O livro didático de História no Brasil oitocentista

Com o subtítulo O instituto histórico e geográfico brasileiro e a formação da identidade nacional, Andre Mendes Salles aborda um assunto pouco comentado. Convidamos para a leitura neste endereço através do resumo a seguir.

“Este artigo pretende discutir a produção de livros didáticos de História do Brasil no período imperial brasileiro e sua ligação com a inventividade do sentimento nacional. Os autores desses manuais eram, em sua maioria, sócios do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB) e/ou professores do Colégio Pedro II. Portanto, falavam de um lugar-social bastante específico, possuindo, muitas vezes, estreitas ligações com os poderes institucionais. Com as instabilidades da Regência, o IHGB assumiu a função de criar uma legitimidade para a unidade nacional. Assim, o livro didático de história pátria assume também esse papel, sobretudo junto à mocidade brasileira, estabelecendo, com isso, uma verdadeira “pedagogia do cidadão”.

Revista Bello Horizonte

A revista Bello Horizonte publicava conteúdo literário e noticioso. A publicação trazia contos, humor e reportagens sobre moda e sobre o Estado mineiro. O número 3 deste periódico circulou em setembro de 1933 e na página 13 saiu matéria sobre o artista Antonio Rocha, natural de São João del Rei, ali descrita como “um museu que a natureza vigia”.
Aqui você pode ler este e outros números da Revista.

Maria Justina Maragna: centenário de nascimento

Nasceu em Leopoldina no dia 12 de fevereiro de 1911, filha de Silvio Maragna e Elisa Fazzolo.

Antiga imagem do distrito de Tebas, Leopoldina, MG

Do álbum do João Batista, esta fotografia de Tebas. A legenda indica o ano de 1880.

Sebastião Ferreira de Souza Lima: centenário de nascimento

Nasceu em Leopoldina no dia 11 de fevereiro de 1911, filho de Francisco de Souza Lima e Ana Ferreira de Almeida.

Anacronismo

“Desconhecer que as fontes do início do Brasil-República, ao mencionarem a palavra ‘operário’, tem em vista algo diferente do que hoje entendemos por um operário – isso é um Anacronismo. Acreditar que os romanos da época do primeiro saque de Roma (410 d.C) tinham o mesmo tipo de desespero que os americanos que vivenciaram a crise inspirada pelos atentados que destruíram o World Trade Center em setembro de 2001, isso seria anacronismo. Podemos até comparar contrastivamente estes eventos, mas não para confundi-los.”
O parágro acima faz parte de uma postagem de José d’Assunção Barros neste endereço. Ele próprio sugere, sobre o Anacronismo, ver seu livro O Campo da História, cuja 8a edição acaba de sair pela Editora Vozes, de Petrópolis.
Indicamos esta leitura por acreditarmos ser necessário refletir sobre os riscos que corremos ao interpretar um fato do passado com o olhar do presente. Como, aliás, citou Marc Bloch em Apologia da História.

Tereza Gottardo: centenário de nascimento

Nasceu em Leopoldina no dia 8 de fevereiro de 1911, filha de Michele Arcangelo Gottardo e Vitalina Duana.
Centenário de Nascimento

Livros importantes para um Historiador

Em agosto de 2010 Fabricio Leal de Souza publicou o resultado de uma pesquisa realizada com os leitores de seu blog sobre os livros indispensáveis na vida de um historiador.

1º. Apologia da História (Marc Bloch)

2º. Raízes do Brasil (Sérgio Buarque de Holanda)

3º. Casa-Grande & Senzala (Gilberto Freyre)

4º. Era dos Extremos (Eric Hobsbawm)

5º. História e Memória (Jacques Le Goff )

6º. Formação do Brasil Contemporâneo (Caio Prado Júnior) e O Queijo e os Vermes (Carlo Ginzburg)

7º. Domínios da História (Ciro Flamarion Cardoso)

8º. Mitos, Emblemas, Sinais (Carlo Ginzburg)

9º. A Escrita da História (Peter Burke), A Ideologia Alemã (Friedrich Engels), O Capital (Karl Marx) e Como se escreve a História (Paul Veyne)

10º. A Escola dos Annales (Peter Burke), A Escrita da História (Michel de Certeau), O Príncipe (Nicolau Maquiavel) e Passagens da Antiguidade para o Feudalismo (Perry Anderson)

Ainda que alguém discorde da ordem de preferência dos leitores do Fabrício, não se pode negar o valor das obras mais votadas.

