104 – Vida e obra de Átila Lacerda da Cruz Machado

Como ficou dito no artigo anterior o Trem de História de hoje prossegue com Átila Lacerda da Cruz Machado que fez seus primeiros estudos em Barbacena e concluiu o curso técnico de Radiotelegrafia no Departamento de Correios e Telégrafos do Distrito Federal, na época, na cidade do Rio de Janeiro – RJ[1]. Em 1931, transferiu-se para Leopoldina onde montou a Estação Radiotelegráfica do Estado de Minas Gerais e nela exerceu sua profissão até aposentar-se.

Quatro anos depois, em 27.02.1935, casou-se[2] com Herondina Domingues da Cruz Machado com quem teve cinco filhos: Helenice, Lincoln, Maria, Raphael e Míriam.

Segundo Mário de Freitas[3], conterrâneo de Átila Lacerda, a mãe dele, Dona Clarieta, era uma educadora de méritos invulgares. Seu irmão, Carlos Mário, professor e oficial categorizado da Escola Preparatória de Cadetes do Ar lecionou, também, no Colégio Leopoldinense.

Átila Lacerda foi funcionário público, professor, idealista, espírita convicto e atuante. Segundo José do Carmo, ajudou na reestruturação do Centro Espírita “Amor ao Próximo”, elaborando seus novos Estatutos, a partir de 05.09.1937. Participou da administração do Centro como secretário, vice-presidente e presidente nos períodos[4] 1947 a 1949, 1958 a 1960 e 1964 – 1973.

Durante sua administração, criou naquela Casa a Escola de Evangelização “Bezerra de Menezes”, para crianças e, a Mocidade Espírita “Dias da Cruz”, para jovens. Fundou, com outros abnegados irmãos de crença, o Albergue Noturno “Major Zeferino”, notável obra social que se localiza na Rua Santa Filomena, em Leopoldina.

Elizabeth Montenari[5] declarou que “por muitos anos o Sr. Atila, inspirado poeta e possuidor de vasta cultura filosófica e religiosa, presidiu o Amor ao Próximo” e foi “um dos baluartes da Casa.” Durante 49 anos dedicou-se à causa do Espiritismo com Jesus, levando a todos a palavra esclarecedora e o conselho amigo, no seu dia-a-dia ou, nas tribunas espíritas para exposições da Doutrina, em Leopoldina ou em cidades vizinhas.

Átila Lacerda da Cruz Machado ajudou a fundar o Rotary Clube de Leopoldina e, rotariano entusiasta, realizou, durante 27 anos, várias conferências rotárias, nacionais e internacionais, no próprio Clube e em diversos outros. Recebeu o título de “Sócio Honorário de Rotary”.

Oriundo da Loja Maçônica “Regeneração Barbacenense”, fundou a Loja Maçônica “27 de Abril” de Leopoldina, na qual foi Venerável durante os três primeiros anos e ocupou, mais tarde, outros postos. Recebeu do Grande Oriente do Brasil o título de “Maçon Emérito”.

Em 1958, eleito vereador e líder da Câmara Municipal de Leopoldina, na administração do Dr. Jairo Salgado Gama teve oportunidade de prestar vários serviços à cidade.

Em 1977, foi-lhe outorgado o título de “Cidadão Leopoldinense”. E desde 23.04.92, de acordo com a Lei nº 2397, empresta seu nome à praça existente, ao lado da Praça Félix Martins, no início da Rua Manoel Lobato[6].

É ainda de José do Carmo Rodrigues a informação de que publicou trabalhos de cunho rotário, político, poético e religioso nos periódicos Gazeta de Leopoldina, Jornal Ilustração, O Roteiro, Revista Rotária e no Jornal do Rotary Clube de Leopoldina.

Em 1954, participou ativamente da fundação do Conservatório Estadual de Música Lia Salgado[7], instituição da qual sua filha Helenice foi ativa diretora.

Para a Revista Acaiaca[8], escreveu em 1961 o poema Cidade Menina, posteriormente publicado em prospecto independente e distribuído pela cidade. Escreveu com o coração, deixando espelhar em sua obra, uma vida marcada pela preocupação com a elevação espiritual do homem e o Amor a Deus e à Criatura, segundo o site Amor ao Próximo.

