Alex Sander Sangalli ZachiniAntonio Custodio ZachiniCleber VenturiniJosé Cassio VenturiniNorivan Campana de Oliveira
Categoria: Colônia Constança
Referência à Colônia Agrícola da Constança, criada em Leopoldina em abril de 1910, esta categoria destina-se a postagens sobre imigrantes, sejam colonos ou não.
Italianos no arraial de São Lourenço, Leopoldina, MG
Atenção: o livro abaixo foi a primeira edição da pesquisa que deu origem a duas séries de artigos publicados em jornal de Leopoldina entre 1999 e 2001 e entre 2006 e 2010. Em fevereiro de 2019 iniciamos outra série sobre o mesmo assunto, com atualizações obtidas em buscas realizadas após a primeira edição.
Famílias Não Citadas na Constança
Este parece ser o caso da família Saggioro, em que um descendente afirma que foram proprietários da “fazenda Constança”. Não nos parece que tal tenha ocorrido.
Sabemos que Giuseppe Saggioro passou ao Brasil em 1896, desembarcando do vapor Arno no Rio de Janeiro. Da Hospedaria Horta Barbosa saiu contratado para trabalhar numa fazenda em Providência. Estava acompanhado da esposa Catterina Bovolin e dos filhos Elisabetta, Antonio e Angela. Segundo um de nossos leitores, o casal foi pai também de Domenico Saggioro que se casou com Carmela Marotti. Mas não encontramos referência a estes dois últimos personagens em Leopoldina.
Quatro meses depois da chegada de Giuseppe Saggioro, desembarcou no Rio a família de Antonio Saggioro, que saiu da Hospedaria com destino à própria cidade de Juiz de Fora. No desembarque consta que Antonio tinha um filho de nome Domenico mas seus descendentes informam que ele era filho de Giuseppe e imigrou em companhia do tio Antonio.
Através do Registro de Estrangeiros de um dos filhos de Giuseppe, soubemos que a família procedia de Verona. Consultado o arquivo respectivo, formos informados que o nome da esposa era Catterina Frigo. Se Domenico era filho de Giuseppe e este era irmão de Antonio, é possível tratar-se mesmo da família que procedia de Legnago, Verona, onde viveu Bartolomeo Saggioro, pai de Antonio e Giuseppe e, Domenico Frigo, pai de Catterina Frigo.
Em Leopoldina temos apenas informações sobre os filhos de Giuseppe Saggioro e Catterina Bovolin ou Frigo, como residentes no distrito de Providência.
Elisabetta Saggioro casou-se com Giacomo Farinazzo, filho de Giuseppe Farinazzo e Giovanna Giacomelle, tendo vivido na Fazenda Paraíso nos primeiros anos novecentos.
Antonio Saggioro (filho) casou-se com Ottavia Lorenzetto, filha de Giuseppe Lorenzetto e Angela Rinaldi. É possível que a esposa de Antonio se chamasse Maria Ottavia ou Antonia Ottavia , já que é algumas vezes referida como Maria e também como Antonia. Este casal vivia no Sítio Humaitá em 1942 e a mãe de Ottavia, Angela Rinaldi, na mesma época residia no sítio Caeté.
Angela Saggioro casou-se com Emilio Lorenzetto, irmão de Ottavia acima citada. Segundo pesquisadores do sul do Espírito Santo, filhos de Angela e da irmã Elisabetta teriam migrado para aquele estado.
Portanto, não citamos os Saggioro como colonos da Constança porque nenhum deles aparece nas fontes relativas àquele núcleo colonial no período de 1910 a 1930. Mas foram sim, imigrantes italianos que viveram em Leopoldina onde estamos comemorando, neste ano de 2010, os 130 anos do início de sua chegada ao nosso município.
A Pesquisa em Leopoldina II
Quantos sobrenomes italianos existem em Leopoldina?
Geralmente nós começamos a resposta com um caso clássico. Trata-se do imigrante Sancio Maiello que passou a ser identificado como Francisco Ismael, sendo Ismael o sobrenome usado pelos descendentes. Donde perguntamos aos nossos interlocutores: neste caso, devemos dizer que é um ou que são dois sobrenomes?
Agora convidamos nossos leitores para analisar um outro caso.
Teresa Trombini, nascida em Porto Tolle, Rovigo, era casada com Candido Leone Finotti. Foram pais de Giovanni Sante (1868), Battista (1871), Pietro Antonio (1873), Domenico Claudio (1876), Lorenzo (1881), Angelo (1883) e Giuseppe, todos nascidos na Itália. Muitos deles migraram para a região de Carangola e para o Espírito Santo, sendo que atualmente há descendentes também na região de Governador Valadares.
