Informes sobre Manoel Ferreira Brito e Maria Josefa da Silva

Segundo o que pudemos apurar, Manoel Ferreira Brito nasceu por volta de 1790, em Aiuruoca, MG. Parece ter sido o único filho de José Ferreira Brito e Maria José Rodrigues, já que encontramos uma segunda esposa para José, com quem teve filhos a partir de 1795. Maria José Rodrigues era natural na Borda do Campo, filha de Domingos José Rodrigues Carneiro e Ana Lourença de São José. Seu pai também viveu em nossa região, tendo sido eleitor no então chamado Terceiro Quarteirão do Feijão Cru em 1851. Uma sua irmã, Mariana da Silveira, foi casada com um irmão de José Ferreira Brito de nome Bento Ferreira Brito.Maria Josefa da Silva, a mãe de Ignacio e Francisco Ferreira Brito, nasceu em Aiuruoca e, como já informamos, era filha de José Gonçalves Neto e Ana Custódia. O casamento com Manoel Ferreira Brito foi celebrado na Ermida dos Lacerda, em Bom Jardim de Minas, no primeiro dia de junho de 1813.

Francisco e Ignacio Ferreira Brito

Apesar de alguns esforços, ainda não conseguimos definir, com precisão, a ascendência destes dois personagens. Acreditamos que eram filhos de Manoel Ferreira Brito e Maria Josefa da Silva, sendo netos paternos de José Ferreira Brito e Maria José Rodrigues e maternos de José Gonçalves Neto e Ana Custódia. Portanto, o apelido “Neto”, muitas vezes agregado ao nome de Francisco Ferreira Brito, não teria relação com o nível de parentesco e sim com o sobrenome de seu avô materno. Se nossa hipótese estiver correta, os pais de Inácio e Francisco chegaram à região do Feijão Cru antes de 1831.Segundo a contagem dos moradores da bacia do rio Angu, Manoel e Maria Josefa constituíam a família de número 86. Através deste que foi o mais antigo documento encontrado sobre os moradores da região, Inácio e Francisco ainda não eram nascidos. No documento seguinte, a contagem dos moradores realizada em 1842, o casal já contava com mais alguns filhos, tendo Inácio nascido entre 1831 e 1835. Já o Francisco teria nascido entre 1835 e 1837.Os outros filhos do casal, nascidos em Bom Jardim de Minas, foram: João (nascido por volta de 1814), Ana Maria (1820), José (1821), Domingos (1823), Joaquim (1825), Manoel (1827) e Mariana (1828). Não pudemos precisar onde teria nascido a filha Maria (1830). Entre as duas contagens, e portanto no território que hoje pertence ao município de Recreio, nasceram também Emerenciana (1831), Maximiana (1832-1836) e Antonio (1838).

Estudos sobre os irmãos Ferreira Brito

A despeito de críticas que o método recebe de alguns estudiosos, as biografias são um poderoso instrumento para a compreensão dos fatos do passado. Analisar a trajetória dos cidadãos comuns, e não só dos grandes heróis que povoam o material didático tradicional, permite reconstruir os hábitos e atitudes de determinada sociedade em um certo período histórico. E este é um trabalho que pode despertar prazer até mesmo nos jovens estudantes, conforme relata Verena Alberti, em Biografia dos avós: uma experiência de pesquisa no ensino médio. (Rio de Janeiro: CPDOC, 2006. 10p.)Em nossos estudos sobre o povoamento dos Sertões do Leste, cedo concluímos que seria impossível compreender a história local sem nos determos nas trajetórias individuais. Ao nos convencermos da necessidade de pesquisar a vida concreta dos homens e mulheres que viveram na região, conseguimos compreender algumas interpretações publicadas e encontramos explicações para ações e estratégias adotadas por aqueles grupos.Sendo assim, passaremos a publicar as informações que pudemos recolher sobre os mais antigos moradores do território que veio a constituir o município de Recreio. E iniciaremos pelos irmãos Ferreira Brito.

