Primeiros batismos em Piacatuba – A

Crianças batizadas em Piacatuba na segunda metade do século XIX: letra A

CRIANÇA PAI MÃE BATISMO
Abilio Alexandrina 10.08.1869
Abilio João Paulino Barbosa Anna Joaquina de Jesus 05.04.1874
Abilio Delfim Ferreira de Oliveira Anna Maria da Conceição 13.07.1878
Acacia Camillo Alz. Ferr.ª Castorina Alz. Ferr.ª 15.06.1872
Acacio Felisbino Joaquina 25.12.1868
Achilles Antonio Roiz de Oliveira Netto …………….. 26.09.1878
Adão Maria 16.02.1852
Adão Camillo Thereza 25.12.1852
Adão Manoel Felicia 19.03.1854
Adão Jose Magdalena 14.05.1863
Adão Rosa 19.03.1865
Adelaide Manoel Ferraz de Sousa Constança Eufrasia dos Anjos 22.10.1869
Adelaide Margarida 26.07.1870
Adelaide Maximianno da Silva Sudré Jacintha Rosa de Jesus 10.09.1872
Adelaide José Joaquim de Mendonça Francisca Augusta de Mendonça 19.09.1875
Adelaide Ignacio Ferreira de Souza Joanna Maria da Conceição 12.06.1879
Adelina José Roiz Gomes Anna Maria de Jesus 25.12.1874
Adelina José Francisco Ladeira Minervina Deolinda de Oliveira 02.12.1877
Adelino José Antonio de Oliveira Maria Thereza do Carmo 03.05.1874
Adosinda Honorio Ferreira de Carvalho Maria José ……… 27.04.1871
Adrianno Manoel Maria 20.03.1870
Adrião Manoel Jose Ferras Francisca Maria de S. Jose 10.04.1864
Aelina Flavio Ferreira Braga Francellina Maria de Jesus 15.04.1877
Affonso Bernardo Tolentino Cisneiro da Costa Reis Julieta Magalhães da Costa Reis 03.12.1878
Afonço José Francisco Vieira Maria José do Paraiso 23.05.1875
Afra Antonio Domingos Pereira Claudina Candida da Silva 16.04.1855
Agalantina Francisco Esmerio de Paiva Campos Francisca Albina de Campos 22.12.1877
Agenor Candido José Baptista Gabriella Francellina de Oliveira 11.07.1875
Agostinho Joaquim Jose Ferras Barbara Maria de Mendonça 06.02.1856
Agostinho Joaquim Jose Ferras Barbara Maria de Mendonça 06.02.1856
Agostinho Antonio Gonçalves Pereira Carlota Maria da Conceição 26.09.1876
Agripino Bertholino Francisco Pereira Felisbina Constancia de Jesus 06.08.1878
Albertina Vital Ignacio de Moraes Umbelina Cassianna de Jesus 09.04.1876
Albertina Francisco de Sales Ribeiro Maria Alves Ribeiro 25.01.1879
Alcides Rosa 01.11.1863
Alda Antonio da Silva Tavares Maria Laudelina de Oliveira Tavares 26.08.1877
Alduvina Carlos José Pinto Ritta Joaquina do Espirito Santo 29.04.1868
Aleixo Lourenço Catharina 15.08.1864
Alexandre Pedro Gabriella 10.05.1867
Alexandre Antonio Pinheiro de Faria …………….. 15.03.1868
Alexandrina de Manoel Lopes de Carvalho Maria Ignacia de Jesus 01.01.1865
Alexandrina Margarida 10.11.1868
Alexandrina João José —-posa Luiza Maria da Purificação 12.12.1867
Alfredo Elias Gonçalves Filgueiras Philomena Maria Filgueiras 09.10.1872
Alfredo Francisco Martins Pacheco Ritta Maria de Jesus Nasareth 18.04.1875
Alfredo Belizario Alves Ferreira Maria Rosa Ferreira 25.09.1875
Alfredo Severianno João Lopes Anna Joaquina da Assumpção 20.01.1876
Alfredo Anacleto Alz. de Mello Maria Carolina de Jesus 12.12.1877
Alfredo Lino Antonio de Oliveira Maria Antonia de Oliveira 29.07.1880
Alia Bertholino Francisco Pereira Felesbina Constança de Jesus 09.10.1873
Alida Jose Furtado de Mendonça Joaquina Maria de Assumpção 22.09.1862
Alminda João Antonio da Silva Felic* Umbelina de Jesus 14.03.1864
Amando Simplicio Mendes Ferreira Carlota Maria de Oliveira 30.05.1869
Amaro Luiz Antonia 13.09.1868
Ambrosina Claudio Jose de Miranda Francelina Francisca de Jesus 22.04.1866
Ambrosina Caethano Francisco Antonio Maria Josepha da Conceição 10.08.1873
Ambrosina Manoel Antonio de Araujo Rosa Antonia de Resende 08.03.1876
Ambrosina Antonio Praxedes da Silva Jacintha Maria de Jesus 16.04.1876
Ambrosina Paulo José Ribeiro Carlota Maria de Jesus 07.04.1878
Ambrozina Jose Fajardo de Mello Maria Bia de Mello 16.05.1863
Ambrozina Francisco Bento da Costa Ritta Amelia de Jesus 28.09.1873
Ambrozina Narciso da Assumpção Chaves —————- 02.07.1876
Amelia Ipolito Pereira da Silva Marianna Guilhermina do Carmo 26.01.1862
Amelia Francisco Bento da Costa Rita Amelia de Jesus 15.11.1863
Amelia —- Joaquina 17.09.1864
Amelia Jose Alfredo de Oliveira Anna Deolina do Espirito Santo 24.10.1864
Amelia Camilo Pernes de Miranda Umbelina Roiz de Miranda 14.09.1871
Amelia Marianno Antonio Damaceno Carolina Maria de Jesus 14.12.1874
Amelia Joaquim Dias de Medeiros Sophia Marques de Medeiros 26.05.1878
Amelia José Vieira Maria Francisca do Nascimento 04.06.1878
Amelio Joaquim Felicio de Paulo Isabel Maria de Jesus 02.08.1872
Americo João Francisco dos Reis Custodia Maria da Paixão 10.12.1871
Americo Manoel Antonio da Rocha Marianna Esmeria de S. José 21.10.1873
Americo Bento Marques Pereira Maria Carlota Pereira 12.01.1876
Americo Severino Joaquim de Freitas Maria Ritta de Jesus 18.10.1876
Americo Luiz Teixeira Machado Anna Luiza de Jesus 25.08.1877
Americo Joaquim da Silva Pereira Maria Ritta Calista 28.10.1878
Americo Demetrio Pereira Nobre Anna Maria da Conceição 25.12.1878
Americo Demetrio Pereira Nobre Anna Maria de Conc 26.12.1878
Americo Domingos J. de Miranda Ritta Maria de Miranda 01.05.1869
Americo Roberto de Souza Almada Maria Brigida de Souza 11.09.1870
Analia Antonio de Souza Almada Emilia Candida de Jesus 29.09.1872
Andre Benta 28.12.1866
André Francisco de Assis Ladeira Anna Marcolina de Castro 01.10.1876
Angelica Felisberto José Basilio Maria Constança de Jesus 17.07.1867
Angelica Bernardo Francisco Monteiro Cecilia Rodrigues Pernes 26.11.1874
Angelo Gabriel Ritta 05.03.1871
Anna Antonio Pereira da Silva Quiteria Balduina Gomes Alvim 03.08.1851
Anna Vicente M– Ferreira Francisca Maria de Jezus 23.11.1851
Anna José Luiz de Paula Francisca Maria da Conceição 14.03.1852
Anna Ezequiel Henrique Pereira Brandão Anna Lina Soares 10.09.1854
Anna Jozé Francisco Peixoto Francelina Maria de Jesus 04.03.1855
Anna Francisco Gomes Bernardo Florencia Maria de Jesus 12.04.1855
Anna Joze Luis Pereira Francisca Roza de Jesus 06.06.1855
Anna Agostinho Vidal Pinheiro Maxima Guilhermina de Jesus 05.07.1855
Anna Manoel Bernardo da Silva Maria Joaquina de Jesus 13.07.1855
Anna José Henriques da Matta Francelina Maria de Jesus 16.09.1855
Anna Zacharias Roiz Pires Rita Maria de Jesus 08.10.1855
Anna Joaquim Elias Justo Rufino Ignacia Maria de Jesus 26.12.1855
Anna João Machado Evangelista Maria Roza de Jesus 17.02.1856
Anna Florenciano Candido d’Oliveira Maria Magdalena 27.04.1856
Anna Manoel Coelho d’Araujo Anna Elisia 25.12.1856
Anna Florentino Jose de Sousa Prudencia Francisca de Oliveira 20.01.1862
Anna Jose Bento Barbosa Joaquina de …… 20.01.1862
Anna Francisco da Costa de Souza Maria de Souza de Jesus 04.03.1862
Anna Domingos Claudina 21.09.1862
Anna Antonio Carlos Ferreira Florentina de Assis 11.10.1863
Anna Joaquim Miranda da Silva Maria Rosa do Nascimento 10.10.1863
Anna Francisco Gomes de Oliveira Anna Rosa de Jesus 06.03.1864
Anna Quintilianno Romana 11.12.1864
Anna Jose Francisco de Athaide Anna Paula de Jesus 23.07.1865
Anna José Francisco dos Reis Maria Jacintha da Silva 19.05.1867
Anna Vicente Alves Ferreira Francisca …….. 04.09.1867
Anna Maria 10.11.1867
Anna Francisco Luiz Pinto Carolina Maria da Gloria 23.05.1869
Anna Francisco Gonçalves Godinho Anna Rita da Luz 02.02.1870
Anna Antonio Pinheiro de Faria Theodora Gervasia de Jesus 15.08.1870
Anna Francisco da Costa Zeferina Maria de Jesus 16.04.1871
Anna Manoel Dias Ferraz Junior Laudelina Rosa de Jesus 11.05.1871
Anna Adão Nogueira Coelho Flora Maria de Jesus 10.12.1871
Anna José Vieira da Silva Maria Francisca do Nascimento 25.02.1873
Anna Antonio José Clemente Barbara Maria Clementina 02.07.1874
Anna Candido Henrique de Souza Maria Carolina do Nascimento 22.08.1874
Anna Silverio José Barbosa Antonia Carolina de Jesus 10.12.1874
Anna José Januario da Cruz Francisca Paula de Jesus 25.04.1875
Anna Antonio Henrique de Souza Ritta de Cassia de Jesus 10.05.1875
Anna Caetano Fancisco Antonio Maria Josepha de Jesus 27.09.1875
Anna Sebastião Cardoso Machado Candida Cadoso Brochado 21.09.1876
Anna Vital Roiz de Oliveira Maria Joaquina da Assumpção 25.08.1877
Anna Manoel Pedro da Costa Maria Victoria de Jesus 21.02.1878
Anna Francisco José de Amorim Maria de Jesus 25.05.1879
Anna Manoel José de Mattos Marianna Maria de Jesus 07.04.1877
Anselmo Sesario Ritta 10.06.1867
Antenor Aurelianno Alves Ferr Anna Libania Assumpção 29.07.1878
Antero Joaqum Tavares Nepomoceno Maria Tavares da Silva Pinto 25.08.1875
Antonia Hypolito Pereira da Silva Thereza Umbilina de Jesus 08.07.1853
Antonia Luis Fernandes da Silva Vicencia Maria de Jesus 18.12.1853
Antonia Maria 20.10.1854
Antonia Cecilia 07.03.1856
Antonia Martinho Joanna 02.03.1862
Antonia Manoel Dias Ferraz Antonia Carolina Dias de Castro 03.03.1862
Antonia Antonio Carlos Ladeira Flavia Horonia de Assumpção 24.05.1862
Antonia João Moreira Fortes Rita Maria da Nasareth 16.11.1862
Antonia Cassiano Jose do Carmo Adelaide do Sacramanto e Silva 22.09.1862
