Segundo o Decreto nº 2031 de 18 de novembro de 1857, o carcereiro de Leopoldina receberia sessenta mil réis anuais. Dentro da estrutura administrativa da época, o cargo tinha atrativos vinculados à remuneração. Até o momento não foi possível identificar quem foram os carcereiros daqueles tempos. As referências encontradas não mencionam os nomes dos ocupantes do cargo.
Categoria: História de Leopoldina
Temas da história de Leopoldina, Minas Gerais.
Juiz Municipal e de Órfãos em Leopoldina
José Augusto Monteiro de Barros, 1º substitutoJosé Cesário Monteiro de Miranda Ribeiro, 3º substitutoJoão Gualberto Ferreira Brito, 4º substitutoFrancisco José de Freitas Lima, 5º substituto.
O próximo Juiz Municipal nomeado para Leopoldina foi João das Chagas de Faria Lobato, que ali residia em 1864, segundo o Almanaque Administrativo, Civil e Industrial da Província de Minas Gerais, fls 311.
Quando nasceu Jerônima de Mesquita?
É possível encontrar, em muitas publicações, informações sobre esta pioneira da luta pelos direitos da mulher, incluindo o direito de voto.
De modo geral, informa-se que nasceu em Leopoldina no dia 30 de abril de 1880 e que o dia de seu aniversário passou a marcar o Dia Nacional da Mulher.
Qual não foi a surpresa quando procuramos o seu batismo em Leopoldina! Num mesmo livro encontramos os três assentamentos abaixo.

Termo número 321, página 35
Aos vinte e cinco dias do mês de Junho do Anno de mil oito centos e oitenta n’esta Freguezia de S. Sebastião da Cidade Leopoldina o Padre Luiz Lopes Teixeira baptisou solemnemente e poz os Santos Oleos a innocente Jeronima, filha legitima de Jose Jeronimo de Mesquita e D. Maria José de Siqueira Mesquita, nascida a trinta d’e Abril d’este Anno; foram Padrinhos o Exmo. Sr. Barão de Mesquita e D. Josefina Emilia Villasboas. O Vigr.º Jose Francisco dos Santos Durães.

Termo número 1267, iniciado na página 132 e concluído na página 133
Aos vinte e cinco de Junho do anno de mil oito centos e cinco n’esta Freguezia de S. Sebastiao da Cidade Leopoldina o Padre Luiz Lopez Teixeira baptisou solemnemente e poz os Santos Oleos à innocente Jeronima nascida a trinta d’Abril do mesmo anno e filha legitima de Jose Jeronimo de Mesquita e D. Maria José de Siqueira Mesquita, foram Padrinhos o Exmo. Sr. Barão de Mesquita e D. Josephina Emilia Villas Boas. O Vigr.º Jose Franc.º dos Santos Durães.
Conforme se observa, os dois assentos acima trazem quase os mesmos dados. A exceção fica por conta do ano de batismo e nascimento, que no primeiro assento era 1880 e agora é 1885. Ressalte-se, porém, que a palavra “cinco” está envolvida por um pontilhado, parecendo demonstrar que o próprio copiador ficou em dúvida.
O fato de existirem duas transcrições é relativamente comum e se explica pelo hábito dos antigos padres anotarem os eventos em pedaços de papel e só mais tarde registrarem no livro próprio. Quando não eliminavam imediatamente o “rascunho”, ou seja, o papel onde inicialmente anotaram os dados, corriam o risco de se esquecerem e, posteriormente, ao encontrarem o rascunho faziam novo assento.
Considerando que os assentos anteriores e posteriores a este termo 1267 são de 1885, é possível que o padre Durães não tenha feito a transcrição de um papel ou rascunho, mas de um outro livro original onde a duplicidade já existisse.
E veio o terceiro lançamento

