Chefes de famílias contratadas em novembro de 1888

Os imigrantes a seguir, todos de origem italiana, saíram da Hospedaria Horta Barbosa em novembro de 1888, com destino a Leopoldina, MG

Albertini, Giuseppe
Albertoni, Angelo
Bandispia, Pasquale
Battaglia, Felippo
Beatrisini, Giacomo
Bernardi, Pasquina
Bortolozzo, Domenico
Bortolozzo, Vincenzo
Bottorin, Gaetano
Broccato, Raimundo
Brosatte, Sebastiano
Busande, Giovachino
Bussatto, Luigi
Caloni, Egisto
Calsavara, Giuseppe
Carraro, Federico
Ceoldo, Camillo
Cercellate, Antonio
Cesare, Virgilio
Conforte, Geraldi
Cremonese, Giuseppe
Donnini, Cesare
Donnini, Gio. Batista
Fazzolato, Pasquale
Giacomin, Michele
Gonzole, Giuseppe
Gottardo, Antonio
Gusigoni, Osvaldo
Lazzarini, Luigi
Lorenzi, Modesto
Malazzi, Luigi
Mantovani, Girolamo
Marcatto, Francesco
Marchiosi, Teresa
Marinato, Giordano
Meneghetti, Luigi
Meneghetti, Sante
Nalon, Domenico
Negrini, Clemente
Panizzo, Antonio
Perigolo, Giacomo
Perigolo, Luigi
Pertile, Marsilio
Pizzeratte, Fiorino
Polani, Desiderio
Prosdogini, Maciel
Reginata, Romano
Righeto, Antonia
Righeto, Domenico
Righeto, Pasquale
Righi, Raffaele
Rizzo, Domenico
Rochi, Giuseppe
Rossato, Angelo
Saloto, Angelo
Schiasse, Giuseppe
Schiavolin, Giovanni
Sigata, Matteo
Sofoni, Battista
Sofoni, Giacomo
Spalassi, Luigia
Spoladore, Antonio
Stergale, Antonio
Testti, Emilio
Ungarelli, Giulio
Zappaterra, Vincenzo
Zini, Eugenio
Zotti, Domenico
Zotti, Pietro

Neste mesmo mês foram contratadas duas famílias belgas, cujos chefes eram:
Christofano, Pascal e
Ivatanwolo, Rafael.

Pedidos de Leitores

Em nosso projeto de resgate da memória cultural da Colônia Agrícola da Constança, publicamos nossos estudos em periódicos de Leopoldina. Na série de artigos que escrevemos por ocasião dos 90 anos daquele núcleo colonial, muitas vezes mencionamos imigrantes que, contratados por fazendeiros da cidade até vinte anos antes da fundação da Colônia, tornaram-se proprietários de lotes ou agregados. Em outros casos, citamos sobrenomes de imigrantes que lá não residiram, mas cujos descendentes vieram a unir-se por casamento a descendentes daqueles colonos.
Agora, que nos aproximamos das comemorações do Centenário em 2010, diversos leitores têm feito contato conosco, interessados em mais informações não só sobre os colonos, como também sobre os imigrantes que viveram em Leopoldina no final do século dezenove.
Por esta razão, republicaremos alguns nomes de chefes de famílias que foram contratados na Hospedaria Provincial – Hospedaria Horta Barbosa em Juiz de Fora. Lembramos que a eventual variação na grafia deve-se ao fato de os responsáveis pelo registro nem sempre obedecerem fielmente ao contido no documento então disponível. Muitas vezes, parece-nos que foi registrado o som da pronúncia do imigrante.

Por que imigrantes italianos ?

Dois fatores principais contribuíram para a imigração italiana. O primeiro deles estava lá na Itália. Era a miséria que assolava algumas regiões rurais do norte do país, agravada pelas intempéries e pela chegada do capitalismo no meio rural, responsável pela concentração das terras nas mãos de grandes proprietários. Tais problemas acabaram por obrigar a migração para outras regiões ou para a América.
O segundo fator estava do lado de cá do Atlântico. A necessidade, de colonizar o Brasil e, de substituir a mão de obra escrava, levaram o governo brasileiro a incentivar e até financiar a vinda de colonos. E a propaganda, feita na Itália, de que aqui existia terra fértil e barata, foi a chave para o grande fluxo.
Assim, “fazer a América” (fare l’america), como se dizia, virou o sonho daqueles italianos.
Para se ter uma idéia do vulto dessa migração, segundo Thomas Sowell, citado por Rosalina Pinto Moreira, historiadora da cidade de Astolfo Dutra, no seu livro “Imigrantes ….Reverência”(pág. 24), “doze milhões de italianos emigraram, principalmente para as Américas, no maior êxodo de um povo na história moderna”.
O espírito reinante na época bem se define na despedida deles da Itália:
“Nós, italianos trabalhadores, alegres partimos para o Brasil, e vós que ficais, ó donos da Itália, trabalhai empunhando a enxada, se quereis comer !”
Uma longa história e muito cara aos imigrantes de Leopoldina.

Razões para trazer Imigrantes

É bom reler a história da época e entender as razões da vinda desses imigrantes. Lembrar que antes da Lei Áurea já havia um movimento em busca do trabalhador livre, conseqüência principalmente da libertação dos escravos maiores de 60 anos e da Lei do Ventre Livre. Os fazendeiros sentiam que o abolicionismo crescia e eles perdiam a mão de obra escrava, fundamental na colheita do café, a maior riqueza da região.
Mas nem todos os imigrantes europeus se adaptavam ao regime de trabalho imposto pelos fazendeiros. Alguns conseguiam ser repatriados; outros iam e, tempos depois retornavam ao Brasil. E outros, quando chegavam à Hospedaria que os acolhia no percurso de volta ao país de origem, assinavam contrato com fazendeiro de outra região no Brasil e desistiam da viagem de volta.

Imigrantes Agricultores em Leopoldina

Alguns leitores escrevem perguntando quando chegaram os primeiros imigrantes em Leopoldina. Esta é uma pergunta difícil de ser respondida, já que não foram localizados os documentos da primeira fase. Esclarecemos que por primeira fase da imigração classificamos o período anterior a 1888.

O Jornal O Leopoldinense, de 1881, já se referia a imigrantes espanhóis que o Dr. Domiciano Ferreira Monteiro de Castro fizera embarcar da Corte para a Fazenda do Socorro, de propriedade do seu irmão Tenente Vicente Ferreira Monteiro de Barros.

Atividades desenvolvidas na Colônia Agrícola da Constança

A atividade agrícola na colônia foi assim discriminada no Relatório de 1911: culturas de café, arroz, feijão, mandioca, cana de açúcar, milho, amendoim e fumo, com a seguinte produção: 2.585 kilos de café, 60.880 kilos de arroz, 48.215 litros de feijão, 197.750 litros de milho, 225 de amendoim. Não foi mencionado o resultado da colheita da mandioca, da cana de açúcar e do fumo.
Quanto à atividade pastoril, ficou registrado: 444 leitões, 80 bovinos, 59 cavalos, 79 cabritos, 2.703 galináceos e 51 patos.
Os colonos entregavam 20% de suas colheitas como parte do pagamento de suas dívidas. No ano de 1911, o valor arrecadado em cereais foi de 5:221$836. Além disto, os colonos entregaram 1:998$750 em dinheiro. Ao final do exercício de 1911 o total dos débitos dos colonos montava a 61:210$767