Continuamos recebendo mensagens de visitantes do site e do blog sobre a grafia dos nomes de seus antepassados. A mais recente foi sobre as famílias Bronzato e Sangalli que o visitante procurou como Bronssato e Zangali. Sugerimos a leitura de nossa postagem ‘Alterações em Nomes e Sobrenomes‘ e reiteramos o pedido para que nos escrevam relatando as discrepâncias, uma vez que tais informações são importantes para ampliarmos as versões em nosso banco de dados e, desta forma, conhecermos um pouco mais sobre as antigas famílias de Leopoldina.
Autor: Nilza Cantoni
Monumentos de Conceição da Boa Vista
Como já nos lembrou um amigo deste blog, a Igreja Matriz de Conceição da Boa Vista chama a atenção do visitante. Monumento da fé católica que ocupou aquele território na primeira metade do século XIX, sofreu diversas obras de reforma ao longo do tempo, não sendo possível precisar detalhes ou sequer informar o nome dos artistas que a construíram ou reformaram. Atualmente, assim podemos encontrá-la.
Estes monumentos nos permitem perceber os valores estéticos de um tempo já distante, lembrando que eram construídos por sugestão do representante local da Igreja Católica e com recursos dos moradores do lugar.
Em viagens de pesquisa pelas localidades no entorno de Leopoldina, algumas vezes pudemos observar grande semelhança entre as construções mais antigas. Referimo-nos, especialmente, ao apuro ornamental que encontramos no interior de capelas, igrejas e outros monumentos. O que nos faz lembrar que um dos mais famosos artistas, com trabalhos citados em publicações da Capital da República, foi o português Ignacio de Castro Buena Flor, nascido por volta de 1847 e falecido em Leopoldina no dia 8 de julho de 1920.
Buena Flor construiu magníficos altares em igrejas da zona da mata mineira. Infelizmente suas obras foram desaparecendo, muitas vezes dilapidadas pelos próprios responsáveis por sua conservação, como dizem ter acontecido com a primeira capela do Colégio Imaculada Conceição de Leopoldina. Não podemos afirmar que tenha sido ele o autor dos artefatos que compunham a Igreja de Conceição da Boa Vista. Por antigos almanaques soubemos que “a Matriz de Leopoldina possue um altar-mór, que é um primor de talha do artista Ignacio Buena Flôr, ricamente dourado às expensas de Manoel Antonio de Almeida”. Em outra passagem informa que “Buena Flôr é o artista que talha seus altares e elegantes pulpitos por encomenda dos fazendeiros do distrito da Leopoldina que desejam ver seus santos protetores bem ornamentados”.
O patrimônio conta a história
Recreio, MG: Cemitério de Conceição da Boa Vista
Conforme dissemos no post de 25 de março, os cemitérios foram secularizados a partir do Decreto nº 789 de 27 de setembro de 1890. Mas nas décadas anteriores estavam em andamento as construções dos cemitérios públicos, visto não mais ser permitido o sepultamente dentro das igrejas. Entretanto, suspeitamos que mais tarde algumas pessoas ainda tenham sido enterradas em cemitérios paroquiais, já que os registros respectivos não são encontrados onde deveriam estar, ou seja, nos livros para isto destinados.
Desta forma, consideramos que o início das operações no Cemitério Público de Conceição da Boa Vista tenha ocorrido nas penúltima década do século XIX. Ressaltamos que a existência de jazigos perpétuos naquele cemitério, relativas a falecimentos entre 1873 e 1876, pode significar que tenha havido traslado dos corpos para o novo cemitério cujas etapas de construção podem ser constatadas nos livros do Cartório de 1882 a 1884.
Em visita recente, Pedro Dorigo recolheu imagens de sepulturas de algumas das tradicionais famílias que participaram do movimento de divisão do distrito de Conceição da Boa Vista. Entre as sepulturas mais bem conservadas, foi encontrada esta de Francisco Celidônio Gomes dos Reis, falecido em 1892.