Termo número 1475, página 154
Aos vinte e seis dias do Mez de Abril do Anno de mil oito centos e oitenta e seis n’esta Cid.e digo Freguezia de S. Sebastião da Cidade Leopoldina, o Pe. Luiz Lopes Teixeira baptizou solemnemente e poz os Santos Oleos a innocente Jeronima nascida a trinta de Abril de oitenta e filha legitima de José Jeronimo de Mesquita e Dª Maria Jose de Siqueira Mesquita; foram Padrinhos seu avô paterno o Conde de Mesquita e sua avó materna Dª Josephina Emilia Villas Bôas. O Vigrº José Francisco dos Santos Durães
Além de mais algumas diferenças de ortografia, temos agora outra data de batismo: 26.04.1886. Provavelmente por um engano de transcrição, já que os termos anteriores e posteriores ao 1475 trazem a mesma data.
Observa-se ainda que, entre o primeiro e o terceiro assentamentos, o avô paterno tinha alcançado uma outra posição na nobiliarquia brasileira: de Barão foi a Conde.
Uma análise grafotécnica sugere que os dois primeiros assentos foram feitos pela mesma pessoa e o terceiro apresenta um tipo de cultura gráfica ligeiramente diferente. Para se considerar este livro como original, há que se verificar que entre o primeiro e o segundo registros quase não há diferença no desenho das letras, apesar do intervalo de cinco anos entre eles. Já o terceiro, se se tratasse de original, surpreenderia por apresentar visível evolução no desenho após decorrido apenas um ano.
A apresentação destes assentos de batismo teve por objetivo chamar a atenção dos interessados em documentos originais. Apesar de tidos como tal, nem sempre se deve considerar como fonte inquestionável uma informação, baseando-se tão somente na antiguidade ou aparência do suporte. É fundamental uma análise comparativa, tendo em mente que todo documento é produzido a partir de uma determinada visão de mundo. E refletir sobre a as palavras de Le Goff sobre a “intervenção do historiador que escolhe o documento, extraindo-o do conjunto dos dados do passado, preferindo-o a outros, atribuindo-lhe um valor de testemunho que, pelo menos, em parte, depende da sua própria posição na sociedade de sua época”.
Mas já que foi utilizada como exemplo uma ocorrência relativa a Jerônima de Mesquita, registre-se que suas biografias costumam informar que em 1914, morando na França, enviou folhetos sobre a luta das mulheres naquele país e que em 1919, já de volta ao país, fundou o Movimento Bandeirante do Brasil no dia 30 de maio daquele ano, posteriormente Federação das Bandeirantes do Brasil. Em 1947 fundou o Conselho Nacional da Mulher do Brasil, foi membro da Associação Damas da Cruz Verde e ajudou a fundar a Pró-Matre. Faleceu no Brasil em 1972.
É mais uma leopoldinense que fez história!
Tesouro do Feijão Cru
“Pertence este Destricto assima mencionado, ao Termo da Villa da Pomba, Commarca do Rio Parahibuna, hé Curato, e os seos limites com os Destrictos vezinhos são os seguintes = Devide com o Destricto da Aldeia da Pedra, que fica a Norte, em a Barra do Riacho denominado Pirapetinga, que dista deste Arraial dez legoas, a Sul devide com o destricto do Espirito Santo em distancia de seis legoas, e com o Destricto de S. José da Parahiba na distancia de quatro leguas, e de tres com o Destricto de Sta. Rita do Meia Pataca, contada estas do lugar da Povoação do mesmo.”
Leopoldina é elevada a Categoria de Cidade

Primeira Contagem Populacional no Feijão Cru
O primeiro Livro de Batismos de Leopoldina
Instalação do Município de Leopoldina
Teatro em Leopoldina