Átila Lacerda da Cruz Machado, foi carinhosamente apelidado pelos rotarianos leopoldinenses como “A Patativa de Caxambu”, em virtude de memorável alocução sua naquela cidade. Teve o seu desenlace em 26.12.1980, rodeado pelo amor e o carinho da esposa, filhas, genros e netos.

Por hoje o Trem de História fica por aqui. Na próxima edição a viagem contará com a presença do mesmo personagem para contar um pouco sobre a família da sua consorte. Até lá.


Fontes consultadas:

[1] RODRIGUES, José do Carmo. Átila Lacerda da Cruz Machado. Disponível em <josedocarmo.blogspot.com/2010/02/atila-lacerda-da-cruz-machado.html> Acesso 31 out. 2016

[2] idem

[3] FREITAS, Mário de. Leopoldina do meu Tempo. Leopoldina: do Autor, 1985. p. 222.

[4] Centro Espírita Amor ao Próximo. Disponível em <http.//amoraoproximo-104anos.webnode.com.br/álbum> Acesso 8 out. 2016

[5] Almanack do Arrebol nº 06, outubro/85, texto Movimento Espírita Leopoldinense.

[6] RODRIGUES, José Luiz Machado e CANTONI, Nilza. Nossas Ruas, Nossa Gente. Rio de Janeiro: do autor, 2004. p. 38.

[7] Conservatório Estadual de Música Lia Salgado, 55 anos. Leopoldina, MG: Kalon Moraes, 31.10.2009, p. 3.

[8] ALMEIDA, Kleber Pinto de. Leopoldina de todos os tempos. Belo Horizonte: s.n., 2002; p.11-12.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 356 no jornal Leopoldinense de 1 de junho de 2018

46 – 106 anos da Colônia Constança

Em abril de 2010, quando se comemorou o Centenário de Fundação da Colônia Agrícola da Constança e os 130 anos de Imigração Italiana em Leopoldina, a professora Natania Nogueira sugeriu que seus alunos pesquisassem em suas famílias a presença de imigrantes. Como resultado foram realizados vários trabalhos individuais ou em duplas com entrevistas, fotografias e informações obtidas com os familiares ou vizinhos daqueles estudantes.

Abria-se ali a questão colocada por Verena Alberti[1] sobre “até que ponto uma história de vida permite compreender a história da sociedade?” Um questionamento que a própria autora responde dizendo-se convencida de que “experiências individuais podem ampliar nosso conhecimento sobre o mundo”.

Contar a história de indivíduos para se chegar à história da cidade vem sendo o carro de primeira classe deste imaginário Trem.

Isto começou com o estudo sobre a Colônia Constança, que resultou em um conjunto de informações até então desconhecidas pelos próprios descendentes daqueles estrangeiros que viveram em Leopoldina entre o final do século XIX e o início do seguinte.

A partir dos textos publicados em jornais da cidade desde 1999, que culminaram com o caderno especial do Jornal Leopoldinense, de abril de 2010 e com a divulgação dos estudos na rede mundial de computadores ao longo de todo o tempo, levou-se aos leitores um pouco da trajetória dos usuários de 409 sobrenomes de imigrantes, o que certamente funcionou como estímulo para muitas famílias se interessarem pelas próprias origens.

Semelhante trilho percorre o Trem de História ao relembrar, nos 106 anos da Colônia, sobrenomes de pessoas que fazem parte da história do município de Leopoldina.

