Pontes que duram uma vida

Muitas cidades do interior convivem com equipamentos que serviram a estradas de ferro sem se darem conta de seu valor como bem cultural. Escolho esta postagem de um dos grandes entusiastas da preservação da memória ferroviária como convite para que conheçam seu trabalho.

Conservação de Patrimônio Histórico

O Grupo Novo Caminho Novo se integra, cada vez mais, na luta pela preservação no entorno daquele que foi o principal acesso à região central das Minas. Vejam matéria sobre a Fazenda Ribeirão das Rosas.

Patrimônio e Memória: revista do CEDAP

O volume 6, número 2, da Revista Eletrônica do Centro de Documentação e Apoio à Pesquisa da Universidade Estadual Paulista está disponível neste endereço. Abordando fundamentalmente dois temas – museus e mulheres, o periódico traz artigos que tratam os assuntos de forma bastante variada. No primeiro a autora Célia Helena de Salles Oliveira dá o tom já no resumo, citando ‘a noção banalizada de que nos museus de História é possível “visualizar” o passado.’
 
É uma ótima leitura para todos os que se preocupam com a preservação da memória.

Teatro em Leopoldina

A partir de uma informação de Natania Nogueira, surgiu uma questão sobre o ator Manuel del Valle Alonso que teria vivido em Leopoldina. Agradeço à Natania por ter levantado o assunto e à Joana Capella que, com suas leituras do jornal O Leopoldinense, levou-me a procurar um texto antigo que ainda não havia publicado pela internet.
O Cine Theatro Alencar, cujo prédio ainda pode ser visto na rua Cotegipe, é tido como a primeira casa de espetáculos existente em Leopoldina. Entretanto, parece que não é bem assim.

No livro O Rio Antigo – Pitoresco & Musical, de C. Carlos J. Wehrs, à página 177 encontramos:

“O teatro, o  prédio, eu o sempre olhava com certo receio, porque não acreditava na sua estabilidade. Era uma imensa casa de pau-a-pique, dividida em galerias e camarotes em torno da platéia, e, embaixo, constituída de cadeiras e bancos.” 

O autor está descrevendo o período que passou em Leopoldina, entre setembro e novembro de 1886.  Estaria se referindo ao primeiro prédio, posteriormente substituído pelo que ainda subsiste?

Segundo memórias familiares,  o prédio da rua Cotegipe teria sido construído pelo imigrante espanhol Salvador Rodrigues Y Rodriguez por volta de 1927 e as poltronas teriam sido obra do irmão de Salvador, Raphael Rodrigues Y Rodriguez. Portanto, não poderia ser o mesmo prédio objeto de menção no livro de Atas da Câmara de Leopoldina, relativo ao período de 1879 a 1881, em cuja folha 29 verso consta que no dia 16 de abril de 1880 foi lido um oficio de João Patricio de Moura e Silva, comunicando que renunciava ao direito, posse e domínio sobre o terreno que lhe pertencia, e que localizava-se entre Pereira Lopes & Guimarães e Luiza Ambrosia, para nele se construir um Theatro.

Se Moura e Silva falava em construir um Teatro em abril de 1880, estaria se referindo ao prédio mencionado em novembro do mesmo ano, conforme anúncio do jornal O Leopoldinense lembrado por Joana Capella?

Segundo esta divulgação, na página 3 da edição de 1 de novembro de 1880, João Manoel Ferreira Brandão levaria à cena, pela primeira vez em Leopoldina, a peça Helena. O endereço do Theatro Brandão: rua Sete de Setembro.

O diretor da companhia nasceu por volta de 1852, filho de Domiciano Ferreira Brandão e Francisca Angélica da Conceição, tendo vivido em Leopoldina até seu falecimento em 1895. Seu pai aparece no alistamento eleitoral do município a partir de 1874 e ele, João Manoel, foi alistado em 1892, conforme livros de Alistamento Eleitoral de Leopoldina para o período.

