Escolas em Piacatuba

Há 132 anos o jornal O Leopoldinense publicava aviso do professor Fortunato Serafim Pereira Gomes de que acabara de inaugurar um escola particular na Fazenda dos Vitaes.

Naquela época, na sede do distrito funcionavam as “Aulas Públicas” a cargo do professor Adolfo Gustavo Guilherme Hufnagel, cujos exames do final do ano mereceram o seguinte elogio do pai de um aluno:

No ano seguinte, no dia 1 de outubro, inaugurava-se no distrito o Colegio Piedade, dos senhores professores João Alves de Souza Machado e Sinfrônio Maurício Cardoso:

Segundo o anúncio abaixo, publicado n’O Leopoldinense de 17 de dezembro de 1882, o Colégio Piedade oferecia aulas de português, geografia, matemática e caligrafia a cargo do professor João Machado e ao professor Sinfrônio cabiam as aulas de francês e inglês.

Leopoldina – Ocupação e Formação: Novos Enfoques Historiográficos

Roteiro de palestra da professora Natania A. Silva Nogueira para as alunas de Pedagogia da UEMG, realizada no campus da Universidade em Leopoldina, dia 14 de junho de 2013

Prédio da Câmara Municipal de Leopoldina

Em maio de 1895 a Gazeta de Leopoldina publicou a Lei número 54, de 22 de fevereiro daquele ano, em que foi autorizada a compra de um prédio para a Câmara Municipal. A curiosidade desta notícia vem do fato de que Antônio José Alves Ramos, de cujos herdeiros seria comprado o prédio, fora farmacêutico e proprietário da Farmácia Central, estabelecida em um prédio que pertencera à Fazenda do Feijão Cru Pequeno. Este prédio seria, mais tarde, o Ginásio Leopoldinense.

Em jornal comemorativo dos 103 anos do Ginásio, publicado em junho de 2009, informa-se na página 2 que o imóvel fora comprado em 1902, pelo Dr. Ribeiro Junqueira. Esta informação é questionável por informar que o vendedor foi Antonio José Alves Ramos, falecido muito tempo antes. Na verdade deve ter escapado ao articulista que a venda foi realizada pelos herdeiros. Mas resta ainda uma dúvida, já que os descendentes contam que a viúva Amélia Carolina Pereira Pinto vendeu o prédio, por volta de 1904, mas não para a pessoa física acima mencionada e sim para a Câmara Municipal de Leopoldina. A notícia do jornal vem, de certa forma, confirmar esta informação oral.

Segundo publicou O Mediador, em novembro de 1896, a Farmácia Central continuava em funcionamento, tendo sido incluída no Lançamento de Contribuintes para o ano seguinte. Portanto, se a Lei de 1895 teve algum efeito, não foi imediato como parece indicar a sua publicação em maio do mesmo ano. Talvez tenha havido negociação que não chegou a termo imediatamente.

Antigas Escolas do distrito de Ribeiro Junqueira

Há 118 anos Alberto Jackson era professor no então distrito de Campo Limpo, conforme notícia publicada n’O Leopoldinense:

 

Parece que o professor Alberto Jackson contava com a colaboração de Dona Zulmira Jackson, talvez sua esposa, uma vez que a divulgação dos exames realizados no final daquele ano indicam o nome dela como encarregada da escola, notícia a seguir:

Provavelmente esta “Cadeira Estadual” era sucessora das Aulas Públicas que funcionavam no distrito na década anterior, a cargo do professor Antônio Alves Cordeiro:

 

 

Escola Pública em Tebas

Em 1881, junto com a nota sobre a visita que o delegado literário Antônio Carlos da Costa Carvalho havia feito às escolas do município, o jornal O Leopoldinense informou sobre o pedido de criação de uma escola em Tebas:

Somente em 1895 voltamos a encontrar notícias em jornal sobre o assunto. Na edição d’O Leopoldinense de 12 de maio daquele ano verifica-se que o distrito de Tebas contava com Aulas Públicas a cargo da professora Alda Ramos da Fonseca, esposa de Francisco Fortes de Bustamante Sá Filho, escrivão.

