65 – Luiz Botelho Falcão IV – parte 3

A viagem de hoje se inicia com a segunda descendente do casal Luiz IV e Emília, Luiza Erminia Botelho, nascida em 1883 e casada em 1903 com Nestor Capdeville, filho do imigrante francês Batista Capdeville e sua esposa Maria Albuquerque.

Registre-se que Nestor Capdeville trabalhava na Gazeta de Leopoldina em 1916 e faleceu antes de 1942, ano em que a família passou a receber pensão do Instituto dos Bancários do qual ele era associado.

Luiza Ermínia e Nestor foram pais de Ester (1905-1906); Teófilo (1907); Ester (1908); Iracema (1909-1910); Maria Luiza nascida e falecida em 1911; Nestor nascido e falecido em 1912; Dinah, a primeira aviadora de Minas Gerais (1913-2005); Paulo (1914); Luiza (1916-1917); e, o expedicionário Celso Botelho Capdeville que, segundo Pedro Wilson Carrano de Albuquerque, nasceu em 1921 e se casou em 1941, no Rio de janeiro, com Elza Guimarães Antunes, de família leopoldinense.

O próximo filho de Luiz IV e Emília de quem se tem registro é Luiz Eugênio Botelho, nascido em 1889 e que se casou em 1913 com Cyrina Capdeville, irmã de seu cunhado Nestor Capdeville.

Luiz e Cyrina tiveram doze filhos: Thier (1914); Yvete (1915); Lizete; Suzete (1916); Ruth (1920); Maria Emilia; Belkiss; Arethusa (1927); Lucíola; Luiz; Antonio e Helena.

Luiz Eugenio foi memorialista, tendo publicado os livros “Leopoldina de Outrora” (1963), “Leopoldina de Hoje… e de Ontem” (1967), além de vários textos em jornais da cidade. Foi funcionário do DNER, tendo recebido o distintivo do Grêmio dos Veteranos da instituição em 1957. Faleceu no Rio de Janeiro em 1975 e foi sepultado em Leopoldina. Vinte e cinco dias depois, por iniciativa do irmão de seu genro Otacyr, o então prefeito de Leopoldina Osmar Lacerda França, seu nome foi dado à Biblioteca Municipal.

O penúltimo filho de Luiz IV e Emília foi Luiz Rousseau Botelho, nascido em 1892 e que se casou em Além Paraíba, em 1921, com Joaquina Santos, com quem teve os filhos Maria Josefina, Solange e José Botelho.

Luiz Rousseau, a exemplo de seu irmão Luiz Eugênio, foi também memorialista que, incentivado pela filha Solange, publicou os livros Dos 8 aos 80 (1979), Alto Sereno (1981), Moinho de Fubá (1982) e Coração de Menino (1984).

Segundo o prefácio do livro Alto Sereno, Rousseau foi acrescentado ao nome de Luiz por um seu irmão em referência a Jean-Jacques Rousseau, filósofo suíço, nascido em Genebra, figura marcante do iluminismo francês.

Em seu livro Dos 8 aos 80, Luiz Rousseau informa que seu primeiro trabalho foi como ajudante de seu irmão Tatão (Luiz Emílio) numa farmácia em Tebas. Depois, foi admitido como empregado da Gazeta de Leopoldina e em 1913 foi para a Cia. Força e Luz Cataguases Leopoldina, dali saindo em 1914 para trabalhar na Cia. Mineira de Eletricidade em Juiz de Fora. Em 1920 era microscopista no Posto de Profilaxia em Campo Limpo, distrito de Leopoldina, sendo depois transferido para o Posto de Profilaxia de Além Paraíba. Em 1921 foi designado para Tombos do Carangola para combater um surto de Tifo. Em 1923 a Brasilian Light and Power, na Ilha dos Pombos, em Além Paraíba era o seu local de trabalho. Depois passou a ser funcionário da Light em São Paulo, Pirapora e Santos. Em 1930 tornou-se funcionário da Prefeitura de Além Paraíba, trabalhando em Pirapetinga como encarregado do serviço de abastecimento d’água que vinha do rio que deu nome àquele município. Em 1933 voltou a trabalhar para a Light em Além Paraíba.

No Almanaque do Arrebol, ano II, outubro 1985, há uma entrevista de Luiz Rousseau em que ele declara ter vivido em Leopoldina até 1918 e que o Dr. Irineu Lisboa foi seu padrinho de casamento.

Concluída a descrição da família de Luiz Botelho Falcão IV e Emília Antunes, caminhamos para a última estação, onde nos encontraremos com o irmão dele, Eugênio Botelho Falcão. Até lá!


Fontes consultadas:

Secretaria Paroquial da Matriz do Rosário, Leopoldina, MG, lv 02 bat fls 98v termo 922; lv 03 bat fls 108 termo ordem 1061; lv 04 bat fls 51v termo 663; lv 11 bat fls 21 termo 32 e fls 73v termo 199; fls 29v termo 38 e fls 73v termo 117; lv 13 bat fls 39v termo 193; lv 14 bat fls 15v termo 264; lv 15 bat fls 11v termo 106, fls 64v termo 97 e fls 76v termo 216; lv 16 bat fls 5v termo 504, fls 25 termo 161 e fls 72 termo 90; lv 18 bat fls 75 termo 539; lv 3 cas fls 183 termo 21.

Cemitério Nossa Senhora do Carmo, Leopoldina, MG, lv 2 fls 10 sep. 190, fls 33 nr 58, fls 39 nr 111, fls 46 nr 122 e 2 fls 81 nr 222.

Lei Municipal de Leopoldina nr 1106 de 20 de novembro de 1975.

Diário Carioca (Rio de Janeiro, 1957, 19 dez, ed 38 p.5.

Diário de Notícias do Rio de Janeiro, edição 5953 de 22 de março de 1942, página 17, coluna Vida Bancária

Gazeta de Leopoldina, 1914, 26 nov, p.1 e 1924, 8 maio, ed 8, p.4.

BOTELHO, Luiz Rousseau, Dos 8 aos 80. Belo Horizonte: Vega, 1979. p.305.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 320 no jornal Leopoldinense de 1  de dezembro de 2016

64 – Luiz Botelho Falcão IV – parte 2

Como prometido no artigo anterior, o Trem de História segue falando sobre Luiz Botelho Falcão IV.

De início sobre a sua situação econômica que, em 1890, parecia estável, conforme indica a contratação de uma Apólice de Seguro de Vida junto à Companhia New York Life Insurance.

Em março de 1892 ele tomou posse como vereador e, em agosto do mesmo ano, foi citado como Coronel ao assumir a presidência da Junta de Alistamento Militar. No mês seguinte, foi provisionado pelo prazo de três anos no cargo de Solicitador da Câmara, cujas funções eram exercidas por leigos e se assemelhavam às dos atuais defensores públicos. E as últimas referências a Luiz Botelho Falcão datam de março de 1893, quando participou da Assembleia de Instalação do Banco de Leopoldina, três meses antes do seu falecimento ocorrido, segundo o filho Luiz Eugênio, no dia 12 de junho, embora o órgão oficial da província registre como sendo 14.06.1893. Para Luiz Rousseau Botelho, no livro Dos 8 aos 80, seu pai faleceu em 19 de fevereiro.

Em Alto Sereno Luiz Rousseau esclarece alguns pontos sobre a família. Mas ainda não foi possível, por exemplo, definir o nome utilizado na idade adulta por muitos familiares. Ele registra, no Epílogo, página 266, apenas que: “Em nossa família todos tiveram Luiz ou Luiza como primeiro nome, em honra de meu pai e de meu avô, Luiz Botelho Falcão, português nascido na Ilha dos Açores.”

