Famílias italianas em Leopoldina: Zampieri e Albertoni

Luiz Cesar Zampier será homenageado na III Festa do Imigrante Italiano em Leopoldina, representando a família de Giacomo Zampieri que já havia falecido quando seus quatro filhos passaram ao Brasil, em 1888. Antonio, o mais velho, saiu da Hospedaria sozinho, três dias antes dos irmãos, para trabalhar em Rio Novo. Maria, Domenico e Giuseppe saíram juntos, sob contrato com um fazendeiro de Muriaé. Não temos notícia posterior de Antonio. Os três mais novos se transferiram para Leopoldina pouco tempo depois.

Primeira geração

1.  Luiz Cesar Zampier, filho de Galdino César da Silva Filho e Luzia Zampieri, nasceu a 12 Jul 1937 em Leopoldina, MG.

Segunda geração (Pais)

2.  Galdino César da Silva Filho, filho de Galdino César da Silva e Maria José Vilas Boas. Casou com Luzia Zampieri.

3.  Luzia Zampieri, filha de Giuseppe Zampieri e Virginia Albertoni.

Terceira geração (Avós)

6.  Giuseppe Zampieri, filho de Giacomo Zampieri e Luigia Silvester, nasceu na Italia. Casou com Virginia Albertoni a 5 Ago 1893 em Leopoldina, MG.

7.  Virginia Albertoni, filha de Catterino Albertoni e Regina Bassato, nasceu a 16 Abr 1874 em Venezia, Veneto, Italia. Virginia também usou o nome Maria Albertoni.

Quarta geração (Bisavós)

12.  Giacomo Zampieri, filho de Domenico Zampieri e Frosca Bettetto, nasceu em Arino di Dolo, Venezia, Veneto, Italia, e faleceu a 31 Ago 1877 em Pianiga, Venezia, Veneto, Italia. Casou com Luigia Silvester.

13.  Luigia Silvester nasceu na Italia.

14.  Catterino Albertoni, filho de Giuseppe Albertoni e Anna Tommasin, nasceu cerca de 1844 na Italia, e faleceu a 2 Jul 1882 em Dolo, Venezia, Veneto, Italia. Casou com Regina Bassato.

15.  Regina Bassato nasceu na Italia e faleceu em Dolo, Venezia, Veneto, Italia.

Quinta geração (Trisavós)

24.  Domenico Zampieri nasceu na Italia onde se casou com Frosca Bettetto.

25.  Frosca Bettetto nasceu na Italia.

28.  Giuseppe Albertoni nasceu na Italia onde se casou com Anna Tommasin.

29.  Anna Tommasin nasceu na Italia.

Dolo, local de origem dos Zampieri, é um comuni da província de Venezia, no limite com a província de Padova. Está no centro da área de origem de vários imigrantes que passaram ao Brasil em 1888, pelo vapor Washington, e que eram de Camponogara, Mira, Pianiga, Stra e Vigonza, sendo este último pertencente à província de Padova. Alguns daqueles passageiros foram para a Italia pouco tempo depois e pelo menos uma das famílias retornou definitivamente ao Brasil na década seguinte. Talvez Antonio Zampieri também tenha feito o caminho de volta.

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Fontes consultadas:

Archivio di Stato di Pianiga. Livro de Registro de Óbitos de 1877 parte I pag 37 termo 71

Archivio di Stato di Venezia. Livro de Registro de Óbitos termo 64

Arquivo da Diocese de Leopoldina. Livro 2 de casamentos, fls 88 termo 55.

Arquivo Público Mineiro. Livro da Hospedaria Horta Barbosa SG-801.

Carteira de Identidade de Luiz Cesar Zampier, RG nr MG 2.918.056 emitido por SSP-MG em 20/06/2017.

Registro de Estrangeiros de 1942.

Os Albertoni

As mais antigas referências obtidas com familiares davam conta de que Virginia Albertoni tinha vindo para o Brasil sem os pais, acompanhando uma família com a qual trabalhava como babá. Entretanto, descobrimos que os pais dela haviam falecido no início da década de 1880. O irmão dele assumiu o cuidado dos sobrinhos e, quando decidiu deixar a Itália, trouxe-os para o Brasil.