Abolis, Agus, Albertoni, Amadio, Ambri, Ambrosi, Andreata, Andreoni, Andreschi, Anselmo, Antinarelli, Antonelli, Antonin, Anzolin, Apolinari, Apova, Apprata, Arleo, Aroche, Artuzo, Bagetti, Balbi, Balbini, Baldan, Baldasi, Baldini, Baldiseroto, Baldo, Baqueca, Barbaglio, Barboni, Barra, Bartoli, Basto, Battisaco, Beatrici, Beccari, Bedin, Bellan, Benetti, Bergamasso, Berlandi, Bernardi, Bertini, Bertoldi, Bertulli, Bertuzi, Bestton, Betti, Bighelli, Bigleiro, Bisciaio, Bogonhe, Boller, Bolzoni, Bonini, Bordin, Borella, Bovolin, Brandi, Brando, Breschiliaro, Bresolino, Bronzato, Bruni, Bugghaletti, Bullado, Buschetti, Cadeddu, Cagliari, Caiana, Calloni, Caloi, Calza, Calzavara, Campagna, Campana, Cancelliero, Canova, Capetto, Cappai, Cappi, Capusce, Carboni, Carmelim, Carminasi, Carminatti, Carrara, Carraro, Casadio, Casalboni, Casella, Cassagni, Castagna, Castillago, Cataldi, Catrini, Cavallieri, Cazzarini, Cearia, Ceoldo, Cereja, Cesarini, Chiafromi, Chiappetta, Chiata, Chinelatta, Chintina, Ciovonelli, Cobucci, Codo, Colle, Columbarini, Contena, Conti, Corali, Corradi, Corradin, Cosenza, Cosini, Costa, Costantini, Crema, Cucco, Dal Canton, Dalassim, Dalecci, Dalla Benelta, Danuchi, Darglia, De Angelis, De Vitto, Deios, Donato, Dorigo, Duana, Eboli, Ermini, Estopazzale, Fabiani, Faccin, Faccina, Fachini, Falabella, Falavigna, Fannci, Fanni, Farinazzo, Fazolato, Fazzolo, Federici, Fermadi, Ferrari, Ferreti, Ferri, Fichetta, Filipoli, Filoti, Finamori, Finense, Finotti, Fioghetti, Fiorato, Fofano, Fois, Fontanella, Formacciari, Formenton, Fovorini, Franchi, Franzone, Fucci, Fuim, Galasso, Gallito, Gallo, Gambarini, Gambato, Gasparini, Gattis, Gazoni, Gazziero, Gentilini, Geraldi, Geraldini, Gessa, Gesualdi, Ghidini, Giacomelle, Giamacci, Gigli, Gismondi, Giudici, Giuliani, Gobbi, Gorbi, Gottardo, Grace, Graci, Grandi, Griffoni, Grilloni, Gripp, Gronda, Gruppi, Guarda, Guardi, Guelfi, Guerra, Guersoni, Guidotti, Iborazzati, Iennaco, La Rosa, Lai, Lamarca, Lami, Lammoglia, Lazzarin, Lazzaroni, Leoli, Lingordo, Locatelli, Locci, Loffi, Longo, Lorenzetto, Lorenzi, Lucchi, Lupatini, Macchina, Maciello, Magnanini, Maiello, Maimeri, Malacchini, Mamedi, Mancastroppa, Mantuani, Manza, Maragna, Marangoni, Marassi, Marcatto, Marchesini, Marchetti, Marda, Marinato, Mariotti, Marsola, Martinelli, Marzilio, Marzocchi, Matola, Matuzzi, Mauro, Mazzini, Meccariello, Melido, Meloni, Melugno, Menegazzi, Meneghelli, Meneghetti, Mercadante, Mescoli, Meurra, Miani, Minelli, Minicucci, Misalulli, Mona, Monducci, Montagna, Montovani, Montracci, Morciri, Morelli, Moroni, Morotti, Nacav, Naia, Nani, Netorella, Nicolini, Nocori, Pacara, Pachiega, Padovan, Paganini, Pagano, Paggi, Panza, Pasianot, Passi, Pavanelli, Pazzaglia, Pedrini, Pedroni, Pegassa, Pelludi, Pengo, Perdonelli, Perigolo, Pesarini, Petrolla, Pezza, Piatonzi, Picci, Piccoli, Pierotti, Pighi, Pinzoni, Piovesan, Pittano, Pivoto, Piza, Porcenti, Porcu, Pradal, Prete, Precisvale, Previata, Properdi, Rafaelli, Raimondi, Ramalli, Ramanzi, Ramiro, Rancan, Ranieri, Rapponi, Ravellini, Reggiane, Richardelli, Righetto, Righi, Rinaldi, Rizochi, Rizzo, Roqueta, Rossi, Sabino, Saggioro, Sallai, Saloto, Samori, Sampieri, Sangalli, Sangiorgio, Sangirolami Santi, Sardi, Scantabulo, Scarelli, Schettini, Sedas, Sellani, Simionato, Sparanno, Spigapollo, Spoladore, Steapucio, Stefani, Stefanini, Stora, Taidei, Tambasco, Tartaglia, Tazzari, Tedes, Testa, Tichili, Toccafondo, Todaro, Togni, Tonelli, Tosa, Traidona, Trimichetta, Tripoli, Trombini, Valente, Vargiolo, Varoti, Vavassovi, Vechi, Venturi, Verona, Veronese, Vigarò, Vigeti, Viola, Vitoi, Zaccaroni, Zachini, Zaffani, Zamagna, Zamboni, Zamime, Zanetti, Zangirolani, Zaninello, Zannon, Zecchini, Zenobi, Ziller, Zini e Zotti.