A irmã do diretor, Belmira Maria da Conceição, nasceu em Piacatuba e em janeiro de 1878 casou-se, em Leopoldina, com José Vitor de Oliveira e Maria Teresa de Jesus.

Interessante lembrar que a rua Sete de Setembo, que liga as praças Gama Cerqueira e Professor Botelho Reis, é uma das mais antigas da cidade e a única que permanece com o nome original. Nela residiram o Dr. Carvalho de Rezende e o advogado Francisco Pinheiro de Lacerda Werneck, conforme apuramos na pesquisa para o livro Nossas ruas, nossa gente: ruas, praças e logradouros de Leopoldina, publicado em 2004. Na esquina desta rua com a Tiradentes, existiu a casa de negócio de Pedro Barra. Na outra esquina, também faceando com a rua Tiradentes no percurso em que se dirige para o Largo do Rosário, foi instalado o primeiro Grupo Escolar que reunia as “aulas públicas” então existentes. Esta instituição de ensino posteriormente passou a chamar-se Grupo Escolar Ribeiro Junqueira e em 1914 o poeta Augusto dos Anjos foi nomeado seu diretor.

Parece que o Teatro Brandão não teria sido o único em funcionamento naquele ano de 1880. Na mesma página d’O Leopoldinense encontramos o seguinte anúncio:

Em outras edições dos periódicos locais foram publicados anúncios de óperas, confirmando informações obtidas junto a antigos moradores entrevistados, os quais mencionaram que suas famílias frequentavam o teatro.

Acreditamos, portanto, que Leopoldina contava com programação teatral frequente, resultando em que, 20 anos após o sepultamento do ator espanhol Manoel Del Valle em 1906, foi concedido privilégio perpétuo do túmulo, conforme descobriu a professora Natania Nogueira em pesquisa realizada num livro que transcreve os atos da Câmara Municipal de Leopoldina em 1926. Observamos, pois, que a presença do ator em Leopoldina não foi excepcional, já que antes dele a cidade contou com outros artistas do gênero.

Estações Ferroviárias

Saber onde se localiza uma estação ferroviária é importante para quem pesquisa a imigração no final do século XIX. Algumas vezes temos recebido consultas de leitores querendo saber quando determinada pessoa foi de um lugar para outro mas achando que cada município contava com apenas uma estação. Um destes casos se refere à estação Campestre que o remetente indica como sendo um município mineiro. Outro acredita que tal ponto da ferrovia estava localizado em Ubá.
Para tentar esclarecer, eis um extrato de notícia publicada no jornal O Mediador, de Leopoldina, na edição número 39 de 09.08.1896, página 1
Após seis annos de trabalho em que sua vontade tenaz e energica a tudo venceu, teve o sr. Coronel Antonio Ignacio Monteiro Galvão de S. Martinho a gloria de vêr inaugurada a Estação do Campestre, no dia 31 do mês passado.
Construída a expensas proprias ella constitue um bello exemplo de patriotismo que oxalá encontre muitos imitadores!
Trata-se da estação do atual povoado de São Martinho, distrito de Providência, município de Leopoldina.

Miracema e a Preservação

Com grande prazer atendemos o pedido para divulgar o texto publicado no blog O Vagalume no último dia 20: Miracema é destaque na preservação de seu Centro Histórico.Referindo-se ao esforço para alavancar a indústria do turismo, Angeline destaca o resgate da memória e da história das cidades, atividade que também reputamos de extrema importância.

Na matéria há um link para entrevista concedida pela Diretora Geral do INEPAC (Instituto Estadual do Patrimônio Cultural), arquiteta Maria Regina Pontin de Mattos e a Assessora Técnica arquiteta Dina Lerner. O objetivo da entrevista foi esclarecer aos miracemenses a questão do Tombamento. Entre outras informações importantes, as entrevistadas destacam a importância de resgatar e preservar, por exemplo, as práticas culturais dos imigrantes italianos que viveram na cidade.

Há muito mais. Leiam a matéria completa.