Antonia Jose Maximianno de Moura e Silva Anna Carolina de Castro 04.02.1863
Antonia Maria Vicencia de Jesus Francisco Antonio Alves 05.07.1863
Antonia Ricardo Jose de Moraes Rita Vicencia de Jesus 10.01.1864
Antonia Antonio Carlos Ferreira Miquelina Francisca de Assis 11.12.1864
Antonia Caetano Maria 30.07.1865
Antonia Antonio de Sousa Almada Junior Emilia Candida de Jesus 02.02.1868
Antonia Maria Francisca do Nascimento 05.09.1869
Antonia Serafim José de Oliveira Maria Francisca de Oliveira 15.04.1871
Antonia João José Simões Marianna Leopoldina de Jesus 24.06.1873
Antonia Manoel Dias Ferraz Junior Laudelina Rosa de Jesus 17.06.1873
Antonia José Angelo de Souza Guilhermina Roiz de Vieira 29.06.1875
Antonia Manoel Dias Ferraz Maria Gertrudes de Jesus 06.01.1876
Antonia Antonio Pereira da Cruz Maria Custodia da Cruz 24.09.1877
Antonia Francisco Simão de Souza Francisca Esmeria de Assis 24.02.1878
Antonia Anna 08.04.1878
Antonia José Alvz. de Miranda Maria Ritta de Jesus 04.08.1878
Antonio ——– ——- Jezuz 25.05.1851
Antonio Antonio Maria 06.08.1851
Antonio Joaquim …………. Rita ……………. 01.11.1851
Antonio Francisco Honorio Gomes da Silva Mariana Izabel de S. José 05.11.1851
Antonio Francisco José da Silva Rita 07.03.1852
Antonio Venceslao Rodrigues da Silva Joaquina Rosa de Jesus 18.07.1852
Antonio Joaquim José Xica Rosa Angelica de Sousa 20.09.1852
Antonio Manoel Bernardo d’Oliveira Maria Joaquina de Jesus 20.01.1853
Antonio Joaquim José Chica Roza Angelica de Souza 22.03.1854
Antonio João José de Souza Verdianna de Jesus 15.06.1854
Antonio Dorothea 17.06.1854
Antonio José Ignacio da Silva Francisca Maria de Jesus 06.08.1854
Antonio Camillo Thereza 03.09.1854
Antonio Antonia 20.10.1854
Antonio Alvaro José Antonio Carlota Maria de Jesus 29.10.1854
Antonio Manoel Joaquim Bastos Bibianna Umbelina d’Oliveira 21.02.1855
Antonio Joze Joaquim Barboza Anna Maria de Jesus 14.10.1855
Antonio Luiz Antonio Gomes Maria Francisca de 02.12.1855
Antonio Jose Ignacio da Silva Francisca Maria de Jesus 09.03.1856
Antonio Manoel Claudio Dias Florentina Francelina Maria de Jesus 20.04.1856
Antonio Manoel Duarte Ribeiro Delfina Maria de Jesus 25.05.1856
Antonio Manoel Simão de Mello Ignes Theodora do Nascimento 06.01.1862
Antonio Antonio Jose Pereira Purcina Maria do Espirito Santo 24.05.1863
Antonio Amelia Nogueira Castro Penido 03.10.1863
Antonio Francisco Duarte Anna Rosa de Jesus 29.11.1863
Antonio Francisco Soares Valente Francisca Rosa de Jesus 24.01.1864
Antonio Custodio Antonio Martins Francisca Rosa de Jesus 03.04.1864
Antonio Francisco Borges Barboza Rita Carolina de Jesus 23.03.1865
Antonio Paulino Jose Ribeiro Carlota Maria de Jesus 02.04.1865
Antonio Francisco Antonio Alves Maria Vicencia de Jesus 25.06.1865
Antonio Antonio Ferreira Roiz Maria Theodora 25.07.1865
Antonio Antonio Carlos Ladeira Flavia Honoria da Assumpção 10.05.1866
Antonio Antonio Duarte Ribeiro Manoella Maria de Jesus 30.09.1866
Antonio Cesario José da Roza Antonia Maria de Jesus 06.10.1866
Antonio Francisco Joaquim de Faria Maria Jose de Faria 23.04.1867
Antonio Antonio Jose de Mattos Maria Ritta de Cassia 04.05.1867
Antonio Antonio Gonsalves de Oliveira Barbara Candida da Conceição 17.07.1867
Antonio Martinho Marcolina 05.08.1877
Antonio Antonio Romoaldo de Oliveira Francisca Carolina de Oliveira 29.09.1867
Antonio exposto 01.01.1868
Antonio Clemente da Cruz Moreira Joaquina Maria de Jesus 11.04.1868
Antonio Antonio Pereira Valverde Sebastianna Maria de Jesus 12.07.1868
Antonio Francisco Gonsalves Godinho Anna ……… 19.07.1868
Antonio Antonio Theodoro de Oliveira Ritta Lusia de Cassia 07.09.1868
Antonio Christino José de Sousa Maria Zeferina de Jesus 18.10.1868
Antonio Simplicianno José Teixeira Maria José de Jesus 02.04.1869
Antonio Manoel da Rocha Moraes Francisca Rofina d’Assis 24.05.1869
Antonio Marcolino José Correa Anna Maria de Jesus 23.03.1870
Antonio Delfino de Oliveira e Silva Anna Maria da Conceição 15.05.1870
Antonio José Ritta 25.09.1870
Antonio Marianno Jose Ferraz Maria Rosa do Sacramento 16.10.1870
Antonio João Angela 07.05.1871
Antonio Antonio Duarte Ribeiro Manoella Maria de Jesus 18.06.1871
Antonio José Francisco do Rego Maria Jacintha da Silva 17.09.1871
Antonio João Henrique Barbosa Maria Querubina de Resende 24.11.1872
Antonio José Norberto Messias Maria de Jesus 18.12.1873
Antonio Antonio Pires Veloso de Sá Carlota Maria de Jesus 11.05.1873
Antonio José Angelo de Souza Guilhermina Roiz Vieira 27.05.1873
Antonio Anna Rosa de Jesus 06.07.1873
Antonio João Pedro de Souza Ritta Maria de Jesus 27.07.1873
Antonio Ritta Josepha 16.11.1873
Antonio Domincianno J. Mendes Francisca Anna de Jesus 08.02.1874
Antonio Francisco José Nogueira Maria Joaquina de Jesus 08.02.1874
Antonio Joaquim Mendes Ferreira Maria Rosa de Jesus 10.05.1874
Antonio Manoel Dias Ferraz Junior Laudelina Rosa de Jesus 29.06.1874
Antonio Prudencio José Vicente Maria Justina de Jesus 05.07.1874
Antonio Misael de Araujo Martins Custodia Maria de Jesus 30.07.1874
Antonio Joaquim Ferreira de Amorim Maria Leocadia de Jesus 28.02.1875
Antonio Antonio Felis Romualdo Delfina Rosa de Jesus 25.07.1875
Antonio Matheos de Oliveira Santos Constança Maria de Jesus 26.09.1875
Antonio Anacleto Alves Ribeiro Maria Carolina da Rocha 27.09.1875
Antonio Camillo José Pereira Guilhermina Maria da Conceição 26.11.1875
Antonio Domingos Antonio José Maria Francisca de Jesus 16.01.1876
Antonio João Severino do Nascimento Maria José da Conceição 08.03.1876
Antonio José Ferreira da Silva Maria Francisca de Jesus 19.03.1876
Antonio Joaquim Mathias de Carvalho Maria José da Assumpção 25.06.1876
Antonio João Matheos da Silva Maria Joaquina de Jesus 27.05.1877
Antonio Joaquim Soares de Oliveira Virginia Maria de Jesus 27.05.1877
Antonio Roberto Nunes da Silva Florentina Maria de Jesus 15.07.1877
Antonio Joaquim Severino Alz Maria José de Jesus 04.08.1877
Antonio Domingos de Paulo Ferreira Leite Emilia Maria de Jesus 07.08.1877
Antonio Custodio Roiz Vidal Maria das Dores Severino 24.02.1878
Antonio Antonio Manuel de Araujo Rosa Antonia de Resende 24.03.1878
Antonio Antonio Joaquim de Freitas Senhorinha Antonia de Jesus 03.06.1878
Antonio Domingos Ferreira de Oliveira Anna Rosa de Souza 24.06.1878
Antonio José Mendes Ferr. Junior Francisca Emilia de Toledo 27.12.1878
Apolinaria Anna 07.03.1852
Argentina Candido Jose Baptista Gabriella Francelina de Oliveira 11.02.1865
Argentina Severino João Lopes Anna Joaquina da Assumpção 30.03.1879
Aristides Joaquim Tavares Nepomoceno Maria Tavares da Silva Pinto 25.03.1878
Aristobalo Candido José Baptista Gabriella Francellina de Oliveira 18.10.1869
Armenio Domingos Marques de Oliveira Anna Antonio de Jesus 01.11.1865
Armenio Domingos Marques de Oliveira Anna Antonia de Jesus 20.06.1866
Arminda Antonio Teixeira de Mendonça Anna Thereza de Mendonça 15.07.1877
Arthur Theresa Maria de Jesus 18.12.1868
Arthur Antonio Gonçalves Filgueiras Theophila Maria Filgueiras 21.07.1872
Astero João Baptista da Silva Antonia Maria Garcia 20.08.1872
Astolfo Bertolino Francisco Pereira Felisbina ……… 25.12.1864
Astolpho Antonio da Silva Tavares Maria Laudelina da Silva 08.07.1874
Astolpho José Francisco de Paiva Campo Maria Ritta de Campos 12.07.1875
Astolpho Antonio Vieira Pacheco Anna Maria Vieira 28.10.1878
Ataliba Pedro Victor Renolt Cecilia Alvina de Mage 12.02.1871
Augusta Theodoro Dutra Nicacio Guilhermina Maria de S. José 03.08.1873
Augusta José Angelo de Araujo Maria Lusia de Jesus 23.04.1876
Augusta Elias Dornellas da Costa Anna Joaquina da Luz 26.05.1878
Augusta José Anjo de Araujo Maria Lucia de Jesus 03.06.1878
Augusta —te José Vicente Maria Joaquina de Jesus 29.09.1878
Augusto Elias Fiaio Garcia Francisca Valerianna de Jesus 19.01.1862
Augusto Joaquim Maria Victoria 04.06.1863
Augusto Nicolao Felicia 21.06.1863
Augusto Venceslau Rodrigues da Silva Joaquina Rosa de Jesus 07.08.1864
Augusto Joaquim Pinheiro de Faria Maria Felisberta de Souza 19.03.1865
Augusto José Joaquim do Sacramento Pereira Maria Gonsalves Pereira 30.11.1867
Augusto José Antonio de Sá Joanna Canuta de Oliveira 01.03.1868
Augusto João Severino de Faria Maria Josepha da Conceição 06.08.1871
Augusto José Francisco Vieira Maria José do Paraiso 20.11.1872
Augusto João Alz. de Miranda Antonia Rosa de Jesus 01.12.1872
Augusto Antonio Augusto Maria 28.08.1876
Augusto Severino João Lopes Anna Joaquina da Assumpção 27.05.1877
Aurelio Antonio Alves Ferreira Junior Maria Rita de Jesus 15.10.1871
Aurelio Anacleto Alz. de Mello Maria Carolina de Jesus 01.01.1872
Aurelio José de Rezende Montes Theresa Joaquina de Jesus 29.11.1874
Auta Justino Constança 25.09.1870
Auta Aurelianno Alz. Ferreira Anna Libania de Magalhães 30.09.1876
Avelino João Baptista da Silva Antonia Maria Garcia 27.04.1865
Avelino Anselmo José Teixeira Julia Eufrasia de Jesus 02.04.1874
Avelino Gabriel José da Rosa Alexandrina Ribeira de Jesus 26.09.1875

