Descendentes de Manoel José Pinto da Costa

Com a chegada de novas fontes relativas à família do correspondente Alberto Siqueira, atualizamos a genealogia deste que foi o maior colaborador para a composição deste relatório. A família de Manoel José tinha bastante proximidade com o Alferes Francisco José de Almeida Ramos, do 4º Regimento de Milícias da Corte conforme Ordens Régias 1817-1818 SC 375 P 59. Francisco havia se transferido para o Feijão Cru no início do povoamento, tendo formado a fazenda Santa Maria em território que mais tarde compôs o distrito de Nossa Senhora da Piedade.

1-Manoel José Pinto da Costa, falecido em 1891, casou-se com Ana Francisca de Jesus, falecida em 1895. Segundo o inventário do casal, processo 38404171 da Comarca de Leopoldina autuado em 1896, tiveram os filhos: Leopoldina, Maria, Felisbina, Teresa, Francisca, Candido, Carlota, João Batista, Joaquim, José e Ana.

1-1 – Leopoldina cc Elias Alves Ferreira

1-2 – Felisbina cc João Batista Filgueiras

1-3 – Maria nasceu cerca de 1852 em Piacatuba, Leopoldina, MG [1] e foi batizada a 27 Dez 1852 em Piacatuba, Leopoldina, MG. Padrinhos de batismo: Custódio Dias Moreira e Francisca Maria de São José. Casou-se com Apolinário José de Carvalho, falecido antes dos sogros.

1-4- Teresa nasceu a 12 Fev 1855 em Piacatuba, Leopoldina, MG [2] e foi batizada a 17 Fev 1855 em Piacatuba, Leopoldina, MG. Padrinhos de batismo: Alferes Francisco José de Almeida Ramos e Thereza, mulher de Hypolito Pereira da Silva. Faleceu solteira, antes de seus pais.

1-5 – Francisca cc Antonio Pinto da Silva

1-6 – Candido nasceu cerca de 1862 em Piacatuba, Leopoldina, MG [3] e foi batizado a 13 Out 1862 em Piacatuba, Leopoldina, MG. Padrinhos de batismo: Candido José Baptista e Constança Maria de Jesus. Faleceu solteiro, antes dos pais.

1-7- Carlota nasceu cerca de 1864 em Piacatuba, Leopoldina, MG [4] foi batizada a 12 Dez 1864 em Piacatuba, Leopoldina, MG, e faleceu em Nov 1929 em Leopoldina, MG [5] Padrinhos de batismo: Francisco Soares Valente Vieira e Francisca Rosa do Sacramento. Carlota casou com João Alves de Souza Machado. Eles tiveram oito filhos: Antenor, Manoel, José, Judith Alves de Souza, Isabel, Olga, Cacilda e Maria. Em sociedade com Sinfrônio Maurício Cardoso, João Alves de Souza Machado inaugurou o Colégio Piedade, a 1 Out 1882, em Piacatuba, Leopoldina, MG [6] Foi professor de Escola Estadual, em 1911, em Abaíba, Leopoldina, MG [7]

1-8 – João Batista nasceu a 14 Jul 1867 em Piacatuba, Leopoldina, MG [13] e foi batizado a 29 Jul 1867 em Piacatuba, Leopoldina, MG. Padrinhos de batismo: José Henrique da Matta e Francelina Maria do Sacramento

1-9 – Joaquim nasceu por volta de 1872 e teria vivido no então distrito de Itamarati, hoje município de Itamarati de Minas.

1-10 – José Serapião faleceu antes dos pais, deixando dois filhos: Maria e José.

1-11 – Ana também faleceu antes dos pais e deixou um filho menor.


Citações de fontes
     1.  Igreja N. S. da Piedade, Piacatuba, Leopoldina, MG, lv 1 bat fls 19.

