosos naquela capela. O padre era então designado e poderia ser um Vigário Colado ou um Cura. A diferença está em que, na Vigairia Colativa, o salário do padre era pago pela Fazenda Real e era chamado de Côngrua. No Curato, os rendimentos do padre eram um percentual das taxas pagas pelos Fregueses para a realização dos atos religiosos.

Da estrutura do Bispado fazia parte a realização das Visitas Pastorais que, entre outras obrigações, fiscalizava os livros de cada uma das Igrejas de sua jurisdição. Observando um crescimento da população e, conseqüentemente, o aumento dos atos realizados no período, iniciava-se o processo de elevação do Curato em Freguesia.

Antes de prosseguirmos, queremos deixar claro que não havia uma regularidade no processo, e dois Bispados poderiam agir de forma bastante diferente. A história da criação do Curato de Nossa Senhora da Piedade, bem como do Curato do Tesouro de São Sebastião do Feijão Crú e alguns vizinhos, foi um tanto diferente de outros na mesma província. Isto porque, embora localizados dentro do território de Minas Gerais, sua Instituição Canônica foi realizada pelo Bispado do Rio de Janeiro.

Lei número 533 de 10 de outubro de 1851

Assim, o Curato de Nossa Senhora da Piedade foi instituído em terras doadas por Domingos de Oliveira Alves, em 1844, como capela filial curada da Freguesia de São Sebastião do Feijão Crú do Bispado do Rio de Janeiro. Foi elevado a distrito pela lei número 533 de 10 de outubro de 1851, pertencente ao município de Mar de Espanha. Com a elevação do Feijão Crú a Cidade e Vila de Leopoldina, em 1854, passou para esta jurisdição.

A lei número 2027, de 1º de dezembro de 1873, criou a Paróquia de Nossa Senhora da Piedade. De acordo com a legislação da época, isto significava conceder autonomia para ampliar o raio de ação, podendo o padre atender aos fregueses residentes fora de sua área administrativa. Acreditamos que esta lei tenha sido uma conseqüência do que já vinha ocorrendo na prática. Desde 1851, podemos encontrar diversos assentos paroquiais, realizados nas capelas do Porto de Santo Antônio (Astolfo Dutra) e de Santana de Cataguases, registrados nos livros da Igreja de Nossa Senhora da Piedade.

Alguns autores consideram que não houve Instituição Canônica, ou que a lei acima foi tornada sem efeito, em virtude do contido na lei número 3798 de 16 de agosto de 1889, que tratava da elevação à Freguesia. Pedimos permissão para manifestar uma opinião algo divergente. Analisando Atas de Visitas Comarcais do período, concluímos que pode ter havido algum processo interrompido, mas que a legislação civil acatou a lei de 1873, passando a referir-se à Freguesia de Nossa Senhora da Piedade da Leopoldina. Nos atos eclesiásticos, porém, consta que ainda era Curato quando foi transferido para a Diocese de Mariana, por Ato Pontifício de 16 de julho de 1897, com o nome de Piedade da Leopoldina.

A derradeira mudança de nome veio muito tempo depois. Na divisão administrativa de Minas Gerais, levada a efeito pela Lei número 843 de 7 de setembro de 1923, foram trocados os nomes de 324 sedes distritais, sendo que, de 177, foram substituídas as denominações de origem cristã. Enquadra-se, neste caso, o Distrito da Piedade que, a partir daí, passou a ter uma palavra de origem tupi como seu topônimo.

O nome Piacatuba é formado dos seguintes termos: PIA que significa coração, CATU que significa bom e BA que significa lugar. Portanto, Piacatuba , na língua geral, significa LUGAR DE GENTE DE BOM CORAÇÃO, numa clara alusão aos pacíficos índios puris, seus primeiros habitantes.

Infelizmente, temos uma nota dissonante a este respeito. Embora o nome sugerido pelo Senador Basílio de Magalhães, por ocasião da discussão da Lei número 843 acima citada, tenha sido evidentemente explicado conforme documentação que compõe os anais da Assembléia Legislativa Estadual, muitos não compreenderam ou não quiseram aceitar seu significado. Data desta época a versão “Piracatuba” para o nome do distrito, constante em algumas obras oficiais, como a Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, editada 26 anos depois.

