Artigo sobre a viagem de Spix e Martius ao Brasil

De Kalina Vanderlei Silva, publicado na Revista Eletrônica do Tempo Presente, trata-se de interessante texto sobre a obra destes viajantes alemães.

“Em 1831 era publicado, em Munique, o terceiro e último volume de Reise in Brasilien auf Befehl Sr. Majestät Maximilian Joseph I, Königs von Baiern in den Jahren 1817-1820, dos naturalistas bávaros Johann Baptiste von Spix e Karl Friedrich von Martius. Uma obra que ficaria conhecida no Brasil como Viagem pelo Brasil entre os Anos de 1817 e 1820, e que, desde que foi traduzida pela primeira vez para português em 1938, tem servido de fonte para incontáveis estudos e historiadores.”

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O Caminho Novo sob a perspectiva dos viajantes do século XIX

O Caminho Novo sob a perspectiva dos viajantes do século XIX foi o tema da comunicação de Edna Resende no IV Encontro de Pesquisadores do Caminho Novo.

Profissões, atividades produtivas e posse de escravos em Vila Rica ao alvorecer do século XVIII

Artigo de Francisco Vidal Luna e Iraci del Nero da Costa
“Parece-nos necessário, antes de abordarmos o tema em foco, esboçar o perfil de Vila Rica, como se revelava no início do século XIX. Para tanto, servir-nos-emos das crônicas de quatro viajantes europeus: Auguste de Saint-Hilaire (visitou-a em dezembro de 1816); John Mawe (ali esteve por volta de 1809); João Maurício Rugendas (a conheceu nos primeiros anos do segundo quartel do século XIX); e, finalmente, W. L. Eschwege (chegou a Minas em 1811, residiu por vários anos em Vila Rica e a deixou em abril de 1821 para encetar viagem de retorno à Europa).”

Texto disponível em:
ar19.pdf (objeto application/pdf)

Josepha Dias

Os viajantes estrangeiros, que estiveram em Minas no século XIX, deixaram suas impressões sobre os povoados por onde passaram. Uma descrição interessante que nos faz refletir sobre a origem de nossas cidades é a de Richard Burton, que aqui esteve em 1867. Em seu livro Viagem do Rio de Janeiro ao Morro Velho, reeditado pelo Senado Federal em 2001, nas páginas 69-70 encontramos a seguinte descrição:

“A igreja de costume fica na frente da praça, a casa grande de costume fica no fundo da praça e o chafariz de costume no meio da praça; daí o ditado: ‘O chafariz, João Antônio e a matriz’, que descreve a constituição dessas localidades. Em torno da grande praça, vêem-se chácaras, utilizadas pelos fazendeiros ricos nos domingos e dias-santos; durante o resto do ano, ficam fechadas. Há meia dúzia de vendas, que não vendem nada. Como é costume no Brasil, o cemitério ocupa uma elevação bem visível, e as moradas dos mortos estão muito mais bem situadas que as dos vivos”.

Os nossos povoados tomaram esta feição por terem sido formados, na maioria dos casos, em torno da Igreja Matriz. Mas este não é o caso de Recreio que, conforme sabemos, surgiu a partir da Estação da Estrada de Ferro da Leopoldina. E foi em torno dela que os primeiro moradores se localizaram.

Na medida em que vamos registrando a ocupação daqueles pioneiros, podemos perceber que o Arraial Novo atraiu prestadores de serviços variados. Como é o caso de Josepha Dias, cuja casa avizinhava-se pela esquerda com Candido Neves, pela frente com a pequena rua fronteira à estação, pelos fundos com terrenos da Fazenda Laranjeiras e pela direita com a linha férrea da estrada Alto-Muriaé. Segundo se depreende dos registros, Dona Josepha foi autorizada a ocupar o terreno de 7 metros e 70 centímetros por 10 metros de fundos com o fim de prestar seus serviços de lavadeira numa pequena casa coberta de telhas, construída por ordem do proprietário da Fazenda. E quando o Banco do Brasil autorizou Ignacio Ferreira Brito a celebrar os contratos de aforamento, Josepha Dias assinou o seu a 9 de abril de 1885, aceitando pagar anualmente 26.180 réis.

O sertão mineiro nas observações de Spix e Martius

Artigo de Marisa Augusta Ramos publicado na Revista Eletrônica Cadernos de História, vol. V, ano 3, n.º 1. Abril de 2008.

Resumo
O século XIX foi marcado pela presença de naturalistas viajantes no Brasil, dentre eles os alemães Joahnn Baptist Ritter Von Spix e Carl Friedrich Philip Von Martius. Este trabalho tem como proposta analisar as observações sobre Minas Gerais, feitas pelos dois naturalistas no início de século XIX, uma vez que constituem importante testemunho histórico. Serão abordadas especificamente as observações referentes ao sertão mineiro. Em seus relatos os dois viajantes refletem as concepções do século XIX, marcadas pelo paradoxo entre litoral e sertão que estiveram presente no processo de construção da nação brasileira.

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A apreensão do território mineiro nos relatos de Auguste de Saint- Hilaire: uma leitura relacional

Artigo de Itamara Silveira Soalheiro publicado na Revista Eletrônica Cadernos de História, vol. V, ano 3, n.º 1. Abril de 2008.

Resumo
O presente artigo tem por objetivo discutir o conceito de território numa perspectiva relacional interligando-o com os relatos do naturalista Auguste de Saint-Hilaire, que construiu importantes observações sobre o Brasil oitocentista, principalmente sobre a Província de Minas Gerais. Os relatos de Saint-Hilaire marcam um momento importante de formação do território brasileiro, por isso teve-se a intenção de partir da leitura sistemática de suas observações para buscar perceber as características relacionais daquele território em formação.

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O Brasil nos relatos de viajantes ingleses do século XVIII: produção de discursos sobre o Novo Mundo

Ângela Domingues

Departamento de Ciências Humanas – Instituto de Investigação Científica Tropical – Lisboa – Portugal.

RESUMO

O conhecimento científico do Brasil é anterior ao período da abertura dos portos brasileiros ao comércio e navegação das nações europeias. Embora seja inegável a importância e a novidade trazidas pelas obras de John Mawe, Thomas Lindley, Henry Koster, Maximiliano de Wied-Neuwied ou do barão de Eschwege, há que considerar que o Brasil tornou-se mais conhecido dos europeus do Setecentos graças aos roteiros, diários de viagens, mapas e vistas de marinheiros e traficantes, corsários e piratas que percorreram o litoral brasileiro durante o século XVIII. Assim como pelos registos produzidos por homens ilustrados como George Anson, James Cook, Joseph Banks, Charles Solander e Arthur Bowes Smith. O objectivo de muitos desses relatos produzidos ao longo do século XVIII define-se claramente do seguinte modo: corrigir a geografia do globo terrestre, diminuir os perigos da navegação e tornar mais conhecidos os costumes, artes e produtos da colónia brasileira.

Revista Brasileira de História – O Brasil nos relatos de viajantes ingleses do século XVIII: produção de discursos sobre o Novo Mundo