Este trabalho está sujeito a uma licença de uso: Creative Commons Attribution-Noncommercial-No Derivative Works 3.0 License.

Antonio José Machado

Esta é mais uma das atualizações de nossos antigos Cadernos de Família, divulgados entre 1970 e 1990.  Reputamos como bastante difícil estudar os Machados por causa da homonímia. Dos livros paroquiais de Leopoldina relativos ao século XIX, recolhemos 8 personagens com o nome de Antonio Machado, 13 chamados Antonio José Machado e 6 cujo nome anotado foi José Antonio Machado. Ainda assim foi preciso listar todos os batismos e ordená-los pelo nome das mães, estudar individualmente cada uma delas para reduzir ao número aqui mencionado. Porque um mesmo personagem aparece como Antonio no batismo de um filho, como Antonio José no de outro e como José Antonio num terceiro batismo. Considerando que algumas mães são também homônimas, o estudo das famílias dos cônjuges foi indispensável. Estão entre os  personagens mais complexos destes estudos.

Feita a comparação dos assentos de batismo com os de casamentos dos Antonios e dos filhos, surgiu um complicador: alguns usuários do sobrenome aparecem com o acréscimo do “Dias” nos registros posteriores a 1880. Acreditamos que a homonímia tenha sido, mais uma vez, a causa da adoção de outro sobrenome. Não encontramos justificativa para a escolha do “Dias” como diferencial.

Mesmo após tantas adições com acréscimos obtidos em novas buscas, sabemos que ainda não é a versão definitiva. Novos documentos poderão surgir para esclarecer uma série de dúvidas que ainda restam.

Adotamos a composição de nome mais incidente para cada personagem. No caso em questão, a primeira vez que encontramos o sobrenome Dias foi em janeiro de 1887, no batismo do filho Pedro. Em registros posteriores tal sobrenome volta a desaparecer.

Antonio José Machado é como o nome aparece nos batismos de Maria, João, Umbelina, Horácio, Antonia e Laura, filhos de seu casamento com Luiza Maria de Jesus, bem como em seu casamento com Júlia Rosa de Jesus. É também como o nome foi anotado no batismo de Maria, filha de seu primeiro casamento com Custódia Maria de Jesus.

É possível que a adoção do novo sobrenome tenha influência de autoridades civis. Nos alistamentos eleitorais pesquisados, relativos ao final do século XIX, o sobrenome aparece em quase todos os registros, apenas com variação dos dois nomes. Ou seja, algumas vezes temos Antonio José Machado Dias e em outras encontramos José Antonio Machado Dias. Em pesquisas realizadas na 1ª Secretaria do Fórum de Leopoldina encontramos a mesma variação.

 Lembramos, ainda, que alguns descendentes acrescentaram Neto ao sobrenome e, uma ou duas gerações depois, a supressão do Machado vem confundi-los com outra família tradicional de Leopoldina: os Neto.

ANTEPASSADOS DE ANTONIO JOSÉ MACHADO

Filho de José Bernardino Machado e Maria Antonia do Nascimento nasceu em terras do Rio Pardo, hoje município de Argirita. Seu pai faleceu a 27 de Setembro de 1886 em Leopoldina e sua mãe faleceu entre 1886 e novembro de 1893.

José Bernardino não declarou, em 1856, de quem comprou as terras que divisavam com Albina Joaquina de Lacerda, Antonio José Monteiro de Barros, Joaquim Ferreira Brito, Manoel Antonio de Almeida, João Antonio Ribeiro e José Rodrigues Carneiro e Souza. Sabemos apenas que totalizavam 70 alqueires por ocasião do Registro.

Outro filho de José Bernardino ligado à história de Leopoldina foi José Bernardino Machado Filho, falecido a 25 de Maio de 1884 em Leopoldina, deixando viúva Ana Rosa de Jesus.

Na geração seguinte vamos encontrar os avós paternos de Antonio José como moradores de Santa Rita de Ibitipoca. Foram eles:  Bernardino José Machado, batizado em 1786 em  Santa Rita do Ibitipoca, casado com Maria [Rolsa ou] Ribeiro de Almeida, também batizada em Santa Rita de Ibitipoca em 1787.

A avó paterna ainda está a merecer maiores estudos, uma vez que no livro Genealogia dos Machados e Fonsecas, de Raimundo da Fonseca, encontramos informações bastante divergentes de nossas pesquisas em relação aos nascimentos de filhos e netos.

Bernardino José era filho de Antonio José Machado e Izabel Correia de Moraes, casal mencionado em diversos de nossos estudos em virtude de se ligarem aos Almeida Ramos, povoadores de Leopoldina.

DESCENDENTES DE ANTONIO JOSÉ MACHADO [Dias]

Casou-se provavelmente em Bom Jesus do Rio Pardo com CUSTÓDIA MARIA DE JESUS, com quem teve um filho homônimo por volta de 1858. Em terras do antigo distrito da Piedade nasceu sua segunda filha, batizada a 25 de Março de 1860 com o nome Maria.

A 24 de Dezembro de 1862 nasceu a primeira filha do segundo casamento com LUIZA MARIA DE JESUS. Deste casamento foram filhos também: João Machado Dias (1865), Umbelina (1867), Firmino Machado Dias (1873), Horácio Machado Dias (1879), Antonia Maria de Jesus (1872), Cristiano Machado Dias (1883, Laura Maria de Jesus (1884) e Pedro Machado Dias (1886)

Casou-se pela terceira vez a 18 de Novembro de 1893, em Piacatuba, com JÚLIA ROSA DE JESUS, filha de JOAQUIM ALVES PEREIRA e RITA MARIA DE JESUS E SOUZA. Oficialmente consta que Júlia Rosa era natural de Cataguases. No entanto a análise de documentos de suas irmãs nos levou a concluir que seus pais residiam em terras no distrito de Piacatuba desde a época do seu nascimento. Na Igreja de Nossa Senhora da Piedade foi batizada sua irmã Belmira a 27 de Abril de 1872. Amélia, a outra irmã, casou-se também em Piacatuba a 26 de Julho de 1894, tendo declarado nascimento naquele distrito.

