Rendimentos do trabalhador Agrícola

Na Revista de Antropologia número 43, Eva Alterman Blay analisa uma publicação da Edusp no ano de 2000 – Imigração ou os paradoxos da alteridade, de Abdelmalek Sayad.

Logo de início a autora informa que são recentes as publicações sociológicas sobre a questão da imigração e mais adiante comenta que

“Sayad desmistifica o uso das biografias, das histórias de vida, método que ele considera importante mas que não se deve tomar de forma incauta. Mostra que histórias de vida, biografias constituem uma fonte — um artifício — para superar a indigência resultante da falta de arquivos, documentos, dados sociais que permitam comparações. Além disso, não basta ao analista simplesmente explicar o significado de uma ou outra palavra mas situar a biografia no conjunto das condições históricas e sociais das quais ela emerge.”

Apesar de leigos, muito cedo sentimos a necessidade de buscar autores com uma boa análise contextual para que pudéssemos entender a trajetória dos imigrantes que viveram em Leopoldina. Impossibilitados de consultar pessoalmente muitas fontes primárias, a alternativa que encontramos foi a leitura de especialistas. Entre eles, falta nos faz conhecer a obra de Claude Woog, um francês que teria informado, a respeito do salário dos trabalhadores agrícolas da Calábria, que o valor de 1900 era o mesmo de 1790.

Seria esta a razão para a vinda dos Cosenza e Longo, que viveram em Leopoldina entre 1910 e 1942? Embora não referido nos relatórios da Colônia Agrícola da Constança, Luigi Cosenza residiu naquele núcleo, segundo consta de seu processo de registro de estrangeiro. Teria encontrado, no Brasil, um rendimento mais adequado para seu trabalho?

Resultado da enquete desta semana

Aos poucos vamos conhecendo melhor os visitantes do blog.As estatísticas de visitação demonstram que 10% dos leitores deixam comentários. Lembramos que nem todos são publicados junto ao post inicial, já que muitos geram um novo post. Depois das duas enquetes publicadas, observamos que o mesmo índice representa o número de leitores que responderam à pesquisa.

Dos que responderam à enquete desta semana, todos informaram descender de imigrantes. E 35% deles fazem pesquisa sobre imigração.

Com os nossos agradecimentos, informamos que estamos preparando uma nova consulta.

O Turismo e a Migração

Foi extremamente importante a adesão do Secretário de Turismo, Esportes e Lazer de Leopoldina à campanha Abrace esta Ideia. Gilberto Tony, também ele descendente de imigrantes, se comprometeu a montar um projeto para realizar o evento comemorativo do Centenário da Colônia Agrícola da Constança em abril de 2010. Ao lado de outras adesões de igual importância, a atuação da Secretaria de Turismo nos remete ao destaque que tem sido dado ao rendimento que a Italia obtém através do turismo. Segundo diversos autores, o emigrado que visita a terra natal é uma grande fonte de recursos.

Desde que começamos a publicar a coluna comemorativa do Centenário, em 2006, sempre recebemos mensagens perguntando sobre a programação do evento. A todos temos explicado que não podemos organizá-lo, porque não residimos em Leopoldina nem podemos ir até lá com a frequência que seria necessária. Sendo assim, optamos por comemorar através da publicação de nossos estudos.

Nos últimos meses, aumentou significativamente o número destas mensagens. O que nos faz concluir que o leopoldinense ausente vê no Centenário da Colônia Agrícola da Constança uma oportunidade de rever a cidade natal, os parentes e amigos. E que muitos descendentes de famílias leopoldinenses, mesmo não conhecendo a cidade de seus antepassados, sentem-se atraídos pelo evento.

A todos vocês, que nos escrevem perguntando como será comemorado o Centenário, pedimos que aguardem notícias que certamente virão dos organizadores, à frente o Secretário de Turismo, Esportes e Lazer.

