189 – A História do Trem de História

Tudo começou por volta de 1998, quando os autores publicaram os primeiros textos sobre os descendentes de imigrantes italianos que habitaram a Colônia Agrícola da Constança. Possivelmente quando contaram um pouco da história da meninada da Boa Sorte, o que despertou a curiosidade de alguns leitores do jornal por “mexer” em assunto totalmente esquecido pelos que anteriormente escreveram sobre a história da cidade.

Surgiram, assim, os primeiros textos sobre famílias italianas e uma série de artigos sobre os 90 anos da Colônia, publicada no Jornal Leopoldinense, esse parceiro gigante que completou duas décadas funcionando, também, como um defensor e guardião eficiente da preservação da história da cidade.

E a viagem seguiu pelo livro “Nossas Ruas, Nossa Gente”, lançado em 2004 e pela série de mais de oitenta artigos que antecederam as comemorações do Centenário da Colônia e os 130 Anos da Imigração Italiana em Leopoldina. Série que culminou com um encarte especial do Jornal Leopoldinense, por ocasião da festa do Centenário da Colônia, em abril de 2010.

No início de 2014 surgiu, então, a ideia de voltar ao compromisso de se fazer presente em todas as edições do Jornal com assuntos mais variados, sempre voltados ao resgate da história da cidade.

Para encimar a coluna prevaleceu a ideia do TREM DE HISTÓRIA, que traz à lembrança uma das maiores e mais importantes ferrovias brasileiras, a Companhia Estrada de Ferro Leopoldina, que tomou por empréstimo o nome da Cidade. Ferrovia que o descaso tanto fez que conseguiu arrancar da cidade os trilhos, a estação e todos os demais vestígios dessa grandiosa empreitada iniciada por leopoldinenses.

Vale registrar que o TREM, ícone que se entende pertinente e oportuno, também se presta para projetar a ideia de torná-lo símbolo da cidade, à moda do que faz Santos Dumont (MG) com o seu 14 Bis, Volta Redonda (RJ) com o aço da CSN e tantas outras.

Ajustadas as ideias e traçados os caminhos a seguir, em 16 de junho do mesmo ano surge sobre imaginários trilhos o primeiro Trem de História. Era a Maria Fumaça que iniciava viagem prometendo trazer para o público da gare uma série de artigos sobre a história da Imprensa em Leopoldina-MG no período de 1879 a 1899. Depois, Augusto dos Anjos, os Expedicionários Leopoldinenses e muito mais. E a partir daí, em seguidas viagens que ocorreram por quase uma década, o Trem de História trouxe para o presente outras partes do passado da cidade que permaneciam nas gavetas do esquecimento.

E seguiu como o trem da música Encontros e Despedidas, cujos versos de Fernando Brant e Milton Nascimento, nos relembram que lá como cá, “O trem que chega / é o mesmo trem da partida / a hora do encontro / é também, da despedida”.

Despedida que se faz agora, também como no cantar de Milton Nascimento, para esquecer a emoção de constatar que “A plataforma dessa estação… é a vida desse meu lugar… é a vida…”

É a vida desta nossa Leopoldina, cuja história o Jornal Leopoldinense abraçou durante os seus 20 anos de existência.

Obrigado, Luiz Otávio e toda a família Meneghite.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 449 no jornal Leopoldinense, outubro de 2023

10 opiniões sobre “189 – A História do Trem de História”

  1. ola,

    meus bisavós italianos Vincenzo Impronta e Gelsomina Tarna vieram para o Brasil com os filhos em navio.

    O amo foi 1897 e desembarcaram no Rio de Janeiro em 20 de outubro, mas não encontrei dados da acomodação deles na Hospedaria das Flores, no Rio de Janeiro.

    No registro do navio consta que o destino foi Belo Horizonte. Qual hospedaria pode ter recebido eles?

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    1. Olá. Dependendo da época, podem ter passado pela Hospedaria Horta Barbosa, em Juiz de Fora. Segundo determinou o Decreto nº 612, de 06 de março de 1893, foi criado no Rio de Janeiro um ponto de desembarque dos passageiros destinados a Minas Gerais. Esta agência fiscal esteve localizada no próprio porto do Rio, não sendo necessário hospedar os imigrantes na Ilha das Flores.

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  2. Boa noite sra. Nilza,
    Foi com muito prazer que pude mostrar à minha mãe, antes de seu falecimento em 2014, as fotos de seus avós maternos. Ela sempre falava deles, a história deles. Arturo Togni e Augusta Pradal vieram da Itália casados de novo e aqui tiveram seus filhos – uma era Maria Úrsula Togni (que casou em 1917 com Luiz Rodrigues Leal), que eram pais de minha mãe (Leonor Leal Togni).
    Eu sei que o casal italiano eram de Rovigo.
    Será que conseguiria mais informações sobre eles? E sobre meus tios avós?
    O que sei é que o caçula era Pedro Togni, tio de minha mãe (que ela foi até Leopoldina conhecer na década de 80).
    Obrigada pela atenção.
    Denise Leal.

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    1. Olá, Denise. Depois das publicações de 2009 sobre a família de Arturo e Augusta, encontrei os nascimentos dos dois filhos mais novos: Pedro em 1916 e Olivia em 1918. Mais tarde, recebi o Atto di Battesimo de Arturo e verifiquei que o sobrenome original era Toni e não Togni como constava nas fontes documentais até então encontradas. Mas o casamento deles não foi localizado e, por faltar a confirmação dos nomes dos pais de Augusta, fiz novas consultas que ainda permanecem em aberto. Vc e seus irmãos nasceram em Paraíba do Sul? Tem interesse em atualizar os dados do seu grupo familiar?

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      1. Bom dia, obrigada pelo retorno. Estou bem contente.
        Minha mãe sempre disse TONI, mas como você (desculpe a intimidade) colocou nas pesquisas Togni, achei que poderia ser vicio de linguagem (abrasileirar). Kkk
        Bem, parece que Arturo e Augusta casaram antes de vir, pois não se aceitavam italianos homens solteiros imigrantes. E minha mãe dizia que eram casados na igreja (era aceito só o religioso).
        Minha mãe dizia que os pais dela (Luiz e Maria Úrsula), viveram sim em Paraiba do Sul. Mas nem todos os filhos nasceram lá, pois se mudaram para Paulo de Frontin. Onde há muitos descendentes LEAL ainda (nome do meu avô Luiz).
        Nós, netos de Maria Ursula, gostaríamos muito de ter copia de documentos de nossos bisavós. É muito emocionante saber que somos parte da descendência da história da Imigração no Brasil.
        Como podemos encontrar você?
        Obrigada maus uma vez.

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      2. Denise: desconheço impedimento para entrada de homens solteiros. Pelo contrário, tenho registro de dezenas de imigrantes que passaram ao Brasil a partir de 1875, solteiros, desacompanhados. Quanto a ser casamento religioso ou civil, em Minas Gerais o civil foi regulamentado na década de 1860, mas não era obrigatório. No município de Leopoldina, o casamento civil se tornou mais frequente a partir de fevereiro de 1888. Na Itália, em algumas regiões há livros de casamento civil a partir da década de 1870.
        Se você quiser atualizar os dados do seu grupo familiar, informando nomes, datas e locais de nascimento, poderei emitir um relatório com sua ascendência conhecida.

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  3. Bom dia!
    Estou procurando mais informações sobre alguns familiares que eram da região:
    Antônio Fernandes de Oliveira
    Maria da Paz Oliveira
    José Fernandes de Oliveira
    Maria do Amor Divino André

    Sabe como posso conseguir?
    Muito obrigada!

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