Categoria: Colônia Constança
Referência à Colônia Agrícola da Constança, criada em Leopoldina em abril de 1910, esta categoria destina-se a postagens sobre imigrantes, sejam colonos ou não.
VII – Outras buscas
VI – Processo de Busca
V – Teoria Necessária
IV – Período a ser analisado
III – Pensando a Pesquisa
II – A escolha dos Imigrantes Italianos
Pesquisar é buscar resposta para uma questão que surge no contato com um tema. De modo geral o processo tem início quando, ao procurar conhecimento sobre um assunto, o leitor se sente atraído por um aspecto não abordado pelas obras disponíveis. No caso de pesquisas historiográficas relativas ao resgate da memória de uma cidade, isto se torna mais claro porque o pesquisador resolve fazer a busca por não ter encontrado uma fonte suficiente para esclarecê-lo. Entretanto, nem sempre se percebe que o trabalho já começou. E a falta de um esboço pode acarretar uma desistência, já que não é possível prosseguir sem haver clareza do problema, do objetivo, da justificativa e da metodologia que será utilizada.Em outros momentos já foi declarado que o interesse pela imigração em Leopoldina surgiu no decorrer de estudo sobre as famílias que ali viveram no primeiro século de sua existência. Ao realizar um levantamento nos livros paroquiais, observou-se grande número de sobrenomes não portugueses entre os pais das crianças batizadas, os noivos e os padrinhos dos eventos ocorridos na paróquia entre 1872 e 1930. Quando encerrado aquele estudo, um outro foi iniciado e resultou no texto ‘A Imigração em Leopoldina vista através dos Assentos Paroquiais de Matrimônio’. Este estudo foi publicado pela primeira vez em 1999 e em 2009 foi revisto e republicado.
Pesquisa sobre a Imigração em Leopoldina I
a articulação da história com um lugar é a condição de uma análise da sociedade.
Consulta sobre os Carminatti
Olá onde estão estes registros de nomes e trajetórias, pois alguns nomes diferem dos nomes que tenho registros – Pietro -conheço como Pedro pois é pai da minha avó e -Dalva Maria – conheco como Dalia pois é mâe do meu avô.Por favor me retorna,obrigada desde já. Mariangela.
Optamos por responder através desta nova postagem porque acreditamos que seja de interesse de outros leitores.
Conforme temos esclarecido em outras oportunidades, foram utilizadas diferentes fontes de informação. A partir da identificação do imigrante nos relatórios da Colônia Agrícola da Constança ou citação em alguma fonte de Leopoldina, consultamos os seguintes documentos: livros de registro em hospedaria; manifestos de navios; processos de registro de estrangeiros; assentos paroquiais de batismo e casamento; registro civil de nascimento, casamento e óbito; registro de sepultamento; compra e venda de imóveis; recolhimento de tributos municipais; alistamento eleitoral; matrícula escolar de descendentes; e jornais da cidade. Sempre que conseguimos identificar o comune de origem dos italianos, consultamos o respectivo Archivio di Stato. Além disso, entrevistamos grande número de descendentes e antigos moradores, através dos quais obtivemos inúmeras cópias de documentos e fotografias.
Portanto, nem sempre é possível indicar uma única fonte para origem de determinada informação. O estudo da imigração em Leopoldina envolve um longo processo, iniciado em 1994. Na maioria dos casos, foi necessário realizar uma delicada comparação entre as diversas fontes, principalmente por conta das variações de grafia. Para tornar viável a indexação, fundamental para um trabalho que envolve número tão elevado de personagens, adotamos o critério de registrar o formato de nomes e sobrenomes constante no registro documental mais antigo.
Assim é que o nome do bisavô de Mariângela foi registrado como Pietro Silvio Carminatti, em virtude da confirmação recebida de Ghisalba, Bergamo, Lombardia, Italia. Aqui no Brasil, Mariangela, você poderá consultar no Arquivo Nacional, o manifesto do vapor Colombo para viagem em que aportou no Rio de Janeiro no dia 3 de abril de 1896.
Já para Maria Dalia, indicamos uma fonte encontrável em Leopoldina: Igreja Nossa Senhora do Rosário, livro 5 de casamentos, folha 26.
Para outros dados sobre sua família você poderá consultar também:
– Relatório da Colônia Agrícola da Constança de 1911, disponível no Arquivo Público Mineiro,
– Gazeta de Leopoldina, abril de 1910;
– Livro SA 902 da Hospedaria Horta Barbosa, folha 4, disponível no Arquivo Público Mineiro.
Além disso, fizemos contato com descendentes de Arturo Carminatti, residentes em Belo Horizonte.
Agricultura de Subsistência
A lavoura, como que vendo no alto preço do café a realização de seus desejos e esperanças, tem-se dedicado quase que exclusivamente a este genero de cultura, sem se occupar da de cereaes, nem mesmo como accessorio.
Dahi resulta, em parte, o exaggerado preço dos generos alimenticios em quasi todos os municipios, porque, si é certo que nem todos se dão ao plantio do café, entregando-se à cultura de cereaes, não é menos certo que há todos os annos um verdadeiro exodo de trabalhadores que, em busca de salarios mais remuneradores, procuram a zona cafeeira, abandonando aquella onde se cultivam de preferencia os cereais, resultando nesta a carencia consideravel de braços.
O remedio que parece mais prompto e efficaz para este mal é a introducção dos systemas de cultura intensiva por parte de nossos Agricultores; só esta, e não a extensiva, que, em regra geral, exige grande numero de braços, poderá ir determinando o augmento de producção de generos alimenticios, até que a introducção de immigrantes em numero sufficiente torne possivel a cultura extensiva, sem o desequilibrio que hoje se vae dando nas producções.
Neste Estado só há a grande e pequena lavoura, limitando-se aquella ao plantio do café e da canna de assucar, e esta ao de cereaes. A esta cultura dedicam-se em geral os lavradores de menores recursos, de modo que a producção é muito pequena, e mais que insufficiente para as necessidades da população, que vê-se obrigada a recorrer aos mercados extrangeiros para obter os principaes generos de consumo.
Como se pode observar, havia uma preocupação dos dirigentes em ampliar a produção de gêneros de subsistência, tendo sido este um dos fatores a direcionar o projeto de implantação das colônias agrícolas em Minas Gerais.