     2.  Igreja N. S. da Piedade, Piacatuba, Leopoldina, MG, lv 1 bat fls 29.

     3.  Igreja N. S. da Piedade, Piacatuba, Leopoldina, MG, lv 1 bat fls 47.

     4.  Igreja N. S. da Piedade, Piacatuba, Leopoldina, MG, lv 1 bat fls 60v.

     5.  Correio da Manhã (Rio de Janeiro, RJ), 13 nov 1929 ed 10698 pag 11 coluna 4.

     6.  O Leopoldinense (Leopoldina, MG; 1879 - ?), 12 nov 1882 pag 1.

     7.  LAEMMERT, Eduardo e Henrique, Almanak Laemmert (Rio de Janeiro: 18--;), 1911 pag 3127.

     8.  Conclusão por análise de outras fontes, obituário da mãe.

     9.  Conclusão por análise de outras fontes, casamento.

     10.  Arquivo da Diocese de Leopoldina, lv 6 cas termo 27 fls 6v.

     11.  Arquivo da Diocese de Leopoldina, lv 04 bat fls 140 termo ordem 1366.

     12.  Arquivo da Diocese de Leopoldina, lv 21 bat fls 99v termo 15.

     13.  Igreja N. S. da Piedade, Piacatuba, Leopoldina, MG, lv 1 bat fls 86.

Escolas em Piacatuba

Há 132 anos o jornal O Leopoldinense publicava aviso do professor Fortunato Serafim Pereira Gomes de que acabara de inaugurar um escola particular na Fazenda dos Vitaes.

Naquela época, na sede do distrito funcionavam as “Aulas Públicas” a cargo do professor Adolfo Gustavo Guilherme Hufnagel, cujos exames do final do ano mereceram o seguinte elogio do pai de um aluno:

No ano seguinte, no dia 1 de outubro, inaugurava-se no distrito o Colegio Piedade, dos senhores professores João Alves de Souza Machado e Sinfrônio Maurício Cardoso:

Segundo o anúncio abaixo, publicado n’O Leopoldinense de 17 de dezembro de 1882, o Colégio Piedade oferecia aulas de português, geografia, matemática e caligrafia a cargo do professor João Machado e ao professor Sinfrônio cabiam as aulas de francês e inglês.

História da Cruz Queimada

Cruz Queimada, Piacatuba, MG

Segundo Waldemar Fajardo,

“…os desbravadores, enfrentando animais ferozes e todas as dificuldades, rasgando florestas virgens, chegaram a este recanto de Minas. E com estes primeiros homens mais ou menos civilizados, também chegaram as primeiras lutas e guerrilhas pelas posses de terrenos ainda um tanto virgens. Entre duas famílias tiveram início as dúvidas que foram causadoras do terrível e horrendo sacrilégio que adiante iremos tentar descrever. A luta desenvolveu-se em torno da posse dos terrenos situados nas vertentes da bacia do Rio Pardo, calculada em 33 alqueires, e na qual se acha situada a localidade hoje denominada Piacatuba, antigamente Piedade de Leopoldina.”

As divergências não teriam ficado restritas aos que pretendiam a posse das terras, tendo se espalhado entre escravos e feitores dos confrontantes. Ainda assim, foi feita a doação do terreno onde deveria ser localizada uma povoação, cuja Padroeira seria Nossa Senhora da Piedade.

Monumento da Cruz Queimada, Piacatuba, Leopoldina, MGMas as lutas continuaram. Certa ocasião travou-se terrível batalha nas trevas e nas matas e não sabemos, e ninguém poderá calcular, se nessas lutas fôra sacrificada até, quem sabe? alguma vida humana.

Resolvida que foi a doação, como demarcação foi feita uma tosca cruz ali colocada como marco. O nome *Cruz Queimada* é um símbolo do poder divino, e raro é o habitante da Zona da Mata, em Minas, que não ouviu falar, com muito repeito, da *Santa Cruz Queimada* de Piacatuba de Leopoldina. De longe vêm pessoas aqui trazer as suas dádivas, em cumprimento de promessas atendidas.

