Colonos, gente desconhecida

Ao elaborarmos nosso projeto de pesquisa, sentimos necessidade de verificar como são vistos os estudos sobre a gente simples que pretendíamos conhecer. Quando pensávamos sobre a Filosofia da História, nos deparamos com o texto Quarenta Anos de Vida Quotidiana, de Jean-Didier Wolfromm, publicado em A Nova História, Edições 70 de 1984., páginas 5-68. Diz o autor:

“Uma das novidades da historiografia actual é a de nos mostrar como viviam os homens no dia-a-dia. Os desconhecidos, aqueles de quem nunca se fala, que não são célebres”.

A partir deste prólogo sentimos estar diante de alguma coisa que ainda não soubéramos expressar. Este era o ponto: conhecer homens e mulheres comuns que viveram na nossa cidade e que provavelmente muito teriam a nos contar. A distância no tempo impedia um contato mas não o inviabilizava integralmente, na medida em que pudéssemos escovar o passado, como sugeriu Walter Benjamin. Segundo Wolfromm,

“todos nós temos nostalgias históricas. Exilados por acaso no século XX, viajantes sem bagagens sobre o mapa do tempo, gostamos de olhar para trás para saber de que era feito o passado.”

Nascidos numa pequena cidade do interior, mesmo que a tenhamos deixado ao final da adolescência dela não nos esquecemos. Em Leopoldina estão as nossas raízes, a nossa força e o alimento primevo. Quando este pensador francês declara que as perguntas mais comuns revelam mais sobre uma época do que as guerras e os feitos dos homens ilustres, sentimo-nos apoiados por mão segura em nossa caminhada. Se o autor generaliza sobre a curiosidade que todos temos sobre o passado, dizendo-a infinita, só podemos tomar suas palavras e dizer que também sentimos que

“ao abrir o correio do passado […] nós dobramos, triplicamos a nossa vida”.

Arquivo Histórico em Leopoldina

Estamos acompanhando, com vivo interesse, o esforço da professora Natania para organizar o arquivo permanente da Câmara Municipal de Leopoldina. Em postagem de ontem, intitulada Documentos da Câmara de Leopoldina, Natania nos trouxe mais algumas informações interessantes. E nos fez reler um texto que escrevemos há alguns anos sobre o assunto.Quando soubemos da iniciativa do Arquivo Histórico do Espírito Santo, facilitando consulta à distância, lembramo-nos do sonho de organizar o Arquivo Histórico de Leopoldina, iniciativa que tentamos levar a efeito em meados da década de 1990. A distância, entretanto, nos fez desistir do projeto. Na época, publicamos um comentário sobre nossa grande admiração pela declaração de Le Goff, em Reflexões sobre a História, a respeito do único nacionalismo admissível como sendo o que clarifica para os homens o funcionamento da sociedade na qual está inserido.

E hoje acrescentamos palavras de March Bloch, em Apologia da História, sobre ser necessário que as sociedades organizem racionalmente o conhecimento sobre si mesmas, tendo em mente os dois responsáveis pelo esquecimento e pela ignorância:

“a negligência, que extravia os documentos; e […] a paixão pelo sigilo […] que os esconde ou destrói”(pag. 85).

Estimular os leopoldinenses a conhecerem a sua história sempre foi o objetivo maior de nossos estudos. E pelo que conhecemos do acervo da Câmara Municipal de Leopoldina, não temos dúvidas em afirmar que ali está a fonte mais preciosa para resgatarmos a memória do município.

Criação da Colônia Agrícola da Constança

O surgimento de uma instituição produz reflexos na sociedade onde se insere, antes e depois de sua criação. Segundo Jacques Le Goff, em Reflexões sobre a História

“a profundidade histórica de uma mudança se prefigura antes e para além do acontecimento”.

Analisando as modificações ocorridas em Leopoldina, percebemos que não foi a criação da Colônia Agrícola da Constança que as produziu, mas que a sociedade encontrava-se num estágio tal que demandava mudanças estruturais, resultando no surgimento daquele núcleo. Portanto, tivemos oportunidade de verificar o que este pensador francês ensinou ao declarar que o acontecimento não cria a mudança, apenas a evidencia.

