Consulta sobre a Imigração

Resposta para Alexandre Ferraz que fez um pedido mas não indicou o e-mail para resposta.

 

2009/9/21

 

estou fazendo um trabalho sobre Imigração na zona da mata e não achei nenhum livro na biblioteca. Vc pode me passar pra esse e-mail?

Alexandre: a resposta não é tão simples assim. O assunto é muito amplo e você precisa informar qual o foco do seu trabalho. Qual aspecto pretende abordar? Qual o objetivo do trabalho?

Preservação e Revitalização Ferroviária



Ensino Agrícola Ambulante

Ao lado de informações sobre os núcleos coloniais, as mensagens do Ministério de Agricultura mencionavam a orientação para implantação e manutenção de cursos práticos. Em 1911, por exemplo, um dos anexos à fala do Ministro Pedro de Toledo tratava dos cursos ambulantes, que substituiriam os cursos regulares em estabelecimentos de ensino agrícola. Considerava-se que nem sempre o homem do campo podia frequentar as escolas regulares e por este motivo tinha sido criada a função pública de “professor ambulante”.

Acrescenta o relator que tais mestres não se limitavam ao ensinamentos práticos mas atuavam como propagandistas, entre os lavradores,

da creação de syndicatos e cooperativas, com o fim de unil-os pelo interesse de defender a producção e facilitar-lhes a vida.

Entre 1910 e 1912 tinham sido organizados mapas das regiões em que deveriam operar os professores ambulantes, definindo as zonas onde deveriam trabalhar. Para Leopoldina foi designado o professor Arthur da Cunha Barros, tido pelo ministro como de reconhecida competência e capacidade técnica. No relatório seguinte, Pedro de Toledo informou que em Leopoldina funcionava um dos quatro Cursos Ambulantes existentes em Minas Gerais. A cargo do professor Arthur da Cunha Barros, era especializado em “Agricultura Geral e Laticínios”, sendo mantido pela União.

Em sua justificativa, disse o ministro:

Attendendo à grande producçào de lacticinios da zona, a attenção do professor se tem voltado para essa especialidade, organizando um serviço permanente de inspecção aos diversos estabelecimentos industriaes desse e dos municipios circumvizinhos, que, já modernamente apparelhados, possuem bem montadas leiterias, nas quaes se transformam diariamente 30.000 litros de leite em diversos productos de facil vendagem.
O gado da região é abundante e muito melhorado pelo cruzamento de raças puras importadas, havendo nove banheiros para expurgo do gado no municipio de […] de Leopoldina.
O curso de lacticinios é ministrado em palestras nas fabricas montando-se e desmontando-se apparelhos, manipulando-se queijos e manteiga e tratando-se da conservação do leite para exportação, explicações que se extendem aos centros productores dos arredores.

Não nos foi possível confirmar a presença deste professor entre os lavradores da Colônia Agrícola da Constança, embora um descendente tenha informado que seu avô fora ajudante do “professor da leiteria”. Ocorre que a história oficial de Leopoldina registra estabelecimento do gênero como sendo particular, bem como o seria a cooperativa. Donde não se sabe se a informação do entrevistado referia-se à Cooperativa de Produtores de Leite de Leopoldina, empresa particular, ou à “sede do um curso ambulante de lacticinios em Leopoldina, no Estado de Minas Geraes”, instituição pública mencionada pelo Ministro da Agricultura.

De todo modo, o ministro Queiroz Vieira declarou, em 1913, que o professor Arthur da Cunha Barros continuava em Leopoldina, sendo auxiliado pelo Mestre de Industrias Rurais Eugenio de Alvarenga Paixão e pelo Instrutor Agrícola Octaviano Costa. E acrescentou que no ano de 1914 funcionariam 12 cursos no Brasil e que além dos 12 professores o Ministério empregava 5 Mestres de Indústrias Rurais e contratava 13 Instrutores Agrícolas.

Observa-se, assim, que Leopoldina inscrevia-se entre os mais importantes núcleos para o desenvolvimento da agricultura, sediando uma região que se estendia até Cantagalo e Barra Mansa, no estado do Rio, além de Cataguases e Palma.

Destacamos ainda uma informação do ministro Queiroz Vieira, dando conta de que na Leiteria Leopoldinense foram feitas várias experiências de fabrico de queijo e manteiga, obtendo-se resultados muito satisfatórios. Esta referência parece corroborar o informe de nosso entrevistado a respeito de uma “leiteria” pública, onde filhos de colonos atuavam como ajudantes.