Marinato, do Veneto

Rodrigo Marinato, neto de Gustavo, pergunta sobre seus antepassados. Sabemos que o chefe da família que passou ao Brasil foi Otaviano Marinato, procedente de Pianiga, no Veneto. Em outubro de 1888 foram registrados na Hospedaria Horta Barbosa, em Juiz de Fora, de onde saíram contratados pela Câmara Municipal de Leopoldina. No mesmo vapor veio Luigia, irmã de Otaviano, casada com Giuseppe Modesto Meneghetti. Em 1896 chegou Felicia, esposa de Giacinto Marcatto.

Família Pazzaglia

A família Pazzaglia chegou a Leopoldina em 1897, tendo sido contratada para trabalhar numa fazenda em São Martinho, distrito de Providência. O sobrenome da Matriarca aparece em algumas fontes como Cappi e em outras como Lucchi.

Os Meloni, da Sardegna

Com a colaboração do descendente Raphael Meloni foi possível identificar esta família radicada em São João Nepomuceno, com pelo menos um descendente em Leopoldina.

De volta

A opinião de que os resultados da economia agrícola do sul da Italia foram direcionados para o norte é compartilhada por inúmeros autores que estudaram o assunto. Entre eles, há os que defendem o argumento de que a ação estatal, privilegiando algumas classes e regiões, criou e sustentou as condições que aceleraram a emigração. E relatam que, ao se instalarem em países como Brasil, Argentina e Estados Unidos, aqueles italianos abriam novos mercados para produtos que ainda não faziam parte da cesta de consumo local, resultando em uma das bases de prosperidade da economia italiana.Considerando com alguns destes autores que 25 de cada mil habitantes do Reino emigraram em 1913, pode-se imaginar a representatividade destas comunidades no exterior para o país que deixaram. E também compreender melhor um relato do jornalista Emilio Sereni, incluído no livro Il Capitalismo nelle Campagne e mencionado por diversos autores. Trata-se de resposta dada por contadini da Lombardia a um ministro que tentava convencê-los a não deixar o país. Eles teriam dito ao ministro:

O que entendes por nação? É a massa dos infelizes? Sendo assim, somos uma nação. Plantamos e colhemos o trigo mas jamais provamos um pão branco. Cultivamos a videira e não bebemos vinho. Criamos animais e não podemos comer carne. É uma pátria a terra em que não se consegue viver do próprio trabalho?

Percebe-se, assim, que de norte a sul da Italia a emigração era vista como solução pelo trabalhador rural.

Farinazzo em Leopoldina

Anelisa Batista pergunta quem foram os avós de Madalena Farinazzo, nascida em Leopoldina. Aí está o que conseguimos apurar.

Nossa forma de Comemorar

A criação do blog, em abril de 2007, teve por objetivo abrir um canal de comunicação mais rápida com quantos se interessassem pelo estudo da imigração em Leopoldina. Embora exista no site uma seção destinada a publicar nossos textos sobre a Colônia Agrícola da Constança, apenas uma parte da pesquisa vem sendo adaptada para a coluna que mantemos no jornal Leopoldinense. Outros aspectos ficam apenas em nossos arquivos e precisamos consultá-los, com frequência, para atender consultas dos leitores. Publicar estas respostas no blog foi uma decisão que vem se mostrando bastante interessante.

Continuaremos convidando os moradores de Leopoldina a comemorarem o Centenário da Colônia Agrícola da Constança. Que cada um realize o que julgar adequado para marcar a data! De nossa parte, fica a certeza de que estudar a vida daqueles imigrantes nos fez sentir a necessidade de reverenciá-los. E optamos por fazê-lo publicando os escritos que produzimos durante estes 15 anos de pesquisas.

Italianos da Basilicata em Leopoldina

Nem todos os imigrantes procedentes da Basilicata foram colonos. Entretanto, os descendentes das famílias procedentes desta região italiana estão hoje vinculados a muitos dos antigos moradores da Colônia Agrícola da Constança.

Arleo, Bianco, Brando, Campagna, Conti, Cunto, Damiani, Domarco, Esposito, Falabella, Gesualdi, Iennaco, Lamarca, Lammoglia, Lingordo, Maciello, Marchetti, Panza, Rinaldi, Schettini e Viola são sobrenomes de ancestrais de muitos leopoldinenses.