 

Ampliando o conhecimento

Um trecho do Texturas do discurso histórico – apontamentos para um estudo da linguagem dos textos historiográficos latinos, de Leni Ribeiro Leite, publicado na Revista Alethéia de Estudos sobre Antigüidade e Medievo – Volume 2/2, Agosto a Dezembro de 2010, trouxe à memória uma questão que vem incomodando desde que lançamos o site em 1997.
Ao longo do texto, lembramo-nos da sensação de que o o famigerado “copiar e colar” teria tomado o lugar do pensar. Com alguma frequência chegam mensagens de leitores pedindo ajuda para realização de trabalhos acadêmicos. Infelizmente, na maioria das vezes o correspondente demonstra querer o trabalho pronto e acabado, ficando ao seu cargo apenas a colagem do conteúdo no trabalho que entregará ao professor.
Muitas vezes temos tido dificuldade de esclarecer ao estudante a necessidade de ler diversos autores sobre o assunto para que possa ter uma opinião e produzir seu próprio texto. Até de estudantes universitários já recebemos a alegação de que não há tempo para ler outros autores e, o que é pior, de que não conseguem compreender os considerados clássicos.
O artigo de Leni Ribeiro Leite menciona, entre outros aspectos, uma informação que parece ser desconhecida de muitos estudantes que nos consultam. Destacamo-la como um convite  à reflexão, por acreditar que se aplica a outras leituras.
Se a partir do século XIX a História deve analisar a história, no mundo romano o historiador era aquele que a contava. Algumas vezes, ele a analisa ao contá-la; mas enquanto o historiador do século XIX vê o passado como uma coleção de documentos que ele deve examinar racionalmente como as peças de um quebra cabeças, mantendo níveis adequados de assepsia, evitando a contaminação com o julgamento pessoal, os sentimentos, as paixões, o historiador antigo ignora tal concepção de verdade histórica, de trabalho com fontes, de impessoalidade. Isso não significa que ele se abstém de se perguntar acerca da veracidade dos eventos, mas os critérios para alcançar tal verdade são diversos: o testemunho concordante de autores predecessores em que se confie, a persistência de uma tradição oral sólida, a verossimilhança de atos e personagens; tais são, para o historiador antigo, as bases para a aceitação de um fato como verdadeiro.
O historiador antigo não usa notas de rodapé. Quanto a isso, diz Paul Veyne (Acreditaram os gregos em seus mitos? Lisboa: Ed. 70, 1987: 22-23): o hábito de citar autoridades não nasceu com a história, mas com as querelas do direito e da teologia. Os historiadores modernos propõe uma interpretação dos fatos e dão ao leitor os meios para verificarem as informações; os historiadores antigos verificam eles mesmos e não deixam tal trabalho ao leitor. Isso não quer dizer que eles não tivessem clareza da diferença entre fontes de primeira ou de segunda mão, por exemplo. Apenas eram detalhes que faziam parte de seu ofício, e não interessavam ao público leitor. Sabe-se que os historiadores romanos tiveram acesso não só aos relatos anteriores, mas também buscavam as fontes privadas, as laudationes funerarias, documentos públicos e os annales maximi. No entanto, esta busca pelas fontes era parte dos bastidores do texto historiográfico, que não devia mostrar em sua superfície este trabalho, sob pena de se considerar que o autor que buscava apoio em citações alheias o fazia por não ser bom escritor ele mesmo.

Conservação de Patrimônio Histórico

O Grupo Novo Caminho Novo se integra, cada vez mais, na luta pela preservação no entorno daquele que foi o principal acesso à região central das Minas. Vejam matéria sobre a Fazenda Ribeirão das Rosas.