Os Bonini em Leopoldina

Atualização do estudo sobre a descendência de Fortunato Bonini, que em novembro de 1911 instalou-se no lote número 23 da Colônia Agrícola da Constança.

1 Fortunato Bonini (1855 – 1933)

+ Maria Darglia ( – 1912)

…… 2 Paschoa Bonini (1886 – )

…… + Pietro Sangirolami (1880 – )

………… 3 Antonio Sangirolami (1905 – )

………… 3 José Sangirolami (1906 – )

………… + Cecilia Colle (1910 – )

………… 3 João Sangirolami (1909 – )

………… 3 Joaquim Sangirolami (1911 – 1913)

………… 3 Ana Sangirolami (1913 – )

………… + Angelo Colle (1907 – )

……………… 4 José Colle (1931 – )

……………… 4 Marina Colle (1932 – )

……………… 4 Maria Colle (1934 – )

……………… 4 Nelsina Colle (1938 – )

………… 3 Fortunato Sangirolami (1915 – )

………… 3 Maria Sangirolami (1916 – )

………… 3 Maximiano Sangirolami (1919 – )

………… 3 Luiz Sangirolami (1924 – 2000)

………… + Amabile Bonini (1919 – )

……………… 4 Marlene Sangirolami

………… 3 Santo Sangirolami (1924 – 1988)

………… 3 Valentin Sangirolami (1929 – )

………… + Idalina Bonini

………… 3 Luzia Sangirolami (1929 – )

………… + Antonio Bonini (1924 – )

……………… 4 Irene Bonini

……………… + José Francisco Ferreira

…………………… 5 Cláudia A. Bonin Ferreira

……………… 4 José Heleno Bonini

……………… + Beatriz Teixeira

……………… 4 Maria do Carmo Bonini

……………… + Enio Evangelista dos Anjos

……………… 4 José Nilton Sangirolami

……………… + Dulcineia Sampieri

……………… 4 Marluce Bonini

……………… + Vanor Meireles da Costa

…… 2 Jacinto Bonini (1888 – )

…… + Marcelina Colle (1901 – )

………… 3 João Bonini (1918 – )

………… 3 José Bonini (1919 – )

………… 3 Antonio Bonini (1924 – )

………… + Luzia Sangirolami (1929 – )

……………… 4 Irene Bonini

……………… + José Francisco Ferreira

…………………… 5 Cláudia A. Bonin Ferreira

……………… 4 José Heleno Bonini

……………… + Beatriz Teixeira

……………… 4 Maria do Carmo Bonini

……………… + Enio Evangelista dos Anjos

……………… 4 José Nilton Sangirolami

……………… + Dulcineia Sampieri

……………… 4 Marluce Bonini

……………… + Vanor Meireles da Costa

………… 3 Anna Bonini (1927 – )

………… 3 Francisco Bonini (1929 – )

………… 3 Fortunato Bonini (1932 – )

………… 3 Sebastião Bonini (1935 – )

………… 3 Climario Bonini (1937 – )

………… 3 Nelson Bonini

………… 3 Maria Bonini

………… + José Bolzoni

………… 3 Jurandir Bonini

………… 3 Climario Bonini

…… 2 João Bonini (1890 – 1958)

…… + Maria Carolina Fofano (1899 – )

………… 3 Amabile Bonini (1919 – )

………… + Luiz Sangirolami (1924 – 2000)

……………… 4 Marlene Sangirolami

………… 3 Antonio Bonini (1921 – )

………… 3 Jair Bonini

………… + Ana Bonini

………… 3 Jaci Bonini

………… 3 Joaquim Bonini

………… 3 Janira Bonini

…… 2 Maria Bonini (1892 – )

…… + Narciso Mantuani (1890 – )

………… 3 Antonio Mantuani (1918 – )

………… 3 Marina Mantuani (1919 – )

………… 3 Alcides Mantuani (1921 – )

…… 2 Regina Bonini (1893 – )

…… 2 Maria Bonini (1894 – )

…… 2 Antonio Bonini (1895 – )

…… + Isaura Pereira das Dores (1914 – )

………… 3 Idalina Bonini

………… + Valentin Sangirolami (1929 – )

…… 2 Josefina Bonini (1897 – )

…… + José Domingues Pires (1899 – )

…… 2 Felomena Bonini (1900 – )

…… + Fortunato Meneghetti (1893 – )

………… 3 Leonel Meneghetti

………… 3 Santa Meneghetti (1918 – )

………… 3 Jorcelino Meneghetti (1919 – )

………… 3 Nelson Meneghetti (1928 – 2005)

……………… 4 Walter Meneghetti

……………… + Benedita de Castro

…… 2 Ana Bonini (1903 – )

Se você quiser colaborar com acréscimos, por favor, escreva-nos.