Mais uma vez, pedimos licença para manifestar uma opinião pessoal. É que a substituição de “Pia” por “Pira” modificaria o significado do topônimo. No lugar de ser conhecida como “Terra de gente de bom coração”, seria conhecida como “Terra de incendiários”, numa linguagem atualizada. No entanto, os autores de tal absurdo demonstraram o completo desconhecimento da língua geral. Isoladamente, “Pirá” era palavra utilizada pelos índios para designar peixe, donde temos, por exemplo, o peixe chamado “pirarucu”. Quanto a “Pyrá”, do grego, e “Pyra”, do latim, ambas se relacionam a “fogo e fogueira”. Uma hipotética aglutinação de Pyrá + Catu + Ba significaria, mais ou menos, “lugar bom para queimar”. Se considerada de exclusiva origem do tupi, Pira + Catu + Ba significaria “lugar bom para peixe” ou para pescar. O que não é, historicamente falando, o caso de Piacatuba.

Ainda sobre esta abominável interpretação, acreditamos que terá sido o motivo para uma troca de correspondência entre Custódio Lustosa e o Senador Basílio de Magalhães, cuja explicação definitiva foi também publicada na Gazeta de Leopoldina de 9 de outubro de 1923.

Pelo que pudemos apurar, de algumas lendas familiares, a troca de nomes teria sido alimentada por pessoas de pouco siso, cujo único objetivo seria achincalhar a História da Cruz Queimada, episódio que foi berço da religiosidade séria e respeitável de toda a “Gente de Bom Coração”.

Texto publicado em outubro de 2001 por11
Lucimary Vargas de Oliveira e Nilza Cantoni.

As divisas do distrito da Piedade

O distrito da Piedade, atual Piacatuba, teve os seus primeiros limites fixados em 10 de outubro de 1851, através da própria lei de sua criação. Posteriormente, a linha divisória sofreu algumas alterações, ora aumentando, ora diminuindo a área do distrito. Sobre algumas dessas mudanças e outras curiosidades é que vamos falar no decorrer deste texto. Percorrendo os marcos divisórios, é de se observar que o limite começa a ser delineado na região do ribeirão de Tebas, que foi propriedade de Manoel Joaquim de Tebas.

Daí, caminhando em direção ao rio Pomba, a linha divisória atingia a propriedade de João Pedro de Souza. Nessa época, 1851, provavelmente João Pedro era ainda jovem. Somente no ano de 1873, seu nome aparece nos registros paroquiais pelo batismo de seu filho Antônio, havido do casamento com Rita Maria de Jesus. Sabe-se que era filho de José do Egito de Souza, adquirente de seis alqueires de terras então pertencentes a Inácio José de Bem, no lugar denominado “Novo Descoberto do Rio Pardo”. Por estes dados, acreditamos que a região hoje conhecida como “Lajinha” seja uma das mais recentemente povoadas no imenso distrito da Piedade.

Acrescente-se que a primeira localização encontrada, de Inácio José de Bem (filho), a Fazenda da Caridade, fica nas vertentes do rio Pomba, córrego Pirapetinga, no atual limite entre Leopoldina e Cataguases, a oeste da estrada entre os dois municípios. Posteriormente este Inácio desbravou e formou nova fazenda, chamando-a Novo Descoberto do Rio Pardo. Curiosamente, Inácio José de Bem era filho de outro homônimo e de Antônia Maria de Almeida, que, por sua vez, era irmã de Manoel Antônio de Almeida. Inácio José de Bem chegou a Leopoldina entre 1838 e 1843, estabelecendo-se com a família antes da foz do rio Pardo.

A indicação seguinte, “fazenda do capitão David”, referia-se a David Alves Ferreira, provavelmente filho de Joaquim Ferreira Brito e Joana Maria de Macedo, pioneiros e doadores do patrimônio de São Sebastião do Feijão Crú.