Luiz Botelho Falcão IV e Emília Antunes foram pais de: Luiz Botelho Falcão V, nascido por volta de 1877; Luiz Emilio Botelho Falcão, nascido em 1879 e provavelmente falecido no mesmo ano; Luiz Emilio Botelho, nascido em 1880; Luiza S. Botelho, nascida em 1882; Luiza Erminia Botelho, nascida em 1883; Luiza, nascida em 1884; Luiza Cecilia, nascida em 1886 e falecida em 1887; Emilia, nascida em 1887; Luiz Eugênio Botelho, nascido em 1889; Luiz, nascido em 1890; Luiz Rousseau Botelho, nascido em 1892; e, Luiz Tasso Botelho, nascido em 1893 e falecido em 1962.

Por conta da homonímia tornou-se difícil descobrir a trajetória dos doze filhos do casal. Ao final de muitas pesquisas, apenas sobre quatro deles se conseguiu reunir dados para produzir uma biografia mínima, como se verá adiante.

O primeiro destes filhos é Luiz Botelho Falcão V, que se casou em 1897 com Ernestina Antunes Barbosa, filha de Eduardo José Barbosa e Custódia Maria Antunes. Ela nasceu em 1880, sendo neta paterna de José Joaquim Barbosa e Francisca Rosa de Jesus e neta materna de José Antunes Pereira e Custódia Maria de Jesus.

O casamento de Luiz V com Ernestina foi realizado na Fazenda Boa Esperança, propriedade do pai da noiva. O avô paterno de Ernestina era José Joaquim Barbosa, que em 1847 veio de Conselheiro Lafaiete (MG) para comprar terras da família Lopes da Rocha no então distrito de Rio Pardo, atual Argirita. Tornou-se grande proprietário de terras na região do atual distrito de Taruaçu, no município de São João Nepomuceno. Terras que em 1854 faziam parte do território da Vila Leopoldina. Um dos filhos de José Joaquim foi Antonio Maurício Barbosa, o doador do território onde está a Usina Maurício, no distrito de Piacatuba.

Segundo Luiz Eugenio, Luiz Botelho Falcão V instalou a primeira fábrica de manteiga em Leopoldina, por volta de 1907, localizada na Rua Cotegipe.

Luiz V e Ernestina tiveram os seguintes filhos: Jahir (1898), Jupira (1900-1905), Jakson (1903); Judith (1905); Jandira (1907); Jopson (1910-1911); Jacira (1911); Juracy (1914); e, Junis Botelho Falcão, nascido dia 02.02.1918 e falecido a 10.11.1918. Todos iniciados por “J”, para não fugir à regra dos seus pais que repetiram o primeiro nome em todos os filhos.

Depois de tantos nomes e letras repetidas, o Trem de História também se repete. Faz mais uma parada necessária, para seguir viagem na próxima edição deste Jornal, trazendo outros filhos de Luiz Botelho Falcão IV. Aguardem.


Fontes consultadas:

Secretaria Paroquial da Matriz do Rosário, Leopoldina, MG, lv 02 bat fls 30 termo 270, fls 40 termo 370, bat fls 131 termo 1247, fls 156 termo 1492; lv 03 bat fls 3, fls 153v; lv 04 bat fls 142v termo ordem 1397; lv 07 bat fls 131v termo 2061;. lv 10 bat fls 36 termo 48;. lv 11 bat fls 91 termos 34 e 35;. lv 14 bat fls 7 termo 179; lv 15 bat fls 56 termo 12; lv 17 bat fls 58 termo 444; lv 2 cas fls 172 termo 208.

Cemitério Nossa Senhora do Carmo, Leopoldina, MG, lv 2 fls 9 sep. 158, fls 38 nr 71, fls 87 nr 211.

Cemitério Público de Leopoldina, MG (1880-1887) (Livro 1880-1887), folhas 32 sepultura 975.

A Ordem (Manhuaçu, MG), 1892 12 mar ed 150 p.3.

Minas Geraes (Belo Horizonte), 1892 15 ago ed 113 p.3; 1892 7 set ed 135 p.2 e 1893 18 junho ed 163 p.7

O Estado de Minas Geraes (Ouro Preto), 1891 11 abril ed 145 p 4.

O Pharol (Juiz de Fora), 1890 16 julho ed 166 p.2 e ed 232 de 1 out 1890 p.4.

BOTELHO, Luiz Eugênio. Leopoldina de Outrora. Belo Horizonte: s.n., 1963. p.60 e p.103

BOTELHO, Luiz Rousseau. Dos 8 aos 80. Belo Horizonte: Vega, 1979. p.305

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 319 no jornal Leopoldinense de 16  de novembro de 2016

63 – Luiz Botelho Falcão IV – parte 1

O Trem de História direciona agora o foco da pesquisa para iluminar os caminhos seguidos pelos dois filhos de Luiz Botelho Falcão III e Ana Cecília: Luiz Botelho Falcão IV e Eugênio Botelho Falcão.

Luiz Botelho Falcão IV, de quem não se conseguiu documentar a data de nascimento, casou-se com Emília Antunes, nascida em 1860, filha de José Antunes Pereira e Custódia Maria de Jesus.

Segundo seu filho Luiz Eugênio, teria cursado humanidades no Colégio Pinheiro, no Rio de Janeiro, o que não se confirmou nas listas de alunos do citado Colégio nos anos de 1863, 1865 e 1867.

Também não foi encontrado o registro do casamento de Luiz Botelho Falcão IV que pode ter ocorrido em 1876, logo depois dele ter obtido a nomeação para suplente de Juiz Municipal no 2º distrito de Leopoldina.

Tudo indica que esta nomeação teria ocorrido a pedido do então futuro sogro que residia no distrito de Bom Jesus do Rio Pardo, atual município de Argirita.

Certo é que um ano depois de obter este emprego, Luiz IV iniciou a construção de uma casa na área urbana de Leopoldina. No mesmo ano, adquiriu escravo e no início do ano seguinte sua situação já era estável o suficiente para permitir-lhe colaborar com a Comissão de Socorro às vítimas das inundações em Portugal.

Em 1878 foi eleito vereador, tendo feito parte da comissão que aprovou a instalação de iluminação pública a gás em 1879. Sua carreira de homem público se ampliou um pouco mais em 1879, quando foi nomeado para o cargo de Inspetor de Instrução Pública no qual permanecia em junho de 1880, quando a reforma no sistema de ensino determinou que Leopoldina seria a sede do 8º Círculo Literário de Minas. Pediu exoneração em 1882.

Quatro anos depois ele foi citado como negociante em Leopoldina e em 1888 chegou ao posto de Major Ajudante de Ordens da Guarda Nacional ao passar para a reserva, agregado ao 23º batalhão.

Em abril de 1889 seu nome foi mencionado como redator proprietário do jornal O Leopoldinense. Mas vale recordar que no artigo nº 09 desta série ficou esclarecido que Luiz Botelho Falcão IV não foi o fundador do jornal O Leopoldinense, lançado em 01.01.1879 pelo Alferes Francisco Gonçalves da Costa Sobrinho.