Do terceiro casamento encontramos apenas um filho, Júlio, nascido em 1896.

Dos 12 filhos de Antonio José Machado Dias encontramos descendência apenas para os abaixo discriminados.

1 – JOSÉ ANTONIO MACHADO nasceu em Piacatuba por volta de 1858 e casou-se com VIRGINIA PEREIRA DE ALMEIDA a 23 de Junho de 1880. Ela nasceu a 7 de Março de 1866 em Leopoldina, filha de ANTONIO AMANCIO PEREIRA e  MARIA JOSÉ DE ALMEIDA.

Foram pais de:

– ANTONIO, nascido a 8 de Abril de 1882, batizado a 4 de Junho do mesmo ano;

– CUSTÓDIA, nascida a 4 de Setembro de 1883, batizada a 22 Janeiro de 1884;

– MARIA, nascida a 29 de Dezembro de 1885, batizada a 25 de Janeiro de 1886;

– ERNESTINA, nascida a 15 de Agosto de 1887, batizada a 27 de Dezembro do mesmo ano;

– ERNESTO, nascido a 19 de Novembro de 1893, batizado a 2 Junho de 1894.

4 – JOÃO MACHADO DIAS, nascido a 17 de Maio de 1865, batizado a 11 de Junho do mesmo ano, casou-se com AMÉLIA VALENTINA. Uma de suas filhas, de nome Maria da Conceição, casou-se com descendente dos Gomes da Fonseca de Conceição da Ibitipoca.

6 – FIRMINO MACHADO DIAS, nascido por volta de 1873, teve o filho Otavio, em 1905, com Francisca Brito.

7 – HORÁCIO MACHADO DIAS nasceu a 21 de Novembro de 1879, foi batizado a 8 de Fevereiro de 1880, casou-se com EDWIGES CRISTINA DE CASTRO a  26 de Maio de 1900 em Piacatuba. Ela era filha de ANTONIO PINTO DE CARVALHO e MARIA CRISTINA DE CASTRO, família com origem em Formiga, onde em 1886 corria o inventário de Maria Guilhermina de Carvalho, mãe de Antonio.

Foram pais de:

– Antonio Machado de Carvalho nascido 1901 e falecido em 1954 em Cataguases. Casou-se em 1923 com Camelia Gomes Machado, nascida em Leopoldina em 1906 e falecida em Cataguases em 1982, com 8 filhos;

– Rebeldino Machado de Carvalho nascido em Piacatuba em 1903 e falecido em Leopoldina em 1976. Casou-se a primeira vez com Gasparina Barbosa de Oliveira, nascida no povoado de São Lourenço, em Leopoldina, no ano de 1905, filha de Adriano Furtado de Oliveira e Floripes Barbosa, com quem teve a filha Maria Aparecida em 1928. Casou-se a segunda vez em Leopoldina, em 1929, com sua cunhada Maria Eulalia Barbosa, nascida em Piacatuba em 1908, com quem teve o filho Otavio Machado de Carvalho Sobrinho, nascido em Leopoldina em 1937;

– Otavio Machado de Carvalho, nascido em 1905 e falecido em Leopoldina em 1981, casou-se em 1930 com Petrina Gomes, com descendência estudada pela filha Consuelo Machado de Carvalho;

– Homero Machado de Carvalho, nascido em Leopoldina em 1906, casou-se em 1962 com Carmen Mürer de Castro, segundo Consuelo Machado de Carvalho.

8 – ANTONIA MARIA DE JESUS nasceu a 23 de Junho de 1882 em Piacatuba, onde foi batizada a 19 de Agosto do mesmo ano. Casou-se também em Piacatuba com FIRMINO CARLOS DE OLIVEIRA, a 12 de Março de 1898. Ele era filho de JOSÉ VITAL DE MORAES e UMBELINA CASSIANO DO CARMO, nascido a 14 de Agosto de 1864 em Piacatuba. Firmino faz parte de outro de nossos estudos, além de ter tido a família estudada por José Luiz Machado Rodrigues.

9 – CRISTINO MACHADO DIAS casou-se a primeira vez com DALVINA PIRES DE OLIVEIRA a 17 de Maio de 1903 em Piacatuba. Ela era filha de JOÃO CAMILO PIRES DE OLIVEIRA e HONORATA HIGINA. Casou-se a segunda vez com MARIA DA CONCEIÇÃO CABRAL, nascida em Leopoldina em 1887, filha de Antonio Augusto d’Aquino Cabral e Maria Antunes Pereira.

Do primeiro casamento localizamos os filhos Ester, nascida por volta de 1904 em Piacatuba; João, nascido a 16 de Dezembro de 1908, e batizado em Piacatuba a 8 de Agosto de 1909; e MARIA, nascida a 10 de Abril de 1911 e batizada a 17 de Julho do mesmo ano em Piacatuba.

Do segundo casamento foram os filhos: Luiza (1915), José (1916), Maria (1917), Ruy (1919), Lourdes (1920) e Joaquim Machado Cabral que se casou com Magnolia do Prado e foram avós maternos de Priscila que em 2018 colaborou com informações sobre seu grupo familiar.

10 – LAURA MARIA DE JESUS nasceu a 24 de Junho de 1884 em Leopoldina. Casou-se com FRANKLIN FURTADO DE OLIVEIRA com quem teve, pelo menos, os seguintes filhos: Cornelia; Arthurina (1900); Ozieta (1919) c/c Francisco Pereira Machado; Franklin Filho c/c Aurora Pereira Barbosa; Maria Luiza c/c Manoel Caetano Filho; Jayme Machado de Oliveira c/c Nair Alves; e Margarida c/c Sebastião de Oliveira.

11 – PEDRO MACHADO DIAS nasceu a 14 de Novembro de 1886 em Leopoldina e casou-se com MARIA MATOS, filha de SIMPLICIANO GARCIA DE MATOS e TEREZA CAROLINA DE ALMEIDA.  Faz parte dos estudos sobre as famílias Almeida Ramos e Garcia de Matos.

Fontes utilizadas neste trabalho:
- Mapa da População do Feijão Cru, 1838 e 1843
- Igreja de Bom Jesus do Rio Pardo, Argirita - livros de batismos e casamentos de 1839 a 1901
- Igreja Matriz de Nossas Senhora da Piedade, Piacatuba, Leopoldina, livros de batismos, casamentos e óbitos de 1851 a 1920.
- Paróquia de São Sebastião de Leopoldina, livros de batismos e casamentos de 1852 a 1920
- Igreja de Santo Antonio de Tebas - livro 1 de batismos
- Registro de Terras de Leopoldina, 1856
- 1ª Secretaria do Forum de Leopoldina, processos relativos ao século XIX
- Cartório de Registro Civil de Piacatuba, livros 1 e 2 de nascimentos, 1 e 2 de casamentos
- Cartório de Registro Civil de Leopoldina, MG, livros 1 e 2 de nascimento e 1 de casamentos
- Arquivo da Prefeitura Municipal de Leopoldina - Livros 1 e 2 do Cemitério e livros da Câmara Municipal do Império
- Alistamento Eleitoral de Leopoldina, 1892 a 1895

Indígenas em Leopoldina

Os indígenas são mencionados em todos os trabalhos sobre o povoamento de Leopoldina. Entretanto, nem sempre o que foi publicado sobre o assunto condiz com o registrado em fontes documentais.

Este texto traz algumas informações que apuramos principalmente em livros paroquiais de Leopoldina e seus antigos distritos, região habitada pelos Puris antes da chegada do homem branco. As imagens foram extraídas dos livros dos viajantes estrangeiros que visitaram os Sertões do Leste. A exceção é Debret que desenhou baseado em relatos de terceiros.

Prancha de Rugendas: Puris

Segundo Spix e Martius[1]

