Temas brasileiros e descrições do Brasil nos Países Baixos no século XVI

Artigo de Arthur Feitosa de Bulhões publicado na Revista Eletrônica Cadernos de História, vol. V, ano 3, n.º 1. Abril de 2008

Resumo
O presente artigo tem por objetivo analisar as referências a temas brasileiros e às descrições do Brasil presentes na editoria e na iconografia produzida nos Países Baixos durante o século XVI e início do século XVII. Pretende-se demonstrar como, a partir dos movimentos de pessoas, da formação de colônias comerciais, do aumento das viagens à América e do interesse colonial holandês, permitiu-se a circulação e a difusão de informações a respeito do Brasil. A pesquisa procura debater como os deslocamentos supracitados foram responsáveis por um intercâmbio de conteúdos os quais possibilitaram o surgimento de referências ao Brasil no movimento editorial e nas artes visuais e cartografia dos Países Baixos.

Leia o texto.

Dois hotéis no Arraial Novo

Em abril de 1885, a Estação do Recreio era o centro do Arraial Novo, mais tarde referido como Arraial do Recreio. Em seu entorno existiam algumas construções sendo a maior delas o Hotel do Recreio, de propriedade de Ignacio Ferreira Britto e sua mulher Mariana Ozória de Almeida.

Segundo o citado livro do Cartório de Notas de Conceição da Boa Vista, relativo ao período 1884-1885, folhas 124 a 127, duas das outras construções do local eram ocupadas por Julio Moraes Tavares, a quem foi outorgado o aforamento no dia 7 de abril de 1885. Uma delas erauma casa assoalhada coberta de telhas, com […] cinco portas e cinco janellas na circunferencia, e um jardim ao lado […] em que o outorgado tem negocio, hotel e bilhar”. Portanto, além do Hotel do Recreio o Arraial contava com um outro ponto de hospedagem, construído em terrenos da Fazenda das Laranjeiras.

O terreno ocupado por Julio Moraes Tavares limitava-se, pela frente, comuma pequena rua em que estão algumas casinhas juntas aos trilhos e em frente a Estação da Estrada de Ferro da Leopoldina, e no fundo com os trilhos da Estrada de Ferro do Alto Muriahé”.

O registro informa ainda que o terreno occupado como se disse pelo outorgado, tem vinte e um metros e oitenta centimetros quadrados de frente, e treze metros e quarenta centimentos quadrados de fundo; e da mesma Fasenda desmembrão mais um pequeno terreno em frente ao que está descripto, e mais proximo a Estação, com quarenta e seis metros quadrados, na qual se acha uma casinha coberta de telhas pertencente ao outorgado, com duas portas e duas janellas em sua circunferencia, a qual tem de frente treze metros e cincoenta centimetros, e de fundo quatro metros quadrados”.

O aforamento deste e dos demais terrenos desmembrados da Fazenda das Laranjeiras obedeceu aos seguintesparâmetros:

a) dos quaes terrenos elles outorgantes fazem afforamento perpetuo, por si seus herdeiros e sucessores, pelo fôro annual de quatrocentos e oitenta reis, digo pelo fôro de trezentos e quarenta reis pelo metro quadrado

b) a penção em fôro annual de dois terrenos no qual se contem duzentos e noventa e cinco metros e sessenta centimetros quadrados, vem a sêr de cem mil quinhentos e quatro reis, cuja quantia será paga em prestações semestrais a razão de cincoenta mil duzentos e cincoenta e dois reis, a contar da data da presente escriptura em diante, e deixando o outorgado ou seus sucessores de pagar um anno vencido, pode ser demandado executivamente, a cuja prompta solução de fôro em forus desde fica hyppothecado o dominio util dos mesmos terrenos e benfeitorias existentes, e as que ai crescerem

c) deixando elle afforeiro de pagar os forus por trez annos successivos perderá o dominio do dito terreno e suas bemfeitorias, que então existirem por comisso para elles senhoriais

d) elle foreiro não poderá alienar ou por qualquer maneira se desfazer da posse do terreno e suas bemfeitorias sem expressa licença do senhorio, affrontando as alienações para poder optar conforme lhe fôr conveniente debaixo da dita pena de comisso

e) por seu turno os senhorios dentro de dez dias da data em que lhe fôr dada a sciencia da alienação e do preço que a apagar o comissario, não usando seu direito de opção, perderá a preleção para o fim de se realizar a allienação com o terceiro com quem tiver contractado

f) pagará elle foreiro aos seus sucessores o laudemio de dez por cento regulado pelo preço da allienação, ficando o mesmo terreno e bemfeitorias hypottecados a este laudemio para o sinhorio o poder haver do vendedor ou comprador, ficando entendido que este laudemio e foro não poderá elle foreiro pedir em tempo algum reducção por qualquer caso fortuito, cogitado e não cogitado; e nem tão pouco elles sinhorios e seus successores lhe poderão augmentar o laudemio e fôro, qualquer que seja o augmento do valor intrincico do terreno afforado

g) o foreiro se obriga a cercar os terrenos que ora lhe são limitados, e prefixal-as por balisas provisorias, e não ultrapassal-as sob pena de serem desmanchadas quaesquer bemfeitorias a custa delle foreiro; como obrigão-se a respeitar a lavoura e terrenos delles senhorios, não concentindo que sejão imvadidas por seus animaes

