Apogeu, crise e fim da colonização portuguesa na América

Este é o subtítulo da primeira aula do Curso de História do Brasil Colonial, da USP, em que são abordadas

as relações internacionais no final do século 17 e começo do 18, quando teve início a extração sistemática de ouro nas colônias portuguesas da América. Nessa época, o ouro passou a ser uma espécie de padrão regulador da economia e da riqueza mundial, influenciando fortemente a competição entre os países da Europa, que se expandia para outras partes do mundo.

 

História do Brasil Colonial: Economia e sociedade do açúcar

A ementa informa que nesta segunda parte da aula, “o professor João Paulo Garrido Pimenta fala sobre a economia do açúcar no Recôncavo baiano. Destaque para o impacto da mineração na tendência de aumento do preço do açúcar branco nos engenhos da Bahia, responsável também pela diminuição nos intervalos entre as altas e baixas no valor de mercado do produto”.
Texto indicado:
SCHWARTZ, Stuart. Capítulo I: A grande lavoura açucareira: do Velho ao Novo Mundo. Segredos internos: engenhos e escravos na sociedade colonial, 1550-1835. São Paulo, Companhia das Letras, 1988.

Na primeira parte desta aula o professor dissera:

“A concepção cíclica da economia colonial enseja uma concepção equivocada de sucessão de gêneros coloniais, como se a ascensão de um correspondesse ao declínio de outro. […] A ideia de sucessão de ciclos não faz sentido. É uma simplificação excessiva da realidade”

Agora, declarou:

“Não há economia agroexportadora sem uma economia de abastecimento. Uma simplificação excessiva de alguns modelos historiográficos […] uma leitura excessivamente esquemática de obras [clássicas da economia colonial] nos leva à errônea conclusão de que a colônia vendia tudo o que produzia e comprava tudo o que ela precisava”.

Os holandeses na América e a competição mundial do século XVII

Segunda parte de aula de História do Brasil Colonial do professor João Paulo Garrido Pimenta, da USP, na qual são projetadas “imagens das obras de pintores holandeses do século XVII como Rembrandt, Vermeer, Albert Eckhout, Frans Post” que ensejam análise das “paisagens e a representação pictórica de personagens, nativos e europeus, durante o período marcado pela presença dos colonizadores holandeses no Brasil, tais como eram imaginados”.

Texto básico para esta aula, conforme indicado na ementa do vídeo:

MELLO, Evaldo Cabral de. Capítulo I: A empresa da terra e a vitória do mar; Capítulo II: Produção, comércio e navegação (1630-1636). Olinda Restaurada. Guerra e Açúcar no Nordeste, 1630-1654. Rio de Janeiro. Forense Universitária/Edusp, 1975.

Richard Graham: a eleição como um drama

Esta semana estou revendo uma série de vídeos do seminário Atualidade de Sérgio Buarque de Holanda, realizado em 2011. Estão disponíveis na internet há pouco mais de dois anos mas foram vistos relativamente poucas vezes. Por isto agora, ao revê-los, resolvi postar aqui um dos mais interessantes da série. Trata-se de palestra do historiador Richard Graham, professor emérito da Universidade do Texas em Austin, EUA, a respeito das eleições no tempo do Império como foram descritas por Sérgio Buarque de Holanda em do Império à República, da coleção História Geral da Civilização Brasileira. Um drama com plateia, figurino, atores e tudo o que é necessário a um evento teatral.

Brasil no olhar dos viajantes – Episódio 03 Século XIX

Documentário da TV Senado, retoma a questão da identidade nacional a partir de relatos feitos por estrangeiros do descobrimento até as grandes expedições científicas do século XIX. Mostra a influência que esses relatos tiveram na construção da imagem do País perante o mundo e entre os próprios brasileiros. (2014. Dir.: João Carlos Fontoura).

Brasil no olhar dos viajantes: segundo episódio

Continuação do documentário João Carlos Fontoura exibido pela TV Senado sobre os relatos estrangeiros das primeiras viagens feitas ao Brasil e como influenciaram na construção da imagem do Brasil lá fora e também para os próprios brasileiros.

Assim como no primeiro episódio, também divulgado aqui no blog, autores e ou cronistas são citados neste vídeo tais como Claude d’Abbeville, Ives d’Éxreux, Johannes Baers, Hendrick Haecx, Johan Nieuhof e Pierre Moreau. Este vídeo ressalta, especialmente, a ocupação holandesa do nordeste, da qual Maurício de Nassau levou para a Europa uma série de informações e iconografia que entregou a Gaspar Barleus para escrever uma apologia de seus feitos no Brasil.

