Passageiros do Vapor Washington

No dia 30 de outubro de 1888, aportou no Rio de Janeiro o vapor italiano Washington. Esta viagem chamou nossa atenção por ter sido, naquela década, a primeira que reuniu grande número de imigrantes que se dirigiram para Leopoldina. Aliás, naquele mês de outubro de 1888, segundo o periódico A Immigração, publicado na Corte, entraram no porto do Rio 6.088 imigrantes, sendo 4.090 italianos.  Do total de imigrantes entrados, as seguintes localidades receberam o maior número:

3.076 – Minas Gerais

1.250 – Corte

  868 – São Paulo

  545 – Rio de Janeiro

  203 – Rio Grande do Sul

  128 – Paraná

Fonte: A Immigração, Rio de Janeiro, nov. 1888, p.3

Mas estes dados se referem apenas ao porto do Rio de Janeiro sobre o qual a mesma publicação informa que no mês de outubro foi computado o maior número de desembarcados de 1888, e que o total atingido naquele ano já era maior do que o de todos os anos anteriores.

 

A lista de passageiros foi encaminhada para a Hospedaria Horta Barbosa, em Juiz de Fora, cujo registro está disponível no site do Arquivo Público Mineiro, livro SG-801, páginas 74 a 118. Todos os 1335 imigrantes encontram-se listados, sendo que muitos saíram da Hospedaria com destino a Leopoldina. Ao pesquisar sobre estas famílias, observamos que muitos sobrenomes estavam grafados de maneira diferente do original italiano, além de enganos em nomes, idades e sexo de alguns passageiros. Não conseguimos informações sobre todos eles e, portanto, alguns dos sobrenomes a seguir podem conter incorreções:

Albertin, Albertoni, Baldan, Beatrisini, Bernardi, Bestton, Bortolozo, Broccato, Calzavara, Carraro, Ceoldo, Ceoldo, Cosini, Dommini, Faccina, Fazolato, Formenton, Garbin, Giacomin, Gobbi, Gottardo, Lazzarin, Lorenzi, Marchiori, Marinato, Meneghetti, Montovani, Nalon, Perigolo, Pertile, Pivoto, Polasse, Righetto, Roschi, Rossato, Saloto, Sampieri, Scantamburlo, Schiavolin, Spoladore, Trevisan, Verona, Zapaterra e Zotti.

O vapor Washington permaneceu no Rio até o dia 4 de novembro, quando seguiu para o Chile levando 67 passageiros em trânsito, o que nos leva a supor que 10 passageiros tenham decidido ficar no Rio.

Ao estudarmos as famílias que vieram pelo Washington e que foram para Leopoldina, observamos que uma boa parte era proveniente da divisa entre as províncias de Padova e Venezia.

No recorte acima estão destacados o comune de Vigonza na província de Padova, os comuni de Pianiga e Dolo na província de Venezia, e as localizades de Arino di Dolo e Cazzago di Pianiga, as mais incidentes entre os imigrantes aqui referidos.

Parte dos viajantes não permaneceu em Leopoldina. Entre os que lá se estabeleceram, mais de 20 anos depois alguns se tornaram proprietários de lotes da Colônia Agrícola da Constança.

Nas próximas postagens vamos atualizar informações sobre algumas famílias que vieram pelo vapor Washington.

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20 thoughts on “Passageiros do Vapor Washington

  1. athos correa carvalho

    Por favor, gostaria de pedir ajuda, pois preciso de informações sobre a familia Zotti mais especificamente DOMENICO ZOTTI E GIUSEPPE ZOTTI PAI E FILHO , que chegaram em 31/10/1888.
    desde já agradeço

  2. Jonathan

    Olá, primeiramente parabéns pela Matéria, gostaria de saber onde consigo acessar a lista de passageiros dessa embarcação, meu tataravô Luigi e meu trivô Giuseppe Vardiero vieram nela.

  3. cantoni Autor do post

    Olá Jonathan: a lista dos imigrantes que vieram pelo vapor Washington para Minas Gerais encontra-se no Arquivo Público Mineiro. Há um Luigi, com família, que foi para Muriaé. Não vi o nome Giuseppe.

  4. Gilson Vitorino

    Prezados,

    Bom dia e parabens pela materia e dedicacao aos ancestrais !

    Meus antepassados vieram neste Vapor tambem: Marco e Antonio Venturin (este com familia). Que alegria encontrar o registro !

    Vi a seguinte informacao no APM: data de entrada na hospedaria 31/10/1888.

    Vcs saberiam dizer qual hospedaria ? Se apenas uma possibilidade ?
    E, deste ponto, para onde teriam ido ?

    Sobre a data de saida e qual Porto da Italia ?
    Teriam fotos desta embarcacao ?