Em busca da família Benatti

Esta semana chegaram duas consultas sobre a família Benatti. Embora não tenhamos dados muito consistentes, sabemos que Luigi Benatti, procedente de Conselice, província de Ravenna, na Emilia-Romagna, passou ao Brasil em 1897 com a esposa Elvira e os filhos Teresa, Giuseppe, Vico, Prima e Sebastiano, além de Giovanni Benatti, pai de Luigi.

O grupo deu entrada na Hospedaria Horta Barbosa, em Juiz de Fora, no dia 16 de setembro e de lá saiu sob contrato com José Augusto Junqueira para trabalhar em uma fazenda no distrito de Santa Isabel, hoje Abaíba.

Não encontramos referências à família em outras fontes de Leopoldina, além do manifesto do vapor Espagne e do livro da Hospedaria. Sendo assim, até o momento nada podemos informar sobre a trajetória.

O sobrenome Benatti aparece em outros municípios da zona da mata mineira. Além da família de Luigi, que foi para Leopoldina, encontramos grupos chefiados por:
– Maria Benatti, acompanhanda de filhos, noras, genros e netos de sobrenomes Manion e Rizzo, procedente da Emilia-Romagna, chegou em 1896 e saiu da hospedaria para a própria cidade de Juiz de Fora;
– Carlo Benatti, procedente de Conselice, Ravenna, Emilia-Romagna, chegou em 1897 e foi para Rio Pomba;
– Giuseppe Benatti, procedente de Cento, província de Bologna, na Emilia-Romagna, chegou em 1897 e ficou em Juiz de Fora;
– Francesco Benatti, procedente de Modena, na Emilia-Romagna, chegou em 1899 a Minas mas saiu da Hospedaria com destino ao estado de São Paulo.

Se algum leitor tiver outras informações, desde já agradecemos pela colaboração.

A História nos Meios de Comunicação

Em entrevista concedida a Francesco Maiello, publicada sob o título Intervista Sulla Storia em 1982, Jacques Le Goff manifesta uma opinião interessante. Segundo ele,

Até há não muito tempo o historiador universitário julgava praticamente indigno, se não mesmo imoral, divulgar as suas ideias, particularmente através da televisão. Esta era considerada uma prática embrutecedora. 

A declaração veio logo após ter dito que

a história não poderá manter uma qualquer função no âmbito da ciência e da sociedade se os historiadores não souberem por-se em dia no que se refere aos novos meios de comunicação de massa. 

A lembrança deste trecho surgiu após conversa com coordenadora de uma faculdade, a qual declarou que uma série apresentada há algum tempo em rede de televisão de grande audiência, tendo como protagonista o jornalista Eduardo Bueno, não têm credibilidade por não ter sido produzida dentro de uma universidade. Não cabe, aqui, discutir a fragilidade de tal argumento. Entretanto, acreditamos que posturas deste gênero estejam na origem do distanciamento que se observa entre o que é produzido na academia e o que é consumido pelo público. Parece-nos incoerente construir conhecimento para ficar restrito ao ambiente universitário.

Umberto Eco, em Como se faz uma Tese, chama a atenção para a “universidade de massa, que transforma o aluno em pesquisador por obrigação para ascender profissionalmente”. E declara que escrever uma tese “é um exercício de comunicação que presume a existência de um público”.

Adaptando as palavras destes dois téoricos ao estudo que vimos realizando há 15 anos, podemos declarar que nosso objetivo é falar de perto ao público em geral, é contar o que descobrimos sobre um aspecto importante da história de Leopoldina. E contribuir para que este conhecimento chegue aos moradores da cidade e a todos os que se interessem pelo assunto. Sendo assim, o nosso meio ideal de divulgação é a rede mundial de computadores. Construir este conhecimento com a colaboração de nossos leitores, com quem trocamos impressões desde que o primeiro site foi ao ar em 1997, tem sido a nossa meta. Que esperamos estar cumprindo a contento.