Mas, passemos a falar sobre a Cruz Queimada e seus milagres. Era uma manhã de sol brilhante, o feitor e outras pessoas levantaram de seus leitos improvisados em cabanas cobertas de folhas de sapé, e foram iniciar a sua tarefa, que era fincar o marco dos terrenos de Nossa Senhora da Piedade. Um velho escravo escolheu uma madeira de lei que se chamava “tapinoã” e em pouco tempo se ouvia o eco do machado que lavrava o pau para fazer um cruzeiro. O sol já descambava para o horizonte, quando o velho escravo, auxiliado por outros, juntou os dois pedaços de madeira mal lavrada e formou uma cruz. Outros escravos cavaram a terra e furaram dois metros mais ou menos em um alto arenoso, que fica nas proximidades do açude, para o lado da povoação atual. Todos se juntaram e levantaram o madeiro em cruz, regulando 5 a 6 metros de altura.

Era tarde e o trabalho estava terminado, e lá no altinho ficava a cruz de braços abertos, lembrando-nos a cruz em que morreu o Salvador da Humanidade, há quase 2.000 anos…

A noite cobriu com seu manto negro a solidão das matas, mas o homem construía em seu cérebro uma desforra e esta não tardou. Os homens não se conformavam de forma alguma em ficar sem aquelas terras que tanto ambicionavam, e que no seu modo de entender lhes pertenciam. Acompanhados de seus escravos e servidores, rumaram para o local em que foram informados se erguia uma cruz, marco da sesmaria doada a Nossa Senhora da Piedade.

Torre da Cruz Queimada, Piacatuba, Leopoldina, MG

O fazendeiro cheio de ódio e irritado, mandou que os seus escravos escavassem ao pé da cruz. Mas embora em terreno arenoso, depois de longo trabalho não conseguiram. Fizeram força e a cruz não se desprendia da terra, e mal conseguiram tombá-la. O homem encolerizou-se e mandou que a cortassem e fizessem em pedaços. Mas os machados, embora manejados pelas mãos fortes dos escravos, nada conseguiram. Ao tocar a madeira, não cortavam, simplesmente amassavam a madeira onde a lâmina afiada do machado tocava. O homem começou a desconfiar de que qualquer coisa de anormal estava acontecendo.

Mas não desanimou… e … espumando de raiva, mandou os escravos juntarem grande quantidade de lenha em uma pequena derrubada que fizeram para uma plantação de milho, e colocassem em redor da cruz até que ela desaparecesse. No meio da lenharia seca, colocou então algumas taquaras secas e lançou fogo àquela montanha de madeira. Satisfeito, regressou à sua fazenda. Durante toda a noite o fogo crepitou terrível e altas labaredas iluminavam sinistramente a floresta.

Até que a madrugada aparecesse novamente e um novo dia raiou. Com ele a faina diária na fazenda. Um dos escravos que tinha ajudado nos trabalhos da véspera para tentarem arrancar a cruz, deu por falta de sua foice e lembrou-se que a havia esquecido junto ao lugar em que fizeram a fogueira na véspera. Logo veio procurá-la e, ao se aproximar do local que fizeram a fogueira, lá estava um braseiro ardente, e a cruz imponente e majestosa continuava de pé sem que o fogo conseguisse destruí-la. Simplesmente chamuscada, tomou uma cor escura como se se vestisse de luto pela impiedade dos homens. E o símbolo da redenção triunfando das chamas ardentes, proporcionou aos nossos antepassados um grandioso milagre… E todos que fizeram parte deste sacrilégio foram castigados.

Piacatuba, Leopoldina, MG

O Padre Raymundo N. F. de Araújo foi o arquiteto do monumento da Torre da Cruz Queimada, cuja construção iniciou-se aos 18 de julho de 1924, concluindo-se os trabalhos aos 20 de abril de 1928. Joaquim Fajardo de Mello Campos, com sua esposa Guilhermina Balbina Henriques Soares Fajardo, foram os idealizadores e benfeitores da construção do monumento.