Registre-se que, segundo as edições preservadas nas hemerotecas da Biblioteca Nacional e do Arquivo Público Mineiro, o Alferes, criador, primeiro proprietário e redator do jornal pioneiro de Leopoldina, havia atuado como guarda-livros e se incumbia de cobranças judiciais e extrajudiciais em Macaé, Campos dos Goitacazes, São João da Barra, São Fidelis, Cantagalo e Muriaé antes de vir para Leopoldina. Era, também, sócio fundador do Club Literário Campista onde atuou como Bibliotecário. Registre-se, também, que não foram encontradas edições de O Leopoldinense a partir do final do ano de 1886. Em 1889, o Alferes Francisco Gonçalves da Costa Sobrinho requereu nomeação como Escrivão de Órfãos de Rezende, RJ. Na edição 180 da Gazeta de Notícias do Rio de Janeiro, de 29 de junho de 1889, bem como no Diário do Commercio (Rio) de 27 de junho e no Fluminense (Niterói) de 28 de junho, ele foi mencionado como fundador dos periódicos O Leopoldinense e Folha de Minas (Juiz de Fora).

Tudo indica que Luiz Botelho Falcão IV se interessou em comprar o Leopoldinense, mas não conseguiu manter a publicação com regularidade. E provavelmente a venda só se efetivou em 1889, tendo o jornal voltado a circular em novembro do ano seguinte, de forma irregular.

Por hoje paramos por aqui. Ainda existe carga sobre este personagem. Mas ficará para a próxima viagem do Trem de História. Aguardem.


Fontes Consultadas:

Secretaria Paroquial da Matriz do Rosário, Leopoldina, MG, lv 01 bat fls 61 termo 325.

Livro Caixa da Câmara Municipal de Leopoldina, códice 654 fls 3 item 6.

Cartório de Notas de Leopoldina, lv 699 fls 18-verso.

A Actualidade (Ouro Preto), 1878 2 out ed 101 p.1; 1879 26 abr ed 44 p.2 e 1880 26 jun ed 67 p.2.

A Província de Minas (Ouro Preto), 1882 21 dez ed 131 p.1.

A União (Ouro Preto, MG), 1888 9 junho ed 178 p.3.

Almanaque de Leopoldina (Leopoldina: s.n., 1886), fls 89.

Diário de Minas, (Outro Preto, MG), 1875 10 junho ed 467 p.1 e 1875 12 junho ed 468 p.1.

Echo do Povo (Juiz de Fora), 1882 21 dez ed 46 p.1.

Irradiação (Leopoldina, MG), 1889 11 abril ed 60 p.3.

Monitor Campista (Campos dos Goitacazes, RJ), 1879 17 fev ed 38 p 3 e 1879 1 maio ed 101 p. 2

O Baependyano (Caxambu, MG), 1880 11 julho ed 150 p.3.

O Globo – jornal do século XIX (Rio de Janeiro), 1877 5 jan, ed 5, pag 3 e 1877 8 jan, ed 8 pag 4

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado no jornal Leopoldinense de 01 de novembro de 2016

62 – Como e porquê os restos mortais do poeta permanecem em Leopoldina

O personagem de hoje é conhecido de todos e se faz presente para que não fique esquecida a sua data de morte há 102 anos e o Jubileu de Prata do Concurso Nacional de Poesias Augusto dos Anjos.

Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos era filho de Córdula de Carvalho e de Alexandre Rodrigues dos Anjos Filho, o pernambucano que perambulou pelo nordeste como promotor público em Granja (CE), Aracahú (Aracati?) (CE), em Atalaya (AL), Pedra de Fogo (PB) e, como Juiz Municipal em Ipú (CE).

Um menino que nasceu a 20 de abril de 1884 no Engenho do Pau D’Arco, no interior da Paraíba e foi batizado no dia 27 de fevereiro de 1885 na Igreja de Nossa Senhora dos Anjos em São Miguel de Taipu, PB, na zona canavieira do vale do Rio Una.

Um homem que se casou em João Pessoa (PB) e um dia abandonou o nordeste para fixar residência no Rio de Janeiro (RJ), onde trabalhou o quanto e no que pode para sustentar a si e aos seus.

Augusto dos Anjos, que estudou em Recife e tendo muitas outras cidades como referência, um dia foi indicado para dirigir uma escola no final de um ramal ferroviário no interior de Minas Gerais. Juntou a família e embarcou nesse Trem. Nesta nova terra continuou fazendo versos que ainda hoje encantam e granjeou admiradores que lhe teceram elogios mil.

Moacyr Carneiro[1] afirma em entrevista que Augusto, ao ser indagado sobre sua poesia ser triste, respondeu:

“Meu filho, o meu poema vem como o meu espírito o dita. É isto. O mundo, meu caro aluno, é o pior lugar do mundo. A desilusão ocorre em todos os níveis. Eu já nasci desiludido de tudo e de todos.”

Augusto dos Anjos criou discípulos, angariou amigos e construiu uma bela História de amor à terra que adotou. A doença lhe corroeu as entranhas e lhe tirou a vida ainda jovem, mas ele desejou permanecer na terra que o acolheu. Augusto dos Anjos faleceu em Leopoldina (MG) no dia 12 de novembro de 1914.

Na previsão emocionada de José Oiticica, segundo Fausto Cunha[2], a morte de Augusto dos Anjos só se comparava à morte prematura de Castro Alves: “Poucos o compreenderão hoje […] No futuro será, sem possível dúvida, o mais assinalado poeta brasileiro de seu tempo.”

Júlio Ferreira Caboclo foi um grande divulgador e incentivador do culto à obra do poeta em aulas e matérias publicadas. E de tal modo o fez, que se tornou uma figura indissociável da trajetória de Augusto dos Anjos entre a juventude leopoldinense. Os textos que produziu sobre o “rapaz de cérebro de ouro”[3] o confirmam.

Além disto, no dia 25 de junho de 1925, Júlio ajudou a fundar o Grêmio Lítero-Artístico Augusto dos Anjos[4], do qual foi o primeiro presidente. E foi com o apoio dele que, para comemorar o décimo segundo aniversário de morte de Augusto dos Anjos, em 1926, o Grêmio promoveu uma romaria ao túmulo e uma sessão solene que incluiu a denominada Missa de Arte, na qual falaram vários oradores.

Passado algum tempo começaram a surgir movimentos com o objetivo de levar os restos mortais de Augusto dos Anjos de volta à Paraíba. No final da década de 1940 estava sendo idealizada a construção, em João Pessoa, de um monumento a Augusto dos Anjos. Entre as diversas notícias a respeito, uma delas, de 1947, acrescentava[5] que os restos mortais do poeta seriam trasladados de Minas Gerais para a capital paraibana. No ano seguinte o mesmo periódico[6] informava que os jornalistas do estado natal de Augusto dos Anjos estavam “trabalhando junto ao governo para fazer a trasladação das cinzas do poeta” de Leopoldina para João Pessoa. Por outro lado, um jornalista recifense declarou que “os descendentes de Augusto dos Anjos nunca se mostraram desejosos das trasladações”.

Nesta época circularam rumores a respeito do túmulo do poeta em Leopoldina e em 1952 Henrique Gonzalez ressaltou[7] que os leopoldinenses ignoravam ter hospedado “um dos maiores poetas brasileiros” e ilustrou sua matéria com uma foto “do tosco túmulo cento e quarenta e nove”.

Gonzalez não estava totalmente enganado porque, a despeito de Julio Caboclo e Barroso Júnior terem publicado na imprensa do Rio de Janeiro vários artigos sobre Augusto dos Anjos, havia algum desconhecimento por parte dos moradores da cidade. Fato que se observou ao entrevistar pessoas que estudaram no Grupo Escolar Ribeiro Junqueira em meados da década de 1930, quais quais pouco sabiam sobre o poeta que foi diretor daquela instituição e acreditavam que o túmulo estaria vazio, que os ossos teriam sido levados embora.

