“Este artigo pretende discutir a produção de livros didáticos de História do Brasil no período imperial brasileiro e sua ligação com a inventividade do sentimento nacional. Os autores desses manuais eram, em sua maioria, sócios do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB) e/ou professores do Colégio Pedro II. Portanto, falavam de um lugar-social bastante específico, possuindo, muitas vezes, estreitas ligações com os poderes institucionais. Com as instabilidades da Regência, o IHGB assumiu a função de criar uma legitimidade para a unidade nacional. Assim, o livro didático de história pátria assume também esse papel, sobretudo junto à mocidade brasileira, estabelecendo, com isso, uma verdadeira “pedagogia do cidadão”.“
Autor: Nilza Cantoni
Revista Bello Horizonte
Maria Justina Maragna: centenário de nascimento
Antiga imagem do distrito de Tebas, Leopoldina, MG
Sebastião Ferreira de Souza Lima: centenário de nascimento
Anacronismo
“Desconhecer que as fontes do início do Brasil-República, ao mencionarem a palavra ‘operário’, tem em vista algo diferente do que hoje entendemos por um operário – isso é um Anacronismo. Acreditar que os romanos da época do primeiro saque de Roma (410 d.C) tinham o mesmo tipo de desespero que os americanos que vivenciaram a crise inspirada pelos atentados que destruíram o World Trade Center em setembro de 2001, isso seria anacronismo. Podemos até comparar contrastivamente estes eventos, mas não para confundi-los.”
Tereza Gottardo: centenário de nascimento
Livros importantes para um Historiador
1º. Apologia da História (Marc Bloch)
2º. Raízes do Brasil (Sérgio Buarque de Holanda)
3º. Casa-Grande & Senzala (Gilberto Freyre)
4º. Era dos Extremos (Eric Hobsbawm)
5º. História e Memória (Jacques Le Goff )
6º. Formação do Brasil Contemporâneo (Caio Prado Júnior) e O Queijo e os Vermes (Carlo Ginzburg)
7º. Domínios da História (Ciro Flamarion Cardoso)
8º. Mitos, Emblemas, Sinais (Carlo Ginzburg)
9º. A Escrita da História (Peter Burke), A Ideologia Alemã (Friedrich Engels), O Capital (Karl Marx) e Como se escreve a História (Paul Veyne)
10º. A Escola dos Annales (Peter Burke), A Escrita da História (Michel de Certeau), O Príncipe (Nicolau Maquiavel) e Passagens da Antiguidade para o Feudalismo (Perry Anderson)
Ainda que alguém discorde da ordem de preferência dos leitores do Fabrício, não se pode negar o valor das obras mais votadas.
Ampliando o conhecimento
Se a partir do século XIX a História deve analisar a história, no mundo romano o historiador era aquele que a contava. Algumas vezes, ele a analisa ao contá-la; mas enquanto o historiador do século XIX vê o passado como uma coleção de documentos que ele deve examinar racionalmente como as peças de um quebra cabeças, mantendo níveis adequados de assepsia, evitando a contaminação com o julgamento pessoal, os sentimentos, as paixões, o historiador antigo ignora tal concepção de verdade histórica, de trabalho com fontes, de impessoalidade. Isso não significa que ele se abstém de se perguntar acerca da veracidade dos eventos, mas os critérios para alcançar tal verdade são diversos: o testemunho concordante de autores predecessores em que se confie, a persistência de uma tradição oral sólida, a verossimilhança de atos e personagens; tais são, para o historiador antigo, as bases para a aceitação de um fato como verdadeiro.O historiador antigo não usa notas de rodapé. Quanto a isso, diz Paul Veyne (Acreditaram os gregos em seus mitos? Lisboa: Ed. 70, 1987: 22-23): o hábito de citar autoridades não nasceu com a história, mas com as querelas do direito e da teologia. Os historiadores modernos propõe uma interpretação dos fatos e dão ao leitor os meios para verificarem as informações; os historiadores antigos verificam eles mesmos e não deixam tal trabalho ao leitor. Isso não quer dizer que eles não tivessem clareza da diferença entre fontes de primeira ou de segunda mão, por exemplo. Apenas eram detalhes que faziam parte de seu ofício, e não interessavam ao público leitor. Sabe-se que os historiadores romanos tiveram acesso não só aos relatos anteriores, mas também buscavam as fontes privadas, as laudationes funerarias, documentos públicos e os annales maximi. No entanto, esta busca pelas fontes era parte dos bastidores do texto historiográfico, que não devia mostrar em sua superfície este trabalho, sob pena de se considerar que o autor que buscava apoio em citações alheias o fazia por não ser bom escritor ele mesmo.





