Sábado, 30 de maio, a partir das 10 horas.
Rádio Jornal AM 1560, Leopoldina, MG
Programa FAZ
apresentado por Arnaldo Spinola e José Geraldo Gué
Estaremos comentando sobre a imigração e a Colônia Agrícola da Constança.
Referência à Colônia Agrícola da Constança, criada em Leopoldina em abril de 1910, esta categoria destina-se a postagens sobre imigrantes, sejam colonos ou não.
Sábado, 30 de maio, a partir das 10 horas.
Rádio Jornal AM 1560, Leopoldina, MG
Programa FAZ
apresentado por Arnaldo Spinola e José Geraldo Gué
Estaremos comentando sobre a imigração e a Colônia Agrícola da Constança.
Esta foi a pergunta de um leitor deste blog, a quem agradecemos pelos comentários. Infelizmente não informou o endereço de e-mail para que pudéssemos responder diretamente.
A criação da Colônia Agrícola da Constança teve como objetivo desenvolver a agricultura, aproveitando o braço imigrante e as facilidades para o escoamento da produção através dos trilhos da Estrada de Ferro da Leopoldina. Mas isto não significa que todos os imigrantes foram para a lavoura. Alguns dos que chegaram no final da década de 1870 já viviam na área urbana em 1880. É possível que tenham viajado com subsídio, ou seja, contratados para a agricultura. Entretanto, logo depois estabeleceram-se com casas comerciais na sede do município ou nos distritos.
A necessidade de buscar o braço imigrante, que surgiu a partir do fortalecimento da idéia de libertação dos escravos, foi o principal motivo. Naquele momento da história do Brasil, os fazendeiros sentiram que a libertação de todos os escravos viria pelo mesmo caminho com que se deu liberdade aos maiores de 60 anos e se decretou a Lei do Ventre Livre. Estes eram sinais definitivos de que a ideia da escravidão se exauria. Some-se a isto a pressão dos ingleses. Como esta mão de obra, então escrava, era fundamental para o plantio, a colheita e demais trabalhos nas fazendas, prioritário se tornou encontrar uma alternativa para a sua substituição.
Documentos da Divisão de Terras e Colonização da Província de Minas Gerais registram que foi a partir de 1881 que os fazendeiros de Leopoldina começaram a contratar imigrantes italianos para as suas lavouras. Mas sabemos que no período de 1888 e até 1898 ocorreu a maior incidência de imigração de italianos, principalmente para as atividades ligadas à agricultura.
No programa deste domingo tivemos ouvintes participando do desafio de encontrar uma rua em Leopoldina onde não haja descendentes de imigrantes. Um ouvinte citou a rua Farmacêutico Durval Bastos. Entretanto, parece-nos que não seria o caso, pois ali encontramos moradores de sobrenome Gruppi, provavelmente descendentes de Cesare Gruppi e Enrica Bertuzi, provenientes da Bologna, região da Emilia Romagna.
Participaram também ouvintes das famílias Fofano, Carraro e Toso. As duas primeiras com forte presença na Colônia Agrícola da Constança, já foram objeto de nossa coluna. Quanto aos Toso, é possível tratar-se de uma alteração do sobrenome Tosa, procedente de Venezia, no Vêneto. Giovanni Tosa e Domenica Vidale foram pais de Pasquale (Paschoal) Tosa casado com Maria de Marchi. Em 1942 Paschoal vivia na Serra das Virgens.
Agradecemos aos ouvintes do Show do Marcus Vinicius, pela Rádio Jornal AM 1560, que você pode ouvir também pela internet, aos domingos, entre 9 e meio dia.
Nem tudo na imigração foram flores. Nem todos os imigrantes europeus, inclusive alguns italianos, se adaptaram ao clima da nossa região e ao regime de trabalho imposto pelos fazendeiros. Nem todos suportaram o isolamento e as condições da nossa lavoura.
Na verdade, alguns logo conseguiram o repatriamento. Embora, dentre estes, alguns retornaram ao Brasil para uma nova tentativa. Outros, em bom número, desistiram de viver em Leopoldina e quando chegaram à Hospedaria, que os acolhia no percurso de volta ao Porto, optaram por assinar contrato com fazendeiro de outra região, desistindo da viagem de volta à Itália.
A Itália atravessava um período de grandes dificuldades e, segundo consta, a miséria assolava algumas regiões rurais do norte do país, agravada pelas intempéries e pela chegada do capitalismo no meio rural, responsável pela concentração das terras nas mãos de grandes proprietários.
Diante dessa realidade, o incentivo à saída de parte da sua população se apresentava, então, como uma alternativa que servia aos interesses daquele país.
Resumidamente podemos dizer que, constatado que não se teria mais o escravo, o governo se empenhou na alternativa possível. Começou a incentivar e até financiar a imigração. Abriu as portas para os imigrantes e propagou esta abertura por toda a Europa. A propaganda foi feita de forma intensa na Itália. Lá, dizia-se da existência aqui no Brasil de terras férteis e baratas, o que fez crescer o fluxo de italianos para cá. Assim, “fare l’america” (fazer a América) como se dizia aqui no Brasil, virou o sonho de muitos italianos.
A produção das lavouras, pomares, terreiros, moinhos, engenhos de cana e olarias da Colônia Agrícola da Constança foi importante para o progresso da cidade. Movimentou muita riqueza pelas estradas de chão batido da Colônia e pelos trilhos da Estrada de Ferro da Leopoldina.
Mas a grande contribuição da Colônia e dos imigrantes não está somente no aspecto econômico. A Colônia não foi importante apenas porque gerou riquezas para a cidade. A sua contribuição, talvez muito maior, está na mistura de etnias que nos proporcionou e nos exemplos de trabalho e dedicação deixados pelos imigrantes. Trabalho, inclusive, que nos permitiu, sem grandes traumas, fechar o ciclo do coronelismo e iniciarmos o de um desenvolvimento mais igualitário, onde a riqueza deixou de estar apenas nas mãos de uns poucos e abastados fazendeiros para se espalhar pelos diversos sobrenomes italianos que hoje se destacam no comércio, na indústria, na prestação de serviços, na agro-pecuária e nas demais atividades produtivas desta nossa Leopoldina
Para os antigos moradores da região da Colônia, e de boa parte da cidade, a Festa anual realizada na Igreja de Santo Antônio, no Bairro da Onça, é lembrada com um misto de saudade e orgulho. Reunia, todo ano no mês de junho, um grande número de participantes, oriundos das propriedades da redondeza, pessoas que vinham da sede e de outras regiões do município. Era o ápice do convívio social para os colonos, que escolheram o pátio da Capela da Onça como lugar ideal para suas reuniões festivas.
A Igreja de Santo Antonio, no Bairro da Onça, é de 1915 conforme está gravado na sua parede frontal.
Para a sua construção, foi importante a participação e o trabalho de muitos habitantes da Colônia Agrícola da Constança e imediações.