Mas o poeta não estava esquecido! Esforços variados resultaram na construção do Mausoléu de Augusto dos Anjos, inaugurado no dia 11 de janeiro de 1964 quando a cidade recebeu[8] a então denominada Caravana da Cultura, patrocinada pela Rádio MEC, composta pela Diretora da Rádio, pelo Ministro da Educação Pascoal Carlos Magno e pelo escritor Francisco Assis Barbosa, biógrafo do poeta, e com a presença dos filhos de Augusto dos Anjos.

Entretanto, a intenção de trasladar os restos mortais voltou a ser divulgada mais tarde, resultando na atitude dos dois filhos do poeta, Glória e Guilherme, de registrarem no Cartório do 15º Ofício de Notas da rua da Assembleia, 36, Rio de Janeiro, RJ, no dia 15 de setembro de 1977, uma declaração tornando público o “propósito irrevogável de não consentirmos sejam trasladadas do cemitério dessa cidade [de Leopoldina] as cinzas de nosso glorioso pai, que ali jazem, sob o túmulo nº 149 desde o ano de 1914”.

O documento foi encaminhado para registro pelo Oficial do Registro de Títulos e Documentos da Comarca de Leopoldina, Mauro de Almeida Pereira, que o transcreveu no Livro de Registro Integral de Títulos e Documentos nº B-4, fls 598 a 599, número de ordem 2438. Na mensagem, os filhos do poeta declaram

“plena convicção de estarmos cumprindo fielmente recomendação deixada, a tal respeito, por nossa inesquecível genitora, Esther Fialho Rodrigues dos Anjos” e que transmitiriam a orientação “aos netos e bisnetos de Augusto dos Anjos, ao abrigo do que dispõe o Código Civil Brasileiro em matéria de Direito de Família […] no sentido de que permaneçam, no Campo Santo de Leopoldina, MG, os restos mortais do referido vate. [e reiteram] ao povo leopoldinense o profundo sentimento de gratidão pela veneração, pura e sincera, sempre devotada à memória de Augusto dos Anjos a quem nos derradeiros meses de sua vida, jamais deixou de dar inequívocas provas de solidariedade, que se estenderam, após a sua morte, à viúva e aos seus dois filhos, ao longo de muitos anos [tendo recebido] expressões de estima e decisivo apoio moral em momentos difíceis”.

Segundo Orlandino Rocha[9] em matéria publicada em 1980, o mausoléu de Augusto dos Anjos, no cemitério de Leopoldina, “já se converteu, inclusive, em atração turística. Ir a Leopoldina e não visitar o túmulo de Augusto é o mesmo que ir a Roma e não ver o Papa”.

De resto, conferindo a bagagem do viajante deste Trem de História se constata que Augusto dos Anjos teria deixado João Pessoa aborrecido com fato ocorrido em sua vida profissional naquela cidade. Rumou para o Rio de Janeiro em busca de melhores dias, mas não obteve o sucesso esperado. Recebeu um convite para vir para Leopoldina e aqui encontrou emprego, carinho, vida social e cultural. Fez amigos e deixou saudades, material suficiente para a sua permanência entre nós. Até hoje seu nome e obra merecem o respeito de todos os leopoldinenses. A cidade o homenageia com o Museu Espaço dos Anjos, na casa onde viveu seus últimos dias, e com a Escola Estadual Augusto dos Anjos. A Academia Leopoldinense de Letras e Artes – ALLA o escolheu como patrono. E este ano, realiza-se o 25º Concurso Nacional de Poesias Augusto dos Anjos, criado em 1992 pela equipe da Biblioteca Municipal Luiz Eugênio Botelho capitaneada pela professora Maria Helena Vieira.

Ele se disse “aquele que ficou sozinho, cantando sobre os ossos do caminho, a poesia de tudo quanto é morto[10]”. Mas está, em Leopoldina, rodeado de admiradores.


Fontes Utilizadas:

MACHADO, Luja e CANTONI, Nilza. Augusto dos Anjos visto por alguns biógrafos e pensadores. Ensaio. Leopoldina, 2014, 37f, Centenário de Morte de Augusto dos Anjos.

[1] Gazeta de Leopoldina, 30 nov 1979, p. 6

[2] Jornal do Brasil, 20 abr 1974, Caderno Livro, p.2

[3] Revista Fon-Fon, Rio de Janeiro, 30 out 1926, seção Caixilhos

[4] Revista Brasil Progresso, Rio de Janeiro, setembro 1925

[5] Illustração Brasileira, Rio de Janeiro, agosto 1947, ed 148 p. 37

[6] Idem, abril 1948, ed 156, p. 37

[7] O Malhor, Rio de Janeiro, julho 1952, ed 150 p. 18

[8] A Noite, Rio de Janeiro, 10 jan 1964, ed 17513 p. 8

[9] O Cruzeiro, Rio de Janeiro, 15 jan 1980, ed 10 p. 71

[10] ANJOS, Augusto dos. O Poeta do Hediondo. In: Eu e Outras Poesias. 42. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1998. p 65

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado no jornal Leopoldinense de 01 de novembro de 2016

 

61 – As dificuldades de muitos na chegada ao Brasil

O Trem de História anterior terminou falando dos confusos cruzamentos das linhas férreas em um pátio de manobras. E comparou estes cruzamentos com os das linhas genealógicas. Hoje, ele vai percorrer uma outra confusão, muito comum entre brasileiros descendentes de portugueses, qual seja a de imaginar que seus antepassados chegaram ao Brasil com capital para iniciar um negócio.

E para melhor compreensão das condições da passagem dos açorianos, começamos por citar alguns aspectos que evidenciam as dificuldades pelas quais passaram os portugueses que vieram para o Brasil depois da nossa Independência. Um assunto que tem sido objeto de muitos estudos aqui e em Portugal.

Em artigo para o Museu das Migrações e das Comunidades de Fafe, Portugal, por exemplo, Miguel Monteiro(1) declarou que iniciou o estudo sobre o assunto “com a ideia de confirmar a hipótese de que a Migração interna correspondia às classes sociais desfavorecidas e Emigração para o Brasil a indivíduos provenientes da classe média e alta, particularmente até aos finais do século XIX.”

Entretanto, no decorrer do trabalho, Monteiro constatou que a maioria dos que atravessaram o atlântico entre 1834 e 1926 fugia deste estereótipo. O autor demonstrou que veio um grande número de crianças do sexo masculino entre 13 e 15 anos de idade, que chegavam ao Rio de Janeiro com uma carta de recomendação para algum patrício com quem geralmente se empregavam.

As histórias de muitos deles são bons exemplos de como viviam. Um destes jovens declarou que, ao despedir-se do primeiro emprego em dezembro de 1830, recebeu(2) “do resto dos meus salários 6$419 reis. Era esta toda a minha fortuna no fim de 3 anos e 4 meses de sofrimento e provações no Rio de Janeiro!

Para aqueles que acreditam na imensa capacidade de enriquecimento dos portugueses em terras brasileiras, o autor transcreve um trecho do diário de um deles(3):

“Tempo de Caixeiro: dizendo que foram 14 anos de pobreza e provação tendo ele seguido o sistema de gastar só metade do que ganhava e apesar de todas as suas economias, da grande sujeição em que vivia e das apoquentações por que passou, só tinha podido juntar uma pequena quantia.”

Parece ter sido esta a sina de Antonio V e Luiz II, os dois jovens da família Botelho Falcão que deixaram a ilha açoriana de São Miguel em torno de 1850.