O limite, pela serra da Pedra Branca até a fazenda da Graminha, incluía partes dos atuais municípios de Cataguases, Dona Euzébia, Astolfo Dutra e Itamarati de Minas. Vale registrar que esta fazenda da Graminha nada tem a ver com uma outra, de mesmo nome, que aparece nos mapas mais recentes localizada na divisa de São João Nepomuceno.

No que se refere aos limites com Rio Novo, é necessário esclarecer que se trata de São João Nepomuceno que, naquela época, pertencia a Rio Novo. A ressalva é importante porque, com as diversas mudanças de sede ocorridas, uma leitura pouco atenta poderá levar à conclusão de que o Distrito de Piacatuba limitava-se com a Paróquia de Conceição do Rio Novo, o que não é correto.

As fazendas de Antônia Maria da Luz, Francisco Tavares e Francisco Mendes da Silva, estavam localizadas entre os rios Novo e Pardo. Infelizmente ainda não foram encontrados documentos de propriedade destas terras, o que nos impede de estabelecer-lhes a exata localização.

Quanto aos limites do Distrito da Piedade, na região do ribeirão de Tebas, estes merecem um estudo cuidadoso. Isto porque a lei 947 de 8 de junho de 1858, criou a Paróquia de Nossa Senhora das Dores do Monte Alegre, pertencente a Leopoldina. Alguns pesquisadores acreditam ser, esta paróquia, a mesma de que trata uma lei de agosto de 1864, o que não é verdade. A lei de 1864 trata da criação da Paróquia de Nossa Senhora das Dores do Monte Alegre, em Mar de Espanha. E, é fácil esclarecer esta dúvida.

Em 1839, na criação do distrito de Bom Jesus do Rio Pardo (Argirita), que pertencia à comarca de Rio Pomba, é informado que tal distrito “compreende a Aplicação das Dores”. Esta mesma informação consta da lei de elevação de São João Nepomuceno (1841), do documento de transferência para Vila de Mar de Espanha (1851) e do ato de instalação da Vila Leopoldina. Como se vê, bem anterior àquela outra, de 1864. Em verdade, a criação de 1864 refere-se à paróquia que foi elevada a Freguesia em 1872, pertencendo a São João Nepomuceno, e que hoje tem o nome de Taruaçu.

Com isto, será sempre oportuno buscar novos documentos que possam esclarecer, exatamente, quais eram os limites entre os distritos da Piedade, Rio Pardo e Monte Alegre. Especificamente sobre o Distrito do Rio Pardo (Argirita), sabemos que ele limitava-se, pela serra Dourada e vertentes do rio Angu, com o Distrito de Madre de Deus do Angu (Angustura); com o então Curato do Espírito Santo (Maripá), pela serra da Prata e vertentes do ribeirão de mesmo nome; pelas vertentes do rio São João, com São João Nepomuceno e, partindo da serra de Santa Rita, seguia o córrego de São Bento até encontrar, novamente, a serra Dourada, também chamada de serra da Boa Vista.

Lei Mineira nr. 1198 de 9 de agosto de 1864

A lei 2027 de 1º de dezembro de 1873 aborda os limites distritais e indica, como pertencentes ao Distrito de Nossa Senhora da Piedade, as fazendas Graminha, a de Manoel Antônio Dutra e a de José Maria Gonçalves Coelho, que marcavam os limites com São João Nepomuceno. É válido registrar que este José Maria Gonçalves Coelho, freguês da Igreja de Nossa Senhora da Piedade desde 1863, era casado com Constança Maria de Jesus e deixou grande descendência em Piacatuba. Foram seus filhos: Clara nascida em 1863; José nascido em 1865; Custódio nascido em 1868; Maria nascida em 1869 e Honório José Coelho. Honório, por sua vez, foi casado com Antônia Rosa de Jesus e é o ancestral de muitos dos atuais habitantes que assinam Reis, Rodrigues, Nascimento e Coelho.