Educação formal para os filhos de Colonos

No discurso do Presidente da Província de Minas Gerais, de 1898, informa-se que a Lei nº 150, de 20.06.1896, autorizou a “concessão de favores aos particulares” que quisessem fundar, em suas propriedade, núcleos coloniais. A condição era o fornecimento ao colono de uma casa, terreno para cultivo de subsistência e instrução gratuita para os filhos.

Além disso, o Ministro da Agricultura Rodolpho Miranda declarou, em 1910, estar empenhado em prover todos os núcleos coloniais de

escolas dotatas de material pedagogico moderno, funccionando em predios que reunam condições de capacidade e de higiene e servidas por professores capazes, dedicados ao magisterio e podendo exercel-o com methodo e proficiencia.

Neste discurso, o então Presidente abordou a necessidade de ensinar a língua portuguesa para os filhos dos imigrantes, ombreando com a prática dos governos estrangeiros que procuravam perpetuar entre eles o idioma da pátria de seus pais. Em Minas Gerais, ficou determinado que não haveria frequência obrigatória nem seria exigido que os colonos matriculassem seus filhos. Entretanto, foi ressaltada necessidade de oferecer os meios possíveis para que as crianças aprendessem o português, independente de continuarem usando a língua de seus pais.

Dentro da Colônia Agrícola da Constança funcionavam, em 1918, duas salas de aulas de primeiras letras e na fazenda Paraíso a escola começou a funcionar antes de 1920 porque, segundo descendentes, na época alguns empregados vinham procurando emprego em outro lugar exatamente porque “os filhos precisavam estudar”.

O que a história pode ensinar ao mundo de hoje?

Resposta de Mary del Priore, em entrevista na Bienal:

Prá começar, cidadania e ética, que são duas palavras que estão muito banalizadas mas que são da maior importância prá nós continuarmos vivendo num mundo habitado por gente e não por animais… conhecer o seu passado, ter uma memória, ter zelo pelo seu passado… tudo isso se traduz numa postura cidadã mais engajada, mais dinâmica, mais enérgica… nós não podemos ser criaturas que apenas levamos o alimento da mão à boca.

Ouça aqui.

Mostra de Elias Fajardo

O Fecho do Mundo, mostra de Elias Fajardo e Sarau com participação musical do Coralito
A partir de 18 de setembro de 2009
Rua Almirante Alexandrino, 3283
Santa Teresa
Rio de Janeiro

Supremacia da imigração italiana em Minas

Em 1896, o Presidente Bias Fortes explicou o motivo de Minas Gerais receber maior número de #imigrantes italianos com as seguintes palavras (na ortografia original):

As condições especiaes em que se acha a Italia, e o gráo de relações existentes hoje entre este paiz e o Brasil tem contribuido para a preponderancia do elemento italiano sobre o de outras procedencias na introducção de immigrantes.

Continuando o discurso, Bias Fortes esclareceu que era importante evitar o exclusivismo de uma nacionalidade, razão pela qual estava em negociação para introduzir colonos portugueses.

Elias Fajardo

Convido-os a conhecerem uma das obras do artista Elias Fajardo, inscrita no programa Talentos da Maturidade na área de artes plásticas.

www.talentosdamaturidade.com.br/eliasfajardo

Quem quiser pode deixar também um comentário nesse link.

A verdade em pauta, novamente

Hoje a resposta vai para Adriana Medeiros, leitora que retoma o assunto #fontes e pergunta como saber se um livro apresenta a verdade.Minha cara Adriana, creio que depende do que você entenda por verdade em termos de história. Digamos que encontre uma carta produzida no passado, contendo informações sobre um acontecimento contado de forma diferente por outra fonte. Neste caso diríamos que as duas fontes apresentam as suas verdades, assim mesmo, no plural. Lembremos o que Le Goff ensina em História e Memória, obra recorrente aqui neste blog.

O documento […] resulta do esforço das sociedades históricas para impor ao futuro determinada imagem de si próprias. […] Cabe ao historiador não fazer o papel de ingênuo. […] importa não isolar os documentos do conjunto de que fazem parte. Sem subestimar o texto que exprime a superioridade, não do seu testemunho, mas do ambiente que o produziu…