Conforme já ressaltamos, não é possível fazer muitas afirmações sobre a trajetória deles por falta de fontes confiáveis. Um dos primeiros obstáculos que encontramos foi a afirmação de Luiz Eugênio Botelho de que seu pai, aqui denominado Luiz Botelho Falcão IV, teria nascido no dia 10.08.1851, em Leopoldina. Este nascimento não foi encontrado, nem tampouco o casamento dos pais de Luiz Eugênio.

Apesar da possibilidade de Luiz Eugênio ter calculado a idade do pai com base em informações orais, aqui o nome do açoriano fica mantido como Luiz Botelho Falcão II e o nome do avô de Luiz Eugênio como Luiz Botelho Falcão III,

Quanto ao vínculo do avô de Luiz Eugênio com a família de Manoel Botelho Falcão IV, cuja genealogia foi descrita no início deste ensaio, um indicativo foi a repetição do apadrinhamento nos casamentos dos filhos de Manoel IV, hábito comum nas ilhas atlânticas portuguesas naquela época.

Ainda que não tenha sido possível levantar muitas informações sobre a situação econômico-social da família Botelho Falcão em Leopoldina, os casamentos com pessoas de famílias há muito estabelecidas no município parecem indicar um percurso de ascensão social. Embora em 1856 não tenha sido encontrada propriedade em nome de Luiz Botelho Falcão III, em 1859 ele sofreu uma ação contestatória por ter informado um tamanho maior para a chácara que vendera a Lauriano João Celestino Ferreira e em 1896 a família era proprietária de uma edificação urbana recebida por herança de Luiz Botelho Falcão III.

O foco da pesquisa segue, a partir de agora, os caminhos dos filhos de Luiz Botelho Falcão III e Ana Cecília: Luiz Botelho Falcão IV e Eugênio Botelho Falcão.

Mas por hoje o Trem de história fica por aqui. No próximo mês voltaremos a falar da família Botelho Falcão.


Fontes Consultadas:

1 – MONTEIRO, Miguel. Emigração para o Brasil (1834-1926): os números e a autobiografia – sair, viver e regressar na primeira pessoa. Disponível em <http://zip.net/bbtpVB&gt; Acesso 23 jan. 2012 p.1

2 – Idem, p. 11

3 – Idem, p. 9

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado no jornal Leopoldinense de 16  de outubro de 2016

60 – Dos Açores para Leopoldina – II

O Trem de História segue viagem e encontra Luiz Botelho Falcão II, nascido(1) em 10.05.1816, filho de Hierônimo Botelho Falcão e Ana de Jesus, que pode ser o pai do Luiz Botelho Falcão III que viveu em Leopoldina e foi casado com Ana Cecília.

Antes, porém, convém que se faça o registro de que há grande dificuldade para se abordar a família de Luiz Botelho Falcão III, dentre outros motivos, por não se ter indicadores seguros sobre a data provável em que ele teria passado ao Brasil.

Sabe-se, apenas, que já vivia em Leopoldina no ano de 1855, porque seu nome aparece ao lado de Ana Cecília, no batismo de uma filha de Sabino Gomes da Silva; que no Registro de Terras de 1856, embora não conste da lista de proprietários, ele é mencionado como vizinho do Patrimônio de São Sebastião do Feijão Cru e que, em 1859, foi citado(2) por ação contestatória que lhe moveu Lauriano João Celestino Ferreira em virtude de problemas na venda de uma chácara.

Quanto à família também existem lacunas. Não foi encontrado seu casamento e a origem de sua esposa não está clara, como se verá adiante. Sobre os filhos do casal, pode-se supor a paternidade de um deles através do alistamento eleitoral e admitir a hipótese de que tenha sido pai de Luiz Botelho Falcão IV, apesar da fragilidade das fontes literárias onde este último é citado.

Diante de tão poucas fontes confiáveis, para contornar os riscos de se publicar inverdades, neste trabalho foram descartadas as informações orais sem respaldo de outra fonte e feita uma criteriosa análise dos textos impressos a que se teve acesso. A partir daí se chegou a Luiz II, que pode ser o mesmo Luiz III, que faleceu(3) em Leopoldina, em 1878.

Parte dessa dificuldade parece poder ser explicada pelos fatos seguintes. O desaparecimento de notícias sobre Eugênio Botelho Falcão a partir de 1901, bem como o falecimento de Luiz Botelho Falcão IV em 1893, criaram o ambiente propício para se tornarem perenes as referências à família encontradas no obituário deste último. Como ele faleceu com pouco mais de 40 anos, com diversos filhos pequenos e o mais velho com cerca de 15 anos de idade, é lícito supor que não havia quem prestasse informações mais consistentes ao médico Ernesto de La Cerda, autor do obituário.

O fato é que as origens de Luiz Botelho Falcão III e de sua esposa foram inúmeras vezes informadas sem base conhecida. Ele foi tido como nascido em Portugal e ela como pertencente à família Ferreira Brito. E em pelo menos uma publicação, que copiou o texto de La Cerda, houve inversão de origem e o marido ficou sendo membro da família Ferreira Brito. Informações estas que não se sustentam quando comparadas com documentos.

Segundo o registro de sepultamento, Ana Cecília Botelho era filha de João Ides de Nazareth que seria natural de Angra do Heroísmo, Ilha Terceira, Açores e morava na região de Bom Jardim de Minas antes de se transferir para o Feijão Cru. Em Bom Jardim, João Ides se casara com Maria Justina Ferreira, em 1810, filha de Justino José Corrêa de Lacerda e de Ana Justina Ferreira. Esta Maria Justina era neta paterna de Antonio Carlos Corrêa de Lacerda e Ana de Souza da Guarda, e neta materna de Manoel Ferreira Brito e Maria Tereza de Jesus. Vale dizer que a primeira esposa de João Ides de Nazareth era sobrinha-neta de Joaquim Ferreira Brito, genearca de uma das famílias povoadoras de Leopoldina. Portanto, da família Ferreira Brito. Ocorre que João Ides ficou viúvo e se casou pela segunda vez com Maria Emerenciana de Santana, com quem teve, entre outros, a filha Ana Cecília que parece não ter parentesco algum com os Ferreira Brito da primeira esposa do seu pai.

Através do estudo de Carlos Machado(4), especialista nas famílias miquelenses, sabe-se que o filho de Hierônimo Botelho Falcão e Ana de Jesus, de nome Luiz, passou ao Brasil por volta de 1850. Provavelmente junto com um Antonio Botelho Falcão, provavelmente o jovem nascido no dia 20.07.1834(5). Este Antonio era filho de Antonio Botelho Falcão III e de Ana Thomazia de Arruda, neto paterno de Francisco Botelho Falcão II e de Antonia de Jesus Maria.

E para fechar a carga do vagão de hoje resta esclarecer que Luiz II e Antonio nasceram na mesma Freguesia de Santa Cruz, Concelho Lagoa, Ilha de São Miguel, Açores, Portugal. E que Hierônimo, pai de Luiz II, era filho de Manoel Botelho Falcão III e irmão de Francisco Botelho Falcão II, avô paterno do Antonio acima citado.

Confuso?  Fique tranquilo. São os normais “cruzamentos” das linhas genealógicas. Confusos como um pátio de manobras de ferrovia, onde as linhas se cruzam, mas o Trem, inclusive o de História, sempre encontra o caminho a seguir. Na próxima viagem, tem mais.


Fontes consultadas:

1 – Biblioteca Pública e Arquivo Regional dos Açores, N.9 L.11 batismos Santa Cruz 1815-1820 fls 14v img 15.