Há 98 anos, na Colônia Agrícola da Constança

No dia 10 de agosto de 1911 foi assinado o contrato de venda do lote número 39 para Giovanni Lupatini. Segundo os Relatórios da Colônia Agrícola da Constança, também o lote 30 foi vendido a este colono procedente da Lombardia, e que já estava em Leopoldina desde 1895. Entretanto, não foi localizada a data de assinatura de venda deste segundo lote.

Giovanni viveu na Colônia até sua morte no dia 9 de junho de 1917. Em janeiro de 1942 sua esposa Maria Zanetti fez o requerimento para registro de estrangeiros e declarou morar no lote adquirido por seu falecido marido. Segundo este documento, dona Maria sofria de deficiência visual.

Imigração e Família em Minas Gerais no final do século XIX

Este é o título do trabalho de Tarcísio Rodrigues Botelho, Mariângela Porto Braga e Cristiana Viegas de Andrade, publicado na Revista Brasileira de História vol. 27, nr. 54, em dezembro de 2007. Disponível aqui

Traz uma análise bem interessante do perfil dos imigrantes que se dirigiram para Minas Gerais, especialmente no ano de 1896. Os dados foram extraídos dos Livros da Hospedaria Horta Barbosa e organizados em quadros que demonstram o predomínio de grupos familiares, além de informações sobre nacionalidade. Especificamente sobre italianos e espanhóis, são apresentados interessantes gráficos demonstrativos.

Escolher um Foco

“Precisamos escolher certos aspectos do que queremos estudar, pois não podemos compreender todos os seus aspectos de uma só vez.”
John Beattie in Introdução à Antropologia Social (1980, p.43)

Neste último mês estamos revendo um dos capítulos do nosso estudo, com vistas a extrair trechos para um resumo que nos foi pedido. O texto aborda os pressupostos que fundamentaram nossa pesquisa. Um dos pensadores consultados foi o inglês John Beattie, pioneiro da Antropologia Social. Assim como qualquer cientista, ele declara que ninguém pode “analisar um material de mente aberta, sendo obrigado a possuir algumas preocupações teóricas”.

No início de nossos estudos, quando buscávamos entender o que representou a Colônia Agrícola da Constança para o município de Leopoldina, entre outras leituras buscamos os conceitos da Antropologia Social para aprendermos um pouco sobre a criação da instituição. Assim, com Beattie vimos que “a existência de uma certa instituição e o fato de contribuir para fins socialmente significativos é devida a uma série de causas: intenção consciente de seus membros, consequência de um comportamento dirigido, difusão proveniente de outro lugar, ou combinação de alguns ou de todos estes fatores”.

Nossa pesquisa demonstrou que a Colônia surgiu da combinação de diversos fatores, não sendo possível eleger um deles como proeminente. A proibição do tráfico de escravos estimulara a busca de soluções porque a produção dependia de número de trabalhadores não disponíveis no território nacional. Os imigrantes começaram a chegar, ainda que timidamente, durante a vigência do regime escravocrata. Sabe-se de fazendas que mantiveram escravos e trabalhadores livres, desde muito cedo. Portanto, é lícito supor que a intenção de aumentar a produção sofria restrições pela falta de braços.

Especialmente na segunda metade do século XIX, as propriedades agrícolas foram administradas segundo um tipo de comportamento dirigido, embora disso nem sempre tenham se dado conta. Aos poucos, surgiram os sistemas de parceria e colonato, por exemplo. A experiência do Senador Vergueiro, em São Paulo, deve ser considerada na conta da difusão externa mencionada por Beattie. E assim, agregando experiências diversas, surgiram as primeiras colônias destinadas a imigrantes estrangeiros. Que foram sendo aperfeiçoadas por conta de numerosos fatores.

Ainda que o objetivo possa ser considerado único, ou seja, o desenvolvimento da agricultura, o mesmo não se pode dizer das causas que determinaram a criação das colônias. Uma instituição, como vimos, não provém de causa isolada. Ela surge como resultado de diversos fatores que perpassam a vida do grupo social na qual é criada.

