Por que os primeiros prefeitos de Recreio foram indicados?

Recreio teve sua emancipação político-administrativo assinada aos 17 de dezembro de 1938. A partir de 1° de janeiro de 1939 o território deixou de ser subordinado politicamente ao Município de Leopoldina, mantendo-se dependente apenas na esfera judiciária.
Nesta época o Brasil era regido pela Constituição do Estado Novo, promulgada durante a presidência de Getúlio Vargas, que chegou ao poder pela Revolução de 1930, tendo sido deposto em 1945. Para entender o motivo pelo qual os quatro primeiros prefeitos de Recreio foram indicados e não eleitos, interessa-nos analisar apenas o período 1938/1945. Naquele momento éramos a República dos Estados Unidos do Brasil, a capital (distrito federal) era o Rio de Janeiro, a moeda passou do Réis (Rs$) para o Cruzeiro (Cr$) em 1942 e o estado de Minas Gerais era governado por Benedito Valadares, que permaneceu no poder entre 1933 a 1945.
Segundo a Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil, de 10 de novembro de 1945, no Artigo 27:
“O Prefeito será de livre nomeação do Governador do Estado”.
Benedito Valadares fora nomeado por Getúlio Vargas e cabia-lhe a indicação dos prefeitos municipais, ou seja, tudo na base da coligação política. Sendo assim, em Recreio chegaram ao poder, por indicação de Benedito Valadares, os seguintes chefes do executivo municipal: Modesto Faria; José Simão de Almeida; Rossini de Minas; e, por último, Rafael da Costa Cruz Figueira.
Com o fim do Estado Novo as eleições diretas voltaram e, aos 26 de outubro de 1947, Recreio elegeu seu primeiro prefeito por voto direto: Darcy Nunes Miranda.
Leonardo Ribeiro da Silva
Graduado em História pela Faculdades Integradas de Cataguases
Pós-graduado em Ciências Humanas pela Universidade Federal de Juiz de Fora
Fotografias feitas pelo autor, na galeria da Prefeitura Municipal de Recreio.
Modesto Faria
José Simão de Almeida
Rafael da Costa Cruz Figueira
Não foi encontrada imagem do terceiro prefeito, Rossini de Minas.

Francisco Silva: centenário de nascimento

Nasceu em Leopoldina no dia 17 de dezembro de 1911, filho de Antônio Maurício da Silva e Emília dos Reis Coutinho.
Sua mãe era filha de Moisés dos Reis Coutinho, residente em Leopoldina desde o início da década de 1870.

“De vm ce amigo, servo, venerador…”: comentários sobre o sujeito histórico e a escrita epistolar nas Minas setecentistas

Paulo Miguel Fonseca

RESUMO

O presente texto visa contextualizar as discussões relativas à ação do sujeito histórico e as dinâmicas frente aos sistemas normativos na construção da escrita da História. Para isso, iremos analisar o papel do sujeito como autor e a relação com o produto de seu trabalho. A título de estudo de caso, buscaremos dissecar a correspondência do colono mineiro Paulo Pereira de Souza, comerciante de secos e molhados que atuou na capitania de Minas Gerais nas décadas de 1750 e 1760. É, pois, a partir de Paulo Pereira que procuraremos identificar as variadas formas de narrativa e expressão, que naturalmente geram diferentes percepções do historiador.

Palavras-chave: epistolografia, Minas Gerais, Brasil, Paulo Pereira de Souza.

Varia Historia – “De vm ce amigo, servo, venerador…”: comentários sobre o sujeito histórico e a escrita epistolar nas Minas setecentistas

Site da Revista Acervo

Agora poderemos ler esta ótima publicação semestral do Arquivo Nacional pela internet. Neste endereço já estão disponíveis os volumes 23, nr 2; 23, nr 1 e 22, nr 2.

Destaco, em especial, o número 2 do volume 23, que aborda a Preservação de Acervos Documentais. Todos os artigos são ótimos. O primeiro é de Adriana Cox Hollós abordando os fundamentos da preservação documental no Brasil. Uma boa introdução para quem tem pouco conhecimento na área.