Nascido a 5 de junho de 1846 em São José do Barreiro, SP, era filho de José Celidônio Gomes dos Santos e de Catarina de Jesus Alves, herdeiros da Fazenda do Formoso, em Barreiros. Seu avô paterno, Joaquim Gomes de Siqueira e Mota era parente de José Gomes dos Santos, de quem Francisco Celidônio comprou terras em 1874. Trata-se de uma parte da Fazenda São Luiz, na margem do rio Pomba, ao norte do Arraial Novo. Esclareça-se que o avô do vendedor chamava-se também José Gomes dos Santos e residia em Conceição da Boa Vista desde, pelo menos, 1856, tendo formado a Fazenda São Luiz na qual viveu com seu filho José Gomes dos Santos.
Francisco Celidônio casou-se com Clara Monteiro Lobato Galvão de São Martinho, filha de Antônio Augusto Monteiro de Barros Galvão de São Martinho e de Maria Nazaré Negreiros Saião Lobato. Em virtude da esposa de Francisco ser herdeira da Fazenda Santa Isabel, acreditávamos que o casal residisse naquele distrito. Entretanto, não só o túmulo encontrado em Conceição da Boa Vista, como também a compra de terras e escravos registradas neste distrito, assim como a divisão de quarteirões dos novos distritos, em 1892, veio confirmar que Francisco Celidônio foi morador de Recreio.
Família Touzo?
Escreve-nos um visitante deste blog, descendente da família Antinarelli, cujo sobrenome intermediário é Touzo. Como tem ocorrido diversas vezes, não conseguimos responder diretamente porque o endereço de e-mail foi recusado pelo sistema. Sendo assim, informamos por aqui ao Alexandre Touza Antinarelli que não conhecemos o sobrenome Touzo em Leopoldina. Talvez seja uma variação de Tosa, cuja origem foi Paschoal / Pasquale Tosa, proveniente de Venezia, que em Leopoldina se casou com a italiana Maria de Marchi.
Nossas Ruas, Nossa Gente: Logradouros Públicos de Leopoldina
Livro publicado em 2004, traz o resultado de pesquisa realizada por José Luiz Machado Rodrigues e Nilza Cantoni sobre os Logradouros Públicos de Leopoldina.
Mariano de Bem e os Almeida Ramos
Mariano de Bem é um sobrenome com bastante incidência na região de Leopoldina. Aparentemente todos se ligam ao genearca Antonio de Almeida Ramos. Entretanto, ainda não conseguimos estabelecer todos os vínculos.
Pedimos ao visitante deste blog, que entrou em contato há dois meses dizendo-se descendente de José Mariano de Bem, que continuamos aguardando as informações complementares que solicitamos na ocasião. Aos demais leitores, caso possam nos ajudar, por favor, escrevam-nos.
Recreio, MG: Suíços ou Franceses?
Em visita ao Cemitério de Conceição da Boa Vista, Pedro Dorigo encontrou o túmulo de João Cláudio Robert, cujo sobrenome chamou a atenção. Seria um dos estrangeiros? Pesquisando antigos documentos, descobrimos tratar-se de Jean Claude Robert, falecido a 09 de dezembro de 1890 com 80 anos. No mesmo túmulo encontram-se os restos mortais de sua esposa, Maria Louise Robert, falecida a 01 de julho de 1885, aos 74 anos.
Este casal residia em Conceição da Boa Vista desde antes de 1871, época em que aparecem numa transação imobiliária. Trata-se da troca envolvendo uma propriedade que divisava com a Fazenda Santa Maria, com Manoel Antônio da Silva Lima Salema e com Manoel Ferreira da Silva. Nestas terras vivia o genro de Jean Claude, Estevam Rosset de Passicam (ou Pancam) e a esposa Louise Amelie.
O proprietário era, até então, Astolfo Pio da Silva Pinto, que transferiu a propriedade para Jean Claude Robert em troca de outra, no córrego Felipe, cujas divisas eram as propriedades de Manoel Antônio da Silva Lima Salema, Florentino Rodrigues da Costa e a fazenda Serra Bonita que fora de Francisco José de Almeida.