Ainda nesta lei de 1873, encontramos a primeira menção a Francisco de Paiva Campos como freguês da Piedade, sendo ali esclarecido que, até então, sua fazenda pertencia ao Distrito de Dores do Monte Alegre.

Dois anos depois, com a criação da Vila de Cataguases em novembro de 1875, foram retirados do território de Piacatuba, os terrenos da margem esquerda do rio Novo, na parte que hoje pertence a Dona Eusébia. No entanto, na jurisdição eclesiástica, aqueles terrenos continuaram com a Igreja de Nossa Senhora da Piedade.

Em 1880, nova lei vinha tratar dos limites entre Piacatuba e Cataguases. Agora estabelecendo que, do ponto do Rio Novo, onde é a atual divisa entre Itamarati, Cataguases e Dona Eusébia, seguindo pelo córrego Pirapetinga e até encontrar a foz do Rio Pardo, todos os terrenos ao norte ficariam pertencendo a Cataguases. Mas, esta ainda não seria a divisão definitiva. Em setembro do ano seguinte, o trecho compreendido entre a serra da Pedra Branca, em Astolfo Dutra, e o rio Novo, passaria também para Cataguases. Desta forma, as fazendas de João Antônio de Araújo Porto e de José Henriques da Mata, deixaram de pertencer à Piedade. Pouco depois, em outubro de 1882, foi a vez de passarem para Cataguases as fazendas de David Alves Ferreira e Pedro Antônio Furtado de Mendonça. Finalmente, em 1884, nova transferência acrescenta a Cataguases a fazenda de Cândido da Silva Ladeira.

Lei nr. 2700 de 20 de novembro de 1880

Em virtude de tantas alterações dos limites entre Cataguases e a Piedade, até hoje continuam a ser mal informados os leitores de jornais e livros publicados na própria região. Especialmente no que se refere ao Museu da Eletricidade, é comum ler que a Usina Maurício está localizada naquele município. Acreditamos que caiba ao morador de Piacatuba, assim como a todos aqueles que amam este belo distrito, lutarem para que seja preservada adequadamente a sua história.

Foi no ano de 1880, com a criação do distrito de Santo Antônio de Tebas, no lugar antes denominado Aplicação de Monte Alegre, que começaram as modificações nos limites da Piedade pelo sudoeste. Ali, num primeiro momento, passaram para o novo distrito as fazendas de Francisco José Barbosa de Miranda, Francisco Paulino Ramos e Francisco Xavier Augusto. Na outra margem do rio Pardo, continuaram, na Piedade, as fazendas de Manoel Ferreira de Souza, Francisco Antônio Nogueira, Eleotério Gonçalves Pereira e João Paulino Barbosa.

Dois anos depois, com a elevação de Tebas a Freguesia, em 1882, passou a contar, em seu território, com as seguintes fazendas desmembradas da Piedade: Valverdes, Manoel Lopes de Carvalho, Rafael Teixeira, Pedro José de Novaes, Francisco Antônio Nogueira da Gama, Francisco Paulino Dias de Oliveira, Luiz José Gonzaga de Gouvêa, Paulo José Ribeiro e Joaquim Rodrigues da Silva.

Registre-se, aqui, que entre estes nomes alguns são moradores pioneiros da Piedade, como Francisco José Barbosa de Miranda e Pedro José de Novaes. Este último tendo nascido no lugar.

Quanto às terras dos Valverdes, localizadas na margem do ribeirão Tebas, sabe-se que eram por eles habitadas há mais de dez anos, antes da criação do distrito.

Da enorme descendência de João Pereira Valverde, destacamos dois filhos: Antônio e Manoel Pereira Valverde. O primeiro, casado com Maria José de Jesus, foi pai de João Manoel, nascido em 1872 e Agenor nascido em 1886. O segundo, foi casado com Ana Joaquina de Jesus, com quem teve, pelo menos, 3 filhos: José, João e Manoel. Manoel Pereira Valverde (filho), nascido na Piedade em 1865, casou-se com Anastácia Carolina de Oliveira e foi pai de Maria Pereira de Oliveira, ancestral de muitos dos atuais Rodrigues e Machados que vivem em Leopoldina e Piacatuba.

