Por Jorge Pimentel Cintra
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Por Jorge Pimentel Cintra
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No documento que estamos analisando, observamos que o Terceiro Quarteirão traz os nomes dos primeiros moradores de Conceição da Boa Vista, Ribeiro Junqueira, Abaíba e parte de Providência. Esclarecemos que Quarteirão era a denominação das divisões administrativas dos distritos e que o Terceiro Quarteirão parece corresponder ao território que em 1851 foi elevado a Distrito de Nossa Senhora da Conceição da Boa Vista. Assim é que, entre os fogos que receberam os números 67 a 95, e comparando-se com o Registro de Terras de 1856, os povoadores de Recreio seriam: Francisco da Silva Barbosa, João Baptista de (Paula) Almeida, Joaquim Ignacio de Moraes, Manoel José de Navaes (Novaes), Procerço Jose Correia (de Lacerda), Manoel Ferreira Brito, Felliciscimo Vital (Moraes) e Laurianno José (de Carvalho).
Provavelmente outros estudiosos tenham por objetivo a identificação dos personagens que povoaram as terras onde se formou o município de Recreio. Considerando que um pesquisador sempre pode colaborar com o estudo de seus pares e que dificilmente uma busca deste tipo pode ser levada a cabo por uma pessoa só, vamos reunir as informações de que dispomos.
Reputamos como impossível a elaboração de uma listagem exaustiva que contemple todos os nomes daqueles que modificaram a paisagem até então ocupada pelos nativos. Nossa opção é, portanto, divulgar os dados de documentos a que tivemos acesso.
Os chamados Mapas de População eram listagens organizadas pela paróquia e cujo principal objetivo era controlar a arrecadação de impostos. No território objeto de nossos estudos, a primeira destas contagens é de 1831, realizada pela Igreja de Madre de Deus do Angu. Entretanto, dela não consta a delimitação dos quarteirões, dificultando a identificação do local de moradia dos paroquianos. Já a Relação nominal dos Habitantes no Destricto de S. Sebastião do Feijão Crú, Termo da Villa da Pomba, contagem de 1838, divide os moradores em quatro quarteirões.
Importante destacar que a listagem foi encaminhada ao Presidente da Província de Minas através de uma carta na qual podemos observar o seguinte termo de fechamento:
“Dios Guarde a V. Exª muitos Annos
Novo Corato de S. Sebastiam do Texouro do Municipio da Pomba
26 de outubro de 1835
Manoel Ferreira Britto
Juiz de Paz”
Supomos que este Manoel Ferreira Brito seja o pai de Ignacio e Francisco Ferreira Brito porque há apenas um do nome como chefe da família onde Ignacio e Francisco aparecem como filhos. Como Juiz de Paz, foi ele o encarregado de organizar os dados em uma listagem onde constam o número dos fogos (moradias); os nomes do chefe da família, seus dependentes, agregados e escravos; a idade de cada pessoa; a qualidade (cor); o estado civil e uma observação sobre ser ou não alfabetizado.
Segundo a mais conhecida versão da história de Recreio, Ignacio Ferreira Brito morou com seu irmão Francisco, até casar-se com Mariana Ozória de Almeida, filha de Joaquim Cezário de Almeida e Luciana Esmeria de Almeida. Importante ressaltar que a sogra de Inácio era irmã da sogra de Francisco, ambas filhas do lendário “comendador” Manoel Antônio de Almeida.
Quando o Curato de Conceição da Boa Vista foi elevado a Distrito de Paz, em 1851, o nome do sogro de Inácio foi registrado como proprietário das terras que marcavam o limite do novo Distrito com Madre de Deus do Angu. Assim é que reunimos o Joaquim Cezário de Almeida aos mais antigos moradores do território que formou, já no século XX, o município de Recreio.
Em 1869, Inácio Ferreira Brito comprou, de Domingos Custódio Neto, uma “morada de casas” no largo da Matriz de Nossa Senhora da Conceição da Boa Vista. Seria, em termos da época, a sua residência na área urbana. Ali ele recebeu o Escrivão, em diversas datas do anos subseqüentes, para oficializar transações imobiliárias. Inclusive a hipoteca da Fazenda das Laranjeiras. Ainda não encontramos a documentação relativa à cessão do terreno onde se instalou a estação ferroviária.
Artigo de Josarlete Magalhães Soares
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soares_cartografia-e-ocupacao-do-territorio-a-zona-da-mata-mineira.pdf (objeto application/pdf)
Francisco Ferreira Brito casou-se, antes de 1859, com Messias Rodrigues Gomes, filha de Antonio Rodrigues Gomes (filho) e Rita Esméria de Almeida. O sogro de Francisco foi, seguramente, um dos primeiros moradores do Feijão Crú. Em 1829 comprou parte das sesmarias concedidas a Fernando Afonso Correia de Lacerda e Jerônimo Pinheiro de Lacerda em 1817. Em 1856 a fazenda formada por Antonio Rodrigues Gomes tinha o nome de Águas Vertentes e ocupava terras hoje divididas entre Ribeiro Junqueira e Recreio.