No livro O Rio Antigo – Pitoresco & Musical, de C. Carlos J. Wehrs, à página 177 encontramos:
“O teatro, o prédio, eu o sempre olhava com certo receio, porque não acreditava na sua estabilidade. Era uma imensa casa de pau-a-pique, dividida em galerias e camarotes em torno da platéia, e, embaixo, constituída de cadeiras e bancos.”
O autor está descrevendo o período que passou em Leopoldina, entre setembro e novembro de 1886. Estaria se referindo ao primeiro prédio, posteriormente substituído pelo que ainda subsiste?
Segundo memórias familiares, o prédio da rua Cotegipe teria sido construído pelo imigrante espanhol Salvador Rodrigues Y Rodriguez por volta de 1927 e as poltronas teriam sido obra do irmão de Salvador, Raphael Rodrigues Y Rodriguez. Portanto, não poderia ser o mesmo prédio objeto de menção no livro de Atas da Câmara de Leopoldina, relativo ao período de 1879 a 1881, em cuja folha 29 verso consta que no dia 16 de abril de 1880 foi lido um oficio de João Patricio de Moura e Silva, comunicando que renunciava ao direito, posse e domínio sobre o terreno que lhe pertencia, e que localizava-se entre Pereira Lopes & Guimarães e Luiza Ambrosia, para nele se construir um Theatro.
Se Moura e Silva falava em construir um Teatro em abril de 1880, estaria se referindo ao prédio mencionado em novembro do mesmo ano, conforme anúncio do jornal O Leopoldinense lembrado por Joana Capella?

Segundo esta divulgação, na página 3 da edição de 1 de novembro de 1880, João Manoel Ferreira Brandão levaria à cena, pela primeira vez em Leopoldina, a peça Helena. O endereço do Theatro Brandão: rua Sete de Setembro.
O diretor da companhia nasceu por volta de 1852, filho de Domiciano Ferreira Brandão e Francisca Angélica da Conceição, tendo vivido em Leopoldina até seu falecimento em 1895. Seu pai aparece no alistamento eleitoral do município a partir de 1874 e ele, João Manoel, foi alistado em 1892, conforme livros de Alistamento Eleitoral de Leopoldina para o período.
A irmã do diretor, Belmira Maria da Conceição, nasceu em Piacatuba e em janeiro de 1878 casou-se, em Leopoldina, com José Vitor de Oliveira e Maria Teresa de Jesus.
Interessante lembrar que a rua Sete de Setembo, que liga as praças Gama Cerqueira e Professor Botelho Reis, é uma das mais antigas da cidade e a única que permanece com o nome original. Nela residiram o Dr. Carvalho de Rezende e o advogado Francisco Pinheiro de Lacerda Werneck, conforme apuramos na pesquisa para o livro Nossas ruas, nossa gente: ruas, praças e logradouros de Leopoldina, publicado em 2004. Na esquina desta rua com a Tiradentes, existiu a casa de negócio de Pedro Barra. Na outra esquina, também faceando com a rua Tiradentes no percurso em que se dirige para o Largo do Rosário, foi instalado o primeiro Grupo Escolar que reunia as “aulas públicas” então existentes. Esta instituição de ensino posteriormente passou a chamar-se Grupo Escolar Ribeiro Junqueira e em 1914 o poeta Augusto dos Anjos foi nomeado seu diretor.


Parece que o Teatro Brandão não teria sido o único em funcionamento naquele ano de 1880. Na mesma página d’O Leopoldinense encontramos o seguinte anúncio:

Em outras edições dos periódicos locais foram publicados anúncios de óperas, confirmando informações obtidas junto a antigos moradores entrevistados, os quais mencionaram que suas famílias frequentavam o teatro.
Acreditamos, portanto, que Leopoldina contava com programação teatral frequente, resultando em que, 20 anos após o sepultamento do ator espanhol Manoel Del Valle em 1906, foi concedido privilégio perpétuo do túmulo, conforme descobriu a professora Natania Nogueira em pesquisa realizada num livro que transcreve os atos da Câmara Municipal de Leopoldina em 1926. Observamos, pois, que a presença do ator em Leopoldina não foi excepcional, já que antes dele a cidade contou com outros artistas do gênero.