O filho Giovanni Sante Finotti foi casado duas vezes: com Ema Craciotoni e com Emilia Bellan. O segundo casamento foi realizado no distrito de Ribeiro Junqueira, em 1898, e a noiva era filha de Angelo Bellan e Maria Piovesan. Aqui temos um aspecto que pode gerar confusão numa busca apressada: no casamento de Giovanni, consta que ele era viúvo de Tereza Trombini que, na verdade, era sua mãe.
Outro filho, Battista Finotti, casou-se com Maria Dorigo em 1896, também em Leopoldina. Maria era filha de Gaetano Dorigo e Felicitá Omilio. Mais uma dúvida: a mãe de Maria é referida, em algumas fontes, como Emilia Felicitá.
Ocorre que Candido Leone Finotti, o genearca deste grupo, foi casado também com Pierina Marangoni, que, por sua vez, tinha sido casada com Antonio Nacav, cujo sobrenome aparece como Nocori e Nacaré.
Até aqui mencionamos os sobrenomes Bellan, Craciotoni, Dorigo, Finotti, Marangoni, Nacav, Omilio, Piovesan e Trombini. Poderíamos, então, definir como sendo nove os sobrenomes italianos encontrados neste grupo? Ou deveríamos acrescentar a quantidade de variações ortográficas? Deveríamos somar Felicitá como variação de Omilio?
Como um estudante, que está começando a se aproximar de sua própria história familiar, poderia responder à questão:
Quantos sobrenomes italianos há em sua família?
Ao longo destes quinze anos de pesquisas nós descobrimos muitos outros casos semelhantes. Por esta razão, julgamos inadequado quantificar os sobrenomes imigrantes presentes em Leopoldina. Consideramos que, muito mais importante do que um número redutor, são as pessoas que estão representadas na população leopoldinense. Os atuais descendentes nem sempre se sentirão incluídos no grupo se não souberem que usam, por sobrenome, uma variação do que estaria registrado em alguma lista totalizante.
Cada pesquisador escolhe a melhor metodologia para atingir os objetivos de sua pesquisa. No nosso caso, decidimos usar o sobrenome original para vincular o grupo familiar. E estamos disponíveis para ajudar a todos os leopoldinenses, através do acervo de informações que reunimos, a descobrirem o grupo ao qual pertencem.
130 anos da Imigração Italiana em Leopoldina
– busca responder a uma questão ou problema levantado a partir de um tema;– tem uma justificativa;– pretende atingir um ou mais objetivos;– é realizada através de determinada metodologia.
Sobrenome Geraldini
Bloco Unidos do Pirineus no carnaval de Leopoldina 2010
Enredo, Letra do Samba e Imagens do desfile
Mineira Gostosa (Leopoldina somos nós)
O enredo do Pirineus vem falando de Leopoldina, mas sem a pretensão de querer contar toda a história da cidade. Na verdade o enfoque é o povo leopoldinense. A exemplo do resto do Brasil, Leopoldina foi formada e se desenvolveu através da contribuição de diversos povos. Os índios Puris, Coroados e Caporés, seus primeiros habitantes, expulsos e dizimados pelos bandeirantes. O negro escravo que no trabalho exaustivo das lavouras de café fez Leopoldina crescer economicamente. O imigrante português, espanhol, sírio, e principalmente os italianos que vieram substituir o braço negro e que muito influenciaram e influenciam através de seus descendentes nos destinos da cidade.

O Pirineus presta uma homenagem no ano do centenário da Colônia Agrícola da Constança a esses pioneiros. Nosso enredo é uma exaltação, não as tradicionais figuras históricas, mas a esse povo simples que com seu trabalho tira da terra o sustento e contribui para sermos o que somos. Exalta nossos artistas, sejam eles pintores, escultores, cantores, músicos. Nossos atletas do futebol, da natação, do ciclismo, das artes marciais, do vôo livre entre outros, que com ou sem apoio elevam o nome da cidade. Aos voluntários sociais, enfim a todos os leopoldinenses nascidos ou não aqui, mas que apesar de todos os problemas que enfrentam, amam essa terra.

Conheça a letra do samba
Autora: Maria José Baía Meneghite
Canta Pirineus
Nossa cidade, sua gente de valor
Canta Pirineus
Pois o seu canto é uma exaltação de amor!
Eu viajei
Viajando pela história
Fui descobrindo a saga dos desbravadores
Bravos imigrantes
Aqui plantaram o progresso e seus amores.
Os índios que habitaram nossas terras
O bravo negro que a mãe terra cultivou
Aqui deixaram sua marca e tradição
E aconteceu a grande miscigenação.
A música embala nossos sonhos
Somos amantes dos esportes em geral
Temos ciclismo,capoeira e natação
O Kung-Fu, o Karatê e o futebol.
Salve salve o nosso povo
Salve o nosso carnaval
Pirineus é muito samba e muito amor!
