III – Pensando a Pesquisa

A justificativa para realizar a busca foi facilmente delineada. Embora os moradores de Leopoldina reconheçam que o centro urbano é habitado por grande número de descendentes de italianos, não se sabe de iniciativas de valorização desta comunidade. A exceção é a representação que ocorre anualmente na Feira da Paz, evento em que os clubes de serviço promovem atividades festivas de congraçamento. Procuramos por um representante da comunidade, sem sucesso. Órgãos representativos também não existiam. E as pessoas consultadas demonstraram nada saber sobre a chegada dos primeiros italianos e a trajetória daquelas famílias.
Ao ser esboçado o projeto, foi feito um levantamento das fontes passíveis de serem analisadas. Decidimos que os dados obtidos no levantamento dos livros paroquiais seriam comparados com os registros de entrada de estrangeiros; processos de registro dos que viviam no município por ocasião do Decreto 3010 de 1938; livros de sepultamento; pagamento de impostos e tributos municipais; escrituras de compra e venda de imóveis; e notícias em periódicos locais. Esclarecemos que o Decreto citado foi promulgado por Getútlio Vargas e determinava que todo imigrante residente em território nacional deveria preencher um requerimento a ser encaminhando para controle pelo Departamento de Polícia Marítima, Aérea e de Fronteiras. Os que foram preservados encontram-se no Arquivo Nacional, no Rio de Janeiro.

A emigração e a cultura Italiana

O último capítulo de Homens sem Paz, de Constantino Ianni, indicado recentemente por um leitor deste blog, despertou a lembrança de uma experiência pela qual passamos há poucos anos. Participando de um evento que contava com patrocínio de entidades italianas, observamos que algumas pessoas manifestavam um certo desprezo pelas manifestações culturais que tantos brasileiros admiram. Num dos momentos, ouvimos que a Tarantella não representa a cultura italiana, mas tão somente a população mais pobre e que é de gosto duvidoso. Ouvimos também que os brasileiros não conhecem a verdadeira cultura italiana porque ficam presos às antigas óperas. Não cabia intervir mas ficou um gosto amargo.

Se muitos de nós, brasileiros, gostamos da Tarantella e das óperas italianas, pode ser porque nos fazem pensar numa parte importante da nossa identidade, já que o sangue daqueles imigrantes está presente em muitas de nossas famílias. E não acreditamos ser possível fazer distinção entre cultura que seja verdadeira ou não. Se existem práticas, são sempre verdadeiras. Podemos gostar ou não, claro. Mas jamais diminuir-lhes o valor. Se o cinema italiano da década de 1960 não é mais tão cultuado, nem por isto deve ser desmerecido. Teve o seu momento, arrebanhou multidões e cumpriu o papel de disseminar a produção do país. E acreditamos que o povo brasileiro está aberto para novas manifestações que retratem a Itália e outros países da atualidade. Podendo gostar ou não, assimilar ou não, escolher é permanência na pessoa humana. Ou, filosoficamente pensando, a única permanência é a eterna mudança.

Se os “literatos profissionais” de que fala Ianni julgam “heresia misturar emigração com cultura”, só temos a lamentar. E agradecemos a este autor por nos trazer letras de antigas canções que se tornaram hinos dos que partiam. E homenageamos os imigrantes que viveram em Leopoldina com uma destas letras (página 242)

Mo me parto da qua per n’altro regno,
passo passo mi vado allontanando;
lascio gli amici miei, lascio gli spassi,
lascio chi tanto bene me volia.
La pietre che scarpiso ‘npasso ‘npasso
pure hanno pietà del piano mio.

Nossa forma de Comemorar

A criação do blog, em abril de 2007, teve por objetivo abrir um canal de comunicação mais rápida com quantos se interessassem pelo estudo da imigração em Leopoldina. Embora exista no site uma seção destinada a publicar nossos textos sobre a Colônia Agrícola da Constança, apenas uma parte da pesquisa vem sendo adaptada para a coluna que mantemos no jornal Leopoldinense. Outros aspectos ficam apenas em nossos arquivos e precisamos consultá-los, com frequência, para atender consultas dos leitores. Publicar estas respostas no blog foi uma decisão que vem se mostrando bastante interessante.