Consta também do registro do aforamento a Julio Moraes Tavares quepelo outorgado mais foi dito qu eparte de seu predio tendo sido construido com madeiras tiradas dos matos delles outorgantes; como indemnização dessas madeiras e do desfructe que tem tido até hoje dos terrenos afforados, offerece, e os outorgantes aceitão a quantia de seiscentos mil”.


Olinto Machado Gouvêa: centenário de nascimento

28 de dezembro de 1911 – Nasce em Leopoldina, filho de José Vital de Oliveira e Mariana Custódia de Moraes.
No batismo o nome é Olympio.

Entre amadorismo e profissionalismo

As tensões da prática histórica no século XIX
Manoel Luiz Salgado Guimarães

Os exames cadavéricos do Livro para óbitos na cadeia de Mariana

Artigo de Wellington Júnio Guimarães da Costa, Pedro Eduardo Andrade de Carvalho e Gilson César Xavier Moutinho publicado na Revista Eletrônica Cadernos de História, vol. VI, ano 3, n.º 2, dezembro de 2008.

Com o subtítulo Algumas Possibilidades de Pesquisa os autores discorrem sobre a “prática comum nas Minas Gerais nos períodos colonial e imperial que tinha como objetivo avaliar em que estado se encontrava o cadáver do defunto, assim como as possíveis causas da morte. Havia a preocupação em certificar se a morte foi provocada por fatores naturais ou
artificiais.”

Leia  texto.

Escrita da história e representação

Sobre o papel da imaginação do sujeito na operação historiográfica
Danrlei de Freitas Azevedo
Felipe Charbel Teixeira

A transição da Mão-de-obra no Sul de Minas: cultura política na imprensa local (1879-1888)

Artigo de Fábio Francisco de Almeida Catilho publicado na Revista Eletrônica Cadernos de História, vol. VI, ano 3, n.º 2, dezembro de 2008.

Resumo
O presente trabalho tem por objetivo problematizar o discurso da elite regional do Sul de Minas – região pouco estudada embora seja uma das mais dinâmicas do estado – nos periódicos locais acerca da transição da mão-de-obra entre 1879 e 1888. Ou seja, abordaremos o papel da imprensa regional e seu posicionamento político diante das diferentes opções aventadas para se organizar o mundo do trabalho. Nesta contenda, pesavam na decisão dos proprietários e políticos as opções pelo trabalhador imigrante, porém muito oneroso ou o aproveitamento da mão-de-obra recém liberta, no entanto estigmatizada como indolente e morosa. Acreditamos que o estudo de tão importante tema nos revelará muito da cultura política regional, reflexo dos temas discutidos nacionalmente. Através desta análise confiamos ser possível identificar os atores e seus discursos para melhor entender como se deu a modernização do mercado de trabalho no interior do país e a sua inserção no capitalismo mundial.

Leia o texto.

Como se deve ler a história?

Leitura e Legitimação na Historiografia moderna.

Fernando Nicolazzi

RESUMO

Este ensaio estuda alguns textos ocupados com a temática da leitura da história na época moderna, desde o século XVII até o século XX. Partindo da hipótese de que a legitimidade do saber histórico reside não apenas na prática da escrita realizada pelos historiadores, mas igualmente na sua abordagem feita pelos leitores, a partir de um “pacto de leitura” que o texto historiográfico estabelece, diversas modalidades de leitura da história são apontadas, indicando os diferentes horizontes de expectativa que constituem a historiografia moderna.

Varia Historia – How history should be read? – Reading and legitimacy in modern historiography

A História e a escrita da História

Uma análise sobre o papel que a narrativa exerceu no debate sobre o conhecimento histórico.
Makchwell Coimbra Narcizo
Universidade Federal de Goiás

Leituras do passado colonial e narrativas sobre o Brasil nas primeiras décadas do século XIX: a contribuição francesa

Bruno Franco Medeiros

Resumo

Este artigo trata de alguns apontamentos sobre a tradição historiográfica francesa nas primeiras décadas do século XIX e sua compreensão acerca dos problemas históricos originados a partir da reorganização do Império Português com a vinda da Corte para o Brasil e posteriormente pela independência do Império do Brasil. A partir da análise de conceitos como colonização, revolução e outros relacionados à experiência do tempo, pretendemos mostrar como nas primeiras décadas do século XIX esses conceitos ainda eram mobilizados em torno das características pré-modernas do conceito de história, os quais só sofreriam uma alteração significativa, no sentido de compreender a história de um ponto de vista de ruptura com uma realidade anterior, a partir da década de 1830.