“Todos os índios que chegamos a conhecer aqui, das tribos de Puris, Coropós e Coroados, surpreendentemente, pouco se diferençavam entre si na estatura e nas feições; os traços individuais pareciam, provavelmente por falta de desenvolvimento, dominados pelos traços gerais da raça do que é o caso, nas outras raças.
Os índios são baixos ou de estatura mediana; os homens têm quatro a cinco pés de altura, as mulheres, em geral, pouco mais de quatro pés; todos têm corpos robustos, largos e atarracados. Só raramente se encontram entre eles alguns de estatura mais alta e esbelta. Têm ombros largos, pescoço curto e grosso; os seios das mulheres não são tão frouxos e descaídos como os das negras; o ventre é fortemente protruso, o umbigo muito bulboso, porém menos que nos negros; as partes masculinas são muito menores que as dos negros, e não, como as destes últimos, em constante turgidez; as extremidades são curtas, as inferiores não são nada carnudas, são, sobretudo, franzinas as barrigas das pernas e as nádegas; as superiores são cheias e musculosas. O pé, estreito no calcanhar, é muito largo na frente e o dedo grande aparta-se dos outros; as mãos estão quase sempre frias, os dedos relativamente finos, e as unhas, que eles roem constantemente, costumam ser muito curtas. O colorido da tez é vermelho-cúprico, mais ou menos carregado, diferençando-se segundo a idade, a ocupação e estado de saúde do indivíduo. As crianças recém-nascidas são de cor branco-amarelada, como os mulatos; os doentes tornam-se de cor amarelo-pardacenta, e só excepcionalmente se encontram, entre eles, albinos ou malhados de escuro. Em geral, são de cor tanto mais escura, quando mais robustos e ativos. Nas partes inferiores do corpo e nas extremidades, o vermelho-cúprico passa, às vezes, para colorido mais escuro; na face interna das articulações, ao contrário, a cor esvaece e torna-se esbranquiçada.
O índio, propriamente, não pode corar, e o humano “Etubescit, salva res est” não tem aplicação para essa rude raça humana. Só depois de longa convivência com os brancos, notamos entre os índios a mudança de cor, como sinal de emoção.
A sua pele é muito fina, macia, brilhante e, exposta ao sol, sujeita a transpirar; o cheiro que exala (catinga) não é tão intenso como o dos negros, mas é acre, amoniacal. O cabelo negro, brilhante, comprido, escorrido, cai espesso e emaranhado da cabeça. Nas axilas e sobre o peito, não se nota em geral cabelo algum; nas partes sexuais e no queixo dos homens, apenas leve penugem. Entretanto, há exceções, embora raras; vimos alguns deles de peito cabeludo e barba cerrada. O característico da cabeça é corresponder ao peito largo a largura especialmente da parte parietal ; na face avultam maçãs salientes. A testa é baixinha, o sinus frontal saliente na base, em cima estreita e inclinada muito para trás. O occipício é muito mais saliente do que o dos negros, cujo crânio é mais estreito e alongado que o dos índios. O rosto é largo e anguloso, e não é tão proeminente como o dos negros, porém, mais do que o dos calmucos ou dos europeus. As orelhas são pequenas, bonitas, um tanto saídas para fora, não são furadas e nem desfiguradas por objetos pesados. São pequenos os olhos, pardo-escuros, oblíquos, o canto interior volvido para o nariz, protegidos por sobrancelhas de poucos pêlos, que, no meio, se recurvam para cima; o nariz é curto, em cima pouco achatado e chato na ponta, entretanto não tão chato como o dos’ negros; as narinas são largas e apenas pouco viradas para fora; os lábios muito menos grossos e salientes que os dos negros; não é o lábio inferior, porém o superior que se salienta um pouco, ou então são ambos iguais; a boca é pequena e mais fechada que a dos negros. São muito alvos os dentes, os incisivos largos e bem alinhados; salientam-se os caninos. Em geral, o corpo o índio é entroncado, largo e baixo, ao passo que o dos negros é alto e esguio; ele, com isso, aproxima-se mais das outras raças, sobretudo dos chineses e calmucos, conquanto estes sejam de tez mais clara e de traços melhor conformados. Deformados e aleijados nós tampouco encontramos nos índios, pelo que alguns supõem que costumam dar cabo deles, logo ao nascerem.”


Assentos paroquiais como fonte de pesquisa

Puris na Floresta, segundo d'Orbigny

Interpretar os antigos assentos paroquiais requer leituras e releituras atentas, além de análise comparativa com outros documentos que ajudem a esclarecer o significado dos termos utilizados pelos padres. Em muitos estudos, observa-se um certo açodamento dos autores ao fixarem sentido único para termos que foram utilizados de forma variada. É o que ocorre, por exemplo, com as palavras párvulo, inocente e ingênuo. Tomados à primeira vista com o mesmo sentido, nem sempre assim o foram entendidos pelos padres que deles fizeram uso. Nos primeiros livros paroquiais da Matriz de Leopoldina e da Igreja de Nossa Senhora da Piedade, em geral o nome da criança é precedido da palavra “innocente”[2]. Já nos assentos das igrejas de Bom Jesus do Rio Pardo e Conceição da Boa Vista, o termo mais frequente é “párvulo”.  Mas em todos estes livros pode-se encontrar, assim como nos da Igreja de Santo Antonio de Tebas, batismos em que o nome da criança não é precedido de nenhuma outra indicação.

Outra observação importante é a respeito das indicações posteriores ao nome da criança. A primeira informação é bem clara, registrando “filho natural de” ou “filho legítimo de” para distinguir as crianças nascidas de matrimônios celebrados pela Igreja daquelas que nasceram de mães solteiras. Em pequeno número de casos aparece “filho adulterino de” e em um único caso, na Igreja de Santo Antônio de Tebas em 1885, foi encontrado “filho natural de” seguido do nome do pai da criança. No caso dos mancípios, após o nome de cada um dos pais há indicação do nome do proprietário. Com certa frequência temos, também, casos em que a criança, filha de escrava e nascida antes de 1872, foi libertada pelo senhor no ato do batismo.

Nem sempre aparece indicação mais detalhada sobre os escravos pais da criança batizada. Mas, especialmente no primeiro livro de batismos de Bom Jesus do Rio Pardo, período 1838 a 1864, são frequentes indicações como crioulo, mina, de nação, africano (a) e pardo (a).

Ressalte-se que, em livros de outras Freguesias mineiras, muitas vezes encontramos o nome da criança antecedido da palavra ingênuo (a). Já nas igrejas acima citadas, este termo, quando aparece, não está antes do nome da criança mas após o nome da mãe. É o que ocorre, por exemplo, no assento da página 82 verso de um livro de batismos da Igreja de Santo Antonio de Tebas, informando-se que no dia 25 de dezembro de 1882 o padre Eugenio Martins do Couto Reis batizou Ventura, do sexo masculino, “nascido a 4 de outubro de 1882, filho natural de Belmira, ingenua de Candido José de Almeida”. Este formato repete-se em vários assentos das igrejas de Nossa Senhora da Piedade e Bom Jesus do Rio Pardo, em alguns casos com um complemento: “ingenua puri”.

No primeiro livro de Bom Jesus do Rio Pardo, página 26, encontra-se: “fº natural de Florinda India Puri” e “f. natural de Felisbina Purí”. Na página 18 deste mesmo livro consta: “Aos vinte hum dias do mez de Fevereiro de mil oito centos e quarenta hum Baptizei solemnemente e pus os Santos Oleos nos Puris seguintes Antonio fº de Anna, e Maria fª de Maria” [3].


Outras referências aos indígenas


Habitações indígenas segundo Debret Cabana de Puris, segundo d'Orbigny

Na correspondência de Guido Thomaz Marlière são encontradas diversas referências aos nativos que viviam no Rio Pardo. Entre outras, numa carta do Secretário da Junta Militar da Conquista Ignacio José Nogueira da Gama a Marlière, de 1816, informa-se que foi autorizado o pagamento da fatura do moinho de que necessitam os Indios Puris, aldeados no Rio Pardo e Paraíba, além da compra de tachos, enxadas e vestuário para os mesmos índios[4]. Segundo se verá adiante, a construção do moinho ficou a cargo de José Paradellas, que seria encarregado do aldeamento no Rio Pardo. Sobre este personagem, aliás, no livro Tombo da Igreja de Bom Jesus do Rio Pardo consta o registro de teor seguinte.

José Paradella senhor e possuidor da Fazenda Fortaleza, fez um voto ao Bom Jesus se os seus dois filhos não fossem recrutados para a Revolução Mineira de 1842, doar o patrimonio e construir uma capellinha do Bom Jesus, e tendo sido saptisfeito, edificou uma capellinha de palmitos e determinou as divisas vertentes de 15 alqueires mais ou menos de terra, fazendo divisas com a Fazenda Salvação, a começar num corrego e atravessando a estrada e vertendo o dito corrego até galgar um vallo, seguindo este e atravessando um outro, até a parte que vem do arrayal Feijão Crú, e seguindo o espigão, e descendo numa grota, onde tem uma aguinha até a estrada e indo ao Rio Pardo e por este a Salvação.

Rio Pardo 25 de Dezembro de 1842

Segundo o Mapa de Habitantes do Curato do Espírito Santo do Mar de Espanha[5], que abrangia o território de Guarará, Maripá, parte de Argirita e Tebas, em 1831 ali vivia a família Paradellas, de cor parda. Há estudiosos que julgam ser esta a cor indicada para os indígenas, o que acreditamos ser uma interpretação apressada, já que os nativos dificilmente teriam sido recenseados por não atenderem a um pressuposto básico: residirem num “fogo”, ou seja, terem moradia fixa. A 20 de outubro de 1840 Os Paradella venderam 60 alqueires da Fazenda Fortaleza para Felisberto da Silva Gonçalves[6], sendo que a venda só foi regularizada em 1851 quando os descendentes do patriarca residiam na Fazenda Bom Retiro.

Recorremos ao Registro de Terras de 1856[7] para acrescentar que Antonio Custodio Nogueira declarou ser proprietário da Fazenda Monte Claro, cujas terras adquiriu de José da Silva Paradellas,

ao qual foi concedida pelo Governo Provincial em indemnização de hum moinho por elle feito para uso dos Indios, como tudo melhor consta dos titulos existentes em seo poder, começando na quadra da Sesmaria do Alferes Candido Antonio da Silveira, seguindo corrego maior acima a fazer deviza na ultima caxoeira do dito corrego e corrego menor, lagrimais, e todas as vertentes de hum e outro lado do dito corrego, confrontando estas terras com o dito Alferes Candido, herdeiros de Joaquim Gonçalves, e outros.

No mesmo ano, em Mar de Espanha foi colhida a declaração do próprio Paradellas[8]

Declaro eu abaixo assignado que possuo nesta Villa do Mar de Hespanha huma demarcação sita na Rua das Caissaras tendo de frente cincoenta e cinco palmos e fundos athe o Rio divide a direita com Felis de tal, e esquerda com Candido de tal. Mar de Hespanha vinte de Abril de mil oito centos e cincoenta e seis. José da Silva Paradellas.


Conclusão

Poder-se-ia realizar um novo levantamento nos livros paroquiais das Igrejas de Argirita, Piacatuba, Tebas, Conceição da Boa Vista e Leopoldina, com vistas ao registro da presença de indígenas no território do antigo Curato de São Sebastião do Feijão Cru. Para o texto que ora se encerra foram inseridas apenas algumas informações que comprovam a presença de nativos na região, sabendo-se que a representatividade é ínfima, uma vez que a grande maioria não foi cristianizada. Deste modo, acredita-se que qualquer pesquisa neste sentido estará sempre aquém da realidade.