Mas como alertou Beattie, é impossível estudar todos os aspectos a um só tempo. As causas da criação da Colônia Agrícola da Constança foram apenas ligeiramente abordadas em nossos estudos. Nosso foco foi a vida dos colonos que nela se instalaram.

Outra Paisagem

Corria o ano de 1895. Um jovem de cerca de 20 anos conversava no terreiro com o pai, proprietário da fazenda. Conversava, não, ouvia calado alguma coisa que parecia ser muito séria. Talvez o jovem tivesse feito alguma coisa errada. 

A pequena distância, três pequenos grupos. O primeiro era composto por um casal e dois meninos de menos de 10 anos. Ao lado, um senhor de avançada idade, uma senhora um pouco mais nova e um casal bem mais jovem. Mais adiante, um homem carrancudo, a esposa com um bebê no colo e 3 crianças agarradas às pernas dos pais. Entre eles, algumas trouxas e um pequeno baú de madeira.

Os três grupos e o jovem filho do fazendeiro tinham acabado de chegar da estação. Foi uma caminhada difícil. Fazia muito calor e o chão ainda estava um pouco encharcado da chuva da véspera. A carroça trouxera apenas o rapaz e a mãe com o bebê. Os outros vieram andando, desviando das poças de lama. A fome apertava.

Depois de muito ouvir, o rapaz teve autorização do pai para retirar-se. Com alguma dificuldade os outros viajantes entenderam que deveriam se acomodar num galpão à direita. Não foi fácil transformar o local em moradia. Um fogão à lenha do lado de fora, uma bica d’água a alguma distância e nenhum apetrecho que sugerisse uma forma de cama, cadeira ou colchão.

Nos dias seguintes os viajantes tiveram que se entender, embora cada grupo tivesse um linguajar desconhecido para os outros. Fizeram o possível para tornar habitáveis duas choupanas que ficavam para além do curral. Uma delas era até maiorzinha e deu para acomodar dois dos grupos.

Meses depois, todos já conseguiam trocar algumas palavras entre si e até mesmo entender as ordens do fazendeiro. Só o bebê não tinha obrigações. Vivia pendurado num pano amarrado no ombro de sua mãe, que passava o dia inteiro cuidando da horta e do fogão. As crianças menores limpavam canteiros e faziam pequenas tarefas que a cozinheira da fazenda determinava. Os 3 meninos maiores acompanhavam os adultos na lavoura.

O velho não viu chegar o segundo verão. Partiu sem dizer um ai. A viúva só se queixou de que o rapaz que os trouxera nunca mais voltara a falar com eles. Nem na hora da morte o jovem viera vê-los. E parecia tão alegre naquele dia da chegada!

O tempo foi passando, outros viajantes chegaram pela estrada lamacenta, crianças nasceram, crianças morreram. Os homens aproveitavam o domingo para colher mel de abelha. Muito bom! Doce para alegrar a vida de quem nada tinha de seu.

16 de fevereiro de 1906. Há muito tempo um padre não visitava a fazenda. Mas naquele dia, tudo era festa! Uma filha do fazendeiro se casava e um daqueles meninos, agora com 21 anos, aproveitou para pedir que o casassem também, com a menina branquela que viajara no mesmo navio. Não foi fácil convencer o padre! Ele queria um papel que os noivos e seus pais nem desconfiavam o que fosse. Por sorte o fazendeiro agora estava mais velho e já não era tão bravo como naquele primeiro dia. O padre acabou aceitando a palavra do homem e os dois viajantes puderam se casar.

Dois anos depois, mais uma criança nascia. Será que ia vingar? No ano anterior o jovem casal enterrou o primeiro filho. Havia esperança desta vez? Com o choro do bebê chegou uma outra novidade. O filho do fazendeiro, aquele que os trouxera da estação, apareceu na porta. Estava diferente! Parecia mais gordo, com menos cabelo e a pele parecia esturricada de sol. Onde teria andado durante todo este tempo?

