Imigrantes Italianos no município de Leopoldina

A pesquisa publicada em abril de 2010, por ocasião das comemorações do Centenário da Colônia Agrícola da Constança, sofreu atualizações ao longo do período. Por esse motivo o trabalho que ora se apresenta traz acréscimos ao universo de imigrantes italianos que tiveram algum vínculo com o município de Leopoldina. Permanece a data limite de 1930, ou seja, foram considerados os italianos que residiram no município antes daquela data.

Para melhor compreensão do que será visto neste artigo, é importante lembrar que os atuais municípios de Argirita e Recreio foram emancipados depois daquela data e, portanto, alguns imigrantes que viviam nos distritos que hoje compõem o município de Recreio, assim como os do então distrito de Bom Jesus do Rio Pardo, foram referidos em fontes da sede municipal.

Quanto à metodologia, permanece a convicção de que, para conhecer a trajetória de um imigrante é preciso estudar a composição da família, de tal sorte que seja possível identificá-lo não só aqui no Brasil como também no local de origem. Considerando o período estudado, a fonte primordial, aqui no Brasil, é o registro paroquial. Nos assentos de batismo e casamento é possível coletar, além dos dados de identificação do próprio sujeito, nomes de padrinhos e testemunhas que podem ser do mesmo grupo familiar ou social. Apesar de nem sempre o local de origem das pessoas envolvidas ter sido corretamente informado, a análise das relações sociais das pessoas citadas permite levantar hipóteses para serem pesquisadas. E assim chegou-se ao total de 6.864 italianos ligados direta ou indiretamente a Leopoldina, sendo 4.426 documentados no município. Por conta da prática social de eliminar o sobrenome de família das mulheres casadas, atualmente há 581 mulheres sem origem, já que a investigação é impossível sem saber a qual grupo familiar pertencem.

Como bem lembrou Mioranza (2009, p. 27), “a onomástica envolve áreas da linguística, da antropologia, da sociologia, da geografia, da história e da psicologia”. Isto posto, não se deve desconsiderar o caráter multidisciplinar por conta da acepção da própria palavra, pois onomástica é a arte dos nomes. Toda arte provém de um conjunto de conhecimentos e a onomástica busca suas bases na linguística histórica que reflete o conjunto das práticas de cada momento. Este conceito norteou a decisão de usar a ortografia de cada sobrenome conforme encontrado na mais antiga fonte documental de cada personagem, pois não foram raros os casos em que sobrenomes aparentemente semelhantes no significado foram encontrados escritos de forma diversa conforme a família fosse originária de diferentes regiões italianas. Ressalte-se que os números aqui citados podem mudar sempre que novas fontes forem encontradas. Neste momento são apresentados os 1.173 sobrenomes de imigrantes italianos documentados em Leopoldina.

A título de Bibliografia

Lista simplificada das fontes utilizadas na composição do arquivo de dados relativo aos imigrantes italianos que viveram no município de Leopoldina antes de 1930.

Alistamento Eleitoral de Volta Grande 1900.

Alistamento Eleitoral do município de Leopoldina 1897 a 1900.

Arquivo da Diocese de Leopoldina.

Arquivo da Hospedaria dos Imigrantes de São Paulo.

Arquivo do Judiciário de Leopoldina.

Arquivo Nacional: Manifestos de Vapores, Registro de Estrangeiros, Livros da Hospedaria da Ilha das Flores e da Agência Portuária.

Arquivo Público Mineiro: Livros da Hospedaria Horta Barbosa, Relatórios das Colônias de Imigrantes e Relatórios da Presidência da Província.

Arquivos civis e paroquiais das localidades de procedência dos imigrantes.

Arquivos de cemitérios das localidades onde viveram os imigrantes.

Arquivos de distritos militares italianos.

Arquivos paroquiais das demais localidades onde viveram os imigrantes.

Associação de recuperação e salvaguarda de arquivos históricos italianos.

Cartórios de Nota, de Registro Civil e do Registro de Imóveis de localidades brasileiras onde os imigrantes viveram.

Coleção das Leis da Assembléia Legislativa da Província de Minas Gerais.

Coleção das Leis Municipais de Leopoldina, MG.

Coleção Kenneth Light: documentos da Fazenda Paraíso pertencentes aoArquivo do Museu Imperial de Petrópolis.

Documentos pessoais como Carteira de Estrangeiro, Carteira Nacional de Habilitação e Certidão de Naturalização emitidas por órgãos brasileiros, Certidão Consultar e Passaporte italianos.

Jornais: Correio da Manhã, Rio de Janeiro, RJ; Gazeta de Leopoldina, Leopoldina, MG; O Leopoldinense, Leopoldina, MG; O Mediador, Leopoldina, MG; O Pharol, Juiz de Fora.

Livros Caixa da Câmara Municipal de Leopoldina.

Livros paroquiais italianos e de localidades brasileiras microfilmados pelaIgreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

Portale Antenati. Gli Archivi per la Ricerca Anagrafica. <https://www.antenati.san.beniculturali.it/&gt;

Almanaque de Leopoldina. Leopoldina: s.n., 1886.

ALMEIDA, Salvador Justen de. Fichas Genealógicas das famílias Justen de Almeida e Carvalho. Arquivo Pessoal, 1994-2012.

BOTELHO, Luiz Rosseau. Dos 8 aos 80. Belo Horizonte: Vega, 1979.

BROTERO, Frederico de Barros. A Família Monteiro de Barros. São Paulo: s.n., 1951.

BUZATTI, Dauro José Antigos Povoados de Minas nos Campos das Vertentes. Belo Horizonte: do autor, 1978.

CARNEIRO, Erymá. Do Lombo de Burro ao Computador. Rio de Janeiro:do autor, 1976.

Documentário histórico de Argirita, MG. Argirita, MG: Arquivo da Biblioteca Pública Municipal.

FREITAS, Mário de. Leopoldina do Meu Tempo. Belo Horizonte: Página, 1985.

GONZALEZ, Gildesio Canova. Família Canova. Arquivo eletrônico, 2005.

HÉNAULT, A. Almanak Hénault – Annuario Brazileiro Commercial Illustrado. Rio de Janeiro: s.l., s.d.

LAEMMERT, Eduardo e Henrique. Almanak Laemmert Rio de Janeiro: diversos números.

LOTTIN, Jucely. Colônia Imperial do Grão Pará – 120 anos. Grão-Pará, SC: s.n., 2002.

MATTOSINHOS, José Campos. História de Goianá. Goianá: s.n., 1998.

MENDES, Padre Geraldo Mendes. História Geral do Laranjal. Laranjal: s.n., 1986.

MIORANZA, Ciro. Dicionário dos sobrenomes italianos. São Paulo: Escala, 1997.

MIORANZA, Ciro. Filius Quondam: a origem e o signficado dos sobrenomes italianos. 2 ed. São Paulo: Larousse do Brasil, 2009.

MOREIRA, Rosalina Pinto. Imigrantes… Reverência: italianos na Colônia Santa Maria. O Lutador, 1999.

OLIVEIRA, Elisabeth Dorigo de. Fichas Genealógicas da família Dorigo de Oliveira. Arquivo eletrônico, 2006-2012. RODRIGUES, José Luiz Machado e CANTONI, Nilza. Nossas Ruas, Nossa Gente. Rio de Janeiro: do autor, 2004.

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