2 – Correio Oficial de Minas (Ouro Preto) 17.11.1859 ed 299 p.4.

3 – A Actualidade (Ouro Preto) 26.12.1878 ed 147 p.3.

4 – CANTO, Ernesto do e MACHADO, Carlos, Livro de Genealogias, ficha 231.

5 – Biblioteca Pública e Arquivo Regional dos Açores, lv 14 bat 1832-1838 Santa Cruz, Lagoa, fls 116v img 117.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado no jornal Leopoldinense de 07 de outubro de 2016

59 – Dos Açores para Leopoldina – I

Na coluna anterior, depois de citados três filhos de Hierônimo Botelho Falcão e Ana de Jesus, ficou prometido continuar o assunto e é o que fazemos hoje.

O quarto filho do casal, o também açoriano Francisco Botelho Falcão Sobrinho casou-se a primeira vez em 1846 com Ana Emília do Amor Divino, filha de Francisco Manoel Vellós e de Francisca Victorina. Ficando viúvo, casou-se a segunda vez com Rosa Emilia, filha de José da Ponte e Umbelina de Jesus. Do casamento com Ana Emília são os filhos: Antonio (1847); Francisco (1849); Manoel Botelho Falcão IV, gêmeo do anterior; Vitorino Botelho Falcão que se casou em Leopoldina em 1878, com Maria de Nazareth Oliveira Ramos, filha de Francisco de Oliveira Ramos e Francisca das Chagas de Nazareth; Manoel Botelho Falcão V que se casou em Leopoldina com Filomena Francisca de Oliveira Ramos, irmã de sua cunhada Maria de Nazareth;  Jerônimo Botelho Falcão que se casou em Leopoldina com Clotilde Eucheria de Jesus, filha de Honório Fidelles Ferreira e Joaquina Eucheria de Jesus em 1889 em Leopoldina; José Botelho Falcão Sobrinho que se casou em Recreio com Maria da Conceição Ferreira, filha de Pacifico José de Souza e Mariana Cecilia Ferreira em 1885; e, Emília Amália Botelho Falcão que se casou em Leopoldina com João Canuto de Rezende, filho de Simão José de Rezende e Maria Feliz do Bonsucesso.

Seguindo um pouco mais com os descendentes de Francisco Botelho Falcão Sobrinho, o Trem de História chega aos seus netos, como se verá a seguir.

Do casal Vitorino Botelho Falcão e Maria de Nazareth são, pelo menos, os filhos: Vitorino Botelho Falcão Filho, nascido em 1881 e casado em 1906 com Amelia de Oliveira Ramos, filha de Antonio Francisco de Oliveira Ramos e Albina Luiza de Oliveira; Francisca de Oliveira Ramos (1883) e falecida em 1916; Pedro (1884); Antonio (1891); e, Maria, (setembro de 1907) e falecida no dia 23.12.1907.

 De Manoel Botelho Falcão V casado com Filomena Francisca são os filhos: Manoel (1891); Manoel Botelho Falcão VI (1892) e que se casou com sua prima Rosa da Conceição Botelho em 1919. Ela era filha de seu tio paterno José Botelho Falcão Sobrinho; Maria (1894); Antonio (1896); José (1901) e falecido em 1903; Américo (1902); Rita (1904); João (1907); e, Filomena (1909).

Do casal Jerônimo Botelho Falcão e Clotilde Eucheria de Jesus são os filhos: Carmen (1892); Narcisa (1893); Sebastião (1894); Colombo (1896); Homero (1896); Felisberto nascido em outubro e falecido dezembro de 1901; Cecília (1902) e falecida em 1903; Marieta (1904); Clotilde Botelho Falcão (1905) e casada em 1926 com Joaquim Cardoso de Moura, filho de Jeronimo Cardoso de Moura e Rosa Felicia; Emília (1911); e, Aristotelina (1914).

De José Botelho Falcão Sobrinho e Maria da Conceição Ferreira são os filhos:

– Francisco José Botelho, que se casou em 1914 com Ana Maria de Oliveira Ramos, filha de Antonio Francisco de Oliveira Ramos e Albina Luiza de Oliveira, com quem teve os filhos José (1915); Albina (1917); Antonio (1918); Maria (1920); e, Milsse (1925);

– Rosa da Conceição nascida em 1899 em Recreio, casou-se com seu primo Manoel Botelho Falcão V citado anteriormente;

– Cecília da Conceição nasceu por volta de 1907 e se casou em 1925 com Joaquim da Silva Coutinho, filho de Antonio Mauricio da Silva e Emilia dos Reis Coutinho; e,

– Isabel nascida em 1909, em Recreio.

De Emília Amália Botelho Falcão e João Canuto de Rezende são os filhos: Maria (1883); Filomena (1885) e falecida em 1886; e, Simão (1886).

Na próxima edição o Trem de História vai tratar do outro filho de Hierônimo Botelho Falcão e Ana de Jesus, conforme já anunciado. Até lá!


 Fontes Utilizadas:

Biblioteca Pública e Arquivo Regional dos Açores Santa Cruz, Lagoa lv 5 cas 1838-1848 fls 90 / lv 6/2 cas 1848-1858 fls 42v / lv bat 18, 1848-1851 fls 90v e fls 231v.

Arquivo da Diocese de Leopoldina, lv 1 cas fls 6 termo 17, fls 68 termo 191e fls 394 termo ordem 1476 /  lv 2 cas fls 26 termo 120 / lv 3 cas fls 392 termo 2 /  lv 5 cas fls 326 termo 68 / lv 6 cas termo 23 fls 30 e termo 18a fls 15.

Arquivo da Diocese de Leopoldina, lv 02 bat fls 46 termo 430, fls 83v termo 760, fls 126 termo 1195 e fls 172v termo 1622; lv 04 bat fls 32v termo 530, fls 58v termo 732, fls 60v termo 753, fls 89v termo 1040, fls 120v termo ordem 1169, fls 123 termo 9 e fls 172 termo 108; lv 05 bat fls 3 termo 424;  lv 06 bat fls 99 termo 30 e fls 50v termo 130; lv 08 bat fls 7 termo 61; lv 09 bat fls 51v termo 432,  fls 66v termo 95e fls 92v termo 349; lv 10 bat fls 44 termo 128 e fls 58 termo 268; lv 11 bat fls 15 termo 405 e fls 69v termo 162; lv 13 bat fls 41v termo 213; lv 12 bat fls 55v termo 292; lv 15 bat fls 58v termo 39 e fls 90 termo 351; lv 16 bat fls 70 termo 69; lv 17 bat fls 73v termo 95; lv 18 bat fls 71v termo 503 e lv 21 bat fls 95 termo 512.

Cemitério Público de Leopoldina, MG (1880-1887) (Livro 1880-1887), folhas 26 sepultura 809.

Cemitério Nossa Senhora do Carmo, Leopoldina, MG, lv 1 fls 40 nr 11695; fls 34 nr 11431 e fls 42 nr 11770; lv 2 fls 20 nr 231e fls 72 nr 98.

Igreja Menino Deus, Recreio, MG, lv 02 bat fls 93v termo 870 e fls 134v termo 1284; lv 10 bat fls 2 e lv 15 bat fls 30v.

Igreja N. S. Conceição da Boa Vista, Recreio, MG, lv 1 cas fls 229 termo 675.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado no jornal Leopoldinense de 29 de setembro de 2016

58 – Os Botelho Falcão mais antigos

Conforme anunciamos no Jornal anterior, hoje a viagem segue com os primeiros personagens do sobrenome Botelho Falcão.