Brasil no olhar dos viajantes

“A divulgação do Brasil vai ficar, em larga medida, por conta de estrangeiros e não portugueses”, diz Jean Marcel de Carvalho França

Primeiro episódio da série exibida pela TV Senado em 2013

A festa de Rouen de Ferdinand Denis, Singularidades da França Antártica e Cosmografia Universal de André Thevet, Viagem à Terra do Brasil de Jean de Léry, bem como Terras recentemente descobertas, de Fracanzano de Montalboddo, são algumas das obras que nos mostram a imagem que se construiu do Brasil nos primeiros tempos. No vídeo são citados vários autores entre viajantes e ou cronistas estrangeiros como Binot Palmier de Gonneville, Ambrosio Brandão, Gabriel Soares de Souza, Frei Vicente de Salvador, Pero de Magalhães de Gândavo, Hans Staden e outros.

Zona da Mata Sul em 1842

A Coleção David Rumsey de Cartografia contém uma carta muito interessante: Brazil, de John Arrowsmith, de 1838, publicado em Londres em 1842.

A coleção está disponível neste endereço.

Nos recortes abaixo podemos observar melhor a nossa região.

Da mesma coleção foi extraído o seguinte recorte da Carta produzida por Adrien Hubert Brue em 1826 e publicada em Paris em 1930. Destacamos que o autor marcou, além do Porto do Cunha, a localidade de Padova, atualmente sede do município de Santo Antônio de Pádua.

Evidentemente que a seleção dos pontos marcados numa cartografia é escolha do autor que recorre ao conhecimento produzido até então e depende do espaço disponível. Parece-nos, portanto, que além do Porto do Cunha, conhecido desde o final do século anterior por conta da expedição comandada por Galvão de São Martinho, no percurso final do Rio Pomba não havia outro povoado de destaque. E se observarmos atentamente a linha pontilhada no recorte acima, que marca a divisa entre as províncias, veremos que Santo Antônio de Pádua ficou dentro dos limites de Minas. Sabemos, porém, que o povoado surgiu no ponto em que o Rio Paraíba do Sul recebe o Rio Pomba e que ficava na província fluminense conforme já mencionado no artigo a seguir.

Teoria e história na sociologia brasileira: a crítica de Maria Sylvia de Carvalho Franco

Analisando Homens livres na ordem escravocrata, de Maria Sylvia de Carvalho Franco, André Botelho declara que a autora não teve intenção de caracterizar ou qualificar a “associação moral que ligava homens livres pobres e fazendeiros como marca de uma sociedade tradicional, ou atrasada, ou ainda incompatível com os processos de mudança social e o dinamismo que o capitalismo ia assumindo também entre nós”. Para ele, “toda argumentação do livro visa, ao contrário, desmontar essa visão sobre a sociedade brasileira”.

Resumo:

Inserido em pesquisa mais ampla sobre as sequências da sociologia política no Brasil, o trabalho destaca a obra sociológica de Maria Sylvia de Carvalho Franco. Assimilada à produção da cadeira de Sociologia I da USP, pelo seu pertencimento institucional, a obra desta autora, porém, antes problematiza que corrobora alguns dos pressupostos da teoria do desenvolvimento associados aos trabalhos de Florestan Fernandes e seu grupo. A análise de suas teses de doutorado (1964) e de livre-docência (1970), entre outros textos, indica uma visão crítica, e uma proposição alternativa, sobre a contraposição entre “tradição” e “modernidade” na análise da sociedade brasileira em virtude da gênese essencialmente moderna dessa experiência social.

Palavras-chave: Sociologia Brasileira; Teoria Social Comparada; Teoria e História; Tradição e Modernidade.

Texto completo disponível neste endereço.

Releituras: Sérgio Buarque de Hollanda

Bastou falar em livros e alguns seguidores deste blog escreveram pedindo sugestões. Então, hoje indico um pequeno livro da coleção Sabor Literário, editora José Olympio.

Refiro-me a Vale do Paraíba: velhas fazendas, de Sérgio Buarque de Hollanda, com desenhos de Tom Maia. A primeira edição saiu em 1975 pela Companhia Editora Nacional. Este que acabo de reler foi publicado em 2010.

Vale do Paraiba: Velhas FazendasE como sempre faço quando indico livros, seguem dois trechos:

“Segundo a versão mais geralmente acreditada, do café que por volta de 1760 levou do Maranhão ao Rio de Janeiro o desembargador João Alberto Castelo Branco, procedem as plantações do padre João Lopes e depois do padre Antônio do Couto, na fazenda do Mendanha, situada na freguesia de Campo Grande”. (pag. 59-60)

“O pintor Rugendas, que conhecia bem essa província [São Paulo], escreveu, com efeito, que já podiam então ser consideradas importantes as fazendas com 34 escravos e outros tantos cavalos e bois”. (pag. 68)

Considerando que o período abordado é o século XIX, ressalto que em alguns municípios da zona da mata mineira, na mesma época, fazendas importantes contavam com quantidade semelhante de escravos. E quanto à origem do café, a referência ao Maranhão consta em alguns estudos recentes, posteriores à primeira edição desta obra de Sérgio Buarque de Hollanda. Antes, em obras históricas sobre a zona da mata sul, constava que as sementes vieram diretamente de outros países para o Vale do Paraíba e dali adentraram o território mineiro.