Dança dos puris segundo Spix & Martius
Dança dos Puris segundo Rugendas
Dança dos Puris segundo d'Orbigny

 

Oiliam José[9] informa que na Serra dos Puris, à margem da BR 116, e na Lajinha (Piacatuba), existiram aldeias puris onde foram encontradas duas machadinhas destes que teriam sido os derradeiros indígenas da Zona da Mata. Segundo o autor, as peças pertenciam à coleção de Mauro de Almeida Pereira. Acrescente-se que esta informação circulava entre as pessoas que conviviam com o Mauro na década de 1960, mas sem indicação do período do achamento ou de análise da idade dos materiais. Sabe-se, entretanto, que Candido José de Almeida, citado no assento transcrito do livro da Igreja de Santo Antonio de Tebas, era irmão do avô materno de Mauro de Almeida Pereira e bisavô da autora deste texto. O mesmo Candido foi Juiz de Paz em Tebas, entre 1883 e 1890, onde residiu a partir de meados da década de 1850. Lendas familiares dão conta de que, além de um bom plantel de escravos libertos, em suas terras viviam diversos puris.

Considerando que este personagem viveu em Tebas no final do século XIX, levanta-se uma questão: os últimos indígenas de Tebas teriam desaparecido no alvorecer dos anos novecentos?


[1] Spix, Johann Baptist von, e MARTIUS, Carls Friedrich Philipp von. Viagem pelo Brasil. 3. ed. São Paulo: Melhoramentos, 1976. p. 202-203

[2] No século XIX, a palavra era grafada com duas letras “n”.

[3] Foi mantida a ortografia do original.

[4] Revista do Arquivo Público Mineiro, ano X, pág. 407.

[5] Mapa da População do Curato do Espírito Santo – 1831, fl. 18-a fam. 157.

[6] Cartório de Notas de Argirita – 1841-1854, fls. 117-verso.

[7] Registro de Terras de Bom Jesus do Rio Pardo, TP 180, fls. 6, nr. 24, Arquivo Público Mineiro

[8] Registro de Terras de Nossa Senhora das Mercês da Vila de Mar de Espanha, TP 116, fls. 43, s/nr.

[9] JOSÉ, Oiliam. Indígenas em Minas Gerais. Belo Horizonte: MP, 1965. p. 125-126

Homem Branco, Homem Livre

O primeiro documento a registrar os moradores antigos de um lugar, de acordo com as normas vigentes desde a era pombalina, recebia o nome de Mapa de População.

Quando os moradores se reuniam na capela da região para organizar o pedido de criação do distrito, a primeira providência cabia ao padre em conjunto com o Juiz de Paz. Definida a área de abrangência da unidade administrativa que se pretendia, todas as moradias existentes dentro daqueles limites eram visitadas para o “recenseamento”. Ao final dos trabalhos estava composto o Mapa a ser encaminhado para a sede da província, justificando a necessidade de elevação do arraial a distrito, medida que traria para o local os essenciais serviços de atendimento aos moradores. Ressalte-se que o mesmo procedimento poderia ser determinado pelas autoridades em outras ocasiões. Afinal, os Mapas serviam também para controlar a arrecadação de impostos.

Com variações mais ou menos significativas entre lugares e datas diferentes, os Mapas de População registravam o nome do chefe da família, sua idade, cor, estado civil e profissão. Algumas vezes era incluída também a escolaridade de cada uma das pessoas livres listadas. Abaixo do chefe da família eram anotados, pela ordem, a mulher, os filhos, os escravos e os agregados. É curioso observar que, se os agregados eram parentes do patriarca, geralmente vinham listados entre os filhos e os escravos. Já os capatazes, capitães-do-mato, meeiros e outros agregados ficavam ao final do grupo.

Muitos destes mapas eram preenchidos de acordo com os quarteirões, ou seja, dentro das unidades em que estavam divididos os distritos. Mesmo quando tais quarteirões não aparecem explicitamente nos mapas, é possível identificar onde começa e terminada cada uma das divisões. De modo geral os moradores de cada quarteirão aparecem listados em seqüência.

Cada chefe de família recebia um número seqüencial e o total deles representava o número de “fogos”. Para nós, brasileiros, nem sempre será fácil entender uma publicação atual que se refira àconstrução de fogos num quarteirão que está sendo urbanizado. Entretanto, esta linguagem erausual no Brasil ao tempo da expansão povoadora de nossa região.

Entendemos a palavra fogo comofenômeno que consiste no desprendimento de calor e luzproduzidos pela combustão de um corpo”, conforme nos ensina o Dicionário Houaiss. Fogo,paranós, é a chama, o lume ou a labareda que queima e eventualmente destrói. Mas nossosantepassados usavam o mesmo termo para significar o local onde se fazia fogo”. Sendo assim, porfogo” devemos entender também o fogão, a lareira e a fogueira. E, por extensão, a casa dehabitação, porque nela existe um compartimento destinado à produção do calor que cozinha osalimentos e aquece a água.

Nos tempos coloniais, denominavam-se “fogos” as habitações. Um conjunto de fogos formava o “quarteirão”, palavra que ainda preserva o significado de conjunto de habitações existentes entrealgumas vias de trânsito. A diferença é que, no século XIX, os quarteirões não eram delimitados necessariamente por caminhos transitáveis. Assim é que uma determinada fazenda poderia fazerparte do mesmo quarteirão da vizinha, embora entre elas não houvesse sequer um caminho.

Um conjunto de quarteirões, no século XIX, formava o “Distrito”: unidade administrativasubordinada ao Inspetor de Quarteirão. Os distritos formavam a “Freguesiaque, em princípio, deveria corresponder à jurisdição da Paróquia. Em freguesias dividiam-se os “Termosque, por suavez, eram as divisões administrativas das “Comarcas”.

Apresentamos um resumo bastante simplificado pois o objetivo é apenas explicar os termos que compunham o documento denominado Mapa de Habitantes ou Mapa de População ou, ainda, Lista Nominativa de Moradores, que traz ainda a coluna destinada ao registro das profissões. Quase sempre está preenchida no caso das pessoas livres com mais de 10 anos e raramente contém informação no caso dos escravos. Do universo pesquisado encontramos um único caso de escravo “carapina”, ou seja, carpinteiro. Todos os demais profissionais listados abaixo do núcleo familiar, de qualquer cor, eram pessoas livres.

Desses antigos mapas emergem algumas constatações: índios livres não eram computados; escravos negros não tinham sobrenome; nossa região contava com um significativo número de habitantes pretos livres; mestiços eram identificados por terminologia variada e possuir escravos não era privilégio das pessoas brancas.

Sobre o último aspecto faz-se necessário um comentário adicional. Sempre lembrando que o universo pesquisado é a Comarca do Rio das Mortes, com algumas poucas exceções, o número de cativos por unidade nem sempre está de acordo com o que demonstram outros documentos. Especificamente nos mapas relativos a Leopoldina, anos 1831, 1838 e 1843, observa-se a individualização de “fogos” para pessoas da mesma família e a listagem dos escravos de todos eles sob um único nome. Deve-se avaliar a possibilidade de que o número de escravos, por representar o poder econômico do proprietário, tenha sido manipulado com objetivos políticos.

Um dado que pode surpreender os menos afeitos ao assunto: pretos também tinham escravos. Na descrição de atividades produtivas de algumas fazendas, são citados serviços entregues à responsabilidade de proprietários vizinhos que os mandavam realizar pelos escravos que cada um possuía. Ou seja: ex-escravos compravam escravos e os empregavam junto a terceiros, adquirindo assim a renda que lhes permitia ascender socialmente. Nos anos posteriores, mais especificamente a partir de 1850, já podemos identificar a presença de escravos em casa de pretos livres e não recebendo tratamento de cativos. Provavelmente trabalhando “a jornal” para reunirem a soma necessária à compra de suas cartas de alforria.

Para um aprofundamento sobre o assunto, sugerimos obras sobre a história da ocupação do solo brasileiro, especialmente sobre a Lei de Terras. Também interessante é o Dicionário de Termos e Conceitos Históricos de Antônio Carlos do Amaral Azevedo, da editora Nova Fronteira, e o Dicionário do Brasil Colonial, organizado por Ronaldo Vainfas, editora Objetiva.

Indígenas no Rio Pardo

A identificação das tribos que habitavam a zona da mata mineira antes da chegada do homem livre só pode ser feita através de documentos remanescentes da Junta Militar da Conquista e Civilização dos Índios, cujo Diretor Geral foi Guido Thomaz Marlière.

Entendemos que o trabalho por ele realizado é aval de perfeita confiabilidade para a afirmativa de que os índios que viviam na bacia do rio Pardo eram todos Puris.

De fato, analisando os livros paroquiais das capelas da região, não encontramos uma única referência a indígena de outra nação. Se aqui viveram outros, não restaram indícios de sua presença. E considerando que os puris não eram dados a lutas, entende-se que tenham buscado refúgio num local onde inexistissem tribos guerreiras.

Em nossa região são comuns as lendas familiares sobre índias pegas a laço que se casaram com nobres portugueses, dando origem a tal ou qual família. Essas lendas tiveram grande aceitação em tempos remotos, levando um eclesiástico a criar um documento que já causou dissabores a muitos estudiosos. Trata-se de uma espécie de índice de casamentos em que, após o nome de algumas noivas, consta a palavra “índia”. Mas, à vista de outros documentos, concluímos que aquela listagem não se refere a livros de casamentos de uma única igreja e que a identificação da origem de tais noivas pode ter sido uma suposição do autor.

