Ontem, dia 29 de maio, tivemos o prazer de confirmar que os moradores de Leopoldina se mostram muito receptivos à ideia de comemorar o Centenário da Colônia Agrícola da Constança.
Fomos recebidos pelo Secretário de Turismo, Esporte e Lazer, o senhor Gilberto Tony, que não só abraçou a ideia com assumiu o compromisso de organizar as atividades, oferecendo a infraestrutura necessária para o evento. Ficou marcado um novo encontro para que o próprio Secretário visite a Colônia, conheça seus caminhos e a estrutura existente, de modo a elaborar um projeto e trabalhar pela operacionalização dos festejos.
De público apresentamos os nossos agradecimentos a adesão de tanta importância. Com a Secretaria de Turismo, Esporte e Lazer engajada, a cidade de Leopoldina certamente fará uma comemoração à altura.
Agradecemos também pela boa receptividade que tivemos em conversa informal com a Diretora do Colégio Imaculada Conceição, a quem convidamos para a abraçar a ideia. Ela apresentará a proposta ao corpo docente e, se for aceita, serão desevolvidos projetos com os alunos.
Por que comemorar o Centenário da Colônia Agrícola da Constança?
A Colônia Agrícola da Constança foi uma das maiores do Estado de Minas e foi muito importante para Leopoldina. Os colonos mudaram a cidade. Aliás, em recente matéria da Revista Oriundi dizia-se que a imigração italiana mudou o mundo.
Qualquer um que conheça a história da imigração italiana, motivo inclusive de algumas novelas e filmes da TV, por ela se encantará com toda a certeza. E nós não apenas a conhecemos em parte. Nós crescemos vivenciando capítulos desta história e aprendendo a respeitar essa gente que vimos tirando da terra o sustento de suas famílias. Crescemos conhecendo e convivendo com alguns imigrantes e com muitos dos seus filhos e netos, pelos caminhos da Boa Sorte, pelos sítios do bairro da Constança e pelas ruas de Leopoldina.
E foi o respeito e o apreço por estes italianos e pela história da Colônia Agrícola da Constança que despertou nosso interesse em estudá-la.
A Imigração pela Rádio Jornal
Sábado, 30 de maio, a partir das 10 horas.
Rádio Jornal AM 1560, Leopoldina, MG
Programa FAZ
apresentado por Arnaldo Spinola e José Geraldo Gué
Estaremos comentando sobre a imigração e a Colônia Agrícola da Constança.
Todo imigrante trabalhava na agricultura?
Esta foi a pergunta de um leitor deste blog, a quem agradecemos pelos comentários. Infelizmente não informou o endereço de e-mail para que pudéssemos responder diretamente.
A criação da Colônia Agrícola da Constança teve como objetivo desenvolver a agricultura, aproveitando o braço imigrante e as facilidades para o escoamento da produção através dos trilhos da Estrada de Ferro da Leopoldina. Mas isto não significa que todos os imigrantes foram para a lavoura. Alguns dos que chegaram no final da década de 1870 já viviam na área urbana em 1880. É possível que tenham viajado com subsídio, ou seja, contratados para a agricultura. Entretanto, logo depois estabeleceram-se com casas comerciais na sede do município ou nos distritos.
Motivo para trazer Imigrantes
A necessidade de buscar o braço imigrante, que surgiu a partir do fortalecimento da idéia de libertação dos escravos, foi o principal motivo. Naquele momento da história do Brasil, os fazendeiros sentiram que a libertação de todos os escravos viria pelo mesmo caminho com que se deu liberdade aos maiores de 60 anos e se decretou a Lei do Ventre Livre. Estes eram sinais definitivos de que a ideia da escravidão se exauria. Some-se a isto a pressão dos ingleses. Como esta mão de obra, então escrava, era fundamental para o plantio, a colheita e demais trabalhos nas fazendas, prioritário se tornou encontrar uma alternativa para a sua substituição.
Documentos da Divisão de Terras e Colonização da Província de Minas Gerais registram que foi a partir de 1881 que os fazendeiros de Leopoldina começaram a contratar imigrantes italianos para as suas lavouras. Mas sabemos que no período de 1888 e até 1898 ocorreu a maior incidência de imigração de italianos, principalmente para as atividades ligadas à agricultura.
Show do Marcus Vinicius ontem, 24 de maio
No programa deste domingo tivemos ouvintes participando do desafio de encontrar uma rua em Leopoldina onde não haja descendentes de imigrantes. Um ouvinte citou a rua Farmacêutico Durval Bastos. Entretanto, parece-nos que não seria o caso, pois ali encontramos moradores de sobrenome Gruppi, provavelmente descendentes de Cesare Gruppi e Enrica Bertuzi, provenientes da Bologna, região da Emilia Romagna.
Participaram também ouvintes das famílias Fofano, Carraro e Toso. As duas primeiras com forte presença na Colônia Agrícola da Constança, já foram objeto de nossa coluna. Quanto aos Toso, é possível tratar-se de uma alteração do sobrenome Tosa, procedente de Venezia, no Vêneto. Giovanni Tosa e Domenica Vidale foram pais de Pasquale (Paschoal) Tosa casado com Maria de Marchi. Em 1942 Paschoal vivia na Serra das Virgens.
Agradecemos aos ouvintes do Show do Marcus Vinicius, pela Rádio Jornal AM 1560, que você pode ouvir também pela internet, aos domingos, entre 9 e meio dia.
Dificuldade de adaptação dos Imigrantes
Nem tudo na imigração foram flores. Nem todos os imigrantes europeus, inclusive alguns italianos, se adaptaram ao clima da nossa região e ao regime de trabalho imposto pelos fazendeiros. Nem todos suportaram o isolamento e as condições da nossa lavoura.
Na verdade, alguns logo conseguiram o repatriamento. Embora, dentre estes, alguns retornaram ao Brasil para uma nova tentativa. Outros, em bom número, desistiram de viver em Leopoldina e quando chegaram à Hospedaria, que os acolhia no percurso de volta ao Porto, optaram por assinar contrato com fazendeiro de outra região, desistindo da viagem de volta à Itália.
Por que a Itália permitiu a saída de tanta gente?
A Itália atravessava um período de grandes dificuldades e, segundo consta, a miséria assolava algumas regiões rurais do norte do país, agravada pelas intempéries e pela chegada do capitalismo no meio rural, responsável pela concentração das terras nas mãos de grandes proprietários.
Diante dessa realidade, o incentivo à saída de parte da sua população se apresentava, então, como uma alternativa que servia aos interesses daquele país.
O fluxo imigrantista do final do século XIX
Resumidamente podemos dizer que, constatado que não se teria mais o escravo, o governo se empenhou na alternativa possível. Começou a incentivar e até financiar a imigração. Abriu as portas para os imigrantes e propagou esta abertura por toda a Europa. A propaganda foi feita de forma intensa na Itália. Lá, dizia-se da existência aqui no Brasil de terras férteis e baratas, o que fez crescer o fluxo de italianos para cá. Assim, “fare l’america” (fazer a América) como se dizia aqui no Brasil, virou o sonho de muitos italianos.
Índice dos assentos paroquiais de casamentos em Leopoldina
Foi entregue à Secretaria Paroquial da Matriz de Nossa Senhora do Rosário, em Leopoldina, um índice para facilitar a localização dos eventos e, também, evitar o manuseio desnecessário dos livros.
O trabalho foi antecedido de explicações sobre a metodologia utilizada como pode ser visto da página 2 do arquivo abaixo.