Começamos com Cypriano Botelho Falcão, filho de Maria de Frias e Gaspar Botelho Falcão que se casou em 1712 com Barbara do Canto Amaral, filha de Manoel do Canto Fazenda e Maria da Costa.

Por parte de pai Cypriano era neto de Manoel Botelho Falcão II e Ana de Rezende. O avô era filho de Francisco Cabral Travassos e Clara da Fonseca II. Esta Clara da Fonseca II era filha de Manoel Botelho Falcão I e de Maria Corrêa, sendo esta filha de Sebastião Jorge Formigo e Joana Tavares.

O matrimônio de Manoel I e Maria foi celebrado em 1575 e Frutuoso o coloca como morador da Vila da Ribeira Grande por esta época. Interessante registrar que este personagem aparece pela primeira vez nas fichas genealógicas de Carlos Machado com o sobrenome Botelho Falcão, mas a mesma fonte a ele se refere também com o nome de Manoel Botelho da Fonseca. De todo modo, os dois nomes se referem ao mesmo filho de Manoel Lopes Rebelo e Clara da Fonseca I, neto paterno de Antonio Lopes Rebelo e Maria Falcoa, e neto materno de Jorge da Mota e Bartoleza da Costa.

Vale registrar que não raras vezes houve dificuldade para entender se o sobrenome era Rebelo ou Botelho, nos assentos paroquiais dos setecentos. Mas confrontando as obras de Frutuoso e de Carlos Machado vimos que o neto de Antonio Lopes Rebelo e Maria Falcoa passou a ser chamado de Manoel Botelho na página 26 do volume IV de Saudade da Terra e de Manoel Botelho Falcão na ficha número 113 de Carlos Machado. Já na ficha 119, Machado indica o nome Manoel Botelho da Fonseca para o mesmo personagem, numa clara referência ao sobrenome materno que, entretanto, não aparece nos assentos paroquiais relativos aos filhos do casal.

Dito isto, o foco da pesquisa fixa-se em dois filhos de Cypriano e Barbara: Manoel Botelho Falcão III e Antonio.

Manoel Botelho Falcão III casou-se em 1742 com Antonia Muniz de Puga, filha de Manoel de Medeiros e Thereza Muniz de Puga. O casal teve, pelo menos, seis filhos: Antonia (1743), Antonio (1745), Hierônimo (1749) e Francisco (1752), Maria e Joana Batista.

O quarto destes filhos, Francisco Botelho Falcão II, nasceu em 1752 e se casou em 1794, com Antonia de Jesus Maria, filha de João José de Faria e de Ana Eufrasia de Melo.

Francisco II e Antonia de Jesus foram pais de Antonio Botelho Falcão III que se casou em 1831, com Ana Tomazia de Arruda, filha de Antonio Pedro de Arruda e de Umbelina Rosa. Deles é o filho Antonio Botelho Falcão V, nascido em 1834 e que, segundo a já mencionada ficha 231 de Carlos Machado, transferiu-se para o Brasil.

Começa, então, com este casal o vínculo entre os Botelho Falcão açorianos e os usuários do mesmo sobrenome que viveram em Leopoldina. E as fontes consultadas indicam que Antonio Botelho Falcão V viajou para o Brasil juntamente com um primo, filho do seu tio Hierônimo.

Hierônimo Botelho Falcão, filho de Manoel Botelho Falcão III e de Antonia Muniz de Puga, nasceu em 1749 se casou com Ana de Jesus, com quem teve os filhos Antonio Botelho Falcão IV, Luiz Botelho Falcão II, José Botelho Falcão II e Francisco Botelho Falcão Sobrinho.

O mais velho, Antonio Botelho Falcão IV, nascido em 1812, casou-se em 1832 com Ana Joaquina, filha de Antonio Caetano e Maria Tomazia. O casamento foi realizado na Freguesia Água do Pau, Concelho Lagoa, e provavelmente o casal ali viveu, não tendo sido encontradas outras notícias.

Do segundo filho, Luiz Botelho Falcão II, nascido em 1816, daremos notícia mais adiante.

O terceiro filho, José Botelho Falcão II, casou-se com Luzia dos Santos, filha de Joaquim de Medeiros e Maria Caetana, com quem teve o filho José Botelho Falcão III nascido em 1861 na mesma Freguesia de Santa Cruz onde encontramos os Botelho Falcão desde o século anterior.

O Trem de História faz uma parada para descanso, porque a viagem pelos Botelho Falcão é longa. Mas na próxima edição ela continuará. Aguardem.


Fontes Consultadas:

Biblioteca Pública e Arquivo Regional dos Açores, livros de Santa Cruz, Lagoa:  Idem, lv.6 bat 1742-1756 fls 104 e 136v; lv.10 bat 1809-1815 fls 88; lv 14 bat 1832-1838, fls 116v; lv.23 bat 1861 fls 27; lv 3 cas, 1731-1780 fls 55; lv cas n3L4 1781-1820 fls 61; lv 4 cas 1820-1838, fls 74v e livro 6 casamentos de Água do Pau 1809-1832 fls 186v.

CANTO, Ernesto do e MACHADO, Carlos, Livro de Genealogias, ficha 113 img 119, acesso 13 jan 2016

FRUTUOSO, Gaspar, Saudades da Terra: livro IV (Ponta Delgada, Açores, Instituto Cultural Ponta Delgada, 1998), pag 17.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado no jornal Leopoldinense de 19 de setembro de 2016

57 – Botelho Falcão: a origem do sobrenome no Arquipélago dos Açores

Hoje o Trem de História inicia uma viagem pela família Botelho Falcão. E o começo dela remonta a década de 1860 quando surgem, nos livros paroquiais de Leopoldina e seus distritos, as primeiras referências às ilhas atlânticas do território português que constituem a Região Autônoma dos Açores.

Importante registrar que para estudar as famílias mencionadas como provenientes do Arquipélago dos Açores, inúmeras vezes foi consultada a monumental obra de Gaspar Frutuoso denominada Saudades da Terra, cujo volume IV, que trata especificamente da Ilha de São Miguel, se fez guia do estudo da família aqui tratada.

Registre-se, ainda, como curiosidade, que o conjunto de ilhas conhecido como Arquipélago dos Açores recebeu este nome porque, segundo a lenda, os primeiros portugueses que o avistaram tiveram a impressão de terem visto o “açor” uma ave de rapina diurna, caçadora de animais e pássaros. Mais tarde os navegadores descobriram tratar-se de uma águia popularmente conhecida como “milhafre queimado”. Mas o arquipélago já estava batizado e o açor passou a fazer parte não só do nome como da bandeira dos Açores.

O Arquipélago é formado por Santa Maria, São Miguel, Terceira, Graciosa, São Jorge, Pico, Faial, Flores e Corvo, nove ilhas atlânticas encontradas pelos portugueses no século XV. Dentre estas ilhas destacamos para o estudo atual a de São Miguel, que se divide em seis concelhos: Lagoa, Nordeste, Ponta Delgada, Ribeira Grande, Vila Franca do Campo e Povoação.

Frutuoso destaca, de fontes por ele consultadas, que no século XVI,

“quase doze anos inteiros depois de ser descoberta a ilha de Santa Maria, aos oito dias do mês de Maio da era de mil e quatrocentos e quarenta e quatro anos, por dia do aparecimento do arcanjo S. Miguel, príncipe da igreja, foi vista e descoberta por eles esta ilha; que, por ser achada e aparecer em tal dia e festa do aparecimento do arcanjo, lhe foi posto este nome à ilha de S. Miguel.”