É interessante observar que a fazenda de João Pereira Valverde voltou para o distrito da Piedade, seis anos depois, na última lei que tratou dos limites do distrito de Tebas.

Outra observação sobre os nomes citados é a respeiro de Francisco Paulino Dias de Oliveira e Luiz José Gonzaga de Gouvêa. O primeiro era filho e o segundo era genro de Vital Inácio de Moraes, que adquiriu a Fazenda Samambaia, em março de 1871. Mas já era residente da Piedade desde 1855, quando ali batizou sua filha Tereza. Natural de Conceição de Ibitipoca, era casado com Umbelina Cassiano do Carmo, com quem teve 12 filhos, a maioria batizada na Igreja de Nossa Senhora da Piedade.

Uma curiosidade desta família, que em muito dificulta sua identificação, é o uso de várias formações de nome.  O patriarca, por exemplo, é muitas vezes citado como José Vital de Moraes. E é com este nome que aparece entre os Fazendeiros de Café da Piedade, no ano de 1875, e como proprietário da Fazenda Palmeiras, em 1890. De José Vital de Moraes e Umbelina Cassiano do Carmo, descendem muitos dos Moraes, Gouvêa, Rodrigues, Oliveira e Silva que residem em Piacatuba, Tebas e Leopoldina.

Sesquicentenário de Piacatuba 1851 – 2001

O patrimônio para a capela de Nossa Senhora da Piedade foi doado, por escritura de 23 de agosto de 1844, pelo capitão Domingos de Oliveira Alves. Até então, haviam sido criadas as seguintes capelas nas proximidades: 1811 – São João Nepomuceno; 1816 – Santo Antônio do Porto Alegre do Ubá (Astolfo Dutra); 1824 – Santíssima Trindade do Descoberto; 1828 – Santa Rita da Meia Pataca (Cataguases); 1831 – São Sebastião do Feijão Cru (Leopoldina); 1839 – Senhor Bom Jesus do Rio Pardo (Argirita).

Matriz de Nossa Senhora da Piedade, distrito de Piacatuba, Leopoldina, MG. Século XIX.

É necessário observar que, antes da existência de uma capela devidamente instituída canonicamente, os moradores de determinado povoado estavam sempre vinculados à capela que freqüentassem, já que os atos da vida civil eram realizados sob o controle e fiscalização da Igreja. Assim, embora encontremos referências a fatos anteriores à criação da Capela de Nossa Senhora da Piedade, não podemos falar na existência do Curato, até então.

A primeira capela de Piacatuba foi construída por volta de 1845. E a lei número 533, de 10 de outubro de 1851, trata da elevação do Distrito de Nossa Senhora da Piedade, pertencente ao município de Mar de Espanha. Isso significa que, nos meses anteriores à promulgação desta lei, foi indicado um Padre para trabalhar no novo distrito e autorizada a abertura dos livros fiscais de batismos, casamentos e óbitos. Portanto, a data oficial de criação de Piacatuba é o ano de 1851.

Quem eram os moradores do antigo Curato de Nossa Senhora da Piedade? Quem foram os desbravadores das matas aqui existentes?

Para responder estas questões é necessário lembrar que, até a metade do século dezoito, a área então conhecida como “sertões do leste” estava vedada à entrada do colonizador, como uma das medidas para impedir o extravio do ouro. Com a queda da mineração, iniciou-se uma grande migração em busca de outras atividades produtivas. Já que o centro da província estava intensamente povoado começou a haver um movimento, de início ainda tímido, em direção aos “sertões do leste”. No caso da região vizinha a Piacatuba isto resultou na criação da Freguesia do Mártir São Manuel do Rio da Pomba e Peixe dos Índios Croatos e Cropós. A 25 de dezembro de 1767, o Padre Manoel de Jesus Maria celebrou a primeira missa na atual cidade de Rio Pomba.