A mulher do fazendeiro estava pela beira da morte. Mandara buscar o filho. Nem os viajantes sabiam que ele tinha sumido no dia mesmo em que chegaram. Nunca ninguém falou nem o nome dele. Morreu, diria o pai.

Agora, vinte anos são passados. Meu pai se foi, minha mãe o seguiu. Meu irmão tomou seu rumo. Só eu fiquei na fazenda, com a branquela embarrigando todo ano. Outros viajantes chegaram. Muitos ficaram pouco tempo. O fazendeiro morreu. O filho sumido voltou mais uma vez. E desta vez não vai embora sozinho.

A roda do carro de boi chia bonito. Desta vez não vamos ter que andar da estação até a fazenda. Aqui é mais longe. A estação fica a 4 horas da fazenda. Fazenda nova. Pequena mas muito bonita. E tem até uma casa para eu viver com a minha branquela enrugada.

O filho do fazendeiro tinha razão. O pai mandou, ele saiu de lá. Veio aqui prá mata e se arrumou. E agora trouxe a gente para viver num lugar em que é mais fácil passar os dias e as noites, sem aquele calorão danado. Nunca mais eu volto. Nem prá fazenda velha, nem prá terra onde eu nasci.

Uso do Método Genealógico

Em diversas oportunidades, temos informado que utilizamos o método de pesquisa genealógica como um dos instrumentos para resgatar a memória da Colônia Agrícola da Constança. Entretanto, muitas pessoas se surpreendem por desconhecerem do que se trata. De imediato, imaginam que genealogia sirva apenas para demonstrar ascendência nobre ou, no caso dos descendentes de imigrantes italianos, para requerer o reconhecimento de cidadania. Mas o método genealógico tem amplitude muito maior.

Para explicar nossa opção pelo método, extraímos parte da orientação de W.H.R.Rivers, conforme exposto no artigo O Método Genealógico de Pesquisa Antropológica, publicado pela primeira vez em 1910. Segundo Rivers, o sistema de matrimônios num grupo social pode ser deduzido da análise de ocorrências tais como a endogamia. Da mesma forma, analisar a genealogia de um grupo representativo nos permite estudar as leis que regulamentam a descendência e a transmissão de propriedade. “É possível pesquisar a história de um determinado pedaço de terra, talvez desde os tempos em que foi pela primeira vez cultivado, com suas divisões nos vários momentos”, esclarece o autor.

Em outro momento do mesmo texto, Rivers declara que “as genealogias incluem enorme quantidade de informações valiosas para um estudo exato de vários problemas” e alerta para o fato de que a “memória popular é menos precisa em relação às pessoas das gerações passadas que morreram jovens ou antes de casar”.

Este teórico da antropologia aborda o método como instrumento importante para o estudo do que ele chama de “populações de cultura primitiva”, ou seja, sociedade ágrafas, sem registros escritos. Menciona diversas vantagens do método, das práticas sobre a transmissão de nomes à a regulação da vida social.

Adaptamos o método genealógico ao objetivo do nosso estudo, utilizando-o como um dos instrumentos de busca e na testagem de informações orais. Enquanto antropólogos que estudam sociedades ágrafas precisam basear-se exclusivamente em informações orais, nós caminhamos em outra direção. Pouco se sabia a respeito das famílias que habitaram a Colônia Agrícola da Constança. Então, a partir de nomes recolhidos em diversas fontes, buscamos registros civis e paroquiais para montar o grupo familiar de cada colono.

A análise dos registros de nascimento, batismo e casamento nos permitiu identificar os lugares de moradia, as relações de compadrio, a fertilidade dos casais etc. E comprovou ou desfez hipóteses sobre os arranjos matrimoniais mencionados por nossos entrevistados.

Conforme alertou Rivers, a memória dos descendentes raramente mencionou os que morreram jovens ou solteiros. Mas para além de estudos puramente demográficos, o conjunto de genealogias que pudemos compor apresenta, confirmando as palavras do teórico, um quantidade expressiva de informações importantes para resgatar a memória daquele grupo social.