De igual forma fomos levados a rejeitar a posição de alguns autores segundo os quais havia um modelo para a formação dos nomes de indígenas cristianizados. Se algum padre adotou uma fórmula para dar-lhes um sobrenome, não a pudemos localizar nos livros paroquiais de nossa região. Aqui são encontrados, em todos os livros, um nome cristão acompanhado de “índia”, “índia pury” ou simplesmente “pury”, sempre referindo-se à mãe da criança batizada.

Outra observação que fizemos foi sobre o desaparecimento da identificação dos indígenas nos registros de casamentos. Se contraíram matrimônio segundo as leis da Igreja, os padres podem ter entendido que a partir deste ato ficaram livres do “aposto” discriminatório.

Em seu livro “Minhas Recordações”, Francisco de Paula Ferreira de Resende menciona que já quase não se encontravam indígenas em Leopoldina por volta de 1865. Ainda nos referindo aos livros paroquiais, observamos que o número de batizados de filhos de naturais da terra era mesmo muito pequeno em todas as igrejas pesquisadas. Como exemplo informamos que na Igreja de Bom Jesus do Rio Pardo, entre 1838 e 1860, localizamos apenas sete casos.

Tanto para a ausência de casamento religioso, quanto para o pequeno número de batismos, lembramos que o preço cobrado pelos padres tornava os atos religiosos inacessíveis para grande parte da população. Se os pobres não conseguissem um padrinho que arcasse com os custos, batismos e casamentos não se realizavam. À exceção do missionário Padre Jesus Maria, pacificador do gentio do rio Pomba, parece-nos que os eclesiásticos que atuaram em nossa região no século dezenove não podiam abrir mão de nenhum pagamento. Até porque muitos deles não eram vigários colados, ou seja, não contavam com a remuneração da Mesa. Sendo assim, seus recursos provinham exclusivamente das taxas cobradas pela realização das cerimônias.

Curiosa também é a observação de que alguns padrinhos de crianças indígenas tomavam suas mães como escravas, quer seja de “eito ou de leito”. Lendas impossíveis de terem confirmação documental relatam casos de visitas do padre a determinadas fazendas com o objetivo de chamar a atenção do proprietário sobre seu comportamento pecaminoso. Impedidos de cumprirem as obrigações religiosas da Páscoa por viverem em concubinato, tais fazendeiros remuneravam regiamente o confessor para que ele batizasse o fruto de tal relacionamento e perdoasse os pecados dos adultos envolvidos. Pela natureza própria das naturais da terra, a elas era dispensado um tratamento diferenciado que as considerava livres do pecado por não terem “sangue humano”, ou seja, não poderem entrar na categoria de “gente”. O rebento, no entanto, por trazer sangue de um homem livre, precisava ser batizado.

As lendas que envolvem a vida dos indígenas em nossas terras parecem verossímeis quando se observa a inexistência de batismos de adultos, de sangue puramente selvagem como se dizia então. Até o momento, em nossas buscas encontramos apenas um batismo em que são mencionados o pai e a mãe, ambos indígenas. Nos demais, todas as mães eram solteiras.

Do que foi dito aqui não significa que os indígenas tenham desaparecido completamente da região logo no início da ocupação do território pelo homem livre. Segundo a contagem populacional de 1890, no Curato do Rio Pardo foram encontrados 831 caboclos, termo usual para definir o indígena naquela data. Ou seja, 17% dos moradores eram pessoas naturais da terra.

Escolha de nomes: preferência de uma época

Análise da escolha de nomes dos filhos entre as famílias que viviam em Leopoldina na segunda metade do século XIX.

A Escravidão em Leopoldina

Segundo Oiliam José[1]:

Apesar de ser um assunto frequentemente mencionado em estudos, o escravismo em Leopoldina ainda carece de maiores pesquisas.

As terras do município de Leopoldina desconheceram as tropelias do ciclo das minas. Foram desbravadas, a partir dos primeiros anos do século XIX, e colonizadas por agricultores e à agricultura continuariam dedicadas até o início da atual centúria, quando, com a queda sofrida pelo café, a pecuária passou a preponderar nelas. Era natural, por isso, que Leopoldina dispusesse, ao longo da época imperial, de numerosa população escrava, por sinal, a maior da Província em certa época.

1876 –    Leopoldina abriga a maior população escrava da Província, com 15.253, para um total de 365.861 em Minas. Em 1883, é a segunda cidade com maior número de escravos da Província, com 16.001, contra 21.808 da primeira colocada, a cidade de Juiz de Fora.

A partir destas referências foi escrito o artigo publicado em 1998, que agora é revisto.

Servidos por tão numerosa escravaria e apoiados na força econômica do café, os fazendeiros leopoldinenses levavam um padrão de vida faustoso e, até certo ponto, aristocrático, copiando, na medida do possível, os usos e costumes da Corte.

Os números mencionados indicam, eloquentemente, a força econômica e social dos senhores leopoldinenses e fazem compreender o empenho com que lutavam contra as tentativas de emancipação do elemento escravizado. E sabiam colocar em ação o poder de que dispunham! Era conhecida a pressão que os senhores de escravos do município faziam junto aos deputados mineiros à Assembléia Geral do Império para que não apoiassem os projetos emancipacionistas. Para isso, tinham a facilidade de manter constantes comunicações com a Corte, à qual estavam mais ligados que a Ouro Preto.

Entretanto, algumas informações sobre a abolição da escravatura em Leopoldina estão em desacordo com o constante em fontes documentais. Uma destas se refere ao 2º Barão do Bonfim, José Jeronymo de Mesquita, que

em 15 de abril de 1888 teria alforriado seus 182 escravos e, à frente deles, entrou na cidade, indo todos assistir à Missa, na Igreja Matriz. Após o ato, o grupo teria voltado, sob aplausos, até o centro, onde o benemérito proprietário da Fazenda Paraíso foi alvo de entusiástica manifestação dos abolicionistas e do povo leopoldinense, em nome dos quais discursou o Dr. Paula Ramos, Presidente da Câmara Municipal. Solidarizando-se com as homenagens ao Barão do Bonfim, falou o Vigário Padre José Francisco Durães, logo seguido do Juiz Municipal, Dr. Antônio Augusto de Lima, veterano abolicionista desde os bancos acadêmicos de São Paulo e um dos mais dignos mineiros que a República projetou no cenário nacional“.

O trecho destacado do parágrafo anterior tem sido repetido em variadas obras, sem que se tenha descoberto qual a fonte original para esta declaração. Ao analisarmos a partilha de bens de Jerônimo José de Mesquita, pertencente à Coleção Kenneth Light, disponível no Arquivo Histórico do Museu Imperial, verificamos que houve alguns enganos por parte do(s) autor(es), bem como em relação à informação encontrada em algumas publicações, dando conta de que o Barão de Bonfim recebeu a Fazenda Paraíso de presente de seu avô.

O Conde de Mesquita era filho de  José Francisco de Mesquita, 1º Barão de Bonfim e depois Visconde, Conde e Marquês de Bonfim. O Conde de Mesquita foi pai do futuro 2º Barão de Bonfim cujo nome era José Jerônimo de Mesquita, ou seja, os pré nomes em ordem invertida. Por volta de 1860, o Conde de Mesquita assumiu a Fazenda Paraíso, no processo de liquidação de dívidas de membros da família Monteiro de Barros, formadora da propriedade. Após sua morte, em 1886, a Fazenda Paraíso coube, na partilha de bens, ao 2º Barão de Bonfim. Portanto, a informação sobre presente de casamento não parece ter fundamento.

Durante o processo de partilha, levantou-se o valor a ser pago como tributo pela transferência de escravos e a filha do Conde de Mesquita e inventariante, Jeronima Elisa de Mesquita, Baronesa de Itacuruçá, decidiu pela libertação de um bom número deles, senão todos. No caso dos cativos da Fazenda Paraíso, resta uma dúvida sobre a quantidade de escravos porque em período anterior a propriedade tinha sido vendida e o comprador não honrou os compromissos, devolvendo-a. Neste intervalo, o número de escravos mencionados na documentação era de “80 peças”.

Segundo antigas publicações, a notícia da promulgação da “Lei Áurea”, divulgada no município no correr do dia 14 de maio, teria provocado geral consternação entre os agricultores e motivado violentos protestos dos proprietários de escravos, inclusive reunião deles para externarem seu formal repúdio à Monarquia que, no entender de todos eles, havia praticado verdadeira espoliação e estava no dever de votar imediata indenização em favor dos que perderam a propriedade escrava.


[1] JOSÉ, Oiliam. A Abolição em Minas. Belo Horizonte; Itatiaia, 1962. p.137

Pioneiros Esquecidos

Ter a primazia em alguma circunstância valorizada pela sociedade é prêmio almejado por muitos caçadores da fama. Pessoas há que vibram com lisonjas recebidas por terem sido pioneiras em algum ato ou fato. Por outro lado, podemos encontrar muitas biografias recheadas de adjetivos que intentam celebrizar pessoas por atitudes fora dos padrões de sua época.

Não! Não é assim que entendemos o significado do pioneirismo que aqui vamos mencionar. Tentaremos nos afastar o quanto for possível de qualquer maniqueísmo embora saibamos, de antemão, ser quase impossível sufocar o respeito que nos despertam aqueles primeiros invasores das áreas proibidas. Uns dirão que eram pessoas corajosas, destemidas, heróis. E usarão uma série de adjetivos com a intenção de dignificá-los. Outros argumentarão que eram fugitivos ou pobretões “sem eira nem beira”.

Pedimos a você, leitor, que considere a distância no tempo e avalie as condições de vida enfrentadas por pessoas que, nascidas e criadas na região mais desenvolvida da província mineira do século dezoito, optaram por criar o próprio espaço longe do ambiente ao qual estavam acostumadas. Sabemos que este exercício poderá levá-lo a homenagear aqueles que deram início ao antigo Curato de Bom Jesus do Rio Pardo. Mas, se você só puder vê-los com olhos embaçados por adjetivos pouco nobres, ainda assim pedimos sua atenção para os poucos dados que pudemos apurar.