Brasileiros ilustres no tribunal da posteridade: biografia, memória e experiência da história no Brasil oitocentista

Maria da Glória de Oliveira

RESUMO

O artigo analisa a escrita de biografias como tarefa integrante do projeto historiográfico do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro ao longo do século XIX, com base nos discursos de Joaquim Manoel de Macedo e nos estudos biográficos de Joaquim Caetano Fernandes Pinheiro. Para os sócios da agremiação, a biografia deveria cumprir os propósitos de fixação da memória dos brasileiros ilustres, compartilhando com a escrita histórica das ambições de verdade e imparcialidade na representação do passado. Por outro lado, a evocação reiterada de um “tribunal da posteridade”, em nome do qual se justificavam o trabalho de memória e a escrita biográfica, vinculava-se à experiência da história como foro de justiça e moralidade.


Varia Historia – Brasileiros ilustres no tribunal da posteridade: biografia, memória e experiência da história no Brasil oitocentista

História ou romance? A renovação da biografia nas décadas de 1920 a 1940

 Artigo de Márcia de Almeida Gonçalves publicado na Revista  ArtCultura, Uberlândia, v. 13, n. 22, p. 119-135, jan.-jun. 2011

Resumo

No alvorecer do século XX, o debate sobre biografias ocupou autores e intelectuais europeus interessados em reconsiderar os diversos campos da produção letrada. Objetivamos nesse artigo situar esse debate entre autores ingleses, por meio da apresentação de algumas de suas indagações sobre a dimensão artística, na sua proximidade com a forma do romance, de biografias qualificadas como modernas. Se Lytton Strachey e sua “Rainha Vitória” (1921) vieram a se tornar referências, isso assim ocorreu no contexto de questionamentos realizados por Harold Nicolson e por Virgínia Woolf, nas décadas de 1920 e 1930. Ao caracterizarmos as indagações de Nicolson e Woolf, pretendemos analisar o valor seminal das mesmas em apropriações que afetaram autores franceses – destaque para Andre Maurois e seu Aspectos da biografia (1928) – e também letrados e críticos brasileiros – como Edgard Cavalheiro e seu texto Biografias e biógrafos (1943).

7988 (objeto application/pdf).

Revista de Teoria da História

Universidade Federal de Goiás

Figurações da escrita biográfica

Artigo de Alexandre de Sá Avelar publicado na Revista ArtCultura, Uberlândia, v. 13, n. 22, p. 137-155, jan.-jun. 2011

Resumo

Poucos duvidariam da pertinência historiográfica da biografia nos dias de hoje. Seu estatuto de legítimo objeto de pesquisa histórica se consolidou após um longo período de ostracismo, no qual predominaram as análises calcadas na longa duração e na história serial, típicas dos Annales. Por outro lado, ela é cada vez mais alvo de críticas, tanto quanto ao seu caráter “ilusório” como à sua pretensão de oferecer um relato coerente e homogêneo da vida de um indivíduo.O objetivo deste texto é examinar as figurações da escrita biográfica, apontando, ao mesmo tempo, para sua necessidade intelectual e epistemológica e para suas incertezas. Defende-se a idéia de que o gênero biográfico se renova justamente pelas mutações que conheceu em suas modalidades de apresentação narrativa.

Leia o arquivo completo: 7987 (objeto application/pdf).

Narrar vidas, escrever história

Artigo de Alexandre Sá Avelar, publicado na Revista ArtCultura, Uberlândia, v. 13, n. 22, p. 117-118, jan.-jun. 2011

“Este mini dossiê se insere nessa perspectiva de renovação da biografia histórica e traz contribuições significativas para o alargamento do debate sobre importantes questões que sempre acompanharam os historiadores biógrafos em suas aventuras por esse gênero eivado de incertezas e fragmentos.”

7989 (objeto application/pdf).

Construindo biografias…Historiadores e jornalistas: aproximações e afastamentos.

Artigo publicado por Benito Bisso Schmidt em 1997, na Revista de Estudos Históricos da Fundação Getúlio VargasResumo

O artigo examina a recente produção de biografias nos âmbitos da história e do jornalismo no Brasil, tentando detectar possíveis aproximações e afastamentos entre eles. Três questões são abordadas: as razões da emergência do gênero biográfico entre historiadores e jornalistas, as semelhanças e diferenças entre as abordagens histórica e jornalística e a riqueza das possibilidades abertas pelos estudos biográficos recentes.

Texto disponível neste endereço: Schmidt

Francois Dosse: O Desafio Biográfico

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