Nos registros da Hospedaria Horta Barbosa encontramos a entrada, no dia 31 de outubro de 1888, de Angelo Albertoni e a esposa Celeste, acompanhados do filho Pasquale e dos sobrinhos Maria, Egisto e Anna. Na verdade, a menina identificada como Maria era Virgínia, que provavelmente cuidava dos irmãos desde que os pais faleceram.

Esta é mais uma família proveniente da divisa entre as províncias de Padova e Venezia que passou ao Brasil em 1888, indo para Leopoldina.

Virginia conheceu o futuro marido na viagem para o Brasil. Mas os quatro irmãos Sampieri/Zampieri se separaram na Hospedaria: Antonio foi contratado para trabalhar em Rio Novo e os outros três foram para Muriaé. Pouco tempo depois, Maria, Domenico e Giuseppe vieram para Leopoldina, onde este último se casou com Virginia Albertoni.

Os estudos sobre a família Sampieri/Zampieri estão sendo revisados. Em virtude de alterações de grafia, os registros da Colônia Agrícola da Constança não permitem identificar corretamente qual dos irmãos teria adquirido o lote nr 14,  em 1910.

Passageiros do Vapor Washington

No dia 30 de outubro de 1888, aportou no Rio de Janeiro o vapor italiano Washington. Esta viagem chamou nossa atenção por ter sido, naquela década, a primeira que reuniu grande número de imigrantes que se dirigiram para Leopoldina. Aliás, naquele mês de outubro de 1888, segundo o periódico A Immigração, publicado na Corte, entraram no porto do Rio 6.088 imigrantes, sendo 4.090 italianos.  Do total de imigrantes entrados, as seguintes localidades receberam o maior número:

3.076 - Minas Gerais

1.250 – Corte

  868 – São Paulo

  545 – Rio de Janeiro

  203 – Rio Grande do Sul

  128 – Paraná

Fonte: A Immigração, Rio de Janeiro, nov. 1888, p.3

Mas estes dados se referem apenas ao porto do Rio de Janeiro sobre o qual a mesma publicação informa que no mês de outubro foi computado o maior número de desembarcados de 1888, e que o total atingido naquele ano já era maior do que o de todos os anos anteriores.

 

A lista de passageiros foi encaminhada para a Hospedaria Horta Barbosa, em Juiz de Fora, cujo registro está disponível no site do Arquivo Público Mineiro, livro SG-801, páginas 74 a 118. Todos os 1335 imigrantes encontram-se listados, sendo que muitos saíram da Hospedaria com destino a Leopoldina. Ao pesquisar sobre estas famílias, observamos que muitos sobrenomes estavam grafados de maneira diferente do original italiano, além de enganos em nomes, idades e sexo de alguns passageiros. Não conseguimos informações sobre todos eles e, portanto, alguns dos sobrenomes a seguir podem conter incorreções:

Albertin, Albertoni, Baldan, Beatrisini, Bernardi, Bestton, Bortolozo, Broccato, Calzavara, Carraro, Ceoldo, Ceoldo, Cosini, Dommini, Faccina, Fazolato, Formenton, Garbin, Giacomin, Gobbi, Gottardo, Lazzarin, Lorenzi, Marchiori, Marinato, Meneghetti, Montovani, Nalon, Perigolo, Pertile, Pivoto, Polasse, Righetto, Roschi, Rossato, Saloto, Sampieri, Scantamburlo, Schiavolin, Spoladore, Trevisan, Verona, Zapaterra e Zotti.

O vapor Washington permaneceu no Rio até o dia 4 de novembro, quando seguiu para o Chile levando 67 passageiros em trânsito, o que nos leva a supor que 10 passageiros tenham decidido ficar no Rio.

Ao estudarmos as famílias que vieram pelo Washington e que foram para Leopoldina, observamos que uma boa parte era proveniente da divisa entre as províncias de Padova e Venezia.

O comune de Vigonza na província de Padova, os comuni de Pianiga e Dolo na província de Venezia, e as localizades de Arino di Dolo e Cazzago di Pianiga, foram os mais incidentes entre os imigrantes aqui referidos.

Parte dos viajantes não permaneceu em Leopoldina. Entre os que lá se estabeleceram, mais de 20 anos depois alguns se tornaram proprietários de lotes da Colônia Agrícola da Constança.

Nas próximas postagens vamos atualizar informações sobre algumas famílias que vieram pelo vapor Washington.