A todos eles Leopoldina deve respeito e gratidão.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA – Publicado no jornal Leopoldinense de 16 de abril de 2016


[1] ALBERTI, Verena. Biografia dos avós: uma experiência de pesquisa no ensino médio. Rio de Janeiro: CPDOC, 2006. p.1

Os Cappai e seus vínculos com famílias leopoldinenses

Terceira edição do estudo sobre os ascendentes de José Capaz Dutra Cappai, publicado inicialmente em 2013 apenas com a família paterna. Esta edição foi desmembrada da postagem original por incluir diferentes grupos familiares.

Aguiar, Agus, Almada, Araújo, Arruda, Baeta, Bastos, Bem, Braga, Brito, Bueno, Caetano, Campos, Cappai, Cardoso, Carneiro, Carvalho, Chagas, Chaves, Coelho, Colaça, Colaço, Congiu, Correa, Costa, Cunha, Dantas, Dias, Domingues, Duarte, Dutra, Fernam, Fernandes, Ferreira, Figueiredo, Fonseca, Fraga, Franca, Franco, Freitas, Gago, Garcia, Gaspar, Gessa, Gonçalves, Gouvêa, Graça, Guarda, Gusmão, Henriques, Lacerda, Leal, Luz, Macedo, Maia, Marques, Martins, Medina, Melo, Mendonça, Monte, Montes, Moraes, Nascimento, Natividade, Neto, Neves, Nicácio, Nunes, Oliveira, Paixão, Paz, Pereira, Pimentel, Pinheiro, Pinho, Pinto, Pires, Poça, Queiroz, Rabelo, Rezende, Ribeiro, Rodrigues, Sacramento, Sene, Setúbal, Silva, Silveira, Simões, Soares, Souto, Souza, Tovar, Vale, Valente, Velosa, Vieira, e Xavier.

Nocori, Nacav, Naccari

A postagem de 4 de março, intitulada A Pesquisa em Leopoldina II, gerou muitos comentários. Alguns foram respondidos em novas postagens como fazemos agora, para atender a consulta da paranaense Maria Lúcia. Em virtude das muitas alterações ortográficas, ela está com dificuldade para rastrear a trajetória de seus antepassados. Esperamos contar com a colaboração de visitantes que possam acrescentar informações a respeito.

Luigi Naccari e Catterina Paesante foram pais de Antonio Naccari nascido em Porto Tolle, Rovigo, onde faleceu em 1881.

Antonio se casou com Pietra Marangoni, filha de Antonio Marangoni. Eles tiveram oito filhos: Luigi Cesare, Catterina, Cherubino, Beniamino Angelo, Angela, Maria, Prima e Carolina.

Pietra passou ao Brasil com os filhos em 1888. Estabeleceu-se no distrito de Ribeiro Junqueira, onde viveu com o segundo marido, Candido Leone Finotti. Nos primeiros anos do século XX, o segundo marido de Pietra já havia saído de Leopoldina e com ele alguns descendentes dela que se dirigiram para Muriaé, Carangola, Manhuaçu e os atuais municípios de Simonésia e Governador Valadares.