A sogra de Francisco Ferreira Brito era filha do “comendador” Manoel Antonio de Almeida, um dos povoadores pioneiros de Leopoldina. Temos, portanto, mais um exemplo de que as famílias se reorganizavam pelo casamento de seus descendentes. Neste caso, recordemos que o pai de Francisco era neto paterno de Manoel Ferreira Brito e Maria Teresa de Jesus, sendo sobrinho-neto de Joaquim Ferreira Brito, outro pioneiro de Leopoldina.
Ao casar-se, o dote da esposa de Francisco Ferreira Brito foram terras da grande fazenda de Antonio Rodrigues Gomes, na qual o novo casal formou a Fazenda da Boa Vista, vendida em 1871 para Vicente Rodrigues Gomes. Entretanto, por esta época o casal residia na Fazenda das Laranjeiras, vizinha da Boa Vista e também da Bocaina, a primeira de propriedade dos herdeiros de Antonio Rodrigues Gomes e a segunda dos filhos e netos de Manoel Ferreira Brito.
Comparando-se os diversos documentos encontrados, conclui-se que Manoel Ferreira Brito ocupou terras que vieram a pertencer ao Distrito de Conceição da Boa Vista, na divisa com o atual distrito de Ribeiro Junqueira. Teria sido, portanto, vizinho de Antonio Rodrigues Gomes (filho).
Construindo Biografias, tivemos oportunidade de observar relações de parentesco ou compadrio entre quase todas as famílias que iniciaram a ocupação sistematizada de nossa região. No nosso entender, isto aponta para a pré-existência de uma determinada cultura concernente àquele grupo, resultando em tentativas de reconstruir, nas terras do Feijão Cru, o ambiente do qual provinham. Lembra-nos Benito Bisso Schmidt, em Construindo Biografias (Rio de Janeiro, Revista de Estudos Históricos, n. 19, 1997), que as articulações entre a vida pública e a vida privada explicam e justificam o desenrolar dos acontecimentos que se pretenda resgatar com grande distância no tempo. Por esta razão, Schmidt cita Christopher Hill quando sugere incorporar os acontecimentos da época em que o biografado viveu.Para uma contextualização mais detalhada, torna-se necessário remontar à história de Leopoldina por diversas razões. Uma delas é o fato de que muitos dos antigos moradores de Recreio chegaram na região junto com os povoadores pioneiros daquela cidade, sendo com eles aparentados. A outra razão, que inscrevemos entre as principais, é a subordinação político-administrativa do território. Entretanto, para não sermos repetitivos, sugerimos que o leitor consulte o site www.cantoni.pro.br se desejar conhecer detalhes da história de Leopoldina.
Aqui neste espaço, chegamos à década de 1850 com documentos um pouco mais abundantes. Sabemos que desde 1831 o serviço religioso houvera sido iniciado no Feijão Cru. Além das atividades estritamente religiosas, era na Igreja que se realizavam muitos atos da vida civil, como as reuniões políticas e o alistamento eleitoral. Assim, as famílias de Recreio precisavam deslocar-se com alguma freqüência para Leopoldina.
Mas sabemos também que em 1834 fora constituído o patrimônio de Nossa Senhora da Piedade, o atual distrito de Piacatuba, que passou a atender parte das demandas dos moradores que não estavam tão próximos da sede. No outro extremo geográfico, nasceu o Curato de Nossa Senhora da Conceição da Boa Vista, cuja data oficial de criação do Distrito é o ano de 1851.
Em 1854, com a elevação do Feijão Cru a vila e cidade, a Piedade e Conceição da Boa Vista passaram formalmente ao comando de Leopoldina, muito embora saibamos que de há muito operava-se tal vínculo.
No decorrer de nossos comentários, outras pistas serão fornecidas sobre as terras ocupadas pelos pais de Ignacio e Francisco Ferreira Brito. Entretanto, como nosso objetivo é falar das antigas famílias de Recreio, vamos agora mencionar os vizinhos da família segundo o Registro de Terras de 1856.
Embora não tenha sido identificado um Registro de Terras em nome de Manoel Ferreira Brito, concluímos que este personagem viveu no território entre Recreio e o atual distrito de Ribeiro Junqueira, a partir das seguintes evidências:
– na descrição das posses de Joaquim Mendes do Valle, Francisco Mendes do Valle, Salvador Mendes do Valle, João Mendes do Valle e Francisco Baptista de Paula, seus vizinhos eram: ao sul, Antonio Augusto Monteiro de Barros; a leste e norte, Manoel Ferreira Brito; a oeste, João Baptista d’Almeida e Francisco José de FreitasLima.
– João Baptista de Almeida declarou avizinhar-se ao sul e oeste comFrancisco José de Freitas Lima; ao norte com o Recreio, Francisco Barboza, Manoel Ferreira Britto e Águas Vertentes; ao Leste com Manoel Ferreira Brito, Águas Vertente se os Mendes.
– Francisco da Silva Barbosa informou que sua propriedade dividia-se com José Thomaz de Aguiar (ou Aquino) Cabral, D. Marianna de tal,Processo José Correia, Manoel José de Novais, Manoel Ferreira Brito e João Baptista de Almeida.
Portanto, concluímos não só pela localização das terras de Manoel Ferreira Brito como pela existência de uma propriedade chamada Recreio já em 1856.
Por Márcia Maria Duarte Santos, Jorge Pimentel Cintra e Antonio Gilberto Costa
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