Como se deve ler a história?

Leitura e Legitimação na Historiografia moderna.

Fernando Nicolazzi

RESUMO

Este ensaio estuda alguns textos ocupados com a temática da leitura da história na época moderna, desde o século XVII até o século XX. Partindo da hipótese de que a legitimidade do saber histórico reside não apenas na prática da escrita realizada pelos historiadores, mas igualmente na sua abordagem feita pelos leitores, a partir de um “pacto de leitura” que o texto historiográfico estabelece, diversas modalidades de leitura da história são apontadas, indicando os diferentes horizontes de expectativa que constituem a historiografia moderna.

Varia Historia – How history should be read? – Reading and legitimacy in modern historiography

A História e a escrita da História

Uma análise sobre o papel que a narrativa exerceu no debate sobre o conhecimento histórico.
Makchwell Coimbra Narcizo
Universidade Federal de Goiás

Leituras do passado colonial e narrativas sobre o Brasil nas primeiras décadas do século XIX: a contribuição francesa

Bruno Franco Medeiros

Resumo

Este artigo trata de alguns apontamentos sobre a tradição historiográfica francesa nas primeiras décadas do século XIX e sua compreensão acerca dos problemas históricos originados a partir da reorganização do Império Português com a vinda da Corte para o Brasil e posteriormente pela independência do Império do Brasil. A partir da análise de conceitos como colonização, revolução e outros relacionados à experiência do tempo, pretendemos mostrar como nas primeiras décadas do século XIX esses conceitos ainda eram mobilizados em torno das características pré-modernas do conceito de história, os quais só sofreriam uma alteração significativa, no sentido de compreender a história de um ponto de vista de ruptura com uma realidade anterior, a partir da década de 1830.

“De vm ce amigo, servo, venerador…”: comentários sobre o sujeito histórico e a escrita epistolar nas Minas setecentistas

Paulo Miguel Fonseca

RESUMO

O presente texto visa contextualizar as discussões relativas à ação do sujeito histórico e as dinâmicas frente aos sistemas normativos na construção da escrita da História. Para isso, iremos analisar o papel do sujeito como autor e a relação com o produto de seu trabalho. A título de estudo de caso, buscaremos dissecar a correspondência do colono mineiro Paulo Pereira de Souza, comerciante de secos e molhados que atuou na capitania de Minas Gerais nas décadas de 1750 e 1760. É, pois, a partir de Paulo Pereira que procuraremos identificar as variadas formas de narrativa e expressão, que naturalmente geram diferentes percepções do historiador.

Palavras-chave: epistolografia, Minas Gerais, Brasil, Paulo Pereira de Souza.

Varia Historia – “De vm ce amigo, servo, venerador…”: comentários sobre o sujeito histórico e a escrita epistolar nas Minas setecentistas

Novas tendências da historiografia sobre Minas Gerais no período colonial

Novas tendências da historiografia sobre Minas Gerais no período colonial

Júnia Ferreira Furtado

Resumo

Este texto pretende analisar a produção historiográfica sobre a capitania das Minas Gerais produzida a partir dos anos 1980, o que aqui denomino “Historiografia sobre Minas Gerais”. Esse momento recente da historiografia colonial mineira foi inaugurado com o livro Desclassificados do ouro, de autoria de Laura de Mello e Souza. Pretende-se mapear os temas hegemônicos, as tendências e os recortes teóricos utilizados, destacando a produção acadêmica realizada pelospesquisadores, especialmente os brasileiros. O texto aponta para a pluralidade das temáticas, fontes e interpretações como característica dessa produção e que a originalidade das novas interpretações ocorreu num contexto de ampla renovação metodológica característica dos estudos históricos no Brasil nas últimas décadas. O texto também procura apontar os novos rumos, as tendências e os contrastes dessa produção historiográfica recente.

O templo das sagradas escrituras: o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e a escrita da história do Brasil (1889-1912)

Hugo Hruby

 

Resumo

A possibilidade de observar as ricas e contraditórias discussões sobre a institucionalização e disciplinarização dos estudos históricos é obscurecida quando partimos de um assentado caráter científico no século XIX. Nestes debates, fé, leis e razão buscavam subsidiar a História enquanto campo do conhecimento. O limiar da República, no Brasil, é um período profícuo para estes estudos pelo choque entre espaços de experiências e horizontes de expectativas de atores diversos, como a Igreja Católica, os governos republicanos, os burocratas monarquistas e os homens de letras. O objetivo deste artigo é o de analisar as propostas de escrita da História do Brasil dos sócios do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), na cidade do Rio de Janeiro, diante da proclamação do novo regime político em 15 de novembro de 1889.

Palavras-chave:

O templo das sagradas escrituras: o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e a escrita da história do Brasil (1889-1912) | Hruby | História da Historiografia

Uma nobre, difícil e útil empresa: o ethos do historiador oitocentista

Rodrigo Turin

Resumo

O artigo analisa a formação do ethos que modelou o trabalho de escrita do historiador oitocentista a partir de três topoi que se tornaram recorrentes nos textos historiográficos do século XIX: a sinceridade, a cientificidade e a utilidade. Estes elementos fizeram parte da formalização da prática historiográfica, indo ao encontro do tipo de relação estabelecida entre o historiador, a história e o projeto de nação que se procurava instaurar. Após um breve retorno à tradição historiográfica imperial, tomando como exemplos von Martius e Varnhagen, procuro delimitar algumas continuidades e rupturas no modelo de enunciaçãohistórica de Sílvio Romero.

Uma nobre, difícil e útil empresa: o ethos do historiador oitocentista | Turin | História da Historiografia