Quanto ao povoamento do arquipélago, a crítica histórica atual apresenta argumentos contrários à data do início recolhida por Frutuoso com a gente de seu tempo. E estes críticos utilizam a informação do próprio autor, que opina ter sido somente na década de 1470 que ali se estabeleceram os povoadores, cujos nomes pudemos conhecer a partir de sua obra.

Ressalte-se que a obra Saudades da Terra permaneceu manuscrita até o século XX e que foi através dela que conseguimos localizar fontes que permitiram esboçar a genealogia de alguns imigrantes açorianos que se tornaram moradores da Vila Leopoldina.

Importante ressaltar, também, que a referência à ilha de São Miguel nos assentos paroquiais leopoldinenses conduziu as buscas para o Livro das Genealogias, um conjunto de 618 fichas genealógicas compulsadas por Carlos Machado e organizadas por Ernesto do Canto, atualmente disponíveis no site da Biblioteca Pública e Arquivo Regional dos Açores.

No índice dessa obra localizamos os Botelho Falcão, em cuja ficha é informado que no século XVIII residiam na Freguesia de Santa Cruz, no concelho da Lagoa. A partir daí, consultamos os livros paroquiais também disponíveis no mesmo site e seguimos para outras freguesias e concelhos, conforme indicavam os registros encontrados. E descobrimos que na Ilha de São Miguel, segundo o trabalho de Carlos Machado, o sobrenome Falcão aparece pela primeira vez em Manoel Botelho Falcão I, que se casou com Maria Corrêa.

Mas antes de abordar a genealogia propriamente dita, é bom esclarecer que o sobrenome Botelho provém de antiga medida utilizada para grãos ou algas marinhas. E que, segundo estudiosos vinculados ao Instituto Português de Heráldica, inicialmente o sobrenome era indicativo da profissão de vendedor de grãos ou algas. Já o sobrenome Falcão tem origem numa ave de rapina da mesma classe do ‘açor’ e foi inicialmente utilizado para denominar o praticante da falcoaria (arte de adestrar falcões para a caça ou, lugar onde se criam falcões, segundo o Dicionário Aurélio). Entretanto, alguns heraldistas argumentam que é sobrenome locativo por ter sido inicialmente utilizado por residentes em lugares onde se praticava a falcoaria em Portugal.

Esclarecendo que em virtude do grande número de homônimos tornou-se imprescindível acrescentar algarismos romanos em alguns nomes para indicar ordem de nascimento mais antiga, como fizemos com Manoel Botelho Falcão I, informamos que a viagem seguirá na próxima edição deste Jornal, com os primeiros personagens do sobrenome e fechamos a carga do vagão do Trem de História de hoje. Até lá.


Fonte consultada:

FRUTUOSO, Gaspar, Saudades da Terra: livro IV (Ponta Delgada, Açores, Instituto Cultural Ponta Delgada, 1998), pag 17.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado no jornal Leopoldinense de 9 de setembro de 2016

56 – Barroso Júnior na visão de terceiros

O último vagão com informações sobre João Barroso Pereira Júnior traz opiniões e comentários de pessoas que conhecem a sua obra.

E começa com o material de José Barroso Junqueira(1), citando o tabloide “Leopoldina – 155 anos de História”, jornal publicado em comemoração aos 155 anos da cidade, em 27 de abril de 2009. Para José Barroso, em função de seu tio ter sido “educado desde criança, em colégios de padres, adquiriu sentimentos de moral e religiosidade cristã, desfrutando de estima e consideração de todos que o conheciam.” Segundo a mesma fonte, “sua vida e sua dedicação às causas sociais não ficaram, entretanto, restritas exclusivamente aos preceitos da religião católica. No seio da família, nas reuniões sociais, nos meios literários, sempre baseado na moral teológica, fazia-se admirado pela sua jovialidade, pela sua inteligência, quer palestrando, quer através de produções literárias e históricas.” E acrescenta que, “como jornalista e historiador, o passado o envolvia” e “era evocado em todos os seus acontecimentos dignos de registro”.

Sobre a sua principal obra publicada, “Leopoldina – Os seus primórdios”, José Barroso Junqueira assim se manifesta:

“Uma obra pioneira. Levantamento histórico de episódios relacionados com a nossa cidade, seus vultos, suas vidas e realizações. Esse trabalho, de investigação, levantamento e interpretação de sua significação na vida leopoldinense e publicado em 1943 é, até hoje, leitura e consulta obrigatória de pesquisadores para conhecimento de coisas, fatos e pessoas ligadas à nossa História. Foi escrito com primor e com palavras poéticas, que evidenciam o amor do autor pela cidade que adotou como sua para viver e morrer.”

Mário de Freitas(2), que a ele se refere chamando-o carinhosamente de “Barrosinho”, relaciona-o como professor, bibliotecário, historiador e jornalista.

Sérgio Otávio Bassetti(3), ao historiar a política de educação especial em Santa Catarina, ressalta que as ideias precursoras de educação especial naquele estado organizaram-se em 1954, quando da visita a Florianópolis do Professor Barroso Júnior, que ali esteve para divulgar a novidade do Instituto Nacional de Educação de Surdos – INES, do Rio de Janeiro (RJ). Nessa ocasião o INES havia criado um curso para formação de professores do ensino primário voltado para alunos com deficiência auditiva. Como foi dito no primeiro artigo da série, durante seis meses Barroso Junior prestou apoio à Fundação Catarinense de Educação Especial(4) e ao Instituto de Surdos Mudos de Florianópolis (SC).

Destacamos, ainda, que no discurso de inauguração da Biblioteca Municipal de Leopoldina, proferido em 29 de setembro de 1960, declarou Barroso Júnior:

“Singular solenidade marca hoje a inauguração dessa instituição municipal. Congregamo-nos neste recinto para marcar o início das solenidades culturais da Biblioteca Pública. Aspiração de longos anos, hoje, para gáudio de todos, o novo instituto abre suas portas para o povo”.

Para a coluna Trem de História, ao organizar a Biblioteca Municipal, Barroso Júnior solidificou sua imagem de cidadão preocupado com o acesso de todos aos bens culturais. Por tudo o que fez, foi e escreveu, é personalidade que merece respeito e admiração de todos os leopoldinenses. Suas contribuições para a área cultural leopoldinense, por ações próprias ou, delegadas, pelas peças jornalísticas ou literárias que divulgaram a cidade e, acima de tudo, pelos registros históricos que ainda hoje são base segura para pesquisa de quantos se preocupam com a história de Leopoldina, João Pereira Barroso Júnior está entre os que mais lutaram pelo desenvolvimento cultural da cidade.

Na próxima edição o Trem de História abordará outra personalidade. Aguardem!


Fontes consultadas:

(1)Discurso de posse na Academia Leopoldinense de Letras e Artes, em maio de 2009, sobre seu patrono.

(2) FREITAS, Mário de. Leopoldina do Meu Tempo. Belo Horizonte: Página, 1985. p.236 e 244

(3) BASSOTI, Sérgio Otavio. Política de Educação Especial do Estado de Santa Catarina: proposta. 2006. p.8. Disponível em <http://zip.net/bws76t&gt;. Acesso em 18.11.14.

(4) DESTRI, Débora Silva (Org.) Caderno Técnico do Centro de Avaliação e Encaminhamento – 2008. p.13. Disponível em < http://zip.net/bns7MZ&gt;. Acesso em 01.12.14.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado no jornal Leopoldinense de 26 de agosto de 2016