Rendimentos do trabalhador Agrícola

Na Revista de Antropologia número 43, Eva Alterman Blay analisa uma publicação da Edusp no ano de 2000 – Imigração ou os paradoxos da alteridade, de Abdelmalek Sayad.

Logo de início a autora informa que são recentes as publicações sociológicas sobre a questão da imigração e mais adiante comenta que

“Sayad desmistifica o uso das biografias, das histórias de vida, método que ele considera importante mas que não se deve tomar de forma incauta. Mostra que histórias de vida, biografias constituem uma fonte — um artifício — para superar a indigência resultante da falta de arquivos, documentos, dados sociais que permitam comparações. Além disso, não basta ao analista simplesmente explicar o significado de uma ou outra palavra mas situar a biografia no conjunto das condições históricas e sociais das quais ela emerge.”

Apesar de leigos, muito cedo sentimos a necessidade de buscar autores com uma boa análise contextual para que pudéssemos entender a trajetória dos imigrantes que viveram em Leopoldina. Impossibilitados de consultar pessoalmente muitas fontes primárias, a alternativa que encontramos foi a leitura de especialistas. Entre eles, falta nos faz conhecer a obra de Claude Woog, um francês que teria informado, a respeito do salário dos trabalhadores agrícolas da Calábria, que o valor de 1900 era o mesmo de 1790.

Seria esta a razão para a vinda dos Cosenza e Longo, que viveram em Leopoldina entre 1910 e 1942? Embora não referido nos relatórios da Colônia Agrícola da Constança, Luigi Cosenza residiu naquele núcleo, segundo consta de seu processo de registro de estrangeiro. Teria encontrado, no Brasil, um rendimento mais adequado para seu trabalho?

Leopoldinenses com origem na Calábria

Em diversas entrevistas com descendentes de imigrantes italianos, a Calábria foi mencionada como origem de seus antepassados. Na maioria dos casos não foi possível checar a informação por falta de documentos que baseassem buscas do nome exato do local de origem. Por outro lado, encontramos algumas citações a nomes de províncias calabresas a título de sobrenome.

Como exemplo citamos o casal Luigi Cosenza e Giuseppina Longo. Em 1942, ambos declararam residência na Colônia Agrícola da Constança e serem naturais da Calábria. No Brasil o pai de Luigi ficou registrado como Francesco Cosenza, embora o único documento italiano que dele obtivemos indicasse o sobrenome Bloise, procedente do comune de Saracena, na província de Cosenza, Calábria. Já a Giuseppina seria natural de Santa Caterina dello Iónio, em Catanzaro, também na Calábria.Situação semelhante foi observada em outros casos. Encontramos um Archangelo Cosenza cujo sobrenome parece ter sido Morelli, nascido em Malvito, Cosenza. E um Antonio Cosenza, que seria Antonio Carnevalli, procedente de San Francesco, Cosenza. Da mesma forma, suspeitamos que nem todos os imigrantes conhecidos como Zamboni eram de fato desta família. Pelo menos um dos casos se refere à família Rizzo, natural da estação de Zambrone, província Vibo Valentia.Conforme temos repetido, ainda são necessários muitos estudos para resgatar a memória de todos aqueles imigrantes que viveram em Leopoldina no final do século XIX e início dos novecentos. Esperamos que a comemoração do Centenário da Colônia Agrícola da Constança sirva de incentivo para que outras pessoas prossigam com a pesquisa.