Mas segundo outra notícia do mesmo jornal, em 26 de dezembro daquele ano foi nomeada outra professora para a “cadeira estadual” de Tebas, a senhora Maria da Trindade, esposa do professor Antonino de Moura Freitas:

Tudo indica que estas duas professoras trabalharam nas salas de aulas femininas, sendo que a segunda pode ter dividido a escola com o marido que trabalharia com os meninos.

Além dos nomes acima mencionados, sabe-se que Tebas contou também com professor João Alves de Souza Machado, conforme consta no livro da Escola Distrital de Tebas de Julho de 1896, encontrado no Arquivo da Câmara Municipal de Leopoldina:

Município da Vila Leopoldina

Em 1854 era elevado à categoria de Freguesia e Vila o então Distrito de São Sebastião do Feijão Cru, com a denominação de Vila Leopoldina.

Naquele momento o território do município era o seguinte:

1 de abril de 1841: São João Nepomuceno

Há 172 anos a Lei Mineira número 202 elevava a povoação de São João Nepomuceno à categoria de Vila, desmembrando-a do Município da Vila do Pomba e incorporando-lhe vários distritos, incluindo o Feijão Cru.

Dez anos depois a Carta de Lei número 514 transferiu a sede para Mar de Espanha, no dia 10 de setembro de 1951.

Entre 1841 e 1851 o território de São Nepomuceno era o seguinte:

Curso Noturno em 1900

Sob o comando de Dilermando Cruz, foi instalado em Leopoldina, no dia 16 de abril de 1900, um Curso Noturno. Foi criado pela Loja Maçônica Verdade e Luz para funcionar na Rua Sete de Setembro, no mesmo prédio em que o professor mantinha uma escola em regime de externato que funcionava durante o dia. No caso do curso noturno, o objetivo era atender aos adultos.

Galeria da Câmara Municipal de Leopoldina

O Jornal Leopoldinense publicou, recentemente, fotografias de vários chefes do poder municipal desde o final do século XIX. Parece que a coleção de imagens começou a ser organizada a partir da notícia abaixo. Teria sido em abril de 1899, por ocasião do aniversário da cidade que a Galeria foi inaugurada?

Falta de informação sobre professores e escolas leopoldinenses

A inexistência de um Arquivo Público Municipal organizado dificulta enormemente a pesquisa. A maioria dos livros antigos não teve um tratamento adequado e possivelmente muitos já se perderam. Sendo assim, na falta de acesso aos registros oficiais, uma das fontes utilizadas foram os jornais e a literatura publicada, o que reduz enormemente o espectro porque o mais antigo jornal da cidade é de 1879 e os livros de memórias só apareceram no século XX.

Como exemplo, citamos a notícia abaixo que é uma transcrição de sessão da Câmara Municipal publicada pelo jornal O Leopoldinense. Naturalmente que os denominados Atos do Agente Executivo foram encaminhados ao jornal em algum suporte. Não nos parece viável que tenham sido repassados oralmente. Teriam os livros de Atas sido levados à oficina tipográfica para serem copiados e depois devolvidos à Câmara?

Reiterando a enorme dificuldade da pesquisa, deixamos aqui registrados os nomes de mais dois professores públicos:

Do primeiro não temos outras informações, nem tampouco desta escola localizada no Córrego do Moinho. Já o segundo foi Gustavo Augusto Pereira Pinto, nascido em Leopoldina aos 13 de abril de 1868, filho de Francisco de Paula Pereira Pinto e Carolina Rosa de São José.

Aos 13 anos Gustavo cursava a instrução secundária e aos 20 se tornou professor em Conceição da Boa Vista, onde casou-se em 9 de junho de 1894 com sua sobrinha Amélia Eloyna de Almeida, nascida em Leopoldina no dia 1 de dezembro de 1870.

Um de seus irmãos foi Emílio Augusto Pereira Pinto que durante algum tempo foi secretário gerente da Gazeta de Leopoldina.  Emílio foi pai, entre outros, do escrivão Milton Ramos Pinto e do professor Emílio Ramos Pinto, este último tendo sido diretor do Grupo Escolar Ribeiro Junqueira.

No início dos anos de 1900 Gustavo transferiu-se com a família para Leopoldina, onde foi comerciante antes de se tornar Secretário do Gymnasio Leopoldinense, instituição na qual trabalhou até falecer aos 31 de agosto de 1940.