As concessões de sesmarias nos sertões do leste tinham diversos objetivos. Entre outros, a necessidade de povoar a mata e protegê-la de invasores não autorizados. Não podemos deixar de considerar que os sesmeiros foram também invasores. Entraram pela mata adentro, desalojaram animais e indígenas, abriram pastagens e lavouras com o aval dos governantes. Em última análise, prepararam o terreno para a criação dos povoados que se tornaram as cidades onde hoje vivemos.

Em sua quase totalidade os homens livres que povoaram a mata mineira vieram do centro da província. Aqui se instalaram, viveram e morreram. Aqui deixaram seu sangue na forma dos descendentes que muitos de nós representamos. Alguns daqueles pioneiros tiveram seus nomes eternizados pela historiografia oficial. A maioria, porém, foi solenemente esquecida.

Um dos esquecidos, cuja história talvez represente a média dos demais povoadores dos sertões do rio Pardo, foi batizado com o nome de Felisberto, filho de Domingos Gonçalves de Carvalho e Maria Vitória de Jesus Xavier, irmã de Joaquim José da Silva Xavier. No dia 29 de setembro de 1802, na Igreja de São Tiago, Serra da Bituruna, filial da Vila de São José, atual cidade de Tiradentes-MG, o jovem Felisberto casou-se com Ana Bernarda da Silveira. Ela foi batizada em São João del Rei no dia 11 de março de 1779, filha de Bernardo José Gomes da Silva Flores e Joaquina Bernarda da Silveira. No dia 02 de janeiro de 1804, em São João del Rei, nascia o primeiro filho de Felisberto e Ana Bernarda que recebeu o nome de Antonio Felisberto.

No dia 02 de dezembro de 1813 foi assinada a concessão de uma sesmaria a Felisberto da Silva Gonçalves, cujo protocolo de requisição tem a data de 29.11.1813. No mesmo dia foram assinadas concessões de igual teor para sua esposa Ana Bernarda, para seu irmão Domingos Gonçalves de Carvalho e para a esposa deste, Antônia Rodrigues Chaves. Pelas cartas concessórias observa-se que os dois casais já residiam na “barra do córrego Fortaleza, no ribeirão chamado Pardo, sertão da Pomba, Termo da Vila de Barbacena”, local das sesmarias concedidas.

No dia 10 de setembro de 1829, em sua fazenda no Monte Redondo, Felisberto e sua esposa Ana Bernarda assinaram procuração para que o irmão dela representasse o casal no processo de inventário de Bernardo José Gomes da Silva Flores, falecido naquele ano em São João del Rei.

Sabemos de alguns beneficiários de sesmarias que jamais tocaram o solo que lhes foi dado. Aqui mesmo, em nossa região, temos exemplo disso. Um dos agraciados com terras que vieram a constituir o distrito de Piacatuba não assumiu a posse nem cumpriu todas as exigências da concessão.

Na verdade somente a chamada Lei de Terras, na década de 1850, veio regularizar as posses. Até então, para negociar no todo ou em parte as terras ganhas, o sesmeiro precisava atender a certos requisitos da Igreja. Como é sabido, todo o solo brasileiro pertencia à Igreja e o Rei de Portugal atuava como uma espécie de administrador deste patrimônio. Portanto, a sesmaria concedida dava ao beneficiário apenas o direito de uso, não o de posse. Quando um sesmeiro decidia vendê-la, mesmo que uma pequena parte, necessitava negociar com a Igreja. É neste momento que identificamos o nascimento de muitos povoados e Piacatuba é um exemplo clássico. Tendo sempre residido na região de Capela Nova, o sesmeiro local nomeou um procurador para vender suas terras e doar uma parte delas para a constituição do patrimônio de Nossa Senhora da Piedade.

Pergunto ao leitor: pode-se considerar pioneiro, no sentido honroso que costumamos dar à palavra, uma pessoa que se utilizou do beneplácito de alguma autoridade sem jamais ter dado a contrapartida em benefício da posse recebida? Por outro lado, pode-se desconhecer o valor deste indivíduo que determinou o local onde nasceria Piacatuba? São pontos a serem analisados com cuidado. Principalmente para evitar rotulagens descabidas. Vale dizer, sesmeiros como o de Piacatuba não podem ser vistos como heróis nem como pessoas desprezíveis. Cada um teve o seu papel no desenrolar da história. E não podemos esperar uma sucessão de grandes feitos envolvendo cada indivíduo que veio povoar o nosso rincão. A trajetória de Felisberto da Silva Gonçalves pode representar um exemplo do sucedido a muitos outros antigos moradores assim como o foi o ocorrido em Piacatuba, de natureza bem diversa como se verá a seguir.

Beneficiado com sesmarias, Felisberto e Ana Bernarda fixaram-se na terra recebida e daqui não mais se afastaram. A contagem populacional de 1831 veio encontrá-lo em sua fazenda, acompanhado da mulher, do filho e da nora, além de um número de escravos que o colocava entre os maiores proprietários de cativos do então Curato do Espírito Santo. Sim, em 1831 o atual município de Argirita pertencia a Guarará. O irmão de Felisberto, Domingos Gonçalves de Carvalho, não aparece entre os moradores de 1831. Talvez tenha transferido suas terras para o irmão. Ou talvez fosse já falecido e o irmão estaria administrando os bens da viúva. Infelizmente ainda não encontramos documentos esclarecedores a respeito. De certo apenas a presença, junto a Felisberto em 1831, de um outro membro da família: Joaquim Gomes da Silva Flores.

A próxima notícia apurada dá conta de que existia uma capela dedicada ao Bom Jesus do Rio Pardo em data anterior à que se tem oficialmente como início do povoado. Em 1838, como se pode observar no primeiro livro de batismos da Igreja de Argirita, a família de Felisberto está presente já na primeira folha. No dia 28 de dezembro daquele ano foi batizado um filho de escravos de Felisberto. No mesmo dia seu filho Antônio Felisberto foi padrinho de batismo de outra criança e os assentos paroquiais registram: “todos moradores deste Curato”.

O cartório notarial de Bom Jesus do Rio Pardo começou a funcionar em fevereiro de 1841. Em seu primeiro livro, folha 27, encontra-se o lançamento de uma venda de terras realizada por Felisberto no dia 19.12.1841. O comprador foi Antônio Rodrigues da Costa.

Mas dois anos antes o Felisberto havia comprado 60 alqueires de terras de José da Silva Paradelas, que estava se mudando para a Fazenda Bom Retiro, no distrito do Espírito Santo. Portanto, de acordo com os documentos encontrados, José da Silva Paradelas é outro sesmeiro que dedicou parte de sua vida a cultivar terras nos sertões do rio Pardo. Tendo recebido sesmaria quatro anos depois de Felisberto, a família Paradelas viveu nas proximidades do córrego Fortaleza durante 23 anos. Como a venda a Felisberto ocorreu no dia 10 de outubro de 1840, julgamos lícito imaginar que ambos, comprador e vendedor, precisaram acordar com a Igreja algum tipo de doação ao padroeiro. E considerando que o doador oficialmente conhecido aparece em terras do rio Pardo somente em 1840, lançamos aqui uma hipótese: talvez a capela que já funcionava em 1838 tenha sido construída em terras da sesmaria original dos Paradelas. Tendo decidido transferir-se para a Fazenda Bom Retiro, o sesmeiro pode ter vendido parte de suas terras a Inácio Nunes de Moraes e outra parte a Felisberto.

Entre 1839, ano da criação do distrito de Bom Jesus do Rio Pardo, e junho de 1849, época da conclusão do primeiro alistamento eleitoral de que se tem notícia, os homens que decidiam os rumos a serem tomados pelo povoado passam a ser melhor conhecidos pelos documentos preservados. Na análise daquele alistamento daremos notícias de alguns daqueles homens. Muitos, também, pioneiros esquecidos.

Em 1856, para atender ao disposto da Lei de Terras, todos os proprietários foram chamados a declará-las em livro próprio da Igreja. Analisando tal documento relativo a Leopoldina, encontramos a declaração do padre Francisco Ferreira Monteiro de Barros, de 15 de abril de 1856, informando que a Fazendo do Socorro tinha como vizinhos, entre outras, as terras de Felisberto da Silva Gonçalves. E na declaração do próprio Felisberto, constante do documento relativo a Argirita, encontramos a confirmação de que ele continuava residindo nas terras que ocupava desde os primeiros anos do século dezenove.

Pelo desaparecimento do primeiro livro de óbitos de Argirita, bem como do processo de inventário, a última referência a Felisberto em terras de Argirita é o Alistamento Eleitoral de 1863, quando o nome dele foi excluído da relação de eleitores por estar sofrendo de “demência senil”, doença hoje conhecida como artério-esclerose.

A busca dos ancestrais de Mauro de Almeida Pereira levou-nos a colecionar documentos que demonstram claramente quem foram os primeiros homens livres a ocuparem o território de Argirita. Mas ainda não podemos apresentar um quadro completo por dois motivos:

a) o desaparecimento de diversos livros paroquiais do século dezenove dificulta o estabelecimento do grau de parentesco entre os antigos moradores e possíveis descendentes nascidos no século vinte; e,

b) a família de Felisberto foi estudada a partir da única neta de quem encontramos referências bem fundamentadas.

Sociedade Musical Lira Leopoldinense

História da música em Leopoldina: há 115 anos, em setembro de 1898, foi fundada a Lyra Leopoldinense. Seu primeiro  presidente foi José Marciliano Vieira Nepomuceno, natural de Conceição da Boa Vista e Fiscal da Câmara Municipal de Leopoldina desde 1881.