Novos Togni

Com a colaboração de Roberto de Oliveira Togni, temos o prazer de incluir novos descendentes à família de Arturo Togni e Augusta Pradal, pais de Euclides.

Concurso Nacional de Poesia Augusto dos Anjos

O Jornal Leopoldinense Online está recebendo as inscrições do 18º Concurso Nacional de Poesia Augusto dos Anjos, promovido pela Secretaria Municipal de Educação e Cultura de Leopoldina.

Para saber maiores informações, acesse o site: clique no banner CONCURSO NACIONAL DE POESIAS AUGUSTO DOS ANJOS e leia atentamente o EDITAL e REGULAMENTO disponíveis para download e preencha o formulário da pré-inscrição.

Os italianos e a língua portuguesa

Segundo informou um de nossos entrevistados, após a morte de um fazendeiro da região de Leopoldina, os herdeiros decidiram “lotear” a propriedade e diversos compradores foram colonos italianos ainda com pouquíssimo domínio da língua portuguesa. 

Para eles, fazenda era o local onde se instalava a casa de moradia do proprietário, tendo nas proximidades os equipamentos comuns naquela época, como a tulha, o curral, o barracão, os terreiros para secagem do café e as casas de colonos. Ou seja, não era a propriedade rural em si, mas a sede.

Para aqueles colonos, seria o equivalente à fattoria italiana, vale dizer, o complexo administrativo de um núcleo agrícola, compreendendo a residência do fattore (administrador ou proprietário). Sendo assim, o imigrante que adquiriu o terreno onde se localizava a sede, passou a ser denominado pelos outros como fazendeiro. Ou melhor, fatiendero era como pronunciavam.

A Verdade de Cada Um

Qual é a “sua” verdade sobre as colônias agrícolas criadas em Minas no alvorecer dos novecentos? Para você, elas foram celeiro de mão de obra para os latifúndios? Foram berço de novas relações de trabalho? Os colonos foram escravos de cor de pele diferente dos anteriores? Foram artífices de uma nova ordem social?Nós acreditamos que o passado não é um objeto isolado, fixo, imutável. Cada momento do vivido pode ser aproveitado como argamassa do porvir. Usando uma feliz expressão de Walter Benjamin, “escovar a contrapelo” a história da Colônia Agrícola da Constança nos permite vislumbrar os alicerces de uma construção social na Leopoldina que recebemos das mãos de milhares de homens e mulheres que nos antecederam. E assim como cada um representou seu papel, no exercício de reconhecê-los nós nos preparamos para nossa própria atuação, sedimentando o futuro que queremos ter. Sem nos esquecermos, como ensina Marc Bloch em Apologia da História (pag 109), que

“O historiador não estuda o presente com a esperança de nele descobrir a exata reprodução do passado. Busca, nele, simplesmente os meios de melhor compreender, de melhor senti-lo”.

 

Bases para nossos Estudos

Alguns leitores deste blog e do site perguntam como desenvolvemos nossa pesquisa. Reconhecemos que, até o momento, pouco abordamos sobre a metodologia da pesquisa. Brevemente pretendemos suprir esta falha, publicando o capítulo que escrevemos sobre a elaboração do projeto e seu desenvolvimento. Se ainda não o fizemos é porque, em nosso cronograma, definimos que em abril de 2010 substituiremos os textos publicados no jornal O Leopoldinense, disponíveis no site, pela íntegra de nosso trabalho. No momento estamos dando os retoques finais no texto básico para, em seguida, fazermos a revisão dos outros capítulos.De todo modo, e respondendo diretamente à Mara Lúcia, informamos que buscamos fundamentação teórica em diversas áreas. Especialmente na Sociologia e na Antropologia que, segundo Le Goff em Reflexões sobre a História, estão profundamente vinculadas à História Social.

Colonos, gente desconhecida

Ao elaborarmos nosso projeto de pesquisa, sentimos necessidade de verificar como são vistos os estudos sobre a gente simples que pretendíamos conhecer. Quando pensávamos sobre a Filosofia da História, nos deparamos com o texto Quarenta Anos de Vida Quotidiana, de Jean-Didier Wolfromm, publicado em A Nova História, Edições 70 de 1984., páginas 5-68. Diz o autor:

“Uma das novidades da historiografia actual é a de nos mostrar como viviam os homens no dia-a-dia. Os desconhecidos, aqueles de quem nunca se fala, que não são célebres”.

A partir deste prólogo sentimos estar diante de alguma coisa que ainda não soubéramos expressar. Este era o ponto: conhecer homens e mulheres comuns que viveram na nossa cidade e que provavelmente muito teriam a nos contar. A distância no tempo impedia um contato mas não o inviabilizava integralmente, na medida em que pudéssemos escovar o passado, como sugeriu Walter Benjamin. Segundo Wolfromm,

“todos nós temos nostalgias históricas. Exilados por acaso no século XX, viajantes sem bagagens sobre o mapa do tempo, gostamos de olhar para trás para saber de que era feito o passado.”