Alguns anos depois, com o aumento da navegação pelo Rio Paraíba do Sul, houve necessidade de instalar um posto de fiscalização em suas margens. Em torno de um destes postos, localizado onde hoje é o município de Além Paraíba, aos poucos formou-se um povoado. No dia 25 de agosto de 1811 o alféres Maximiano Pereira de Souza fez a escolha do terreno para a Igreja de São José do Paraíba, perto dos terrenos do Padre Miguel Antônio de Paiva. Por esta época, também, foi construída a Capela de Nossa Senhora das Mercês do Cágado (Mar de Espanha).

Desta forma, podemos observar que o colonizador vinha se instalando ao norte e ao sul de Piacatuba desde meados do século dezoito. No final daquele século, bem como no início dos anos novecentos, foram inúmeras as sesmarias concedidas na região.

Entre 1800 e 1831, grande número de moradores da região próxima a Barbacena deslocou-se para as proximidades do Rio Novo. Enquanto parte deles seguiu o percurso deste rio, à procura de um sítio onde instalar-se, outro grupo veio encontrá-los descendo pelo Rio Pomba. Assim, quando foi realizada a contagem de habitantes em 1831, em 70 das 142 residências de São José do Paraíba constavam nomes de moradores do local que viria a formar o território de Leopoldina e Piacatuba.

Nos anos seguintes, o afluxo continuou crescendo. Em 1838, no mapa de habitantes da Freguesia de São Sebastião do Feijão Cru, contaram-se 135 residências. Um terço delas de moradores do futuro Curato de Nossa Senhora da Piedade.

Baseando-nos ainda nas Contagens de Habitantes, não podemos deixar de mencionar a que foi realizada na Santíssima Trindade do Descoberto, em 1839. Especialmente nos quarteirões então chamados Estiva e Arraial, onde foram registradas 94 residências, identificamos, em 10% delas, nomes ligados à história de Piacatuba.

Assim, podemos concluir que o Curato de Nossa Senhora da Piedade foi se formando ao longo de mais de vinte anos. Com a nobre atitude do capitão Domingos Alves de Oliveira, doando o terreno para a construção da Capela, foi possível à comunidade requerer a competente instalação canônica. Os motivos para a demora de quase sete anos, entre a doação e a instalação, podem ter sua origem na divisão eclesiástica da época. Porque, embora território da província de Minas Gerais, pertenceram ao Bispado do Rio de Janeiro as seguintes igrejas: Nossa Senhora das Mercês do Cágado (Mar de Espanha), Divino Espírito Santo (Maripá), Madre de Deus do Angú (Angustura), Santo Antônio do Aventureiro (Aventureiro), São Sebastião do Feijão Cru (Leopoldina), Nossa Senhora da Piedade (Piacatuba), Nossa Senhora da Conceição da Boa Vista (Recreio) e São José do Paraíba (Além Paraíba).

No dia 20 de abril de 1851, quando o Padre Francisco Ferreira Monteiro realizou o primeiro batismo na Igreja de Nossa Senhora da Piedade, deu-se início à história oficial de Piacatuba.

Principais moradores da Piedade em 1875

No tempo do Império, de acordo com as Leis que regiam a administração municipal, cada freguesia encaminhava ao governo provincial as listagens de seus moradores, identificando-os de acordo com os padrões de avaliação próprios da época. De modo geral, as informações eram extraídas dos livros de arrecadação fiscal de cada distrito, e reunidas no conjunto da freguesia. No ano de 1875, o distrito da Piedade encaminhou a relação a seguir.