Continuaremos convidando os moradores de Leopoldina a comemorarem o Centenário da Colônia Agrícola da Constança. Que cada um realize o que julgar adequado para marcar a data! De nossa parte, fica a certeza de que estudar a vida daqueles imigrantes nos fez sentir a necessidade de reverenciá-los. E optamos por fazê-lo publicando os escritos que produzimos durante estes 15 anos de pesquisas.

Leopoldinenses com origem na Calábria

Em diversas entrevistas com descendentes de imigrantes italianos, a Calábria foi mencionada como origem de seus antepassados. Na maioria dos casos não foi possível checar a informação por falta de documentos que baseassem buscas do nome exato do local de origem. Por outro lado, encontramos algumas citações a nomes de províncias calabresas a título de sobrenome.

Como exemplo citamos o casal Luigi Cosenza e Giuseppina Longo. Em 1942, ambos declararam residência na Colônia Agrícola da Constança e serem naturais da Calábria. No Brasil o pai de Luigi ficou registrado como Francesco Cosenza, embora o único documento italiano que dele obtivemos indicasse o sobrenome Bloise, procedente do comune de Saracena, na província de Cosenza, Calábria. Já a Giuseppina seria natural de Santa Caterina dello Iónio, em Catanzaro, também na Calábria.Situação semelhante foi observada em outros casos. Encontramos um Archangelo Cosenza cujo sobrenome parece ter sido Morelli, nascido em Malvito, Cosenza. E um Antonio Cosenza, que seria Antonio Carnevalli, procedente de San Francesco, Cosenza. Da mesma forma, suspeitamos que nem todos os imigrantes conhecidos como Zamboni eram de fato desta família. Pelo menos um dos casos se refere à família Rizzo, natural da estação de Zambrone, província Vibo Valentia.Conforme temos repetido, ainda são necessários muitos estudos para resgatar a memória de todos aqueles imigrantes que viveram em Leopoldina no final do século XIX e início dos novecentos. Esperamos que a comemoração do Centenário da Colônia Agrícola da Constança sirva de incentivo para que outras pessoas prossigam com a pesquisa.

Da Toscana e da Sardegna

Os sobrenomes Barbaglio, Minicucci, Pierotti, Prosperi e Vitoi são de imigrantes procedentes da Toscana que viveram no município de Leopoldina.

Da Sardegna temos Agus, Cadeddu, Cappai, Cucco, Duana, Fanni, Fois, Gessa, Lai, Mona, Picci, Porcu, Locci, Vargiolo e Zotti que foram encontrados em várias partes do território de Leopoldina.

Dois aspectos nos levam a reunir estas famílias. O primeiro é que parte delas se radicou no território de um distrito que hoje é o município de Argirita. O outro motivo é que os casamentos entre descendentes nos apontaram pelo menos um caso de vínculo nascido ainda na Italia, quando migrantes sardos se instalaram na Toscana e só mais tarde passaram ao Brasil.

 

Friuli-Venezia Giulia

Após informamos os sobrenomes encontrados em Leopoldina, relativos a imigrantes procedentes do Piemonte, recebemos algumas consultas sobre outras regiões da Itália. Hoje respondemos sobre Friuli-Venezia Giulia. Mas queremos deixar claro que não temos, ainda, o local de nascimento de todos os italianos que passaram pela cidade. Pelo que nos foi dado apurar até o momento, nasceram nesta região os seguintes:Augusto Miani

Pierina Galasso

Rosa Pasianot

 

Italianos procedentes do Piemonte

Recebemos consulta de um pesquisador italiano que procura descendentes de famílias que saíram da região do Piemonte para a América do Sul, especialmente para o Brasil. Informamos os sobrenomes abaixo, encontrados na documentação que pesquisamos sobre a Imigração Italiana em Leopoldina. Entretanto, não temos e-mail de atuais descendentes. Sendo assim, pedimos a colaboração dos leitores deste blog que possam fornecer contatos de pessoas de Leopoldina relacionadas a tais famílias.