Nascidos numa pequena cidade do interior, mesmo que a tenhamos deixado ao final da adolescência dela não nos esquecemos. Em Leopoldina estão as nossas raízes, a nossa força e o alimento primevo. Quando este pensador francês declara que as perguntas mais comuns revelam mais sobre uma época do que as guerras e os feitos dos homens ilustres, sentimo-nos apoiados por mão segura em nossa caminhada. Se o autor generaliza sobre a curiosidade que todos temos sobre o passado, dizendo-a infinita, só podemos tomar suas palavras e dizer que também sentimos que

“ao abrir o correio do passado […] nós dobramos, triplicamos a nossa vida”.

Arquivo Histórico em Leopoldina

Estamos acompanhando, com vivo interesse, o esforço da professora Natania para organizar o arquivo permanente da Câmara Municipal de Leopoldina. Em postagem de ontem, intitulada Documentos da Câmara de Leopoldina, Natania nos trouxe mais algumas informações interessantes. E nos fez reler um texto que escrevemos há alguns anos sobre o assunto.Quando soubemos da iniciativa do Arquivo Histórico do Espírito Santo, facilitando consulta à distância, lembramo-nos do sonho de organizar o Arquivo Histórico de Leopoldina, iniciativa que tentamos levar a efeito em meados da década de 1990. A distância, entretanto, nos fez desistir do projeto. Na época, publicamos um comentário sobre nossa grande admiração pela declaração de Le Goff, em Reflexões sobre a História, a respeito do único nacionalismo admissível como sendo o que clarifica para os homens o funcionamento da sociedade na qual está inserido.

E hoje acrescentamos palavras de March Bloch, em Apologia da História, sobre ser necessário que as sociedades organizem racionalmente o conhecimento sobre si mesmas, tendo em mente os dois responsáveis pelo esquecimento e pela ignorância:

“a negligência, que extravia os documentos; e […] a paixão pelo sigilo […] que os esconde ou destrói”(pag. 85).

Estimular os leopoldinenses a conhecerem a sua história sempre foi o objetivo maior de nossos estudos. E pelo que conhecemos do acervo da Câmara Municipal de Leopoldina, não temos dúvidas em afirmar que ali está a fonte mais preciosa para resgatarmos a memória do município.

Criação da Colônia Agrícola da Constança

O surgimento de uma instituição produz reflexos na sociedade onde se insere, antes e depois de sua criação. Segundo Jacques Le Goff, em Reflexões sobre a História

“a profundidade histórica de uma mudança se prefigura antes e para além do acontecimento”.

Analisando as modificações ocorridas em Leopoldina, percebemos que não foi a criação da Colônia Agrícola da Constança que as produziu, mas que a sociedade encontrava-se num estágio tal que demandava mudanças estruturais, resultando no surgimento daquele núcleo. Portanto, tivemos oportunidade de verificar o que este pensador francês ensinou ao declarar que o acontecimento não cria a mudança, apenas a evidencia.

Em busca da família Benatti

Esta semana chegaram duas consultas sobre a família Benatti. Embora não tenhamos dados muito consistentes, sabemos que Luigi Benatti, procedente de Conselice, província de Ravenna, na Emilia-Romagna, passou ao Brasil em 1897 com a esposa Elvira e os filhos Teresa, Giuseppe, Vico, Prima e Sebastiano, além de Giovanni Benatti, pai de Luigi.

O grupo deu entrada na Hospedaria Horta Barbosa, em Juiz de Fora, no dia 16 de setembro e de lá saiu sob contrato com José Augusto Junqueira para trabalhar em uma fazenda no distrito de Santa Isabel, hoje Abaíba.

Não encontramos referências à família em outras fontes de Leopoldina, além do manifesto do vapor Espagne e do livro da Hospedaria. Sendo assim, até o momento nada podemos informar sobre a trajetória.

O sobrenome Benatti aparece em outros municípios da zona da mata mineira. Além da família de Luigi, que foi para Leopoldina, encontramos grupos chefiados por:
– Maria Benatti, acompanhanda de filhos, noras, genros e netos de sobrenomes Manion e Rizzo, procedente da Emilia-Romagna, chegou em 1896 e saiu da hospedaria para a própria cidade de Juiz de Fora;
– Carlo Benatti, procedente de Conselice, Ravenna, Emilia-Romagna, chegou em 1897 e foi para Rio Pomba;
– Giuseppe Benatti, procedente de Cento, província de Bologna, na Emilia-Romagna, chegou em 1897 e ficou em Juiz de Fora;
– Francesco Benatti, procedente de Modena, na Emilia-Romagna, chegou em 1899 a Minas mas saiu da Hospedaria com destino ao estado de São Paulo.

Se algum leitor tiver outras informações, desde já agradecemos pela colaboração.