 


Juizes de Paz:

1º  Francisco Esmério de Paiva Campos

2º  Francisco Soares Valente Vieira

3º  José da Costa Matos

4º  José Fajardo de Melo

Senhores de Engenho:

  • Álvaro José Antônio
  • Custódio Dias Moreira

Criador de gado:

  • Wenceslau Martins Pacheco Filho

Carpinteiros:

  • Francisco José Barbosa
  • José Alexandre da Costa

Sapateiro:

  • Manoel Ferreira Marques

Fazendeiros de Café:

  • Anselmo Alves Ferreira
  • Antônio de Souza Almada
  • Antônio de Souza Almada Filho
  • Antônio Lopes Ferreira
  • Antônio Maurício Barbosa
  • Antônio Pereira da Silva
  • Antônio Pereira de Medeiros
  • Antônio Pereira Valverde
  • Antônio Romualdo de Oliveira
  • Belisário Alves Ferreira
  • Camilo Alves Ferreira
  • Cassiano José do Carmo
  • Claudino Vieira da Silva
  • Cláudio José Barbosa de Miranda
  • David Alves Ferreira
  • Domingos Henriques de São Nicácio
  • Francisco da Costa e Souza
  • Francisco Dias Ferraz
  • Francisco Esmério de Paiva Campos
  • Francisco Henriques Pereira
  • Francisco José Barbosa de Miranda
  • Francisco Soares Valente Vieira
  • João Antônio da Costa Coimbra
  • João Antônio da Silva
  • Joao Antônio de Araújo Porto
  • João Batista da Silva
  • João Dutra Nicácio
  • João Francisco Coelho
  • João Pereira Valverde
  • João Vieira da Silva
  • Joaquim da Silva Tavares
  • Joaquim Honório de Campos
  • Joaquim Inácio de Oliveira
  • Joaquim Pinheiro de Faria
  • José Alves Ferreira
  • José Dias Moreira
  • José Evangelista do Carmo
  • José Fajardo de Melo
  • José Francisco de Paiva Campos
  • José Furtado de Mendonça
  • José Henriques da Mata
  • José Maria Gonçalves Coelho
  • José Martins Pacheco
  • Justino Marques de Oliveira
  • Manoel Benedito de Freitas
  • Manoel Dias Ferraz
  • Manoel Ferreira Ribeiro
  • Manoel Francisco Coelho
  • Manoel Jacinto de Oliveira
  • Manoel José Ferraz
  • Manoel Rodrigues do Nascimento
  • Maria Luiza de Miranda
  • Mariana de Jesus
  • Máxima Ferreira Braga
  • Narciso Marques Braz
  • Nicolau Alves Ferreira
  • Pedro Antônio Furtado de Mendonça
  • Rafael Teixeira de Souza
  • Vital Inácio de Moraes
  • Vital Rodrigues de Oliveira
  • Wenceslau Martins Pacheco

Primeiros óbitos em Piacatuba

A lista dos primeiros moradores falecidos e sepultados no cemitério de Piacatuba foi composta a partir de um trabalho realizado entre 1996 e 2001, quando fizemos a higienização, indexação e acondicionamento dos primeiros livros paroquiais de Piacatuba, preparando-os para consulta de forma menos danosa à conservação deste patrimônio do distrito.