Filoti
Fontanella
Geraldi
Gronda
Lazzaroni
Misalulli
Vaula

Quais são os sobrenomes dos imigrantes?

Depois que postamos aqui os nomes dos proprietários dos lotes da Colônia Agrícola da Constança, diversos leitores enviaram comentários informando que determinado sobrenome não aparece na lista. Outros perguntaram quantos imigrantes viveram em Leopoldina.

Embora já tenhamos respondido diretamente para os visitantes que informaram o e-mail, esclarecemos a todos que a listagem inclui tão somente os imigrantes que adquiriram lotes da Constança. Muitos outros viveram no município, nas diversas fazendas que passaram a contratá-los na década de 1880.

Quanto ao número, é difícil quantificar com precisão. Em primeiro lugar porque nós levantamos dados apenas do período que vai de 1880 a 1930. Naquela época, 10% da população de Leopoldina era composta de imigrantes europeus. A maioria nascida na Itália.

Mas desde o início da publicação de nossos estudos, em 1999, recebemos consultas de leitores abordando outros imigrantes que não constam na contagem oficial por uma razão básica: os nomes e sobrenomes foram profundamente alterados, inviabilizando a identificação.

É importante salientar que nem sempre eram exigidos documentos probatórios do imigrante que quisesse realizar algum ato da vida civil. Os responsáveis pelos registros, quer seja o escrivão ou o padre, não conheciam a língua do imigrante. Nem sempre, também, o assentamento civil ou religioso incluía a indicação de procedência do imigrante. Disto resultou, por exemplo, que a família Maiello, de origem italiana, tenha se transformado na família Ismael. Por outro lado, encontramos fontes indicando que o cidadão era italiano mas com um nome que seguramente foi modificado, como um Severino de Souza e um Eurípedes da Rocha. Como descobrir os nomes originais?

Esta é uma das razões que nos levam a afirmar que é preciso pesquisar muito mais para medir quantitativamente a população imigrante em Leopoldina.

Comemorar o Centenário

A campanha pela comemoração do Centenário da Colônia Agrícola da Constança tem resultado em diversas sugestões de atividades. Entretanto, queremos deixar claro que nossa proposta é para que os moradores de Leopoldina realizem as atividades que julgarem adequadas. Nós não podemos assumir a organização porque não moramos em Leopoldina nem podemos ir até lá com a frequência que seria necessária.

Por esta razão, procuramos diversas pessoas e entidades com o objetivo de encontrar possíveis coordenadores. E a Secretaria de Turismo, Esporte e Lazer, na pessoa do Secretário Gilberto Tony, assumiu este compromisso. No último domingo, no Show do Marcus Vinicius pela Rádio Jornal, o Secretário informou que vai montar o projeto e cuidar das providências necessárias.

Valéria Benatti Abraçou a Ideia

Durante o Show do Marcus Vinicius neste domingo, Valéria Benatti participou por telefone, ocasião em que reafirmou seu total apoio à campanha Abrace Esta Ideia. Convidada, aceitou representar seus ancestrais italianos nas comemorações do Centenário, em 2010, para lembrar os núcleos coloniais das cidades vizinhas e irmãs de Leopoldina. Valéria procede de Visconde do Rio Branco, tendo ligações de parentesco com os Minicucci e Vitoi de Argirita.

Mais uma vez agradecemos pela adesão da Valéria. Trabalhando em estreitas relações com Lúcia Horta, Secretária de Educação, Valéria Benatti lembrou que Educação e Cultura estão prontas para contribuírem com o evento comemorativo do Centenário da Colônia Agrícola da Constança.