A bateria nota mil que dá um show
Nossos agradecimentos a
Luiz Otávio Meneghetti, editor do jornal Leopoldinense, que publica nossa coluna sobre a Colônia Agrícola da Constança;
A Maria José Baia Meneghetti, nossa companheira na Academia Leopoldinense de Letras e Artes, pela belíssima letra do samba enredo;
Ao Luciano Baia Meneghetti, cartunista do jornal Leopoldinense, pelas alegorias exaltando os nossos imigrantes;
Ao João Gabriel Baia Meneghetti, administrador do jornal Leopoldinense, pelas fotografias e o vídeo do desfile, e o apoio que sempre nos oferece;
Aos dirigentes do Bloco Unidos do Pirineus, por terem abraçado a ideia de comemorar o Centenário da Colônia Agrícola da Constança.
Projeto Conhecendo suas Raízes
A Administração Municipal de Leopoldina Abraça a Ideia
GOVERNO MUNICIPAL PREPARA GRANDE COMEMORAÇÃO DO CENTENÁRIO DA COLÔNIA ITALIANA DA CONSTANÇA
Com o objetivo de comemorar o centenário da Colônia Agrícola da Constança, formada por imigrantes italianos que se instalaram no município, as Secretarias Municipais de Cultura e de Esporte e Lazer estão desenvolvendo o projeto “Conhecendo suas raízes”. Considerada como um símbolo maior do processo de imigração italiana no município, a Colônia Agrícola da Constança influenciou nas transformações ocorridas na cidade em vários aspectos, desde a prestação de serviços à indústria, o comércio até a agricultura. No período de 1890 a 1930, a população imigrante em Leopoldina era de 90% de italianos.Segundo Valéria Equi Benatti Bártoli, membro da Comissão de Festas do Município, o projeto visa reconhecer e homenagear os descendentes destes imigrantes através de um conjunto de atividades educativas, culturais e esportivas. Esta iniciativa inspirou-se em pesquisas feitas por dois historiadores Nilza Cantoni e José Luiz Machado sobre a importância da imigração italiana na formação da comunidade leopoldinense. A comemoração do centenário da colônia está prevista para os dias 10 e 11 de abril. Os detalhes da programação foram discutidos recentemente durante o Programa FAZ, apresentado aos sábados pela Rádio Jornal AM. Estiveram presentes Gilberto Oliveira Tony e Valéria Benatti, representando a Administração Municipal, os historiadores Nilza Cantoni, José Luiz Machado e Júlio Cézar Vanni, além das pesquisadoras Joana Capella e Rosalina Pinto Moreira.O projeto “Conhecendo suas raízes”, que foi aprovado e elogiado pelos pesquisadores e historiadores, tem como metodologia a promoção da educação patrimonial através de pesquisas com os alunos da rede pública sobre a origem dos nomes e sua descendência, apresentação das árvores genealógicas confeccionadas pelos alunos e encontro das famílias italianas.
Segundo Valéria Benatti, o projeto foi apresentado durante reunião realizada hoje (01/03) com as pedagogas das escolas municipais. A execução das atividades ocorrerá em salas de aula no período de 08 a 31 de março, culminando com uma exposição dos seus resultados durante todo o mês de abril.A proposta da programação festiva prevê no dia 10 de abril, no Bairro da Onça, nas proximidades do km 776 da BR 116, encontro das famílias italianas com apresentações de grupos folclóricos, corais e bandas, com movimentos de barracas com comidas típicas. No dia 11 de abril, na parte da manhã, haverá uma carreata até a Capela de Santo Antônio, no Bairro da Onça, com a participação da Associação de Veículos Antigos de Leopoldina, celebração de missa campal e almoço. À tarde, a realização de diversas atividades esportivas e de lazer relacionadas à tradição italiana.
Segundo Valéria Benatti, a Administração Municipal tem o objetivo de resgatar a identidade histórica cultural de toda a comunidade. “A comemoração do centenário da Colônia Constança proporcionará a valorização das raízes do nosso povo e a formação de uma consciência voltada para o reconhecimento da nossa história”, frisou.
Os colonos empossados em fevereiro de 1911
A Colônia Agrícola da Constança recebeu 7 colonos no dia 26 de fevereiro de 1911. Foram eles:
– Demetrio de Lorenzi, lote 5
– Giovanni Boller, lote 29
– Luigi Boller, lote 31
– Giuseppe Boller, lote 32
– Paschoal Ferrari, lote 42
– Pietro Beatrici, lote 50
– Felicio Beatrici, lote 53
Nenhum destes colonos permaneceu por muito tempo. Já em maio do mesmo ano o lote que coube a Demetrio de Lorenzi foi desocupado. Os demais foram saindo de Leopoldina e sobre eles não há registros consistentes.