 

História ou romance? A renovação da biografia nas décadas de 1920 a 1940

 Artigo de Márcia de Almeida Gonçalves publicado na Revista  ArtCultura, Uberlândia, v. 13, n. 22, p. 119-135, jan.-jun. 2011

Resumo

No alvorecer do século XX, o debate sobre biografias ocupou autores e intelectuais europeus interessados em reconsiderar os diversos campos da produção letrada. Objetivamos nesse artigo situar esse debate entre autores ingleses, por meio da apresentação de algumas de suas indagações sobre a dimensão artística, na sua proximidade com a forma do romance, de biografias qualificadas como modernas. Se Lytton Strachey e sua “Rainha Vitória” (1921) vieram a se tornar referências, isso assim ocorreu no contexto de questionamentos realizados por Harold Nicolson e por Virgínia Woolf, nas décadas de 1920 e 1930. Ao caracterizarmos as indagações de Nicolson e Woolf, pretendemos analisar o valor seminal das mesmas em apropriações que afetaram autores franceses – destaque para Andre Maurois e seu Aspectos da biografia (1928) – e também letrados e críticos brasileiros – como Edgard Cavalheiro e seu texto Biografias e biógrafos (1943).

7988 (objeto application/pdf).

Contagem Populacional de 1843

No dia 15 de dezembro de 1843, em atendimento a uma solicitação do Presidente da Província, foi encaminhado o censo de habitantes realizado naquele ano. O Feijão Cru agora contava com 213 fogos ocupados por 2.171 habitantes. Comparando-se os nomes registrados nas contagens até ali realizadas, observa-se que o aumento populacional ocorreu, entre outras causas, pela vinda de parentes dos antigos moradores. O que vem comprovar declaração de antigos estudiosos da história de Leopoldina, especialmente no que se refere aos Almeida Ramos,  Ferreira Brito e Gonçalves Neto. Destas três famílias, muitos parentes que haviam permanecido na região de origem, na Serra da Ibitipoca, migraram para o Feijão Cru a convite dos que ali se estabeleceram nos primeiros tempos.

Derrama, boatos e historiografia

O problema da revolta popular na Inconfidência Mineira
Tarcísio de Souza Gaspar

Revista de Teoria da História

Universidade Federal de Goiás

A Operação Genealógica

“O que é uma Genealogia? Como pode o historiador utilizar-se de genealogias como fontes históricas, e, em contrapartida, quais as possibilidades de tomar a própria genealogia para o objeto historiográfico em si mesmo? Como os indivíduos, famílias e grupos sociais constróem as sua genealogias – selecionando alguns antepassados e descartando outros – de modo a edificar a sua própria identidade? Como as genealogias funcionaram nos diversos períodos históricos?”

De José d’Assunção Barros, o artigo foi publicado na Mouseion, v. 1, nr. 2, julho-dezembro de 2007.

Vejam o texto completo:

operacao_genealogica.pdf (objeto application/pdf)

Novas tendências da historiografia sobre Minas Gerais no período colonial

Novas tendências da historiografia sobre Minas Gerais no período colonial

Júnia Ferreira Furtado

Resumo

Este texto pretende analisar a produção historiográfica sobre a capitania das Minas Gerais produzida a partir dos anos 1980, o que aqui denomino “Historiografia sobre Minas Gerais”. Esse momento recente da historiografia colonial mineira foi inaugurado com o livro Desclassificados do ouro, de autoria de Laura de Mello e Souza. Pretende-se mapear os temas hegemônicos, as tendências e os recortes teóricos utilizados, destacando a produção acadêmica realizada pelospesquisadores, especialmente os brasileiros. O texto aponta para a pluralidade das temáticas, fontes e interpretações como característica dessa produção e que a originalidade das novas interpretações ocorreu num contexto de ampla renovação metodológica característica dos estudos históricos no Brasil nas últimas décadas. O texto também procura apontar os novos rumos, as tendências e os contrastes dessa produção historiográfica recente.