    Desde ja, agradecido,

    Fraternal abraco,

  5. cantoni Autor do post

    Olá Gilson: as informações estão na ficha do APM que vc abriu. A família foi para Bom Sucesso.
    Os livros que se encontram no Arquivo Público Mineiro são da Hospedaria Horta Barbosa que existiu em Juiz de Fora. Não tenho informações sobre a saída do porto de Genova para aquela viagem do vapor Washington.

  6. cantoni Autor do post

    Olá Elisabete: há mais de uma pessoa de nome Sante na família Meneghetti. Por favor, informe o nome da esposa de seu antepassado para que possamos fazer a busca no banco de dados.

  7. Keila

    Olá. Procuro sobre meus antenatos que vieram da Itália. a filha deles nasceu em Pirapetinga MG em 05/01/1891 e relatos dizem que faleceram em Muriae. Eram Alessandra Galietta, filha de Nicola e Angela Di Benedetto e seu marido Vincenzo Gaeta, filho de Pasquale e Aurea Pereira. Obrigada!

  8. cantoni Autor do post

    Olá, Keila. Nossa pesquisa foi sobre os imigrantes que viveram em Leopoldina. Não temos os personagens de seu interesse.

  9. Keila

    Obrigada pela resposta e atenção. Perguntei pq os relatos são vagos e ninguém sabe se chegaram a morar em Leopoldina. Abraços!

  10. Laercio Gomes Lourenço

    Procuro pelos meus Bisavos que se estabeleceram em Leopoldina em 1896. Tiveram filhos. se algum puder me ajudar agradeço
    nome: Telesforo Assoni (ou AZZONI) casado com Amabile Martinelli
    Filhos nascidos em Leopoldina José assoni (nascimento 28/1/1896) e Luiza Assoni (nascimento 1987)

    Laercio Gomes Lourenco

  11. cantoni Autor do post

    Olá Laercio: os nomes de seu interesse não constam em nosso banco de dados. Não encontramos os batismos indicados.

  12. Jocenei

    boa noite,

    parabens pela matéria. Neste navio veio meus antenatos Tibullo. Porém não encontro porque a grafia está errada e vieram com a familia Maritan.

  13. Jocenei

    boa noite.
    A principio se dirigiram para o Rio Grande do Sul, mais especificamente Guaporé. Na lista do arquivo publico mineiro eles deram entranda na hospedaria. Lá eu encontrei Marco Maritan, a esposa Giuditta Barison que é viuva no meu antenato, os filhos desse novo casamento e as duas filhas do casamento anterior, porem a grafia está como Tiballo ao invés de Tibullo. Porém o meu antenato, que seria o filho mais velho (na época com 18 anos) não encontrei na lista da hospedaria. Acredito que tenha ficado no RJ e vindo para o RS antes dos demais familiares. Tentei buscar a lista completa do vapor Washington, porém não encontrei nenhuma referencia no Arquivo Nacional, nem no porto do RJ. Sendo a unica menção no arquivo publico de MG.

  14. cantoni Autor do post

    Olá Jocenei: parece que o manifesto da viagem do vapor Washington, aportado no Rio em outubro de 1888, está perdido. Uma das hipóteses é que tenha ido para Minas junto com os passageiros e, após a transcrição no livro da hospedaria, teria tido destino ignorado. De todo modo, naquela época os registros eram pouco esclarecedores, sendo necessárias outras buscas.
    Observei que os demais componentes do seu grupo familiar foram para São José do Paraíba, atual Além Paraíba. Talvez você consiga alguma pista nos arquivos daquele município.

  15. Jocenei

    Cantoni, muito obrigado pelo auxílio. Tentei buscar informações em Além Paraíba, mas tem pouca coisa on-line. Provavelmente se tiverem algo, seja fisico e aí teria de ir na cidade e ter a sorte de existir um arquivo publico lá ou, provavelmente esses dados se perderam no tempo. Ainda estou em dúvida porém é com o filho mais velho não estar na lista. Não acredito que tenha vindo antes em outro vapor, pois não teria 18 anos ainda e não encontrei informações nos demais arquivos publicos com o nome dele. Para mim, permanece uma incognita de como meu antenato tenha vindo para o Brasil e vindo a parar na cidade de Guaporé/RS.

  16. cantoni Autor do post

    O manifesto do vapor poderia esclarecer, Jocenei. Infelizmente, porém, acho que o dessa viagem do Washington se perdeu definitivamente.
    Em muitas listas há filhos que aparecem no final, como se tivessem viajado sozinhos. Em pelo menos um dos casos o filho, anotado no final da listagem, não aparece no registro da hospedaria em Minas. Mas chegou junto com a família na cidade de destino. Em outro caso, dois cunhados do chefe do grupo aparecem no final da lista e no registro da hospedaria como se tivessem ficado na própria cidade. Mas também seguiram com os parentes.
    Se a sua família ficou em Além Paraíba por algum tempo, reitero a sugestão de pedir buscas no arquivo paroquial e, se for o caso, nos livros de registro de sepultamento.

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