Acreditamos que um outro vizinho da propriedade, Auguste Robert, seria o homem suíço solteiro que aparece no Recenseamento de 1872. Pode ter sido um filho de Jean Claude e Maria Louise. De certo sabemos apenas que morava em terras que divisavam com Estevam, com a fazenda Pedra Bonita e com o sítio Serrote. Caso Estevam tenha ficado viúvo entre agosto de 1871, data da operação imobiliária, e o final de 1872 quando foi realizada a contagem populacional, teríamos aí grandes possibilidades de ter identificado os três homens e a mulher suíça.
Importante lembrar, porém, que o nome J. C. Robert aparece em, pelo menos, dois processos de estrangeiros disponíveis no Arquivo Nacional. Um deles, francês, entrou no Brasil aos 20 anos em 1829, procedente de Buenos Aires. O outro, cuja idade não foi informada, era um artista francês que entrou no Brasil pela Bahia e em 1841 chegou ao porto do Rio de Janeiro.
Apesar da dificuldade causada pelas múltiplas grafias dos nomes e sobrenomes – João Cláudio Roberto, João Gloub Robert, Jan Glaude Robert – a assinatura no registro da troca permitiu que reuníssemos as informações deste personagem que em 1886 foi identificado como “cafelista”, ou seja, proprietário de terras onde plantava café.
Recreio, MG: A presença dos Estrangeiros
A contagem populacional de 1872 é o primeiro documento mais seguro para o exame da composição de moradores por nacionalidade. Dificilmente podemos identificar os imigrantes das décadas precedentes. Sendo assim, é comum estabelecer aquele ano como primeiro momento da análise.
No distrito de Conceição da Boa Vista viviam 301 estrangeiros na época. Entre eles, 160 africanos escravos e 7 africanos livres. O estudo desta parcela da população é sobremaneira dificultado pela falta de especificação dos registros.
Das demais nacionalidades foram contados:
– 7 homens franceses, (3 solteiros e 4 casados);
– 13 homens italianos, (6 solteiros e 7 casados);
– 102 homens portugueses, (38 solteiros, 32 casados e 12 viúvos);
– 8 mulheres portuguesas (5 casadas e 3 viúvas);
– 3 homens suíços (1 solteiro, 1 casado e 1 viúvo);
– 1 mulher suíça, casada.
De modo geral, é possível identificar os componentes deste grupo de estrangeiros através dos registros paroquiais e civis. Entretanto, no que se refere aos portugueses a pesquisa pode não atingir um bom resultado porque nem sempre o padre e o escrivão indicavam a nacionalidade.
O recenseamento de 1890 indica a presença de apenas 276 estrangeiros no distrito de Conceição da Boa Vista. Em busca de outros informes a respeito, consultamos os livros das hospedarias e observamos que os imigrantes europeus chegaram na região a partir de 1870, com aumento significativo nos anos de 1888 e 1889. Mas até o momento só encontramos referência à estação de Recreio, como local de desembarque dos imigrantes, em 1895 e 1896. Segundo os livros da Hospedaria Horta Barbosa, os contratados nestes anos seguiram para a Fazenda Belmonte, de Theophilo Barbosa da Fonseca Moura.
Os Lacerda e os Rodrigues Ferreira
Em fevereiro deste ano recebemos mensagem de um descendente de Custódio de Lacerda Filho e Etelvina Rodrigues Ferreira, sugerindo atualização de dados de seu grupo familiar. Infelizmente, porém, o correspondente não respondeu nossas perguntas. Desta forma, solicitamos a quem tenha informações que nos diga onde e quando nasceram Altamiro Rodrigues Lacerda e sua esposa Olga Francisca de Salles. Precisamos, também, dos nomes dos pais de Olga para inserirmos na atualização da genealogia dos Almeida Ramos.