Nem todos os filhos de Pietra e Antonio Naccari usaram o sobrenome paterno no Brasil, o que dificultou localizá-los. A seguir destacamos os que formaram família em Leopoldina.

1-Luigi Cesare Naccari, o mais velho, nasceu a 3 Abr 1868 em Porto Tolle. Casou-se com a italiana Izabel Zannon, filha de Giovanni Zannon e Luigia Pezza. Tiveram dez filhos Palmira Celeste, Maria Laurinda, Antonio Keroubino, Luiza, Santa, Ernesto Giovanni, Epifania Luiza, Cecilia, Julieta Romana e João.

O casal trabalhava na Fazenda Pedro Velho, em 1896. Esta propriedade ficava ao norte do distrito de Ribeiro Junqueira.

4 - Beniamino Angelo Naccari foi o quarto filho de Antonio e Pietra Marangoni. Nasceu a 3 Jan 1878 em Porto Tolle. Casou-se em Ribeiro Junqueira com Rosa Lorenzetto, filha dos italianos Natale Lorenzetto e Cristina Moroni. Em Leopoldina tiveram dois filhos: Carolina e Elvira. Migraram para Apucarana, PR.

5-Angela Naccari nasceu a 15 Out 1880 em Porto Tolle, sendo a quinta filha de Pietra e Antonio Naccari. Casou-se com Domenico Antonio Lorenzetto, irmão da esposa de Beniamino. Deixaram Leopoldina algum tempo depois.

8-Carolina Marangoni foi a última filha de Antonio Naccari, nascida a 1 Nov 1883 em Porto Tolle. Em Ribeiro Junqueira se casou com Aurelio Pimentel, filho dos imigrantes portugueses José Aurélio da Costa Pimentel e Eduarda Pereira. Carolina e Aurélio tiveram 11 filhos: Maria, José Benedito, Julio, Antonio, Maria, Luiz, Sebastião, Maria Consuelo, Aurelio, Maria Aparecida e Wilson. Ao que se sabe, foi a única filha de Antonio Naccari que permaneceu em Leopoldina, onde tem descendentes até os dias atuais. Entre eles, um foi prefeito do município.

 

Eleitores do Rio Pardo

Nos estudos sobre os antigos habitantes de Leopoldina, foram consultados os livros de Atas de Eleições que incluem as Qualificações de Eleitores ou Atas de Alistamento. No caso do atual município de Argirita, elas foram encontradas no Livro de Atas de Eleições de Bom Jesus do Rio Pardo, códice 25, que abrange o período de 1862 a 1874 e pertence ao acervo da Câmara Municipal de Leopoldina. É uma fonte interessante para saber quem eram os homens brancos, livres, maiores de 24 anos, com renda anual que lhes desse o direito de votar e, se de renda superior, o direito também de serem votados. Muitos daqueles nomes já constavam da Lista Geral de Votantes de São João Nepomuceno, códice PP 11 caixa 43, cujo pacote 09 se refere ao então distrito de Bom Jesus do Rio Pardo e que está no Arquivo Público Mineiro.

Não se pretende, aqui, discutir o sistema eleitoral vigente no Brasil ao tempo do Império. O objetivo é apenas usar um de seus instrumentos de controle para reunir os nomes dos cidadãos nele inscritos. Ressalte-se que a ortografia dos nomes é a constante nas fontes consultadas.

Importante esclarecer que a coluna Nascimento indica o ano estimado segundo a idade constante nas atas consultadas. Já a coluna Localização traz a informação encontrada nas atas de 1862 a 1864, as únicas a mencionarem o local de moradia do eleitor. A indicação “Dores” seguida de um numeral ordinal significa que o eleitor residia em território que em 1856 passou a constituir o distrito de Dores do Monte Alegre, então pertencente ao município de Leopoldina, atualmente denominado Taruaçu e pertencente a São João Nepomuceno. O numeral se refere ao quarteirão de Dores do Monte Alegre na época.

A transcrição destes dados tem por objetivo auxiliar outros pesquisadores que não tenham oportunidade de ir a Leopoldina consultar os livros do século XIX que não estão disponíveis para acesso à distância.

Nota: este material foi produzido em 2001, atualizado e republicado em março de 2021.