Data

Falecido

Parente

20.01.1853 Ana Teodora de Jesus
19.10.1851 Antonio
29.09.1852 Antonio Baptista
28.09.1851 Antonio Nunes de Moraes
26.06.1903 Brasileiro
—.10.1864 Cesaria filha de Joaquina
01.08.1852 Custodio filho de Francisco Antonio da Silva e Mariana Custódia de Jesus
28.02.1852 Domingos filho de Antonio de Sá Rocha e Francisca Rosa de Jesus
02.06.1852 Domingos de Oliveira Curto
03.10.1851 Eugenio
10.03.1862 Eustachio escravo de Joaquim Honorio de Campos
09.11.1851 Francisca Rosa de Jesus mulher de Antonio de Sá Rocha
—.04.1862 Francisco
13.12.1851 Francisco filho de Francisco José Barbosa de Miranda e Maria Júlia de Oliveira
18.04.1852 Francisco João Luciano de Rezende e Felicidade
2?.12.1851 Francisco filho do Manuel Rodrigues e Anna
17.10.1864 Gabriel filho de Carolina Maria de Jesus
02.01.1852 João filho de Manoel Dias de Meirelles e Florentina Maria de Jesus
03.08.1851 João
08.10.1853 João Francisco Pires
27.09.1851 João Purí
23.05.1852 Joaquim Antonio da Silva
22.12.1851 José filho de Antonio Costa Ferreira e Anna Joaquina
07.07.1852 José Carlos de Oliveira
25.03.1861 José Luis Pereira filho de Francisca de ….
07.10.1851 José Nunes de Moraes
29.04.1863 Josepha escrava de David Alves Ferreira
04.08.1851 Leopoldino
14.05.1862 Lina Emigdia de Assis mulher de Francisco Fernandes Ferraz
11.04.1862 Manoel Benedicto
31.12.1851 Manoel Joaquim Ferreira marido de Mariana
—.07.1851 Maria mulher de Marcelino
02.12.1851 Maria
09.04.1862 Maria mulher de João Pires
17.11.1851 Maria
27.05.1903 Maria mulher de Sebastião Rezende de Mendonça
22.04.1862 Maria de Nazareth filha de Ana Valverde
27.03.1852 Maria Gomes mulher de João Rodrigues
30.05.1852 Matheus filho de João José de Souza e Verdiana de Jesus
28.06.1852 Rita escrava de Ana Teodora do Nascimento
07.03.1854 Rita Maria de Jesus mulher de Manoel Antonio de Oliveira
19.08.1852 Thomaz escravo de Hipolito Pereira da Silva
19.02.1862 Zeferino
26.05.1852 Zeferino José Ribeiro

Curato de Nossa Senhora da Piedade

O nome Piacatuba foi uma sugestão do Senador Basílio de Magalhães, que em carta a Custódio Lustosa, explicou a origem do nome. Usando termos indígenas, para homenagear os Índios Puris que ali habitavam quando da chegada do homem branco, o nome tem o seguinte significado: pia = coração + catu = bom + ba = lugar.

Através de notícia publicada na Gazeta de Leopoldina, a 09.10.1923, verificamos que o nome Piacatuba foi uma sugestão do Senador Basílio de Magalhães, que em carta a Custódio Lustosa, explicava a origem do nome. Usando termos indígenas, para homenagear os Índios Puris que ali habitavam quando da chegada do homem branco, o nome tem o seguinte significado: pia = coração + catu = bom + ba = lugar.

Área urbana de Piacatuba, Leopoldina, MG

Piacatuba é pois, Lugar de Bom Coração ou Lugar de Gente de Bom Coração. O distrito de Piacatuba, cuja extensão territorial é maior que a de alguns municípios vizinhos a Leopoldina, recebeu o homem branco no início do século dezenove.

Era então o

Curato de Nossa Senhora da Piedade

Matriz de Nossa Senhora da Piedade em Piacatuba

Por escritura de 23 de agosto de 1844, Domingos de Oliveira Alves fez doação de terras para a formação do patrimônio de Nossa Senhora da Piedade. O primeiro cura designado para a capela, cuja construção ocorreu entre 1844 e 1850, foi o Padre Francisco Ferreira Monteiro. A partir de 27 de abril de 1854, com a elevação à Freguesia da antiga vila do Feijão Cru, fica o Curato da Piedade sendo filial da então denominada Freguesia de São Sebastião da Leopoldina. Pertencia ao Bispado do Rio de Janeiro. O Curato de Nossa Senhora da Piedade, que em alguns registros aparece como Curato de Nossa Senhora da Piedade do Rio Pardo, teve seu primeiro assento realizado em 20.04.1851. Por Lei Mineira de 01.12.1873, foi criada a Paróquia da Piedade. E a Lei Mineira nº 3.798, de 17.09.1889, elevou à Freguesia. Segundo Efemérides Mineiras, foi a última criação paroquial feita na Província pelo poder civil, cuja competência cessou com o estabelecimento da República. Pelo Decreto Pontifício de 16.07.1897, foi transferido para a Diocese de Mariana.

Altar da Matriz de Piacatuba

Altar da Matriz de Nossa Senhora da Piedade, em Piacatuba, distrito de Leopoldina, Minas Gerais.

* Este texto é uma revisão do que foi inicialmente publicado em 1999.