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Quando não havia ainda a separação entre Estado e Igreja, as associações de moradores registravam seus estatutos e atas em livros paroquiais a este fim destinados. Além deles, os livros dos Cartórios de Notas esclarecem um pouco sobre as atividades destes grupos de moradores que se encarregavam dos procedimentos necessários ao franco desenrolar da vida civil. Em nossos estudos tivemos oportunidade de analisar os atos da Comissão encarregada pela construção do Cemitério Público em Conceição da Boa Vista, cujos membros faziam parte da Irmandade do Santíssimo Sacramento de Conceição da Boa Vista, em 1884 dirigida pelo procurador Antônio Caetano de Almeida [Gama?]. Naquele ano, a Irmandade tinha a receber o aporte financeiro de 3 contos 953 mil réis, legado testamentário do capitão Jacintho Manoel Monteiro de Castro para a Igreja e o Cemitério da Paróquia da Conceição da Boa Vista. Para atuar como interveniente credor no inventário, a Irmandade nomeou o advogado Theophilo Domingos Alves Ribeiro, conforme procuração datada de 23 de julho de 1884, registrada no livro do Cartório de Notas de Conceição da Boa Vista. Lembramos que as Irmandades surgiram na Idade Média, na Europa. Compunham-se de leigos que, além da difusão religiosa, encarregavam-se também da assitência econômica de seus integrantes e tomavam as providências necessárias por ocasião da morte. Vale dizer: missa de corpo presente, acompanhamento do enterro, sepultamento em local digno e demais rituais. Segundo o Dicionário do Brasil Colonial, organizado por Ronaldo Vainfas, em Minas “as irmandades revelaram-se de especial importância para dinamizar a vida religiosa”, especialmente por conta da “precária implantação da rede de paróquias” e porque não foram autorizadas as ordens regulares.
Colonos a introduzir
Colonos nacionais
EMPREITADAS PARA PLANTAÇÕES DE CAFÉSistema seguido na colônia Santa Clara
Sistema seguido em S. Paulo
Sistema que deve ser seguido
Cultura de cana
Sistema seguido na colônia Santa Clara
Sistema seguido no Engenho Central Pureza
Conclusão
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Categoria: Angustura
Autoridades de Madre de Deus do Angu
Autoridades do distrito de Madre de Deus do Angu empossadas pela Câmara Municipal de Leopoldina.
MADRE DE DEUS DO ANGU, atual distrito de Angustura, município de Além Paraíba.
| Antonio Augusto Duarte e Castro | 3º Juiz de Paz | 05.03.1861 |
| Antonio Cardoso Brochado | 1º Juiz de Paz | 21.03.1857 |
| Antonio Teixeira Marinho | 1º Juiz de Paz | 10.11.1855 |
| Barão de São Geraldo | 1º Juiz de Paz | 15.01.1883 |
| Cipriano Gomes Figueira | 1º Juiz de Paz | 07.06.1878 |
| Domingos de Andrade Vilela | 4º Juiz de Paz | 07.06.1878 |
| Francisco Antonio Teixeira | 3º Juiz de Paz | 31.03.1857 |
| Francisco de Assis Teixeira | 3º Juiz de Paz | 04.04.1883 |
| Francisco Justiniano de Figueiredo Cortes | 3º Juiz de Paz | 07.06.1878 |
| Francisco Leite de Magalhães Pinto | 4º Juiz de Paz | 07.01.1865 |
| Francisco Rodrigues Seixas | 3º Juiz de Paz | 07.01.1865 |
| Hilario Frederico Credé
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4º Juiz de Paz | 15.04.1861 |
| 3º Juiz de Paz | 08.03.1881 | |
| João Evangelista Teixeira | Suplente de Juiz de Paz | 09.10.1858 |
| José Joaquim Cerqueira | 2º Juiz de Paz | 21.04.1857 |
| José Maximo Teixeira | 4º Juiz de Paz | 10.01.1881 |
| José Rodrigues Pessoa | 2º Juiz de Paz | 07.06.1878 |
| Leoncio de Figueiredo Cortes | 2º Juiz de Paz | 07.01.1881 |
| Lindolfo Martins Ferreira | 1º Juiz de Paz | 10.01.1881 |
| Manoel Gonçalves de Figueiredo Cortes
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2º Juiz de Paz | 05.03.1861 |
| Manoel José de Medeiros | 3º Juiz de Paz | 10.02.1883 |
| Manoel Vidal Leite Ribeiro | 1º Juiz de Paz | 12.02.1861 |
| Militão José de Souza Ameno | 4º Juiz de Paz | 03.10.1865 |
| Olimpio Augusto de Godoy | 2º Juiz de Paz | 09.01.1865 |
| Vicente Mendes Ferreira | 2º Juiz de Paz | 07.02.1883 |
Sesquicentenário de Piacatuba 1851 – 2001
O patrimônio para a capela de Nossa Senhora da Piedade foi doado, por escritura de 23 de agosto de 1844, pelo capitão Domingos de Oliveira Alves. Até então, haviam sido criadas as seguintes capelas nas proximidades: 1811 – São João Nepomuceno; 1816 – Santo Antônio do Porto Alegre do Ubá (Astolfo Dutra); 1824 – Santíssima Trindade do Descoberto; 1828 – Santa Rita da Meia Pataca (Cataguases); 1831 – São Sebastião do Feijão Cru (Leopoldina); 1839 – Senhor Bom Jesus do Rio Pardo (Argirita).

É necessário observar que, antes da existência de uma capela devidamente instituída canonicamente, os moradores de determinado povoado estavam sempre vinculados à capela que frequentassem, já que os atos da vida civil eram realizados sob o controle e fiscalização da Igreja. Assim, embora encontremos referências a fatos anteriores à criação da Capela de Nossa Senhora da Piedade, não podemos falar na existência do Curato, até então.
A primeira capela de Piacatuba foi construída por volta de 1845. E a lei número 533, de 10 de outubro de 1851, trata da criação do Distrito de Nossa Senhora da Piedade, pertencente ao município de Mar de Espanha. Isso significa que nos meses anteriores à promulgação desta lei foi indicado um Padre para trabalhar no novo distrito e autorizada a abertura dos livros fiscais de batismos, casamentos e óbitos. Portanto, a data oficial de criação de Piacatuba é o ano de 1851.
Quem eram os moradores do antigo Curato de Nossa Senhora da Piedade? Quem foram os desbravadores das matas aqui existentes?
Para responder estas questões é necessário lembrar que, até a metade do século dezoito, a área então conhecida como “sertões do leste” estava vedada à entrada do colonizador, como uma das medidas para impedir o extravio do ouro. Com a queda da mineração, iniciou-se uma grande migração em busca de outras atividades produtivas. Já que o centro da província estava intensamente povoado começou a haver um movimento, de início ainda tímido, em direção aos “sertões do leste”. No caso da região em que se insere Piacatuba, isto resultou na criação da Freguesia do Mártir São Manuel do Rio da Pomba e Peixe dos Índios Croatos e Cropós. A 25 de dezembro de 1767, o Padre Manoel de Jesus Maria celebrou a primeira missa na atual cidade de Rio Pomba.
Alguns anos depois, com o aumento da navegação pelo Rio Paraíba do Sul, houve necessidade de instalar um posto de fiscalização em suas margens. Em torno de um destes postos, localizado onde hoje é o município de Além Paraíba, aos poucos formou-se um povoado. No dia 25 de agosto de 1811 o alféres Maximiano Pereira de Souza fez a escolha do terreno para a Igreja de São José do Paraíba, perto dos terrenos do Padre Miguel Antônio de Paiva. Por esta época, também, foi construída a Capela de Nossa Senhora das Mercês do Cágado (Mar de Espanha).
Desta forma, podemos observar que o colonizador vinha se instalando próximo de Piacatuba desde meados do século dezoito. No final daquele século, bem como no início dos anos novecentos, foram inúmeras as sesmarias concedidas na região.
Entre 1800 e 1831, grande número de moradores do Termo de Barbacena deslocou-se para as proximidades do Rio Novo. Enquanto parte deles seguiu o percurso deste rio, à procura de um sítio onde se instalar, outro grupo veio encontrá-los descendo pelo Rio Pomba. Assim, quando foi realizada a contagem de habitantes em 1831, em 70 das 142 residências de São José do Paraíba constavam nomes de moradores do local que viria a formar o território de Leopoldina e Piacatuba.
Nos anos seguintes, o afluxo continuou crescendo. Em 1835, no Mapa de Habitantes da Freguesia de São Sebastião do Feijão Cru, contaram-se 135 residências. Um terço delas de moradores do futuro Curato de Nossa Senhora da Piedade.
Baseando-nos ainda nas Contagens de Habitantes, não podemos deixar de mencionar a que foi realizada na Santíssima Trindade do Descoberto, em 1839. Especialmente nos quarteirões então chamados Estiva e Arraial, onde foram registradas 94 residências, identificamos nomes ligados à história de Piacatuba em 10% delas.
Assim, podemos concluir que o Curato de Nossa Senhora da Piedade foi se formando ao longo de mais de vinte anos. Com a doação do terreno para constituir o Patrimônio de Nossa Senhora da Piedade por Domingos de Oliveira Alves, foi possível à comunidade requerer a competente instalação canônica. Os motivos para a demora de quase sete anos, entre a doação e a instalação, podem ter sua origem na divisão eclesiástica da época. Porque, embora território da província de Minas Gerais, pertenceram ao Bispado do Rio de Janeiro as seguintes igrejas: Nossa Senhora das Mercês do Cágado (Mar de Espanha), Divino Espírito Santo (Maripá), Madre de Deus do Angu (Angustura), Santo Antônio do Aventureiro (Aventureiro), São Sebastião do Feijão Cru (Leopoldina), Nossa Senhora da Piedade (Piacatuba), Nossa Senhora da Conceição da Boa Vista (Recreio) e São José do Paraíba (Além Paraíba).
No dia 20 de abril de 1851, quando o Padre Francisco Ferreira Monteiro realizou o primeiro batismo na Igreja de Nossa Senhora da Piedade, deu-se início à história oficial de Piacatuba.
Texto atualizado em fevereiro de 2022.

